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Atendendo a pedidos de muitos que não se adaptaram (ou nem querem se adaptar) aos e-books, finalmente a versão impressa de ELA.
O livro tem até o momento 17 avaliações no site da Amazon: 15 dando 5
estrelas para ele. O colunista da Folha, Alvaro Costa e Silva, o
Marechal, escreveu sobre ELA:
"Mello, gostei muito do ELA. Passei o fim de semana lendo na maior curtição. O início é uma pancada, de ritmo trepidante, como os antigos radialistas que ficavam atrás do gol – e o restante da narrativa segue no mesmo tom. Um pesadelo integralmente vivido e descrito com mão segura mas leve. Diversão de primeira, sem no entanto alienar o leitor da realidade."
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Sian Phillips, irmã do jornalista Dom Phillips, assassinado no mês passado no Vale do Javari, junto com o indigenista Bruno Pereira, organizou uma campanha de arrecadação de dinheiro para os indígenas daquela região.
Na página para a arrecadação está escrito:
Para doar, clique aqui.Dom Phillips e Bruno Pereira foram brutalmente assassinados na região do Vale do Javari, na floresta amazônica brasileira (perto das fronteiras com Peru e Colômbia) em 5 de junho de 2022. Eles estavam relatando um conflito cada vez mais intenso entre os povos indígenas (muitos dos quais nunca estiveram em contato com a sociedade moderna) e grupos envolvidos em uma série de atividades ilegais, incluindo pesca, extração de madeira, mineração e tráfico de drogas em suas reservas. Dom estava relatando esforços para ajudar os indígenas a se defenderem, trabalho no qual Bruno esteve engajado, juntamente com membros da UNIVAJA (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, https://univaja.info ).
Após o desaparecimento de Dom e Bruno, os indígenas trabalharam incansavelmente na missão de busca e resgate. Eles foram os primeiros a encontrar evidências do ataque que, esperamos, leve os agressores à justiça. As famílias são eternamente gratas por esses esforços.
Em memória de Dom e Bruno, Sian Phillips, irmã de Dom, está organizando esta arrecadação de fundos. Todos os recursos serão repassados à UNIVAJA para apoiar as atividades em andamento para combater as ameaças de atividades ilegais nas reservas. É essencial marcar os limites das regiões protegidas e ter a tecnologia de vigilância e comunicação para detectar incursões e respondê-las sem demora, as compras incluiriam antenas, telefones por satélite, rádios, equipamentos de internet e outros itens conforme necessário.
Em sua coluna na Folha hoje, Celso Rocha de Barros define o governo Bolsonaro como o governo de um homem que não trabalha.
É ironia. E é verdade também. E também é polêmica a afirmação. Porque Bolsonaro trabalha, sim. Para proteger-se e aos seus. Para alimentar seus eleitores, apoiadores e aqueles a quem ele serve para se servir: a turma da Bolsa, do agro, do gado, das armas, milícias.
Sorte que o dia 2 de outubro se aproxima e o povo brasileiro vai varrer todo esse entulho autoritário para a Papuda.
A coluna de Celso Rocha de Barros, na Folha:
Bolsonaro não trabalha
Jair Bolsonaro não trabalha. Diante de todo problema enfrentado pelo Brasil, Bolsonaro sempre escolhe a solução em que ele não precisa fazer nada.
O caso mais trágico foi o combate à pandemia. Organizar o isolamento social, como recomendava a Organização Mundial de Saúde, seria uma tarefa extraordinariamente complexa: "muito serviço", Jair pensou, e desistiu da ideia.
No início da pandemia, alguns países tentaram outras estratégias, às vezes combinadas com o isolamento, como a testagem em massa com rastreamento dos contatos dos doentes. "Eu que vou organizar a fila?", perguntou-se Jair, e também desistiu. Bolsonaro chegou a defender que só os idosos ficassem isolados, mas apressou-se em dizer que não era ele quem ajudaria aqueles velhos todos, isso era problema de cada família.
Eis que o deputado extremista Osmar Terra ofereceu a Jair a tese da "imunidade de rebanho". Ampla e irrefutavelmente refutada pelos fatos, a tese da imunidade de rebanho dizia que Bolsonaro não precisava fazer nada para combater a pandemia de Covid-19: bastava deixar o vírus circular até que os sobreviventes ficassem imunes. Bolsonaro não ouviu nada depois de "não precisa fazer nada": comprou a ideia na hora.
Notem bem: quando Bolsonaro decidiu por esse caminho, não existia vacinas. Não é que Jair tenha topado deixar morrer as 670 mil que morreram. Ele topou deixar morrer os milhões que teriam morrido se a vacina não tivesse sido inventada e se Doria não a tivesse comprado.
Solução de Bolsonaro para segurança pública? Compre você mesmo uma arma e mate você mesmo a bandidagem. Inclusive, já fique você avisado que o bandido também vai comprar arma nova. Fiscalizar quem é ou não é bandido daria trabalho, e Bolsonaro não trabalha.
Solução de Bolsonaro para crianças que ficaram sem escola na pandemia? Home schooling. Os pais que se virem para dar aulas para seus filhos. Pais pobres que não puderam estudar e não conhecem as matérias que seus filhos estudam, pais que depois do trabalho pegaram duas horas de trem e chegam cansados em casa, eles que aceitem trabalhar mais para Bolsonaro poder trabalhar menos.
Bolsonaro sempre foi um crítico dos ecologistas. Poderia, portanto, ter proposto uma reforma da legislação ambiental. Mas isso também exigiria estudos, negociações, reuniões, enfim, trabalho. Jair preferiu desmontar a fiscalização ambiental: assim, não faz diferença qual é a lei, já que ninguém vai aplicá-la, e "fiscalizar floresta" passa a ser um trabalho a menos para Bolsonaro fazer.
Não é questão de liberalismo. Implementar reformas liberais também dá trabalho, como mostra a experiência de vários governos brasileiros. Privatizar, por exemplo, exige decidir sobre o modelo de privatização, exige elaborar um quadro regulatório. Cortar impostos implica decidir que impostos serão cortados, que programas serão reduzidos após a perda de arrecadação. Isso tudo é trabalho, e trabalho Bolsonaro não quer.
Não é questão de laissez-faire, o Jair só não quer faire serviço nenhum.
Assim funcionou o Brasil nos últimos três anos e meio. Para saber que política pública seria implementada pelo governo federal, bastava descobrir qual das opções dispensava Jair Bolsonaro de sair do WhatsApp, colocar uma calça e dar expediente.
Coluna de Silvio Almeida, advogado, professor visitante da Universidade de Columbia, em Nova York, e presidente do Instituto Luiz Gama, hoje na Folha:
O Brasil e seus inimigos
Por mais terrível que possa soar, por mais contraditório que pareça e por todas as consequências que traga, é preciso reconhecer que o presidente da República é um inimigo do povo brasileiro. Certamente alguém dirá —e com razão— que ele não está sozinho, que ele é apenas um lacaio de grupos empresariais e de militares que nunca aceitaram o fim da ditadura, mas o presidente da República é hoje a face mais visível do pior do Brasil.
Não que o Brasil já tenha sido um paraíso ou que algum dia o povo brasileiro tenha sido tratado pelo Estado com carinho e dignidade. Entretanto, é difícil pensar em outros momentos de tamanha indecência e descaramento, mesmo em um país cuja história é marcada de uma ponta a outra pela violência e pela desigualdade.
O governo de Jair Messias Bolsonaro é a encarnação mais viva e apodrecida do que tenho chamado de "tendências estruturais da formação social brasileira", a saber: o autoritarismo, a dependência econômica e o racismo. Estas "tendências" são forças constitutivas da vida nacional, que se manifestam mesmo diante de arranjos político-institucionais republicanos e democráticos, tal como o conferido pela Constituição de 1988.
Em outras palavras: mesmo quando o Brasil não estava tomado pela absoluta indigência política, jamais deixou de ser autoritário, racista e dependente. A diferença é que este governo, além de não fazer oposição a tais tendências, muito pelo contrário, trabalha ativa e orgulhosamente pelo aprofundamento do autoritarismo, pela disseminação do racismo e pela destruição de toda e qualquer possibilidade de soberania econômica. É um governo de antibrasileiros, racistas e entreguistas.
A esta altura do jogo, está evidente que Bolsonaro não apenas quer dar um golpe de Estado, mas que ele é o próprio golpe. Ele é o golpe nosso de cada dia. Sua sobrevivência política e a de seu grupo dependem do golpe e de golpes sucessivos.
Ele é a "vitória dos derrotados" pelo fim da ditadura e pela demissão de Sylvio Frota; ele é a bomba do Riocentro que explode todos os dias em nosso colo; ele é o grito dos grandes corruptos contra a corrupção, e que só tem por objetivo minar a confiança do povo na política; ele é a personificação da fome, da doença, do desemprego e da desigualdade que muitos cinicamente desejam para o país, tal como revelou o empresário que o apoia e que teria lhe apresentado sua cara-metade, o ministro da Economia.
Por estes motivos, o presidente e sua turma não podem se dar ao luxo de perder as eleições. A questão aqui não é ganhar, porque "ganhar" significa, talvez mais do que "perder", submeter-se às regras do jogo constitucional, e isso ele nunca quis e não vai querer. Só o golpe, a fraude, a farsa, o caos e a violência sem limites interessam.
Ele não aceitará outra coisa que não seja sua permanência no poder, pois se for derrotado poderá (e deveria) ser processado criminalmente, e o bando de autoritários, corruptos e arautos da miséria que o acompanha deixá-lo-á na estrada, abandonado, assim como o próprio costuma fazer com muitos de seus antigos aliados.
Mas repetir à exaustão que Bolsonaro quer dar um golpe e nada fazer para impedi-lo só serve para naturalizar a presença de um golpista na cabeça do poder do Estado, além de plantar as sementes para que em alguns meses as pessoas assistam bestializadas a uma possível invasão do TSE ou do STF, como se fosse um seriado de TV.
Desse modo, tudo o que acontecer daqui para a frente e, especialmente, se custar sangue derramado por estes golpistas, será não apenas responsabilidade do golpista-em-chefe instalado na Presidência, mas também de todos aqueles que tendo o dever político e até jurídico de fazer algo para impedir que ele tenha sucesso, gostosamente, se omitem.