quinta-feira, 8 de setembro de 2022

'Punir Bolsonaro e seus próximos, por tudo o que fizeram nestes anos, é uma condição necessária para a reconstrução da democracia no Brasil'

Apostando que STF e TSE não terão força para barrar sua candidatura, o criminoso usou o dia da Independência para fazer campanha política, usando para isso do cargo que ocupa provisoriamente, dos militares e empresários que o apoiam, para uma mais que descarada manifestação eleitoral em favor de sua candidatura.

Como já publiquei aqui há dois meses ('Se não for preso, tô no lucro' —é o que move Bolsonaro), o objetivo de Bolsonaro agora não é nem ser reeleito (coisa na qual nem ele mesmo acredita), é se livrar e aos filhos da Papuda que os espera.

O cientista político Luis Felipe Miguel publicou texto neste sentido (de onde retirei a frase que dá título à postagem), hoje em seu perfil no Facebook, que reproduzo a seguir.

Bolsonaro conseguiu o que queria?
É difícil comparar o público das manifestações de ontem com o 7 de setembro do ano passado. Tinha muita gente, tanto antes como agora, mas foi mais ou foi menos?
Isso importa pouco. Bolsonaro mostrou que tem grande capacidade de mobilização - alavancado por fartíssimo financiamento, é verdade.
Mostrou também que conta com a cumplicidade dos militares, que não se furtaram a cumprir seu papel no sequestro das comemorações do bicentenário da independência.
O desvirtuamento da festa cívica, transformada em evento de campanha, valeria a impugnação de sua candidatura. Mas ninguém acredita que a Justiça vá agir.
Também merecia punição o golpismo insinuado nas falas de Bolsonaro e explicitado nas faixas do público e nos discursos de muitos de seus apoiadores. Mas o Supremo, parece, prefere comemorar que foi menos atacado.
Como evento de campanha, o 7 de setembro não foi um sucesso. Bolsonaro continua falando só para seus fiéis.
Dado o pífio efeito das medidas eleitoreiras, ele teria que mudar o registro, para reduzir a taxa de rejeição e conquistar mais votos. Mas parece incapaz de fazer isto.
Como preparação para um golpe, o 7 de setembro também não funcionou. Há muita gente ensandecida, querendo ditadura? Há. Mas não parece haver força ou liderança para a virada de mesa que Bolsonaro insinua.
O saldo para ele, portanto, é mesmo a capacidade de mobilização. É seu trunfo para ver se escapa da cadeia, depois de sair do poder.
Resta saber se essa capacidade de mobilização continua, sem os recursos públicos - e talvez com menos interesse dos empresários que hoje o cercam e adulam.
De todo jeito, punir Bolsonaro e seus próximos, por tudo o que fizeram nestes anos, é uma condição necessária para a reconstrução da democracia no Brasil.
Pagamos - continuamos pagando - um preço muito alto por não termos punido os torturadores de 1964. Por covardia, por falta de tirocínio político, tudo travestido em "conciliação".
Não vamos repetir o mesmo erro. É preciso mostrar que atos têm consequências.


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