quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

'Cássia Eller e Victor Biglione in Blues' lançado finalmente, 30 anos após as gravações. Imperdível

Como prometi ontem na postagem Gravações inéditas de Janis Joplin e Jorma Kaukonen em The Legendary Typewriter Tape, de 1964, hoje é dia de Victor Biglione e Cássia Eller, um lançamento com muitas semelhanças: cantoras em início de carreira, acompanhadas por guitarristas poderosos, gravados há muitos anos (o de Janis há quase 60 anos; o de Cássia, a metade), que vêm a público quase que ao mesmo tempo.

O projeto, lembra Biglione, nasceu após uma viagem do músico aos Estados Unidos no início de 1991. “Eu me ressentia que não tínhamos no Brasil um trabalho de releituras que expressasse a riqueza que a linguagem blues traz consigo”, conta o instrumentista e arranjador, que selecionou o repertório e buscava uma voz feminina que encarnasse o projeto. “Uma produtora amiga, Lígia Alcantarino, me indicou uma cantora iniciante chamada Cássia Eller. Ouvi Cássia cantando a faixa ‘Por Enquanto’, de Renato Russo, em que citava na introdução ‘I’ve Got a Feeling’, de Lennon e McCartney. Logo vi que ela tinha essa pegada”, rebobina o guitarrista consagrado nacional e internacionalmente e que a essa altura já tinha três álbuns solo, um Grammy Internacional com o grupo Manhattan Transfer, em 1988, e já era um dos mais requisitados músicos de estúdio, o que o levou mais tarde a ser guitarrista com o maior número de gravações e shows na história da MPB.

Cássia, por sua vez, havia lançado seu primeiro álbum, “Cássia Eller” (Polygram, 1990), com um repertório dominado pelo rock’n’roll, e vinha arrancando elogios da crítica, pavimentando os primeiros passos de uma carreira apoteótica que lhe renderia inúmeras premiações como o Grammy Latino, em 2002, os prêmios Sharp (1991, 1993, 1995, 1997, 1998 e 2002) e Multishow (2002), entre outros.

“Lembro que a Cássia foi à minha casa bem tímida. Passei a ela o repertório e, três dias depois, no primeiro ensaio com a banda, ela já havia dominado todas as canções com interpretações estonteantes e cheias de personalidade. Todos ficaram de queixo caído, pois ela não conhecia aquelas obras até então”, revela Biglione.

Composto por 10 faixas, sendo duas instrumentais, “Cássia Eller & Victor Biglione in Blues” reuniu no estúdio músicos de alta qualidade, recrutados por Biglione, que assinou os notáveis arranjos e dividiu a produção musical com o saxofonista Zé Nogueira. Participam da banda-base André Gomes (baixo elétrico), André Tandeta (bateria), Marcos Nimrichter (órgão), Ricardo Leão (teclados) e Nico Assumpção (baixo acústico), falecido precocemente em 2001, que toca em duas faixas. Guitarrista de excelência, Biglione esbanja sua técnica por todo o trabalho travando diálogos inventivos com Cássia Eller. Há que se registrar ainda o arrepiante naipe de metais que reunia Zé Nogueira (sax alto e soprano), Zé Carlos Ramos, o Bigorna (sax alto), Chico Sá (sax tenor), Bidinho (trompete) e Serginho Trombone (trombone), morto em 2020. A captação, mixagem e masterização foram feitas por Sérgio Murilo. [leia mais aqui, onde há até uma apresentação feita por Victor Biglione faixa por faixa. Vale a pena].

Ouça uma das faixas, When Sunny Gets Blue, e procure pelas demais nos canais de streaming, porque vinil, CD etc estão programados apenas para o meio do ano que vem.


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