Ele foi nosso companheiro na pandemia, mas chegou a hora de dizer adeus

Tivemos muitas horas juntos. Aliás, às vezes enlouquecidamente juntos. Mas o fim desse relacionamento é para o nosso próprio bem

A pandemia da Covid-19 matou mais de 700 mil brasileiros. Em seu auge, os hospitais estavam abarrotados, não havia ainda vacina e ninguém foi mais companheiro nessas horas contra o coronavírus do que ele.

Ninguém saía de casa sem ele.  

— Tá maluco?!

Aliás, praticamente não fazíamos nada sem ele. Se apertávamos o botão do elevador — ele. No supermercado para pegar o carrinho ou as cestas — ele. E na volta do supermercado, em todas as compras, enlouquecidamente — ele, o álcool 70.

Havia quem tomasse banho dele, se alguém espirrasse ou tossisse, mesmo que do outro lado da rua, tal era a paranoia.

A pandemia deixou as ruas das cidades desertas. E qualquer um que ainda ousasse sair de casa, sempre andava com um frasco pequeno dele, nossa arma contra o inimigo.

Mas, agora, chegou a hora de darmos adeus a ele. A venda do álcool líquido volta a ser proibida em todo o Brasil a partir do dia 29 de abril.

Porque nosso grande companheiro também tem um lado B: por ser altamente inflamável, ele provoca graves queimaduras e pode até causar a morte.

Dessa vez, para nos proteger, temos de nos desapegar dele e abandonar de vez o álcool líquido. Mas só ele.

O prazo final previsto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para a comercialização de álcool líquido é o dia 29 de abril. “A partir daí, a disponibilidade será apenas em outras formas físicas, como gel, lenço impregnado, aerossol”, explica a Anvisa.

Felizmente, para os que desenvolveram TOC, ou simplesmente — como gostam de dizer — os que são mais prevenidos, podemos fazer uso dele sempre que precisarmos nas outras versões.

Proibido está apenas o álcool líquido. Para ele fica o nosso adeus agradecido, torcendo que ele nunca mais seja necessário.




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