"A conta de água mais cara pode ajudar a frear o consumo, porque o saldo deixado por 2025 é muito preocupante."
Assim começa reportagem sobre a falta de água em São Paulo no SP1, telejornal local da Rede Globo. Aliás, na reportagem não se fala em falta de água nem há entrevista com a população sobre o aumento e o desabastecimento de água na Grande São Paulo, que deixou consumidores sem água no Natal e no Réveillon. Quando o governador tem a simpatia da Globo, tudo é diferente.
A culpa pela falta de água é jogada nas costas da população na segunda frase da reportagem:
"São Paulo, gente, nunca consumiu tanta água, foi um recorde."
Este é o recorde que é apresentado como negativo, o do consumo da população. Mas há um outro recorde que a Globo recorta como positivo, o do aumento da captação de água pela Sabesp.
Ele é tratado como algo positivo, a se comemorar, na manchete que chama para a matéria no site do programa: "Sabesp bate recorde de captação em 2025". Esta é a manchete e não o aumento de 6,11% na conta de água da Sabesp.
Quem lê apenas o título e não vê a matéria pensa que a Sabesp está fazendo ótimo trabalho. Só que não. Há um outro lado que mostra que o aumento ("recorde"!) está esvaziando os reservatórios, o que pode levar São Paulo a uma crise semelhante à grande crise hídrica de 2014, quando São Paulo teve que se abastecer do chamado Volume Morto.
Para tentar minimizar o problema, a Sabesp tem diminuído a pressão da água, o que já fez duas vezes. O problema é que a diminuição da pressão faz com que a água não chegue a pontos mais altos e a população desses locais fique sem água.
O governador Tarcísio de Freitas, que nem é citado na reportagem e assiste de camarote nos Estados Unidos à seca no estado, havia dito que com a privatização da Sabesp não faltaria água em São Paulo.
“Não vai ter apagão da água. Não tem nada a ver o contrato e a regulação. Se você pegar o contrato, é absolutamente diferente. O contrato é um contrato que incentiva investimento,
Não vai ter apagão da água, coisa nenhuma. Quem fala isso, quem defende isso, desconhece absolutamente o setor de saneamento, a regulação por base de ativos, o contrato, como está a agência reguladora. Desconhece tudo, desconhece absolutamente tudo”, afirmou.
A situação em vários pontos de São Paulo é tão grave que o PROCON de Ferraz de Vasconcelos notificou a Sabesp em 30 de dezembro:
PROCON DE FERRAZ NOTIFICA SABESP POR FALTA DE ÁGUA E PEDE RESTABELECIMENTO IMEDIATO DO FORNECIMENTO
O Procon de Ferraz de Vasconcelos notificou nesta terça-feira, dia 30, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pelos problemas relacionados a falta de água na cidade. A notificação é baseada no artigo 22, parágrafo 4º da Lei Federal nº 8.078/90 do Código de Defesa e Proteção do Consumidor.
Na notificação, o Procon solicita esclarecimentos referente a constante falta de fornecimento de água em diversos bairros da cidade, situação que tem ocasionado um elevado número de denúncias e reclamações formais registradas junto ao órgão.
Conforme relatos recebidos, há consumidores que se encontram há vários dias consecutivos sem o fornecimento de água, ou com informações claras sobre a interrupção e a previsão de normalização do serviço. Até as crianças estão sendo afetadas, segundo o Procon. Fica estabelecido o prazo de 36 horas, a contar do recebimento deste auto de notificação para que a concessionária encaminhe resposta formal ao órgão, elencando as causas, previsão de normalização, ações preventivas e providências.
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