Milei corta passagens para crianças com câncer: "Há coisas muito mais importantes do que vocês"

Não, você não eu errado. O presidente da Argentina Javier Milei decidiu cortar o reembolso de passagens para crianças em tratamento contra o câncer e também para pessoas com deficiência e transplantados.

 

"Decidimos eliminar o sistema de compensação financeira que o Estado pagava para passes de ônibus gratuitos para pessoas com deficiência, transplantados e crianças com câncer. Vou repetir: não há dinheiro. Há coisas muito mais importantes do que vocês; esse dinheiro deveria ser destinado a elas".

 

 

Quando os argentinos decidiram entregar o destino do país nas mãos de um homem que confessadamente dizia se aconselhar com a alma de seu cachorro morto, que lhe dava "informes" através de uma médium, que transcodificava as mensagens caninas para Milei, fizeram uma aposta de alto risco, e estão pagando um preço por ela.

Agora, cortar subsídios de passagens de ônibus para crianças com câncer, deficientes e transplantados, em nome de coisas "muito mais importantes"... O que seria mais importante que vidas humanas?

A resposta para o ultraliberal Milei é clara e óbvia: a liberdade de mercado, ajustes fiscais, pagamento de dívidas, inclusive com o FMI, onde a Argentina está encostada e se equlibrando.

O povo paga por isso. Inclusive crianças.

20% a menos na aposentadoria: a assustadora realidade na Argentina de Javier Milei


Com inflação de 32% ao ano e reajustes incompletos, aposentados argentinos vivem em situação de desespero.

As aposentadorias na Argentina perderam poder de compra desde o início do governo de Javier Milei, principalmente entre os beneficiários que recebem o valor mínimo e dependem de um complemento pago pelo governo federal, segundo levantamento do Centro de Economia Política Argentina (CEPA).

A aposentadoria mínima na Argentina é de 403 mil pesos argentinos (o que equivale a aproximadamente R$ 1.417). O valor foi corrigido pela inflação anual (32,6%) após meses sem reajuste.

Mas uma parte crucial do benefício simplesmente está congelada há anos — o bônus extraordinário de 70 mil pesos (R$ 246), pago aos aposentados de menor renda.

O valor do benefício adicional permanece inalterado desde março de 2024. Embora o governo tenha mantido o pagamento do bônus, não houve qualquer reajuste para acompanhar a inflação.

Segundo o CEPA, quando o bônus é incluído no cálculo da renda total dos aposentados que recebem o benefício mínimo, a perda real chega a 18,8% entre fevereiro e abril deste ano, em comparação com o período final do governo anterior.

O resultado reflete a combinação entre a alta inflação, que segue acima do patamar dos 20% ao ano, e o congelamento do valor adicional.

Sem considerar o bônus, a queda do poder de compra das aposentadorias é menor, estimada em 2,9%. Ainda assim, o centro de estudos argumenta que a inclusão desse complemento é fundamental para medir a situação dos aposentados mais pobres, que dependem diretamente desse pagamento extra para complementar a renda.

À título de comparação, a aposentadoria no Brasil, vinculada ao salário mínimo, é de R$ 1.621,00. O valor é reajustado anualmente acima da inflação.

Nesse cenário, a aposentadoria mínima, descontada a inflação e sem considerar o bônus, acumulou uma perda de 12,1% do poder de compra em relação ao custo de uma cesta de consumo atualizada.

Segundo os cálculos do CEPA, se o bônus tivesse sido reajustado pelos mesmos critérios aplicados às aposentadorias, seu valor hoje seria de 198.015 pesos.

Isso significa que os beneficiários da aposentadoria mínima estão recebendo cerca de 128 mil pesos a menos por mês do que receberiam caso o complemento tivesse acompanhado a inflação.

A situação dramática tem enfraquecido fortemente o presidente Javier Milei, que observa uma grande queda de popularidade na segunda metade do seu governo: atualmente, 58,3% da população rejeita a gestão.


 

 



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