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Domingo com Poesia. 3 vezes Brecht

Brecht

O Vosso tanque General, é um carro forte


Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar

[Tradução:Joaquim Cardoso]

***

Nada é impossível de mudar


Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.

[Tradução: Edmundo Moniz]

***

Elogio da dialética


A injustiça vai por aí com passe firme.
Os tiranos se organizam para dez mil anos.
O poder assevera: Assim como é deve continuar a ser.
Nenhuma voz senão a voz dos dominantes.
E nos mercados a espoliação fala alto: agora é minha vez.
Já entre os súditos muitos dizem:
O que queremos, nunca alcançaremos,

Quem ainda está vivo, nunca diga: nunca!
O mais firme não é firme.
Assim como é não ficará.
Depois que os dominantes tiverem falado
Falarão os dominados.
Quem ousa dizer: nunca?
A quem se deve a duração da tirania? A nós.
A quem sua derrubada? Também a nós.
Quem será esmagado, que se levante!
Quem está perdido, que lute!
Quem se apercebeu de sua situação, como poderá ser detido?
Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã.
De nunca sairá: ainda hoje.

[Tradução: Haroldo de Campos]







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O maravilhoso mundo dos bancos no Brasil

Em sua coluna de O Globo hoje, Mauro Halfeld mostra a enormidade dos ganhos dos bancos no Brasil. Nunca foi tão fácil. Halfeld mostra a situação de uma pessoa hipotética, que, em 1994, logo no primeiro mês do Plano Real, tivesse utilizado mil reais do limite de seu cheque especial para aplicar na compra de títulos de capitalização corrigidos pela TR, sem nada quitar ou resgatar até julho de 2007. Os números são impressionantes:

. Teria pouco mais de R$ 2.600 a receber da aplicação
. Teria uma dívida de quase R$ 3 bilhões (não há erro, são bilhões mesmo!) no cheque especial

“O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um banco?” – pergunta Mackie Messer na Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht.

A “grande imprensa” de Kamel está de joelhos diante do ministro Jobim, que estaria tomando – a seu ver – medidas de macho diante da crise aérea. Por que não bradam por alguém que faça o mesmo em relação aos bancos, financeiras e suas milionárias Fundações? Quando vão estancar a roubalheira desses Robin Hood às avessas, que tomam dinheiro dos pequenos depositantes em benefício dos milionários?

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