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Nova Vaza Jato mostra que medo de crise no sistema e de perder a boquinha das palestras barrou investigação contra grandes bancos



Vaza Jato revela por que a Lava Jato nunca investigou os grandes bancos


Nova reportagem da Vaza Jato, desta vez numa parceria entre o Intercept e o El País, mostra que Deltan Dallagnol faturou, e muito, com palestras para grandes bancos.

Mostra também que os procuradores, tão valentes em destruir a reputação do melhor presidente da história do Brasil, segundo pesquisa popular, e em destruir nossas gigantes empreiteiras, em benefícios das estadunidenses, tinham medo do tamanho dos bancos, do risco de uma grande crise.

Como poderiam ter medo de crise, se eles provocaram com medidas espetaculares, prisões de cinema, a paralisação e a comoção no país?
Nada disso, o medo que eles tinham é de que o poder dos bancos, que são quem no fim e no fundo mandam no Brasil e no mundo (o Mercado), desse um basta na Lava Jato. E também o medo de perder umas palestras bem remuneradas para chegar aos 400k, não é, Dallagnol?
“O Banco, na verdade os bancos, faturaram muuuuuuito com as movimentações bilionárias dele”. A frase é do procurador Roberson Pozzobon, da força-tarefa de Curitiba da Operação Lava Jato, escrita numa troca de mensagens com seus colegas em 16 de outubro do ano passado. Pozzobon se refere às movimentações financeiras do empresário e lobista Adir Assad, condenado por lavagem de dinheiro, acusado de envolvimento em diversos escândalos de corrupção, incluindo o da Petrobras. Em conversas pelo Telegram, obtidas pelo The Intercept e analisadas em conjunto com o EL PAÍS, os procuradores debatiam o caso de Assad. Eles sabiam que o doleiro havia aberto uma conta no Bradesco nas Bahamas para lavar dinheiro “a rodo”. E que, em 2011, o Compliance Officer, setor responsável por fazer o banco cumprir normas legais, teria alertado o Bradesco de que havia algo errado com essa conta. “E o que o Bradesco fez?”, perguntou Pozzobon. “Nada”, ele mesmo responde.
Antes das negociações com Palocci, porém, os procuradores já levantavam a tese de que os bancos lucraram com a corrupção, preferindo o silêncio ao escrutínio de movimentações suspeitas, como mostra o diálogo no início deste texto. Embora a hipótese parecesse plausível, a força-tarefa estabeleceu como estratégia fazer acordos com essas instituições, em vez de investigá-las esmiuçando seu modus operandi, a exemplo do que foi feito com as empreiteiras. É o que se constata no documento “Ideias e Metas FTLJ 2017_2018” [imagem acima], enviado em um dos chats em 2016, que trazia um resumo das ações futuras para cercar as empreiteiras, bancos, doleiros e políticos. Nessa lista, constavam nomes, como o da ex-presidenta Dilma Rousseff e o de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da estatal Dersa e acusado de ser o operador financeiro do PSDB. Para empreiteiras, a meta era apresentar ações penais já que era “necessário responsabilizar todas as empresas”. No caso dos bancos, no entanto, descreve-se o objetivo de fazer acordos “a título de indenização por lavagem de dinheiro e falhas de compliance”. Essa opção, segundo conversa entre os procuradores, levava em conta o chamado "risco sistêmico", conceito financeiro que supõe um possível efeito dominó para a economia. [Leia a reportagem completa no El País]
Em maio de 2017, publiquei aqui no Blog este vídeo, onde estranhava o silêncio da Lava Jato sobre os bancos. Agora sabemos o porquê.






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Na contramão do Brasil e a serviço dos bancos, O Globo fabrica crise entre Febraban e governo. Pior para os bancos

Reprodução de capa de O Globo com suposta reação de bancos a Dilma
Mantendo sua tradicional postura a favor do mercado e contra qualquer política de governo em favor dos mais pobres, O Globo ontem lançou manchete tentando criar uma crise entre governo e bancos. Sua manchete, reproduzida ao lado, foi "Bancos reagem a Dilma e não garantem crédito maior".

Houve alguma declaração da Febraban ou dos bancos ou mesmo de algum banco nesse sentido? Não. A reportagem do jornal feita a partir da manchete retrata isso. Tudo se baseou num relatório produzido pelo economista-chefe da federação:


Intitulado "Informativo Semanal de Economia Bancária", o relatório é o resultado de uma consulta feita pela própria Febraban junto aos bancos sobre as principais estimativas dos bancos. No texto divulgado ontem, não há menção sobre a pressão do governo. O texto de Sardenberg diz que "a mudança nas regras da poupança funcionou como estímulo adicional para o mercado trabalhar com a expectativa de novos cortes na Selic". Mas, em seguida, pondera que a "questão que se coloca agora é até que ponto essas reduções (de juros e da remuneração da poupança) vão estimular a ampliação da oferta de crédito". Para a Febraban, o país vive hoje um paradoxo econômico, que funciona como obstáculo para os objetivos do Planalto. "A piora dos indicadores, especialmente os externos, abre espaço para quedas adicionais dos juros básicos, mas ao mesmo tempo parece impor uma cautela adicional aos agentes econômicos" [íntegra aqui].


Como se vê, não há reação alguma feita pelos bancos. Tudo ficaria por aí se O Globo não tivesse puxado o relatório para sua capa com uma manchete agressiva, dizendo que os bancos estavam reagindo ao governo.

Pior para os bancos. A presidenta, segundo contam, não teria ficado nem um pouco satisfeita e exigiu uma retratação da Febraban. E que fosse feita por escrito. A Febraban concordou e a nota foi emitida na tarde de ontem. Trecho (o destaque em negrito é meu):


A Diretoria de Economia da FEBRABAN produz o Informativo Semanal de Economia Bancária-Iseb há quatro anos. A edição de nº 140, divulgada na segunda-feira dia 7 de maio, trouxe uma análise da conjuntura do mercado de crédito baseada em dados e estatísticas públicos e na pesquisa sobre expectativas e projeções e opiniões dos analistas, que não podem ser interpretados como um posicionamento oficial da entidade ou de seus associados. [íntegra aqui]

Reprodução de capa de O Globo, com retratação da Febraban
Hoje, com o rabo entre as pernas, olha onde foi parar a manchete de ontem. Num cantinho envergonhado, com a retratação dos bancos, que, na verdade, deveria ser a retração de O Globo, que, na ânsia de agradar seus patrocinadores, quis ser mais realista que o rei e quebrou a cara.

O Brasil segue em frente, apesar das cascas de banana das Organizações Globo.

Dilma: 'Tudo que um país produz é fruto do esforço do trabalhador e por isso todo trabalhador tem o direito de usufruir de tudo que o seu país produz'



Pronunciamento da presidenta Dilma feito em rede nacional de TV no dia 30 de maio de 2012, em homenagem ao Dia do Trabalhador.

A presidenta enfoca as linhas mestras de seu governo, na defesa dos trabalhadores e dos mais pobres, e critica bancos:

"Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra, com presteza e honestidade, os seus compromissos.”

O maravilhoso mundo dos bancos no Brasil

Em sua coluna de O Globo hoje, Mauro Halfeld mostra a enormidade dos ganhos dos bancos no Brasil. Nunca foi tão fácil. Halfeld mostra a situação de uma pessoa hipotética, que, em 1994, logo no primeiro mês do Plano Real, tivesse utilizado mil reais do limite de seu cheque especial para aplicar na compra de títulos de capitalização corrigidos pela TR, sem nada quitar ou resgatar até julho de 2007. Os números são impressionantes:

. Teria pouco mais de R$ 2.600 a receber da aplicação
. Teria uma dívida de quase R$ 3 bilhões (não há erro, são bilhões mesmo!) no cheque especial

“O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um banco?” – pergunta Mackie Messer na Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht.

A “grande imprensa” de Kamel está de joelhos diante do ministro Jobim, que estaria tomando – a seu ver – medidas de macho diante da crise aérea. Por que não bradam por alguém que faça o mesmo em relação aos bancos, financeiras e suas milionárias Fundações? Quando vão estancar a roubalheira desses Robin Hood às avessas, que tomam dinheiro dos pequenos depositantes em benefício dos milionários?

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Bancos demitem funcionários endividados, que ainda perdem direitos trabalhistas

Os grandes bancos caminham a passos largos para se tornarem as instituições mais odiadas do país. Se não bastassem as filas, os juros escorchantes, o atendimento distante - quando não ausente ou mal educado - as portas giratórias com seus vigias especialmente treinados para não saber como tratar o cliente (eles são tão incapazes e de tal forma a incapacidade é padronizada, que só pode ser fruto de muito treinamento)... Se já não bastassem esses atributos, uma reportagem publicada em O Globo mostra que os bancos demitem funcionários inadimplentes, baseados numa lei antiga ainda em vigor.

O artigo 508 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite que os bancos demitam seus funcionários endividados, sem poder sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e sem direito aos 40% de indenização ou ao décimo terceiro salário.

Ou seja, lucram de todas as formas: em cima do trabalho dos funcionários, nas dívidas contraídas por eles e na hora da demissão, pois se livram de pagar o que seriam direitos.

Não é à toa que pesquisa do Instituto Datafolha sobre imagem das empresas colocou um dos grandes bancos (o Unibanco) ao lado das empresas de telefonia, como aquelas que as pessoas não só não indicam como fazem campanha contra.

Mas, enquanto o Banco Central continuar a tomar suas decisões tendo-os como conselheiros, a situação continuará tranqüila para eles e absolutamente intranqüila para os bancários e clientes.

Só que a situação está mudando. Novos ares estão soprando, e eles parecem irreversíveis. Bem ao seu modo, o presidente Lula vai esticando a corda e Henrique Meireles vai assistindo à queda de seus dominós, um após outro. Logo, o presidente do Banco Central será como uma daquelas bóias no meio do mar, flutuando, sem nada que o sustente. Então, ele pedirá o boné e voltará a trabalhar para os patrões, agora de forma declarada.

Quando os bancos, para manter lucro e competitividade necessitarem de funcionários e de boa imagem junto aos clientes, vai ser um Deus nos acuda, em busca de consultorias, treinamentos.

Por enquanto, eles continuam agindo como o Unibanco, que, segundo a reportagem, distribuiu aos funcionários um comunicado no qual informa que, "depois de três cheques devolvidos no período de um ano e meio, o bancário será demitido por justa causa, depois de duas advertências".

Não importa o tempo de casa. Não importa o que ele já rendeu para o banco. Endividado, ele será jogado na rua, sem FGTS, sem a indenização ou o décimo terceiro. Como sucata.

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