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Secretário de Cabral acha que farra em Paris foi 'importante para a divulgação da cidade e para o desenvolvimento do estado '

Júlio Lopes, o crooner da farra em Paris
Quando a gente pensa que já ouviu todo tipo de cascata e besteira sobre o assunto da farra em Paris do alegre grupo capitaneado pelo governador do Rio Sergio Cabral (ou pelo empreiteiro Cavendish, resta saber), vem o secretário Júlio "Desastre" Lopes, o único secretário Destransportes, porque ele consegue destransportar pessoas e não transportá-las, e solta a seguinte declaração, publicada em O Globo:

— Não fiquei constrangido. De forma alguma. Não me parece que eu estivesse em um momento constrangedor. Nós estávamos fazendo um trabalho importante para a divulgação da cidade e para o próprio desenvolvimento do estado — afirmou Lopes, o primeiro integrante da caravana do governo a se manifestar publicamente sobre o caso.  [Fonte]

Não é fofo? De guardanapo na cabeça (embora, justiça seja feita, não há imagem de Lopes com um), dançando na boquinha da garrafa, enchendo a cara, estavam divulgando a cidade?

Esse tipo de divulgação absolutamente não interessa ao Rio. Eles todos deveriam pedir desculpas públicas pelo estrago à imagem da cidade e do estado - depois de mostrarem os comprovantes com os pagamentos da viagem, claro.

O homem público tem que botar na cabeça não é guardanapo, é que ele não é como o cidadão comum, que pode pagar vexames públicos, porque ele só representa a si mesmo e - caso tenha uma - a sua família. O homem público, como o governador e seus secretários, representa o estado.

Portanto, além da possível ilegalidade de passagens, bebedeira e hospedagem terem sido bancadas pelo dono da Delta, há o mico de se comportarem daquele jeito, "em missão oficial", segundo nota da assessoria de Sergio Cabral.

Ainda segundo a mesma reportagem:

(...) Um dos ministros de Dilma Rousseff revelou que Cabral encomendou pesquisa para avaliar o estrago provocado pelo episódio. Segundo ele, o resultado foi o pior possível:
— O episódio provocou um choque na administração. Foi declarada guerra (a Garotinho) — disse o ministro.

Quer dizer que a lição que tiram do episódio é que devem fazer guerra ao sofá (Garotinho) que divulgou a farra? Não entenderam nada...

Elio Gaspari se horroriza com cenas de Cabral e Cavendish na Europa. Não pela possível ilegalidade, mas pela 'breguice'

Certas pessoas "do andar de cima" (como diria o Gaspari) são - como diriam pessoas "do andar de baixo" - totalmente "sem noção".

Foram divulgados vídeos e fotos de uma alegre caravana capitaneada pelo governador do Rio Sergio Cabral (se a medida for o cargo mais poderoso) ou pelo dono da Delta Fernando Cavendish (caso a medida seja o bolso mais recheado) em cenas de consumismo explícito em lugares caríssimos e badalados da França e do principado de Mônaco. As imagens caíram como uma bomba, e já há quem peça o impeachment do governador, sem ao menos dar a ele a oportunidade de provar que não houve nada de ilegal ali.

No entanto, o que incomodou o jornalista Elio Gaspari não é a possibilidade de toda a farra ter sido bancada pelo dono da Delta, mas o que Gaspari chama de breguice, deslumbramento do grupo.

"Vergonha, essa é a sensação que resulta dos vídeos das vilegiaturas parisienses do governador Sérgio Cabral em 2009, acompanhado por alguns secretários e pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta" - escreve Gaspari, no início de sua coluna, publicada hoje em vários jornais, e pode ser lida na íntegra aqui.

"Esse tipo de deslumbramento teve no governador um exemplo documentado, mas faz parte do primarismo dos novíssimos ricos do Brasil emergente" - escreve no parágrafo final de sua coluna.

Entre o primeiro e o último parágrafos, ele comenta horrorizado a "breguice", o "deslumbramento" do grupo.

O colunista gasta 532 palavras, 3113 caracteres, sem em momento algum se preocupar com o fundamental das cenas: quem pagou por aquela alegria, aqueles vinhos, aquele show do U2, aqueles jantares, aquela farra toda? Essa é a preocupação "do andar de baixo".

Se governador e seus secretários pagaram com dinheiro próprio, pouco importa se são bregas e deslumbrados - cada um se diverte como quer, pode e gosta.

Agora, se quem pagou a farra foi o empresário Cavendish, dono da construtora que tem quase R$ 1 bilhão e meio em contratos com o governo do estado, a coisa muda de figura: deixa de ser uma questão de brega ou chique e passa para o terreno do legal e ilegal. Isso é o que interessa.

Sergio Cabral diz que viajou com esposa em voos comerciais e pagou todas as despesas, mas não guardou comprovantes

Reportagem do RJTV segunda edição (jornal local da Rede Globo) de ontem divulga notas da assessoria do governo do Rio sobre fotos e imagens do governador, esposa, secretário de Saúde também com esposa, e dono da Delta, Fernando Cavendish, publicados no blog do ex-governador Garotinho.

A assessoria de imprensa do governador informou que o jantar em Monaco e o show da banda U2, na cidade vizinha de Nice, aconteceram no mesmo período, julho de 2009, e fizeram parte de uma agenda pessoal do governador.

Segundo a assessoria, ele e a esposa viajaram em voos comerciais e todas as despesas durante a viagem foram pagas pelo casal.

...

Segundo a assessoria, os comprovantes das despesas do governador não foram guardados porque as viagens aconteceram há quase três anos.


Não tem problema não ter guardado comprovantes, governador. Como dificilmente as despesas foram pagas com dinheiro vivo, basta solicitar à(s) operadora(s) de cartão(ões) para comprovar que dono da Delta não foi quem pagou sua viagem.

Os secretários também flagrados nas imagens (Sérgio Côrtes - da Saúde - e Wilson Carlos - do Governo) também podem fazer o mesmo.

Pensando bem: podem não. Devem. Pelo princípio de transparência da vida pública, como servidores do estado, governador e secretário têm a obrigação de prestar contas à população.