Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Europa. Mostrar todas as postagens

Efeito Netanyahu: Explodem manifestações de ódio aos judeus na Europa

É verdade que o preconceito contra os judeus sempre foi uma questão presente na Europa. Tanto que eles inventaram Israel para ver se os judeus todos saíam da Europa para lá.

Agora, com o genocídio palestino em Gaza, crescem as manifestações de ódio aos judeus na Europa, deixando a comunidade preocupada. 

Reportagem de Michele Oliveira na Folha informa que "Judeus vivem sob terror ante onda de perseguição na Europa". 

Em Milão, uma mezuzá, objeto com trechos da Torá que costuma ser afixado na entrada de casas da comunidade judaica, foi roubada e, em seu lugar, foi deixada uma faca. Em Estrasburgo, a fachada de uma creche amanheceu pichada com "judeu bom é judeu morto". Em Viena, a parte judaica de um cemitério foi incendiada e, nos muros, suásticas foram pintadas. Em Nuremberg, uma estrela de Davi e a inscrição "assassinos de crianças" foram escritas na parede externa de um restaurante.

Era previsível que isso acontecesse, especialmente porque Netanyahu e seu governo fazem questão de carimbar qualquer crítica à campanha de extermínio que as Forças Armadas de Israel praticam em Gaza a antissemitismo.

Não se pode, não se deve confundir o governo de Israel com o povo judeu como vem sendo feito pelo próprio governo de Israel. Era óbvio que a consequência disso seria levar a crítica e a revolta com os acontecimentos de Gaza não apenas ao governo de Israel (e digo governo porque mesmo em Israel há muita gente contra o que está acontecendo em Gaza e contra Netanyahu e seu governo de extrema-direita) mas aos judeus.

Só na França, foram 1.040 ocorrências de antissemitismo registradas em quase um mês, até o último dia 5, segundo o Ministério do Interior, com a prisão de 486 pessoas. Na Alemanha, somente nos primeiros oito dias de conflito, foram 202 episódios contra judeus, aumento de 240% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a ONG Rias, que monitora esse tipo crime no país. No Reino Unido, o observatório CST, ligado à comunidade judaica, registrou 1.324 casos durante os 40 primeiros dias de guerra, alta de 510%.

Em entrevista à repórter, o rabino Menachem Margolin, presidente da Associação Judaica Europeia, diz não entender como a população judaica na Europa pode ser responsabilizada pelo que acontece em Gaza.

Pergunte a Netanyahu e ao governo de Israel, que puxam qualquer crítica a Israel como crítica aos judeus e antissemitismo.

O preconceito é odioso e vive à flor da pele procurando motivo para se expressar. O governo de Israel está dando esse motivo ao mundo. 

Quanto mais os judeus em Israel e ao redor do mundo criticarem o que o governo de Israel está fazendo na Palestina, mostrando assim a separação entre um e outro, mais difícil vai ser o preconceito contra os judeus encontrar motivo para se expressar.

Assine e apoie o blog que resiste há 18 anos, direto do Rio remando contra a maré.





Há 4 anos, Trump antecipou o motivo da guerra: o gás russo. E o lado da Rússia?

A imagem acima e o vídeo abaixo mostram os dois lados do conflito Rússia vs EUA (porque é disso que se trata, OTAN é o braço dos EUA na Europa).

Os Estados Unidos, maior exportador de gás natural do mundo, reclamavam com Trump em julho de 2018 da excessiva dependência da Alemanha do gás russo —70%. 

E adivinhe: a Rússia é o segundo maior exportador de gás natural do mundo e inauguraria agora o gasoduto Nord Stream 2, que levaria gás natural da Rússia diretamente à Alemanha.

Já Putin reclama do cerco da OTAN, que engoliu países que antes formavam a Cortina de Ferro, aliados da antiga União Soviética.

O problema é que a OTAN é uma organização militar, o que implica em soldados e armas nesses países, fronteiriços da Rússia. A Ucrânia pleiteou sua entrada na OTAN e isso Putin disse que não poderia permitir, já que a Rússia estaria totalmente cercada, com mísseis da OTAN (leia-se EUA) na sua fronteira.

Na noite desta quarta-feira, o presidente dos EUA Joe Biden disse em discurso que uma proibição ao petróleo e ao gás da Rússia “não está descartada”.

Bom, se o segundo maior fornecedor (Rússia) não puder vender, o primeiro (EUA) vende, of course.

E há 10 dias, Biden autorizou o envio de 350 milhões de dólares em "auxílio emergencial para a defesa" da Ucrânia, o que significa 350 milhões de dólares em vendas para a indústria de guerra dos EUA.


Assine o Blog do Mello





Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos



Recentes:


EUA, Rússia e a Ucrânia. Entenda o que está em jogo com o professor Boaventura de Sousa Santos


Do professor Boaventura de Sousa Santos, que peguei no Sul21.

Os exigentes desafios que o mundo enfrenta neste momento – da crise climática à pandemia, do agravamento da Guerra Fria ao perigo de uma confrontação nuclear, do aumento das violações dos direitos humanos ao crescimento exponencial do número de refugiados e de pessoas com fome – exigem mais do que nunca uma intervenção ativa do ONU, cujo mandato inclui a manutenção da paz e da segurança colectivas e a defesa e promoção dos direitos humanos. Entre muitas áreas de intervenção em que a ONU pode intervir, uma das mais importantes é a da paz e segurança, e respeita concretamente ao agravamento da Guerra Fria. Iniciada por Donald Trump e prosseguida com entusiasmo por Joe Biden, está em curso uma nova Guerra Fria que tem aparentemente dois alvos, a China e a Rússia, e duas frentes, Taiwan e Ucrânia. À partida, parece insensato que uma potência em declínio, como são os EUA, se envolva numa confrontação em duas frentes simultaneamente. Para mais, ao contrário do que se passou com a Guerra Fria anterior, visando a União Soviética, a China é uma potência de grande poder econômico e um importante credor da dívida pública dos EUA. Está a ponto de ultrapassar os EUA como a maior economia mundial e, segundo a National Science Foundation dos EUA, teve pela primeira vez em 2018 uma produção científica superior à dos EUA. Acresce que a lógica aconselharia os EUA a ter a Rússia como aliada e não como inimiga, não só para a separar da China, como para acautelar as necessidades energéticas e geoestratégicas da sua aliada histórica, a Europa. A mesma lógica aconselharia a UE a ter presente as relações históricas e econômicas da Europa central com a Rússia (até à Ostpolitik de Willy Brandt).

É particularmente preocupante que os neocons (os políticos e estrategas ultra-conservadores que desde o ataque às Torres Gêmeas em 2001 dominam a política externa dos EUA) acirrem simultaneamente as hostilidades com a Rússia e apelem para que os EUA se preparem para uma guerra com a China no final da década, uma guerra quente de tipo novo (a guerra com os meios da inteligência artificial). O poder midiático internacional dos neocons é impressionante. Tal como aconteceu em 2003 com os preparativos da invasão do Iraque, assistimos a um unanimismo alarmante dos comentadores de política externa no mundo ocidental. De repente, a China, que até agora era um parceiro comercial importante e fiável, passa a ser uma ditadura que viola massivamente os direitos humanos e uma potência malévola que quer controlar o mundo, desígnios que têm de ser neutralizados a todo o custo. Por sua vez, a Rússia, até agora um parceiro estratégico (caso do acordo nuclear com o Irã), é agora um país governado por um presidente autoritário e agressivo, Vladimir Putin, que quer invadir a democrática Ucrânia. Para a defender, os EUA ajudarão militarmente e, para isso, a Ucrânia deve juntar-se à Otan. Esta narrativa, apesar de ser falsa, é reproduzida sem contraditório no Washington Post e no New York Times, é depois ampliada pela Reuters e Associated Press e secundada pelos briefings das embaixadas dos EUA. Os comentadores ocidentais apenas a regurgitam acriticamente. Perante isto, é urgente que se faça ouvir e sentir a intervenção da ONU para travar a deriva de uma terceira guerra mundial.

A ONU tem informação abundante que lhe permite contrariar esta narrativa e intervir ativamente para neutralizar o seu potencial destrutivo. A Ucrânia é um país etnolinguisticamente dividido entre um ocidente predominantemente ucraniano e um oriente predominantemente russo. Ao longo da década de 2000, as eleições e os inquéritos de opinião revelaram a oposição entre um ocidente pró-União Europeia e pró-Otan, por um lado, e um oriente pró-Rússia, por outro. Em termos de recursos energéticos, a Ucrânia depende em 72% do gás natural da Rússia, tal como acontece com outros países europeus (a Alemanha depende em 39%), o que dá uma ideia do poder de negociação da Rússia neste domínio. Desde o fim da União Soviética, os EUA têm vindo a tentar retirar a Ucrânia da órbita da Rússia e integrá-la na do mundo ocidental e, de fato, transformá-la num bastião pró-norteamericano na fronteira da Rússia. Esta estratégia tem tido pilares: integrar a Ucrânia militarmente na Otan (aprovada na Cúpula de Bucareste de 2008, tal como a Geórgia, outro país com fronteira com a Rússia) e economicamente na União Europeia. A revolução laranja, ou melhor, o golpe de 22 de Fevereiro de 2014, fortemente apoiado pelos EUA, foi o pretexto para acelerar a estratégia ocidental. Teve a sua causa imediata na recusa do presidente Yanukóvytch em assinar um acordo de integração econômica com a UE que deixava de fora a Rússia. Seguiram-se protestos, muita agitação social e uma repressão governamental brutal que se saldaram em mais de 60 mortes (sabe-se hoje que havia grupos fascistas fortemente armados entre os manifestantes). Em 22 de fevereiro, o presidente foi obrigado a sair do país. A “promoção da democracia” conduzida pelos EUA tinha dado resultado: a “revolução laranja” iniciava a sua política anti-russa. A Rússia tinha avisado que a integração na Otan e a integração exclusiva na UE constituía uma “ameaça direta” à Rússia. Nos meses seguintes, a Rússia ocupou a Crimeia onde já tinha uma importante base militar.

Em 2014 e 2015 celebraram-se os protocolos de Minsk com a intermediação da Rússia, França e Alemanha. Reconhecia-se a especificidade etnolinguística da região do rio Don (Donbas) (maioritariamente de língua russa) e previa-se o estabelecimento, a cargo da Ucrânia e segundo a lei ucraniana, de um sistema de auto-governo para a região (que abrange áreas dos distritos de Donetsk e Luhansk). Estes protocolos nunca foram cumpridos pela Ucrânia. A tensão voltou agora a aumentar com a suposta intenção da Rússia de invadir a Ucrânia. E é mesmo provável que o faça (certamente limitada à Ucrânia oriental etnicamente russa) se a Otan, os EUA e a União Europeia continuarem a sua política de hostilização. Perante tudo isto, é de perguntar se quem tem vindo a criar perturbação nesta região do mundo é a Rússia ou os EUA. Todos nos recordamos da crise dos mísseis de 1962, quando a União Soviética se propôs instalar mísseis em Cuba. A reação norte-americana foi terminante; tratava-se de uma ameaça direta à soberania dos EUA e em nenhum caso se aceitariam tais armas na sua fronteira. Chegou a soar o alarme de uma guerra nuclear. Foi esta reação muito diferente da reação actual da Rússia perante a perspectiva de a Ucrânia vir a integrar a Otan? Em 2017 foi tornado público o relato da reunião entre o Secretário de Estado norte americano James Baker e Mikhail Gorbachev realizada em 9 de fevereiro de 1990. Nessa reunião foi a acordado que se a Rússia facilitasse a reunificação da Alemanha, a Otan “não se expandiria um centímetro para leste” (http://nsarchive.gwu.edu). Apesar disso e de extinto o Pacto de Varsóvia, nove anos depois a Polônia, Hungria e República Checa juntavam-se à Otan. E nenhum comentador se lembra que em 2000, quando chegou ao poder, Vladimir Putin manifestou publicamente o desejo de a Rússia vir a integrar a Otan e também a UE para a Rússia “não ficar isolada na Europa”. Ambos os pedidos foram recusados.

Em face disto, a ONU sabe que a Rússia não é a única potência agressiva no conflito atual, e que bastaria que os acordos de Minsk fossem cumpridos pela Ucrânia para a hostilidade cessar. Porque é que a Ucrânia não pode permanecer um país neutro como a Finlândia, a Áustria ou a Suécia? Se houver guerra nesta região, o teatro de guerra será a Europa, e não os EUA. A mesma Europa que há pouco mais de setenta anos se ergueu de um inferno de duas guerras mundiais que se saldaram em cerca de 100 milhões de mortes. Se a ONU quer ser a voz da paz e da segurança que consta do seu mandato, tem de assumir uma posição muito mais ativa e mais independente da dos países envolvidos. Tem de averiguar in situ o que se passa nos territórios onde as grandes potências se digladiam e se preparam para guerras de hegemonia em que provavelmente serão os aliados menores a sofrer as consequências e a pagar com vidas (Taiwan ou Ucrânia) – as chamadas proxy wars—mesmo se a política agressiva do “regime change” visa a Rússia e a China, eventualmente com resultados semelhantes aos que teve no Iraque, na Líbia ou no Afeganistão. O mundo precisa de ouvir vozes autorizadas que não repitam o script imposto pelos rivais. A mais autorizada de todas é a da ONU.






Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos



Recentes:


Dedo podre de Bolsonaro: Vacina escolhida por ele da AstraZeneca é suspensa em vários países por provocar coágulos sanguíneos


Alemanha, Itália, Espanha, França, Portugal, Dinamarca, Holanda, Irlanda, Islândia, Noruega, Bulgária, Tailândia, República Democrática do Congo estão entre os países que suspenderam o uso da vacina da AstraZeneca desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. A preferida por Bolsonaro, em setembro do ano passado, quando o presidente chegou a zombar da vacina chinesa. Na ocasião, Bolsonaro declarou que a chance de comprar uma vacina chinesa seria zero. O Brasil teria se comprometido com 100 milhões de unidades da AstraZeneca-Oxford.

O problema que estaria causando a interrupção da vacinação com a AstraZeneca é a suspeita da formação de coágulos sanguíneos.
Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS), a farmacêutica AstraZeneca, o governo britânico e a Universidade de Oxford afirmam que não há qualquer indicação de uma relação entre a vacina e os coágulos e que não houve um aumento de registros de coágulo sanguíneo em relação à média histórica.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que atualmente está realizando uma revisão sobre os supostos relatos de coágulos sanguíneos, afirma que os benefícios da vacina continuam a superar os riscos envolvidos com essa suspeita. [BBC]
Dos países que suspenderam a vacinação, alguns o fizeram apenas quanto a lotes restritos, enquanto outros suspenderam totalmente a aplicação, enquanto aguardam melhores estudos. 
 
É uma pena que isso esteja acontecendo, já que a AstraZeneca junto com a chinesa Coronavac são as únicas atualmente aplicadas no Brasil, que, por incompetência do governo Bolsonaro deixou o país sem as vacinas Pfizer, Sputnik V, Johnson e outras.
 
Felizmente, não há notícia de que tenha havido o problema grave de coagulação aqui no Brasil, talvez pelo pequeno número de vacinações até o momento.
 
Com a palavra a Anvisa, que aprovou o registro definitivo da AstraZeneca-Oxford no Brasil há três dias.




Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui

Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos




Recentes:


Assine a newsletter do Blog do Mello.
É grátis.

Elio Gaspari se horroriza com cenas de Cabral e Cavendish na Europa. Não pela possível ilegalidade, mas pela 'breguice'

Certas pessoas "do andar de cima" (como diria o Gaspari) são - como diriam pessoas "do andar de baixo" - totalmente "sem noção".

Foram divulgados vídeos e fotos de uma alegre caravana capitaneada pelo governador do Rio Sergio Cabral (se a medida for o cargo mais poderoso) ou pelo dono da Delta Fernando Cavendish (caso a medida seja o bolso mais recheado) em cenas de consumismo explícito em lugares caríssimos e badalados da França e do principado de Mônaco. As imagens caíram como uma bomba, e já há quem peça o impeachment do governador, sem ao menos dar a ele a oportunidade de provar que não houve nada de ilegal ali.

No entanto, o que incomodou o jornalista Elio Gaspari não é a possibilidade de toda a farra ter sido bancada pelo dono da Delta, mas o que Gaspari chama de breguice, deslumbramento do grupo.

"Vergonha, essa é a sensação que resulta dos vídeos das vilegiaturas parisienses do governador Sérgio Cabral em 2009, acompanhado por alguns secretários e pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta" - escreve Gaspari, no início de sua coluna, publicada hoje em vários jornais, e pode ser lida na íntegra aqui.

"Esse tipo de deslumbramento teve no governador um exemplo documentado, mas faz parte do primarismo dos novíssimos ricos do Brasil emergente" - escreve no parágrafo final de sua coluna.

Entre o primeiro e o último parágrafos, ele comenta horrorizado a "breguice", o "deslumbramento" do grupo.

O colunista gasta 532 palavras, 3113 caracteres, sem em momento algum se preocupar com o fundamental das cenas: quem pagou por aquela alegria, aqueles vinhos, aquele show do U2, aqueles jantares, aquela farra toda? Essa é a preocupação "do andar de baixo".

Se governador e seus secretários pagaram com dinheiro próprio, pouco importa se são bregas e deslumbrados - cada um se diverte como quer, pode e gosta.

Agora, se quem pagou a farra foi o empresário Cavendish, dono da construtora que tem quase R$ 1 bilhão e meio em contratos com o governo do estado, a coisa muda de figura: deixa de ser uma questão de brega ou chique e passa para o terreno do legal e ilegal. Isso é o que interessa.