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Diretor da Delta fala pra Cachoeira sobre Policarpo da Veja: 'Achei que ele ia me dar um beijo!'

Imagem retirada da reportagem. Vídeo abaixo
O programa Domingo Espetacular da Rede Record apresentou mais uma reportagem em que denuncia o envolvimento da revista Veja, especialmente de seu diretor Policarpo Junior, com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Num trecho há o fragmento de um diálogo entre o diretor da Delta Construções em Goiás Claudio Abreu e o bicheiro Cachoeira sobre Policarpo (veja imagem acima retirada da reportagem):

Claudio Abreu: - Cara, show de bola, bicho (sic)... achei que ele ia me dar um beijo!

Como se vê, as relações entre Policarpo e o bando da Papuda ("pauteiros" e "repórteres investigativos" da revista - Cachoeira, Abreu, Dadá e Jairo) eram bem mais calientes do que a fria relação entre jornalista e fonte que a Veja tenta vender à opinião pública.

A seguir, a reportagem da Record na íntegra:




Notícias do final de semana: O que rolou no Blog enquanto você enchia a cara de cultura nas Viradas

Show de Gil no encerramento da Virada Cultural SP



Secretário de Cabral acha que farra em Paris foi 'importante para a divulgação da cidade e para o desenvolvimento do estado '

Júlio Lopes, o crooner da farra em Paris
Quando a gente pensa que já ouviu todo tipo de cascata e besteira sobre o assunto da farra em Paris do alegre grupo capitaneado pelo governador do Rio Sergio Cabral (ou pelo empreiteiro Cavendish, resta saber), vem o secretário Júlio "Desastre" Lopes, o único secretário Destransportes, porque ele consegue destransportar pessoas e não transportá-las, e solta a seguinte declaração, publicada em O Globo:

— Não fiquei constrangido. De forma alguma. Não me parece que eu estivesse em um momento constrangedor. Nós estávamos fazendo um trabalho importante para a divulgação da cidade e para o próprio desenvolvimento do estado — afirmou Lopes, o primeiro integrante da caravana do governo a se manifestar publicamente sobre o caso.  [Fonte]

Não é fofo? De guardanapo na cabeça (embora, justiça seja feita, não há imagem de Lopes com um), dançando na boquinha da garrafa, enchendo a cara, estavam divulgando a cidade?

Esse tipo de divulgação absolutamente não interessa ao Rio. Eles todos deveriam pedir desculpas públicas pelo estrago à imagem da cidade e do estado - depois de mostrarem os comprovantes com os pagamentos da viagem, claro.

O homem público tem que botar na cabeça não é guardanapo, é que ele não é como o cidadão comum, que pode pagar vexames públicos, porque ele só representa a si mesmo e - caso tenha uma - a sua família. O homem público, como o governador e seus secretários, representa o estado.

Portanto, além da possível ilegalidade de passagens, bebedeira e hospedagem terem sido bancadas pelo dono da Delta, há o mico de se comportarem daquele jeito, "em missão oficial", segundo nota da assessoria de Sergio Cabral.

Ainda segundo a mesma reportagem:

(...) Um dos ministros de Dilma Rousseff revelou que Cabral encomendou pesquisa para avaliar o estrago provocado pelo episódio. Segundo ele, o resultado foi o pior possível:
— O episódio provocou um choque na administração. Foi declarada guerra (a Garotinho) — disse o ministro.

Quer dizer que a lição que tiram do episódio é que devem fazer guerra ao sofá (Garotinho) que divulgou a farra? Não entenderam nada...

Elio Gaspari se horroriza com cenas de Cabral e Cavendish na Europa. Não pela possível ilegalidade, mas pela 'breguice'

Certas pessoas "do andar de cima" (como diria o Gaspari) são - como diriam pessoas "do andar de baixo" - totalmente "sem noção".

Foram divulgados vídeos e fotos de uma alegre caravana capitaneada pelo governador do Rio Sergio Cabral (se a medida for o cargo mais poderoso) ou pelo dono da Delta Fernando Cavendish (caso a medida seja o bolso mais recheado) em cenas de consumismo explícito em lugares caríssimos e badalados da França e do principado de Mônaco. As imagens caíram como uma bomba, e já há quem peça o impeachment do governador, sem ao menos dar a ele a oportunidade de provar que não houve nada de ilegal ali.

No entanto, o que incomodou o jornalista Elio Gaspari não é a possibilidade de toda a farra ter sido bancada pelo dono da Delta, mas o que Gaspari chama de breguice, deslumbramento do grupo.

"Vergonha, essa é a sensação que resulta dos vídeos das vilegiaturas parisienses do governador Sérgio Cabral em 2009, acompanhado por alguns secretários e pelo empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta" - escreve Gaspari, no início de sua coluna, publicada hoje em vários jornais, e pode ser lida na íntegra aqui.

"Esse tipo de deslumbramento teve no governador um exemplo documentado, mas faz parte do primarismo dos novíssimos ricos do Brasil emergente" - escreve no parágrafo final de sua coluna.

Entre o primeiro e o último parágrafos, ele comenta horrorizado a "breguice", o "deslumbramento" do grupo.

O colunista gasta 532 palavras, 3113 caracteres, sem em momento algum se preocupar com o fundamental das cenas: quem pagou por aquela alegria, aqueles vinhos, aquele show do U2, aqueles jantares, aquela farra toda? Essa é a preocupação "do andar de baixo".

Se governador e seus secretários pagaram com dinheiro próprio, pouco importa se são bregas e deslumbrados - cada um se diverte como quer, pode e gosta.

Agora, se quem pagou a farra foi o empresário Cavendish, dono da construtora que tem quase R$ 1 bilhão e meio em contratos com o governo do estado, a coisa muda de figura: deixa de ser uma questão de brega ou chique e passa para o terreno do legal e ilegal. Isso é o que interessa.

Sergio Cabral diz que viajou com esposa em voos comerciais e pagou todas as despesas, mas não guardou comprovantes

Reportagem do RJTV segunda edição (jornal local da Rede Globo) de ontem divulga notas da assessoria do governo do Rio sobre fotos e imagens do governador, esposa, secretário de Saúde também com esposa, e dono da Delta, Fernando Cavendish, publicados no blog do ex-governador Garotinho.

A assessoria de imprensa do governador informou que o jantar em Monaco e o show da banda U2, na cidade vizinha de Nice, aconteceram no mesmo período, julho de 2009, e fizeram parte de uma agenda pessoal do governador.

Segundo a assessoria, ele e a esposa viajaram em voos comerciais e todas as despesas durante a viagem foram pagas pelo casal.

...

Segundo a assessoria, os comprovantes das despesas do governador não foram guardados porque as viagens aconteceram há quase três anos.


Não tem problema não ter guardado comprovantes, governador. Como dificilmente as despesas foram pagas com dinheiro vivo, basta solicitar à(s) operadora(s) de cartão(ões) para comprovar que dono da Delta não foi quem pagou sua viagem.

Os secretários também flagrados nas imagens (Sérgio Côrtes - da Saúde - e Wilson Carlos - do Governo) também podem fazer o mesmo.

Pensando bem: podem não. Devem. Pelo princípio de transparência da vida pública, como servidores do estado, governador e secretário têm a obrigação de prestar contas à população.

Governo Serra assinou contratos de R$800 milhões com a Delta. Representante da empresa em SP está foragido

Reportagem da Conceição Lemes publicada no Viomundo mostra que os tentáculos da Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira se estendiam até São Paulo. O homem do grupo, que fazia a ponte Delta- quadrilha de Cachoeira é Heraldo Puccini Neto, diretor da Delta Construções para São Paulo e Sul do Brasil.

Heraldo teve a prisão decretada pela Justiça Federal na semana passada. Foi a partir de investigações realizadas no âmbito da Operação Saint Michel, braço da Monte Carlo.

Um grupo de policiais civis de Brasília chegou às 6 horas da última quarta-feira 25 ao apartamento dele, no Morumbi, em São Paulo. Heraldo não estava nem foi localizado pela polícia. É considerado foragido da Justiça.


No total dos governos tucanos (soma Alckmin + Serra) a Delta tem quase R$ 1 bilhão no estado.

Desses R$ 943,2 milhões, R$ 178, 5 milhões foram celebrados nas gestões Alckmin (2002 a março de 2006 e de janeiro de 2011 em diante) e R$ 764,8 milhões no governo de José Serra (janeiro de 2007 a abril de 2010).


O contrato de maior valor também foi assinado no governo de José Serra para construção da Nova Marginal do Tietê.

O maior contrato da Delta com órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo foi com a Dersa para executar a ampliação da marginal do rio Tietê: R$ 415.078.940,59 (valores corrigidos).


Esse contrato foi assinado em 13 de maio de 2009 por Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, que José Serra negou conhecer durante a campanha, depois, subitamente se lembrou - coincidentemente após tomar conhecimento da já célebre frase de Paulo Preto: “Não se larga um líder ferido na estrada em troca de nada. Não cometam esse erro”.

Para quem não se recorda, num dos debates entre os então candidatos Dilma e Serra, a atual presidenta falou:

“Fico indignada com a questão da Erenice. Agora, acho que você também deveria responder sobre Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com 4 milhões de reais de sua campanha”. [Fonte]


Para ler mais sobre Serra e Paulo Preto, Um dia após assumir Dersa no governo Serra, Paulo Preto liberou geral para empreiteiras. E filha dele era advogada delas.

Para ler a reportagem completa da Conceição Lemes no Viomundo sobre as obras da Delta nos governos tucanos de São Paulo clique aqui. Vale a leitura.

Por que Sergio Cabral e Eduardo Paes não fazem como Dilma e põem todos os contratos com a Delta na internet?

A presidenta Dilma Rousseff mandou colocar todos os contratos do governo federal com a Delta Construções na internet.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem [sábado] que a criação da CPI do Cachoeira já começou a ter consequências. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff determinou que todos os contratos do governo federal com a Construtora Delta, uma das supostas beneficiadas pelo esquema de Carlinhos Cachoeira, sejam publicados na internet. O objetivo é dar transparência às operações da Delta com a União. [Fonte]


O governador do Rio Sergio Cabral e o prefeito da capital Eduardo Paes deveriam fazer o mesmo. Afinal, só no Rio de Janeiro são quase R$ 3 bilhões em contratos com a Delta. Sendo que, no estado, são R$ 250 milhões, sem licitação.

A luz do Sol é o melhor antídoto contra ilações que estão sendo feitas a partir da amizade entre o governador e o presidente (licenciado após o escândalo) da Delta Fernando Cavendish.

Aja como a presidenta Dilma, governador. Faça o mesmo, prefeito. Afinal, quem não deve não teme.