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Querem construir uma frente anti-Bolsonaro sem crítica ao modelo Guedes, sem Lula e sem PT

Lula nos braços do povo


Vem sendo distorcida a declaração de Lula, que disse que não é "maria vai com as outras" para ficar assinando manifestos que não coloquem claramente como central a questão do povo brasileiro, especialmente do trabalhador:
"Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes".

A verdade é que estão querendo construir uma oposição a Bolsonaro apagando o PT, os governos de Lula e Dilma e, mais especialmente, o presidente Lula.

Convém relembrar aos "esquecidos" que Lula liderava disparado todas as pesquisas, até que teve sua candidatura impugnada, graças à condenação política e sem provas da Lava Jato de Moro o ex-ministro de Bolsonaro.

Como tentar uma frente anti-Bolsonaro sem a presença de Lula, uma liderança com ao menos 30% do eleitorado a seu lado e, principalmente, ídolo do povo nordestino espalhado pelo Brasil, que vê em Lula o retirante pobre que venceu e fez um governo que os (nos) encheu de orgulho?

O PT publicou reportagem com declarações de Lula, da ex-presidenta Dilma e da presidente do Partido, Gleisi Hoffmann, que republico a seguir, e pode ser lida no site do PT aqui.

Como fazer uma frente anti-Bolsonaro sem criticar a política econômica de Guedes, que retira direitos dos trabalhadores?


Neofascismo é resultado da ilusão do andar de cima de que é possível construir país sem povo

O PT se mantém na linha de frente da oposição ao governo, vem sendo atacado pelo bolsonarismo e os radicais neofascistas desde antes da ascensão de Jair Bolsonaro ao poder. O partido saúda quem chegou agora na luta contra o autoritarismo do presidente da República. Mas é preciso ter clareza: a luta para retirar Bolsonaro do Palácio do Planalto tem de resultar também numa guinada na política econômica adotada no país desde o Golpe de 2016, que levou à destituição de Dilma Rousseff.
O futuro do Brasil não depende apenas do impeachment de Bolsonaro, mas da construção de uma agenda que permita ao país crescer com inclusão social, distribuindo riqueza e combatendo a desigualdade. É preciso colocar o povo no centro do debate da reconstrução do Brasil. A democracia passa pela soberania popular e pelo povo brasileiro.
Essa é a posição esboçada pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e reforçada pela presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann. As diretrizes foram discutidas na reunião do Diretório Nacional do PT, na segunda-feira, 1º de Junho. O partido reitera que a luta passa pelo impeachment do presidente e a convocação de eleições para presidente da República, 90 dias depois do afastamento de Bolsonaro. Com Bolsonaro-Guedes, o país continuará sem saída.
“Estão querendo reeducar o Bolsonaro, mas não querem reeducar o Guedes”, denunciou Lula. “Tem pouca coisa de interesse da classe trabalhadora nos manifestos. O editorial do Globo é uma proposta de acordo pra manter o Bolsonaro”, alertou, ao se referir à veiculação do texto “Os democratas precisam conversar”, com a opinião do jornal acenando com a manutenção do presidente no cargo para a pacificação do país. Para Lula, nem um governo sem Bolsonaro, mas com a mesma agenda que atende apenas aos interesses do rentismo, sem tocar na questão da desigualdade, vai levar o país a qualquer lugar.

Um acordo por cima 

Dilma ressalta que o acordo que permitiu a eleição de Bolsonaro, num acerto entre conservadores na política e na economia, incluindo líderes religiosos pentecostais, empresários ligados ao mercado financeiro e ao agronegócio, foi fruto de uma simbiose de interesses que agora dão sinais de desencontro. “O governo reflete o acordo neoliberal e neofascista e não houve ruptura profunda na relação entre esses interesses”, lembra a ex-presidenta.
Dilma diz que há dissidências agora no consórcio que sustenta o governo. “Exemplo? A Globo, que defende a pauta neoliberal, que insiste que temos de olhar os gastos públicos em plena pandemia, quando o mundo inteiro – até a União Europeia – faz pacote de ajuda para salvar empresas e empregos”, observa a ex-presidenta.
Aqui, a promessa de socorro financeiro de Paulo Guedes e Bolsonaro esbarrou na má-vontade de bancos e na própria burocracia. O dinheiro para crédito está empoçado e não chega aos micro e pequenos empresários. Daí o desconforto de agora. “Há segmentos importantes do mercado, obviamente, que podem vir a sair, mas que hoje ainda o sustentam”, destaca Dilma.
Vale lembrar que o governo destinou R$ 1,3 trilhão para o sistema financeiro, que bate recorde de lucros, mesmo com a economia brasileira afundando. Enquanto isso, falta dinheiro para microempreendedores individuais, pequenas e microempresas. E os recursos do auxílio-emergencial de R$ 600, destinado aos autônomos, informais e famílias do Cadastro Único saem a conta-gotas, mas não para todos. E 16 milhões de brasileiros aguardam o auxílio, que Guedes quer reduzir a R$ 200.
Nesta terça-feira, 2, parte da imprensa questionou a posição de Lula ao alertar os dirigentes petistas de que não é necessário garantir participação orgânica do PT em manifestos, se estes não tocam na questão da desigualdade e na recuperação de empregos e renda. Ou seja, não dá para falar em saída para a crise política se a formulação de outro modelo econômico a ser adotado não estiver presente na pauta da reconstrução nacional. Que país queremos?

Povo no centro do debate

O que Lula, Dilma e Gleisi ressaltam é que alianças democráticas são bem-vindas e devem ser estimuladas pelo PT, mas a legenda precisa construir uma frente que recoloque o povo no centro do desenvolvimento econômico e no projeto de reconstrução do país. “Estamos do lado do povo, não dá para compactuar com a agenda econômica que impõe arrocho e miséria à maioria da população”, diz a presidenta do PT.
Desde a saída de Dilma em 2016, quando o impeachment foi aprovado pelo Congresso mesmo sem a existência de crime de responsabilidade cometido pela então presidenta da República, a agenda econômica imposta ao país teve objetivos claros: desmontar direitos sociais e trabalhistas, assegurados pela Constituição de 1988, privatizar empresas estatais e submeter o pré-sal a interesses estrangeiros.
A legislação trabalhista, assegurada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) criada nos anos 30, foi desmontada no governo Temer sob o pretexto de que era hora de criar mais empregos. Veio Bolsonaro e aprofundou a mudança na legislação, retirando ainda mais direitos. Mas os empregos não vieram. Pelo contrário. O país tem 12,8 milhões de desempregados agora. E mais de 40 milhões de brasileiros na informalidade. Pior. Quase 5 milhões de pessoas perderam postos no mercado de trabalho, incluindo o informal, com a pandemia.
E o que propõe o governo para reverter o quadro? Mais “reformas estruturais”, tal qual a previdenciária, sugerida por Paulo Guedes em 2019, aprovada pelo Congresso em seguida, aplaudida por parte da mídia, que detonou aposentadorias sem entregar uma melhora da economia. Nem a propalada economia nos cofres públicos foi conseguida.

Nau sem rumo

O Brasil de 2020 – com o autoritarismo de Bolsonaro, a submissão do país aos interesses dos Estados Unidos e o aumento da desigualdade, como apontam o IBGE e a FGV – é resultado direto da saída de Dilma do poder e do modelo econômico em vigor nos últimos quatro anos, que só trouxe mais pobreza, aumento da desigualdade e piora nas condições de vida do povo.
Antes da pandemia, cerca de 100 milhões de brasileiros viviam no país com R$ 413 por mês. E a situação social só piorou de março para cá, quando o país passou a enfrentar o flagelo do governo Bolsonaro-Guedes combinado com a paralisia da atividade econômica por conta da pandemia. E agora, em plena curva ascendente do contágio, Bolsonaro pressiona estados e municípios a reabrir negócios, sem ligar para as 30 mil vidas perdidas, e sem planos para conter a expansão da doença, que atinge mais de 500 mil brasileiros.
Manter a política econômica atual, sem ao menos se propor a discutir a necessária retomada de investimentos públicos como forma de minimizar os impactos do Covid-19 sobre o país e a economia, é manter a rota do país para o abismo. Não haverá futuro a ser discutido se o país permanecer na direção do precipício com Jair Bolsonaro e Paulo Guedes no timão. Como disse Lula, há poucas semanas, em entrevista à emissora argentina C5N, o Brasil é hoje uma nau sem rumo.






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PT vai ao Supremo anular sentenças de Lula por manipulação política da Lava Jato


Presidenta do PT Gleisi Hoffmann

Revelações da Vaza Jato mostram ação orquestrada entre Moro, PF, procuradores da Lava Jato e Globo para impedirem posse de Lula como ministro de Dilma


Em duas notas, o PT e a defesa do presidente Lula afirmam sua indignação com as denúncias contidas na mais recente reportagem da Vaza Jato, que mostram conluio e manipulação para impedir a posse de Lula.

Leia aqui sobre a reportagem: VazaJato: Moro, Globo e a Lava Jato armaram uma arapuca para Lula e enganaram Gilmar e o povo brasileiro.

A seguir, as notas do PT e da defesa do presidente Lula:
As novas revelações sobre as conversas secretas de Sérgio Moro com os procuradores e policiais federais da Lava Jato confirmam que ele comandou uma verdadeira organização criminosa para atacar o processo democrático no Brasil. Fizeram espionagem política dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, de ministros e ex-ministros, além de grampear ilegalmente as conversas de Lula com seus advogados.
Está comprovado, mais uma vez, que o ex-presidente só aceitou a nomeação para chefiar a Casa Civil, em março de 2016, porque tinha compromisso com a pacificação do país e com a superação dos desafios econômicos e políticos do governo. Não fugiu nem tentou jamais fugir da Justiça. As conversas que a Lava Jato escondeu provam, mais uma vez, como era falsa a tese de “desvio de finalidade”, utilizada para proibir a nomeação de Lula.
Essa farsa criminosa foi urdida em conjunto por Moro, Deltan Dallagnol, o delegado Luciano Flores, atual chefe da PF no Paraná, e seus colegas das forças-tarefas. Em cumplicidade com a Rede Globo, manipularam um grampo ilegal da presidenta da República para roubar os direitos políticos de Lula, para cassar a competência de Dilma de nomear ministros e para desfechar o golpe do impeachment.
Agentes do estado mentiram para a Procuradoria-Geral da República (PGR), para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para o país, como se constata na reportagem da Folha de S. Paulo e do The Intercept Brasil. Traíram o compromisso com a Constituição, com a verdade e com o país para alcançar objetivos políticos. Não têm condições de exercer qualquer função pública e é inadiável que respondam na Justiça pelos crimes cometidos.
As revelações deste domingo somam-se aos robustos argumentos apresentados pela defesa de Lula ao STF, mostrando que é inadiável reconhecer a parcialidade de Moro e dos procuradores, anular um processo viciado desde o início e garantir o direito de Lula a um julgamento justo.
O Brasil não aceita mais conviver com a mentira e a injustiça contra sua maior liderança popular. O estado de direito não pode mais continuar suspenso para um cidadão, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, por causa de interesses políticos, econômicos e midiáticos. E a democracia não pode mais ser refém dessa farsa, da qual tantos participaram por ação e até por omissão.
O Brasil só vai reencontrar a paz quando restabelecermos o estado de direito e a democracia na plenitude, com Lula livre. Só assim poderemos superar a gravíssima crise social, econômica, politica e de perda da soberania em que o país foi colocado pelos que prenderam Lula e abriram caminho para o governo de extrema-direita que destrói e envergonha o Brasil.
Pela Justiça, pela democracia e pelos direitos do povo!
A verdade vencerá!
Lula Livre!
Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Brasília, 8 de setembro de 2019

Reportagem publicada hoje (08/09) pela Folha de S. Paulo em parceria com o “The Intercept” (“Diálogos de Lula que a Lava Jato não expôs contrariam Moro”) auxilia a reconstrução da verdade histórica e expõe as grosseiras ilegalidades praticadas pelo ex-juiz Sergio Moro e pelos procuradores da Lava Jato contra o ex-presidente Lula, contra os seus advogados, e também contra o Supremo Tribunal Federal, pois, dentre outras coisas:
1 – mostra que o ex-juiz Sergio Moro, os procuradores e o delegado da Lava Jato de Curitiba selecionaram conversas telefônicas mantidas por Lula, escondendo dos autos e do Supremo Tribunal Federal aquelas que mostravam a verdade dos fatos, ou seja, aquelas que deixavam claro que o ex-presidente aceitou o cargo de Ministro de Estado para ajudar o governo e o país e não para qualquer outra finalidade ligada às investigações da Lava Jato;
2 – mostra que os procuradores da Lava Jato tinham plena consciência da ilegalidade que estavam praticando ao postularem pela divulgação das conversas telefônicas grampeadas, inclusive aquelas captadas após a decisão judicial que determinou o encerramento das interceptações, mas mesmo assim decidiram levar adiante essa iniciativa, juntamente com o ex-juiz Sergio Moro, para alcançar resultados políticos e estranhos ao processo;
3 – mostra que além do grampo ilegal instalado no principal ramal do nosso escritório por autorizaçã do ex-juiz Sergio Moro para acompanhar a estratégia de defesa de Lula, a Lava Jato também ouvia as conversas telefônicas que mantivemos com o ex-presidente a partir de ligações por ele realizadas para outros telefones; vale dizer: a Lava Jato grampeou deliberadamente conversas entre advogados e Lula por mais diversos meios e usou dessas conversas para reforçar o “lawfare” contra o ex-presidente;
4 – a conversa mantida entre o advogado Cristiano Zanin Martins e o ex-Presidente Lula em 16/03/2016, gravada e ouvida ilicitamente pela Lava Jato, reforça que o ex-presidente Lula sequer tinha o objetivo de aceitar o cargo de Ministro de Estado e muito menos o de impedir qualquer investigação da Lava Jato.
A adoção de práticas ilegais e incompatíveis com o devido processo legal e com o “fair trial” pelos membros da Lava Jato contra Lula e contra nós, seus advogados, há muito tempo vem sendo demonstrada em diversos recursos e procedimentos jurídicos.  Os membros da Lava Jato sistematicamente esconderam provas de inocência e estruturaram condenações pré-estabelecidas e medidas invasivas contra Lula e seus familiares com base em delações e outros elementos sem qualquer valor probatório, afrontando as garantias fundamentais do ex-presidente, a legislação internacional incorporada pelo Brasil (Estatuto de Roma, art. 54, 1, “a”), além de diretrizes das Nações Unidas sobre a atuação de membros do Ministério Público (“Guidelines on the Role of Prossecutors”, arts. 13 e 14).
Os habeas corpus que aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal tratando da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato são de grande importância para restabelecer o Estado de Direito e para dar a Lula a possibilidade de um julgamento justo e por isso devem ser julgados com urgência — embora sejam irreparáveis os prejuízos causados por tais agentes públicos não apenas ao ex-presidente, mas à própria democracia do país.
Cristiano Zanin Martins/ Valeska T. Zanin Martins


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