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Preso executado no Alabama agoniza por 22' antes de morrer

Após ter sua última tentativa de se livrar da aplicação da pena de morte negada pelo juiz, Kenneth Eugene Smith foi executado nesta quinta-feira, às 19h, horário do Alabama, EUA, 23h no Brasil.

O Estado já havia tentado executar Smith há dois anos por injeção letal, mas não foi possível achar uma veia em seu corpo para o procedimento, até que à meia noite a execução foi suspensa pois a ordem seria para a execução naquele dia.

Smith passou por toda a agonia da espera da execução, da procura da veia, uma verdadeira tortura, até que houve a suspensão momentânea da pena.

Para a nova execução, o Alabama decidiu experimentar em Kenneth Eugene Smith um procedimento inédito em humanos, o sufocamento por inalação de hidrogênio. 

Nunca tentado anteriormente, o procedimento, quando é aplicado em animais de grande porte, deve ser precedido por uma sedação. No entanto não estava prevista nem foi feita sedação no caso de Smith, em mais uma tortura contra o prisioneiro.

Kenneth Eugene Smith foi julgado culpado por assassinar com um comparsa a mulher de um pastor, sob encomenda deste, em 1988. Valor da encomenda: US$ 1 mil. 

Quando o caso foi descoberto, o pastor se matou. Smith e o parceiro foram condenados à morte. Smith se livrou da aplicação da injeção em 2022; seu parceiro não. Foi executado com a injeção letal que não pôde ser aplicada em Kenneth Eugene Smith.

Como mais uma peculiaridade da Justiça do Alabama, lá o juiz pode discordar da decisão do júri. No caso de Smith, o júri o condenou, mas não à morte e, sim, à prisão perpétua. O juiz transformou a sentença em pena de morte por sua convicção própria.

Ontem finalmente Kenneth Eugene Smith foi executado. Uma máscara cobriu todo o seu rosto obrigando-o a inalar gás hidrogênio, até a morte.

O advogado e comentarista Eric Guster, no vídeo a seguir, definiu a execução como "Método bárbaro". Segundo jornalistas que puderam presenciar a execução, Smith convulsionou entre dois e cinco minutos, depois respirou profundamente por mais cinco minutos. Sua agonia durou 22' e ele morreu sufocado no próprio vômito.

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No corredor da morte, preso tem 'crises de pânico' com sua execução por método inédito

País envolvido com guerras há décadas, os Estados Unidos não são parceiros da morte apenas na política externa. Internamente, o país ainda mantém a pena de morte em alguns estados como medida radical de punição de crimes.

É o caso de Kenneth Eugene Smith, que aguarda, no corredor da morte do Alabama, sua execução no próximo dia 25, quinta. 

O caso de Smith tem duas particularidades: primeiro, ele já foi "executado" anteriormente. Em 2022, Smith incrivelmente sobreviveu à aplicação de uma injeção letal, que deveria matá-lo. A segunda particularidade é que o método que será usado para sua execução é inédito nos Estados Unidos, o que o está deixando nervoso e com crises de pânico.

Em entrevista à rede britânica BBC, com respostas por escrito trocadas com a ajuda de um intermediário, Smith disse que tem sido submetido a práticas de tortura na prisão.

"Sinto náuseas o tempo todo. Os ataques de pânico acontecem regularmente... Isso é apenas uma pequena parte do que tenho lidado diariamente. Tortura, basicamente", ressaltou ele, que pediu que o estado do Alabama cancelasse a execução "antes que seja tarde demais". 

A execução de Kenneth Eugene Smith será por um método inédito em humanos: inalação de nitrogênio, quando o detento é forçado com uma máscara a inalar apenas nitrogênio, o que provoca a morte por hipóxia (falta de oxigênio). 

Smith foi condenado pelo assassinato da mulher de um pastor em 1988, feito sob encomenda com um parceiro. Este foi executado com a injeção letal, que, no entanto, não foi capaz de matar Smith.

O conselheiro espiritual do condenado, Reverendo Jeff Hood, diz que Smith já deixou claro que não tem medo de morrer, mas da tortura de todo o processo e da possibilidade de sobreviver em estado vegetativo.

"Estamos alarmados com iminente execução nos Estados Unidos de Kenneth Eugene Smith, com um método novo e não testado, a hipoxia nitrogenada", disse Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Segundo a porta-voz, a execução "poderia constituir tortura ou outros tratamentos cruéis e degradantes, segundo o direito internacional", afirmou. 

O protocolo de execução por hipoxia nitrogenada do Alabama não prevê a sedação, prática que é recomendada pela Associação de Veterinários, até para animais que são  sacrificados com este método.

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