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Requião e Lippmann: Censura ou não?

É claro que é censura. A liberdade de expressão está garantida pela Constituição. Quem não estiver satisfeito, ou se sentir ofendido, caluniado etc., que entre na justiça contra o ofensor, caluniador etceteror e faça valer a lei.

O juiz proibiu Requião de tocar em determinados temas. Segundo Lippman, cabe os princípios da eficiência e da cautela:

“Por que se consentir com uma situação fática que de antemão se sabe potencialmente danosa à comunidade, para somente depois se reprimi-la?”

Quer dizer, o que Lippmann defende é a censura:

■ substantivo feminino
1 ação ou efeito de censurar
2 exame a que são submetidos trabalhos de cunho artístico ou informativo, ger. com base em critérios de caráter moral ou político, para decidir sobre a conveniência de serem ou não liberados para apresentação ou exibição ao público em geral. [Houaiss]

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Assista: Requião responde ao juiz que o censurou e faz convite para debate ao vivo sobre liberdade de imprensa

Parte do programa de ontem do governador Requião, que foi censurado pelo juiz Lippmann e não pôde ir ao ar pela TV Educativa do Paraná.

O governador comenta a decisão do juiz, diz que não foi informado dela oficialmente, dá uma receita de ovo frito e faz um convite ao juiz:

Juiz Lippmann, vem aqui conversar comigo. Por que só na Globo? Por que um juiz que não cita da sua sentença, do seu despacho, um governador de estado, faz uma comunicação através de uma entrevista na Rede Globo de Televisão? Que tal um exame ético deste comportamento?

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Mais sobre agenda-setting

Retirado de um texto de Fernando Antônio Azevedo, que pode ser lido na íntegra clicando aqui.

A noção de agenda-setting, formulada a partir dos trabalhos publicados nos anos 70 por McCombs e Shaw (1972 e 1993), revigorou com novos argumentos a idéia do efeito de agendamento da mídia ao mesmo tempo em que procurou estabelecer modelos de pesquisa capazes de gerar dados e evidências desse efeito pelo confronto entre a agenda da mídia e a agenda do público. Basicamente, a idéia-força desse grupo de pesquisadores é que (1) a mídia ao cobrir determinados assuntos e ignorar outros e ao usar determinados enquadramentos constrói uma representação da realidade; (2) a mídia não influencia necessariamente o comportamento do indivíduo sobre um assunto ou questão, mas delimita o conjunto de temas sobre os quais o indivíduo deve pensar e ter uma opinião; (3) a mídia, ao hierarquizar os temas, estabelece prioridades temáticas tanto para os jornalistas quanto para o consumidor de informações e o eleitor. Deste modo, a hipótese da agenda-setting não só revitalizou a crença original sobre a influência da mídia, estabelecida pioneiramente por Lippmann (1997), em 1922, como repercutiu notavelmente no campo de estudos sobre as campanhas políticas à medida que um dos corolários de seus pressupostos é a de que tanto os partidos quanto os candidatos procuram compatibilizar a agenda da campanha com a agenda da mídia e a do público.

Em resumo, há um consenso razoavelmente estabelecido entre diferentes autores e tradições teóricas sobre a influência da mídia (positiva/negativa, variando em grau e intensidade dependendo da perspectiva analítica) na configuração (tematização, agenda, etc.) do campo político (esfera pública, opinião pública, etc.) e, por extensão, dos embates eleitorais. O reconhecimento do poder de agenda da mídia certamente autoriza e legitima a exigência normativa de uma imprensa independente (definida restritivamente, para os propósitos desse artigo, como uma imprensa desvinculada dos interesses partidários e eleitorais, mas certamente também dos grupos de interesses econômicos) capaz de potencialmente informar com a maior objetividade possível o leitor. Este é o ponto central que esse texto pretende se ocupar tendo como referência empírica o pleito municipal de 2000 em São Paulo: a cobertura eleitoral da grande imprensa paulista está mais próxima ou mais distante do princípio normativo de uma imprensa apartidária e independente? Uma resposta à questão, no atual estágio da literatura brasileira sobre o tema, demanda a produção de evidência empíricas que possam ser sustentadas teoricamente e que contribua para a montagem de um quadro regional comparativo do comportamento da mídia diante do processo eleitoral.

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Agenda-setting. A grande mídia não quer informar, mas enformar

Há algum tempo tenho lançado algumas provocações, a partir dos antibanners, que hoje radicalizo (mas, calma, é por pouco tempo a poluição visual. Ela é necessária). O objetivo é denunciar e mudar o rumo da pauta imposta pela grande mídia.

Os temas para isso são: agenda-setting e espiral do silêncio. Vou a algumas postagens sobre eles. Quem quiser colaborar, seja bem-vindo.

Tudo isso em função de uma idéia que me veio à cabeça, e que estou pensando em chamar de Correspondentes de Guerra. São pessoas de várias partes do Brasil, mas especialmente dos estados do Sul, e também de São Paulo, que me enviam links, materiais, comentários diários, via e-mail, e que não querem, pelos mais variados motivos, ter seus nomes divulgados. Curiosamente, todos são homens.

Também curiosamente, há três “correspondentes de guerra” que estão no exterior, e todas são mulheres: uma está nos EUA, a outra em Londres e a terceira, em Barcelona.

Com este blog, que tem como lema “direto do Rio, remando contra a maré”, têm em comum um olhar diverso e crítico em relação à pauta diária da grande mídia.

Mas antes de entrar com eles, vamos falar de agenda-setting. Tema que tem tudo a ver com o que penso da grande mídia: eles não querem informar, mas enformar.

Leiam esta postagem da turma de Jornalismo da Faculdade do Minho, Portugal:

Sobre a teoria do agenda-setting: dois textos de apoio

Duas leituras que ajudam a reflectir sobre os pressupostos da teoria:

O Mundo Lá Fora e as Imagens nas Nossas Mentes

"Há uma ilha no meio do oceano onde, em 1914, habitavam alguns ingleses, franceses e alemães. Não existia qualquer cabo de comunicações que chegasse a esse sítio e o barco-correio a vapor britânico aportava ali apenas de 60 em 60 dias. Em Setembro desse ano ainda não tinha vindo e os habitantes continuavam a conversar entre si acerca do último jornal que tinham recebido, que abordava a aproximação do julgamento de Madame Caillaux por ter abatido a tiro Gaston Calmette. Era, assim, com uma grande e especial sede de notícias, que a colónia se juntou no cais, num dia de meados de Setembro para saber do capitão qual tinha sido a sentença. Aquilo que vieram, porém a saber foi que há mais de seis semanas os que ali estavam que eram ingleses e os que eram franceses tinham entrado em guerra contra os alemães, por causa dos tratados que tinham assinado. Durante seis estranhas semanas tinham agido como se fossem amigos, quando de facto eram inimigos.
Mas a sua desventura não era, afinal, muito diversa da maior parte da população da Europa. Enquanto que o seu erro tinha sido de seis semanas, no continente o intervalo havia sido de seis dias ou seis horas. (...) Houve um momento em que o retrato da Europa segundo o qual as pessoas continuaram a levar a sua vida como era costume não tinha correspondência com aquilo que iria provocar uma reviravolta nas suas vidas. Tinha havido um tempo para cada homem em que ele se ajustava a um meio-ambiente que já não existia. Em todo o mundo, e até ao dia 25 de Julho anterior, as pessoas tinham andado a produzir mercadorias que não seriam capazes de vender, a comprar bens que não conseguiriam importar, a planear trajectórias e empreendimentos, a alimentar esperanças e expectativas - todos na convicção de que o mundo conhecido era o mundo real. (...) Quatro anos depois aconteceu algo de semelhante, quando foi assinado o armistício. Até ele ser sido conhecido e tornado efectivo, muitos milhares de jovens morreram ainda no campo de batalha, actuando como se a guerra se mantivesse efectiva. (...)
Olhando retrospectivamente, podemos constatar quão indirectamente conhecemos o meio no qual, contudo, habitamos. Podemos ver que as notícias que dele temos nos chegam ora rápida ora lentamente: porém, aquilo que acreditamos ser o verdadeiro retrato da situação é tomado como a própria situação".

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