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Primeiro Sarney. Agora, Skaf. Serra não perdoa

Serra empunha uma arma

Não é que foi só um grupo de pessoas lançar a candidatura do sem-indústria presidente da Fiesp, Paulo Skaf, à presidência da República ao governo de São Paulo, que, em seguida, vem uma operação da PF e flagra o envolvimento da Fiesp e de seu presidente em possíveis crimes financeiros? Coincidência? Por que esses casos acontecem exatamente agora?

Primeiro foi o Sarney. O Senado presidido por Garibaldi Alves estava começando a perturbar o governo Lula. Sarney estava quietinho no seu canto, tratado pela nossa grande imprensa como uma sábia raposa, um velho lobo do mar aposentado, inofensivo como um fantasma de lençol, um político de pijama. Mas, eis que Sarney, desafeto do presidente eleito pela mídia, José Serra, é eleito presidente do Senado, e, pronto, desabam sobre sua cabeça séries intermináveis de acusações, que comentei aqui.

Agora acontece com Paulo Skaf. Cheguei a dar um conselho para a campanha dele, Sugestão para a campanha de Paulo Skaf à presidência, em tom irônico. Mas, Serra, não. Ele não quer saber de ironia. Serra não perdoa, mata. A operação da PF, chamada “Castelo de Areia”, acaba de transformar em pó a candidatura Skaf.

Simples coincidência?

E por falar em candidatura em pó e em coincidências, será também por pura coincidência que nos últimos tempos há intenso tráfico de informação dando conta do pó que vai pelos dutos nasais de um outro candidato, em disputa direta com Serra?

Será coincidência também que no último vazamento de documentos em segredo de justiça pela Veja, aqueles que teriam sido apreendidos com Protógenes, há descrições “em termos grosseiros de supostas relações amorosas da ministra”? Embora, neste caso, ache que a divulgação dessa suposta relação picante seria um tiro no pé. Uma vida sexual apimentada é tudo o que a candidatura de Dilma precisa para cair de vez na boca do povão.

Se repararam, exceto pelo tráfico de boatos, todas as outras ações que atingem, ou atingiriam, adversários de Serra vieram da PF. Será a mão do destino, em favor do presidente eleito pela mídia, ou aquela facção serrista da PF, que, desde a época do escândalo Lunus, faz de tudo para desobstruir o caminho do governador paulista?

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Sugestão para a campanha de Paulo Skaf à presidência

Todo mundo sabe que existe um movimento muito forte em favor da candidatura do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, à corrida presidencial de 2010.

Claro que esse “todo mundo” e esse “movimento muito forte” deve ser relativizado. É um todo mundo, é um movimento do mesmo pessoal do “Cansei”. Só que agora parece que eles descansaram e resolveram lançar o nome de Skaf (não confundir com Estafa, que é coisa do antigo Cansei), na base do “se colar, colou”. É só um motivo a mais para fumar charutos, tomar uns uísques.

Mas eu levo a sério essa candidatura. Como acho que Skaf é um excelente candidato para atrapalhar o tucano José Serra (o político mais perigoso do Brasil) dou aqui minha modesta contribuição para a pré-campanha.

Para tornar seu nome mais palatável para o povão, Skaf deveria se apresentar como um igual a quaisquer de nós, que somos sem-indústria. Porque isso é absolutamente verdadeiro. O presidente da Federação das Indústrias do estado mais industrializado do Brasil é um sem-indústria. A que teve (há muito tempo) faliu e deixou um espeto violento em dívidas no INSS, dinheiro que recolheu de seus funcionários e não repassou ao Instituto, conforme reportagem que você pode ler aqui. Eis um trecho:

Mergulhando mais fundo nos anais do INSS, descobre-se que, ao tempo em que mantinha quadro regular de funcionários, a Skaf têxtil acumulou dívidas com a Previdência. Em abril de 1999, quando o débito somava R$ 918,6 mil, o governo, então sob FHC, decidiu bater à porta dos tribunais.

Em agosto de 2000, a Justiça expediu mandado de penhora dos bens da indústria Skaf. Era tarde. Cinco meses antes, a empresa aderira ao Refis, o programa de parcelamento de débitos fiscais. Além da dívida com o INSS, Paulo Skaf reconheceu um passivo com a Receita. Tudo somado, o total parcelado foi a R$ 1,074 milhão.

Sancionada por FHC em abril de 2000, a lei do Refis abriu uma janela de oportunidades. O pagamento dos tributos em atraso foi atrelado a um percentual do faturamento (1,5% no caso da indústria Skaf). Sem prazo para a quitação.

Entre março e dezembro de 2000, a Skaf têxtil recolheu ao fisco R$ 360 mensais. A partir de janeiro de 2001, passou a pagar R$ 12 por mês.

Ou seja, com o pagamento de R$ 12 por mês, Skaf vai precisar de quase 90 mil anos para pagar o que deve ao INSS. Está endividado pela próximas gerações. Como nós. Ou seja, é gente igual à gente.

Não é uma boa ideia?

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