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Primeiro Sarney. Agora, Skaf. Serra não perdoa

Serra empunha uma arma

Não é que foi só um grupo de pessoas lançar a candidatura do sem-indústria presidente da Fiesp, Paulo Skaf, à presidência da República ao governo de São Paulo, que, em seguida, vem uma operação da PF e flagra o envolvimento da Fiesp e de seu presidente em possíveis crimes financeiros? Coincidência? Por que esses casos acontecem exatamente agora?

Primeiro foi o Sarney. O Senado presidido por Garibaldi Alves estava começando a perturbar o governo Lula. Sarney estava quietinho no seu canto, tratado pela nossa grande imprensa como uma sábia raposa, um velho lobo do mar aposentado, inofensivo como um fantasma de lençol, um político de pijama. Mas, eis que Sarney, desafeto do presidente eleito pela mídia, José Serra, é eleito presidente do Senado, e, pronto, desabam sobre sua cabeça séries intermináveis de acusações, que comentei aqui.

Agora acontece com Paulo Skaf. Cheguei a dar um conselho para a campanha dele, Sugestão para a campanha de Paulo Skaf à presidência, em tom irônico. Mas, Serra, não. Ele não quer saber de ironia. Serra não perdoa, mata. A operação da PF, chamada “Castelo de Areia”, acaba de transformar em pó a candidatura Skaf.

Simples coincidência?

E por falar em candidatura em pó e em coincidências, será também por pura coincidência que nos últimos tempos há intenso tráfico de informação dando conta do pó que vai pelos dutos nasais de um outro candidato, em disputa direta com Serra?

Será coincidência também que no último vazamento de documentos em segredo de justiça pela Veja, aqueles que teriam sido apreendidos com Protógenes, há descrições “em termos grosseiros de supostas relações amorosas da ministra”? Embora, neste caso, ache que a divulgação dessa suposta relação picante seria um tiro no pé. Uma vida sexual apimentada é tudo o que a candidatura de Dilma precisa para cair de vez na boca do povão.

Se repararam, exceto pelo tráfico de boatos, todas as outras ações que atingem, ou atingiriam, adversários de Serra vieram da PF. Será a mão do destino, em favor do presidente eleito pela mídia, ou aquela facção serrista da PF, que, desde a época do escândalo Lunus, faz de tudo para desobstruir o caminho do governador paulista?

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Vazamento na compra do grupo Ipiranga não foi de óleo

A Comissão de Valores Imobiliários (CVM) investiga a existência de vazamento na venda do grupo Ipiranga ao consórcio formado por Petrobras, Ultra e Braskem. Suspeita-se de que pessoas tiveram acesso a informações privilegiadas e lucraram bastante com elas.


O negócio da compra do Ipiranga foi fechado na madrugada de domingo para segunda, mas na sexta-feira da semana passada houve alta de 33,33% na cotação das ações ordinárias (com direito a voto) da Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga e de 8,31% nas ações ordinárias da Refinaria de Petróleo Ipiranga.

Há suspeita de que até 100 pessoas estariam envolvidas no trambique.

Mas essa não será essa a primeira vez que se suspeita de vazamento, aqui no Brasil. Há por exemplo, o caso do Banco Santos, que já postei aqui e republico.

A grande sacada de Sarney

Logo após a intervenção no Banco Santos, em 12 de novembro de 2004, uma boataria correu o mercado. Algumas pessoas foram informadas de que a intervenção aconteceria e sacaram seu dinheiro, um dia antes da intervenção. Entre os acusados, destaque para o ex-presidente e atual senador pelo PMDB (AP) José Sarney.
Alguns dias depois, segundo reportagem de Fernando Rodrigues na Folha, o ex-presidente Sarney confirmou o saque e, em rápida entrevista por telefone, declarou que foi ele quem deu a ordem para que fosse efetivado: “Eu dei a ordem para movimentar na quinta-feira”. Ainda na mesma reportagem, é reproduzida uma nota de Sarney:

- “Eu, como centena de correntistas, em face dos rumores publicados na imprensa e existentes na praça sobre o Banco Santos, transferi meus depósitos, produtos da venda da minha fazenda Pericumã, para o Banco do Brasil, depósitos estes constantes da minha declaração de Imposto de Renda, há dois anos.”

Curiosamente - sempre segundo a mesma reportagem - na mesma quinta-feira, dia 11 de novembro de 2004, quando mandou sacar todo o dinheiro que tinha no Banco Santos, Sarney recebeu uma visita fora da agenda do…dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira.
Este mesmo Edemar Cid Ferreira, sete meses após a intervenção, em junho de 2005, deu uma entrevista à revista Veja e explicou como ocorreu o saque na conta de Sarney e quem o ordenou:
“Sarney nunca me pediu para retirar o dinheiro do banco. Eu que o fiz. Quando cheguei na quinta-feira de manhã ao banco (um dia antes da intervenção), a primeira coisa que falei foi: Peça para transferir o dinheiro que o Sarney tem para a conta dele no Banco do Brasil.”

Há aí um claro conflito de declarações. No entanto, como acontece com várias outras denúncias, essa também não deu em nada. Não se sabe se foi Sarney ou Edemar quem sacou o dinheiro do Banco Santos, nem o fato foi investigado.

Sarney quer um Maranhão só pra ele

Como quase perdeu a eleição no Amapá e o Maranhão tem um governo de oposição a ele, o senador José Sarney teve a idéia de criar um estado sob medida, só com eleitores dele. Levou a idéia ao Senado e, segundo a Folha hoje, o processo caminha bem:

Se depender do senador José Sarney (PMDB-AP) e de seus aliados, o Brasil terá mais um Estado: o Maranhão do Sul, cuja capital será a cidade de Imperatriz. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou anteontem a realização de plebiscito para que o eleitorado do Estado opine sobre a divisão de seu território.

O Maranhão é um dos estados mais miseráveis do país e o clã Sarney tem responsabilidade nisso, já que comanda o estado há décadas.

O bravo Jornal Pequeno, do Maranhão, que tem como slogan "O órgão das multidões", afirma que é fácil ver as digitais de Sarney no estado:
"Para nascer, é na Maternidade Marly Sarney. Para morar, você tem as vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola (mãe de Sarney) ou Roseana Sarney. Para estudar, suas opções são as escolas Roseana Sarney, Sarney Neto, Fernanda Sarney, Roseana Sarney, Marly Sarney ou o próprio Sarney. Para pesquisar, pegue um táxi no posto Marly Sarney e vá à biblioteca José Sarney (que fica na maior faculdade particular, que, dizem as más línguas, também é do Sarney). Para ler notícias, tem o jornal Estado do Maranhão, que também é do Sarney, ou a televisão do Sarney. Para saber sobre contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Sarney Murad. Para sair da cidade, atravesse a ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá para a rodoviária Kiola Sarney e então, depois de algumas horas nas estradas e rodoviárias "maravilhosas" do Maranhão, você chegará ao município José Sarney. Não gostou? Quer reclamar? Pode me processar que eu vou responder no fórum desembargador Sarney!"