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Líder do Hamas diz que aceitam cessar-fogo e libertar prisioneiros

O Chefe do Departamento de Relações Internacionais do Hamas, Osama Hamdan, afirmou que o Hamas obedeceria a uma eventual ordem de cessar-fogo emitida pelo Tribunal Internacional de Justiça, desde que Israel também a respeitasse.

Segundo declaração de Hamdan em uma coletiva de imprensa no Líbano [vídeo abaixo] nesta quinta, 25, a posição do Hamas se baseia em três pontos:

  1. Se o TIJ decidir impor um cessar-fogo, o Hamas se compromete a aderir à decisão, desde que Israel também se comprometa;
  2. O Hamas se compromete a libertar todos os prisioneiros em seu poder, desde que Israel liberte todos os palestinos presos em Israel, todos eles;
  3. Israel deve pôr fim ao bloqueio em Gaza, que dura 18 anos, e permitir a entrada de toda a ajuda humanitária direcionada ao povo palestino na Faixa de Gaza e dos requisitos necessários para a reconstrução de tudo o que foi destruído por Israel.

O TIJ não ordenou um cessar-fogo, apenas aceitou abrir o processo solicitado pela África do Sul que acusa Israel de genocídio, pediu que Israel evitasse ações nesse sentido e permitisse a entrada de ajuda humanitária.

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Objetivo do processo da África do Sul contra Israel em Haia, que o Brasil apoia, é um cessar fogo imediato. Quem é contra?

Em 29 de dezembro passado, a África do Sul entrou com uma ação no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) em Haia, pedindo duas coisas: uma investigação do comportamento de Israel que estaria cometendo genocídio em Gaza; um cessar fogo imediato. 

(1) que Israel suspenda suas atividades militares em Gaza; (2) que Israel garante que qualquer ação militar ou grupos militares irregulares cessem suas atividades; (3) que todas as medidas à disposição do Estado de Israel para prevenir um genocídio sejam tomadas. [Conjur]

O julgamento do mérito da ação no TIJ dura muitos anos, mas as decisões para impedir um possível genocídio saem em semanas. E esse é o objetivo, inclusive declarado pelo Brasil em nota:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje o embaixador da Palestina em Brasília, Ibrahim Alzeben, para discutir a situação dos palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, depois de decorridos mais de três meses da presente crise.

O presidente Lula recordou a condenação imediata pelo Brasil dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023. Reiterou, contudo, que tais atos não justificam o uso indiscriminado, recorrente e desproporcional de força por Israel contra civis.

Já são mais de 23 mil mortos, dos quais 70% são mulheres e crianças, e há 7 mil pessoas desaparecidas. Mais de 80% da população foi objeto de transferência forçada e os sistemas de saúde, de fornecimento de água, energia e alimentos estão colapsados, o que caracteriza punição coletiva.

O presidente ressaltou os esforços que fez pessoalmente junto a vários chefes de Estado e de Governo em prol do cessar fogo, da libertação dos reféns em poder do Hamas e da criação de corredores humanitários para a proteção dos civis. Destacou, ainda, a atuação incansável do Brasil no exercício da presidência do Conselho de Segurança em prol de saída diplomática para o conflito.

À luz das flagrantes violações ao direito internacional humanitário, o presidente manifestou seu apoio à iniciativa da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça para que determine que Israel cesse imediatamente todos os atos e medidas que possam constituir genocídio ou crimes relacionados nos termos da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

O governo brasileiro reitera a defesa da solução de dois Estados, com um Estado Palestino economicamente viável convivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.

Com os recentes revezes internos em Israel e o aumento de protestos contra sua atuação, Netenyahu pode ter numa decisão da corte a desculpa para um cessar fogo, que, por suas declarações durante todos esses meses de massacre, ele jamais poderia tomar sem se desmoralizar por completo.

Netanyahu declarou inúmeras vezes que as ações militares de Israel só cessariam com o fim do Hamas. 

O TIJ pode lhe apontar uma saída. Mais do que isso, salvar a vida de milhares e milhares de palestinos mortos diariamente por Israel — 70% deles mulheres e crianças. Esse é o objetivo primeiro da ação da África do Sul, que o Brasil apoiou.

Quem é contra uma investigação que pode cessar o massacre é a favor do massacre, que até 27 de dezembro causou isto em Gaza:


Hoje são mais de 31 mil mortos por Israel. Cada dia conta.

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