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Cuba sob ataque dos Estados Unidos precisa de nossa solidariedade. Ouça frei Betto

Cuba na mira de Trump

Na última quinta-feira, 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em meio à divulgação de milhões de páginas do "Caso Epstein", desferiu aquilo que muitos veem como a estocada final dos Estados Unidos para tentarem o que ainda não conseguiram nos últimos 64 anos de embargo econômico: mudar o regime de Cuba.

A decisão encerrou o mês de janeiro do homem que se julga imperador do mundo, que começou com a invasão e bombardeio da Venezuela, com mais de 100 mortos, e o sequestro do presidente eleito da República Bolivariana da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

Assim como fez quando aplicou o tarifaço ao Brasil, em que nos acusou de sermos superavitários em relação aos EUA, quando tínhamos um déficit de quase 300 bilhões de dólares com eles, agora Trump acusa o governo cubano de "desestabilizar a região" e de se aliar a adversários dos EUA, como Rússia, China e Irã, e a "grupos terroristas" como o Hamas e o Hezbollah.

Trump ameaça países que fornecerem petróleo a Cuba com uma tarifa adicional a seus produtos nos Estados Unidos.

Cuba em perigo real

O problema é que, segundo dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times, Cuba tem petróleo suficiente para apenas mais 15 a 20 dias.  

A ilha precisa de 110 mil barris/dia para consumo e produz apenas 40 mil.

No seu ataque a Cuba, Trump é escoltado por uma figura menor, o Secretário de Estado Marco Rubio, um anticomunista ferrenho, que falsificou a própria biografia ao afirmar que seus pais foram para os EUA fugindo da "ditadura comunista" de Cuba, quando não apenas os pais, mas também seus avós, saíram da ilha anos antes da Revolução Cubana.

Agora Rubio, que foi o elo de Eduardo Bolsonaro com Trump e agora já o abandonou, comemorou entre dentes: 

"Gostaríamos muito de ver uma mudança de regime, mas isso não significa que vamos provocá-la".

Solidariedade a Cuba

O escritor e religioso frei Betto faz um apelo à solidariedade ao povo cubano. Betto informa que "a população cubana vem enfrentando nos últimos tempos um agravamento do bloqueio, principalmente pela falta de energia. Isso também afeta o abastecimento de água e essa energia que tem como base o petróleo era favorecida por três países, principalmente por três países que agora se encontram em situação crítica, a Rússia em guerra, o Irã em guerra e a Venezuela em crise e potencialmente em guerra devido aos ataques do governo genocida dos Estados Unidos. Então nós precisamos incrementar a solidariedade ao povo cubano". 

Frei Betto sobre Cuba

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 PT emite nota sobre Cuba

 A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores emitiu uma nota de protesto contra mais uma atitude violenta de Donald Trump em que também defende o fim do bloqueio à ilha.

 

“NOTA PÚBLICA EXECUTIVA NACIONAL DO PT

“O Partido dos Trabalhadores manifesta seu total apoio à República de Cuba ante as ameaças sofridas pela administração de Donald Trump e defende a soberania e a autodeterminação do povo cubano.

“Após invadir a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o governo estadunidense avança ainda mais sobre a América Latina, tendo como alvo agora o povo cubano e sua Revolução. Cuba já sofre um bloqueio unilateral criminoso há mais de 65 anos, que impede o país de se desenvolver livre e plenamente.

“O governo Trump quer agora sufocar totalmente a economia cubana ao impor mais um bloqueio e evitar que combustíveis cheguem à ilha, impedindo a geração de eletricidade e o transporte inviabilizando ainda mais a vida de cubanas e cubanos. Isto equivale a impedir o comércio humanitário com a ilha, que garante as mínimas condições de vida de seu povo.

“Defendemos o fim do bloqueio contra Cuba e sua total reinserção na política e economia mundiais.

“Não podemos aceitar mais um ataque à soberania de um país da América Latina e esta ameaça criminosa contra o povo cubano. Seguiremos defendendo o povo cubano, seu direito à autodeterminação, sua soberania, a Revolução Cubana e seus ideais de justiça social.

“Brasília, 31 de janeiro de 2026.

“Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores”



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Como é viver em Cuba e o que está acontecendo por lá - por Frei Betto

Artigo do escritor e religioso Frei Betto, originalmente publicado na Carta Maior.
Cuba resiste
Poucos ignoram minha solidariedade à Revolução Cubana. Há 40 anos visito com frequência a Ilha, em função de compromissos de trabalho e convites a eventos. Por longo período intermediei a retomada do diálogo entre bispos católicos e o governo de Cuba, conforme descrito em meus livros "Fidel e a religião" (Fontanar/Companhia das Letras) e "Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista" (Rocco). Atualmente, contratado pela FAO, assessoro o governo cubano na implementação do Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional.

Conheço em detalhes o cotidiano cubano, inclusive as dificuldades enfrentadas pela população, os questionamentos à Revolução, as críticas de intelectuais e artistas do país. Visitei cárceres, conversei com opositores da Revolução, convivi com sacerdotes e leigos cubanos avessos ao socialismo.

Quando dizem a mim, um brasileiro, que em Cuba não há democracia, desço da abstração das palavras à realidade. Quantas fotos ou notícias foram ou são vistos sobre cubanos na miséria, mendigos espalhados nas calçadas, crianças abandonadas nas ruas, famílias debaixo de viadutos? Algo semelhante à cracolândia, às milícias, às longas filas de enfermos aguardando anos para serem atendidos num hospital?

Advirto os amigos: se você é rico no Brasil e for viver em Cuba conhecerá o inferno. Ficará impossibilitado de trocar de carro todo ano, comprar roupas de grife, viajar com frequência para férias no exterior. E, sobretudo, não poderá explorar o trabalho alheio, manter seus empregados na ignorância, "orgulhar-se" da Maria, sua cozinheira há 20 anos, e a quem você nega acesso à casa própria, à escolaridade e ao plano de saúde.

Se você é classe média, prepare-se para conhecer o purgatório. Embora Cuba já não seja uma sociedade estatizada, a burocracia perdura, há que ter paciência nas filas dos mercados, muitos produtos disponíveis neste mês podem não ser encontrados no próximo devido às inconstâncias das importações.

Se você, porém, é assalariado, pobre, sem-teto ou sem-terra, prepare-se para conhecer o paraíso. A Revolução assegurará seus três direitos humanos fundamentais: alimentação, saúde e educação, além de moradia e trabalho. Pode ser que você tenha muito apetite por não comer o que gosta, mas jamais terá fome. Sua família terá escolaridade e assistência de saúde, incluindo cirurgias complexas, totalmente gratuitas, como dever do Estado e direito do cidadão.

Nada é mais prostituído do que a linguagem. A celebrada democracia nascida na Grécia tem seus méritos, mas é bom lembrar que, na época, Atenas tinha 20 mil habitantes que viviam do trabalho de 400 mil escravos... O que responderia um desses milhares de servos se indagado sobre as virtudes da democracia?

Não desejo ao futuro de Cuba o presente do Brasil, da Guatemala, de Honduras e ou mesmo de Porto Rico, colônia estadunidense, à qual é negada independência. Nem desejo que Cuba invada os EUA e ocupe uma área litorânea da Califórnia, como ocorre com Guantánamo, transformada em centro de torturas e cárcere ilegal de supostos terroristas.

Democracia, no meu conceito, significa o "Pai nosso" - a autoridade legitimada pela vontade popular -, e o "pão nosso" - a partilha dos frutos da natureza e do trabalho humano. A rotatividade eleitoral não faz, nem assegura uma democracia. O Brasil e a Índia, tidas como democracias, são exemplos gritantes de miséria, pobreza, exclusão, opressão e sofrimento.

Só quem conhece a realidade de Cuba anterior a 1959 sabe por que Fidel contou com tanto apoio popular para levar a Revolução à vitória. O país era conhecido pela alcunha de "prostíbulo do Caribe". A máfia dominava os bancos e o turismo (há vários filmes sobre isso). O principal bairro de Havana, ainda hoje chamado de Vedado, tem esse nome porque, ali, os negros não podiam circular...

Os EUA nunca se conformaram por ter perdido Cuba sujeita às suas ambições. Por isso, logo após a vitória dos guerrilheiros de Sierra Maestra, tentaram invadir a Ilha com tropas mercenárias. Foram derrotados em abril de 1961. No ano seguinte, o presidente Kennedy decretou o bloqueio a Cuba, que perdura até hoje.

Cuba é uma ilha com poucos recursos. É obrigada a importar mais de 60% dos produtos essenciais ao país. Com o arrocho do bloqueio promovido por Trump (243 novas medidas e, até agora, não removidas por Biden), e a pandemia, que zerou uma das principais fontes de recursos do país, o turismo, a situação interna se agravou. Os cubanos tiveram que apertar os cintos. Então, os insatisfeitos com a Revolução, que gravitam na órbita do "sonho americano", promoveram os protestos do domingo, 11 de julho – com a "solidária" ajuda da CIA, cujo chefe acaba de fazer um giro pelo Continente, preocupado com o resultado das eleições no Peru e no Chile.

Quem melhor pode explicar a atual conjuntura de Cuba é seu presidente, Diaz-Canel: "Começou a perseguição financeira, econômica, comercial e energética. Eles (a Casa Branca) querem que se provoque um surto social interno em Cuba para convocar "missões humanitárias" que se traduzem em invasões e interferências militares."

"Temos sido honestos, temos sido transparentes, temos sido claros e, a cada momento, explicamos ao nosso povo as complexidades dos dias atuais. Lembro que há mais de um ano e meio, quando começou o segundo semestre de 2019, tivemos que explicar que estávamos em situação difícil. Os EUA começaram a intensificar uma série de medidas restritivas, endurecimento do bloqueio, perseguições financeiras contra o setor energético, com o objetivo de sufocar nossa economia. Isso provocaria a desejada eclosão social massiva, para poder apelar à intervenção "humanitária", que terminaria em intervenções militares".

"Essa situação continuou, depois vieram as 243 medidas (de Trump, para arrochar o bloqueio) que todos conhecemos e, finalmente, decidiu-se incluir Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo. Todas essas restrições levaram o país a cortar imediatamente várias fontes de receita em divisas, como o turismo, as viagens de cubano-americanos ao nosso país e as remessas de dinheiro. Formou-se um plano para desacreditar as brigadas médicas cubanas e as colaborações solidárias de Cuba, que recebeu uma parte importante de divisas por essa colaboração."

"Toda essa situação gerou uma situação de escassez no país, principalmente de alimentos, medicamentos, matérias-primas e insumos para podermos desenvolver nossos processos econômicos e produtivos que, ao mesmo tempo, contribuam para as exportações. Dois elementos importantes são eliminados: a capacidade de exportar e a capacidade de investir recursos."

"Também temos limitações de combustíveis e peças sobressalentes, e tudo isso tem causado um nível de insatisfação, somado a problemas acumulados que temos sido capazes de resolver e que vieram do Período Especial (1990-1995, quando desabou a União Soviética, com grave reflexo na economia cubana). Juntamente com uma feroz campanha mediática de descrédito, como parte da guerra não convencional, que tenta fraturar a unidade entre o partido, o Estado e o povo; e pretende qualificar o governo como insuficiente e incapaz de proporcionar bem-estar ao povo cubano."

"O exemplo da Revolução Cubana incomodou muito os EUA durante 60 anos. Eles aplicaram um bloqueio injusto, criminoso e cruel, agora intensificado na pandemia. Bloqueio e ações restritivas que nunca realizaram contra nenhum outro país, nem contra aqueles que consideram seus principais inimigos. Portanto, tem sido uma política perversa contra uma pequena ilha que apenas aspira a defender sua independência, sua soberania e construir a sua sociedade com autodeterminação, segundo princípios que mais de 86% da população têm apoiado."

"Em meio a essas condições, surge a pandemia, uma pandemia que afetou não apenas Cuba, mas o mundo inteiro, inclusive os Estados Unidos. Afetou países ricos, e é preciso dizer que diante dessa pandemia nem os Estados Unidos, nem esses países ricos tiveram toda a capacidade de enfrentar seus efeitos. Os pobres foram prejudicados, porque não existem políticas públicas dirigidas ao povo, e há indicadores em relação ao enfrentamento da pandemia com resultados piores que os de Cuba em muitos casos. As taxas de infecção e mortalidade por milhão de habitantes são notavelmente mais altas nos EUA que em Cuba (os EUA registraram 1.724 mortes por milhão, enquanto Cuba está em 47 mortes por milhão). Enquanto os EUA se entrincheiravam no nacionalismo vacinal, a Brigada Henry Reeve, de médicos cubanos, continuou seu trabalho entre os povos mais pobres do mundo (por isso, é claro, merece o Prêmio Nobel da Paz)."

"Sem a possibilidade de invadir Cuba com êxito, os EUA persistem com um bloqueio rígido. Após a queda da URSS, que proporcionou à ilha meios de contornar o bloqueio, os EUA tentaram aumentar seu controle sobre o país caribenho. De 1992 em diante, a Assembleia Geral da ONU votou esmagadoramente pelo fim desse bloqueio. O governo cubano informou que entre abril de 2019 e março de 2020 Cuba perdeu 5 bilhões de dólares em comércio potencial devido ao bloqueio; nas últimas quase seis décadas, perdeu o equivalente a 144 bilhões de dólares. Agora, o governo estadunidense aprofundou as sanções contra as companhias de navegação que trazem petróleo para a ilha."

É essa fragilidade que abre um flanco para as manifestações de descontentamento, sem que o governo tenha colocado tanques e tropas nas ruas. A resiliência do povo cubano, nutrida por exemplos como Martí, Che Guevara e Fidel, tem se demonstrado invencível. E a ela devemos, todos nós, que lutamos por um mundo mais justo, prestar solidariedade.





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Presidente de Cuba denuncia que país está sob ataque dos EUA: 'Eles têm que passar por cima do nosso cadáver se quiserem derrubar a Revolução'


No ultimo domingo, o presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel Brmúdez fez um pronunciamento à TV Local denunciando que o país está sob ataque dos Estados Unidos. O objetivo é enfraquecer a economia cubana a um ponto, em meio à pandemia, que se clame por uma "intervenção humanitária".
 
Eis reportagem do Granma sobre as palavras do presidente:

Os Estados Unidos têm estado incômodos por 60 anos por causa do exemplo da Revolução Cubana, disse neste domingo o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, numa intervenção especial do Palácio da Revolução para explicar ao povo a mais recente provocação orquestrada por pequenos grupos contrarrevolucionários.

O chefe de Estado iniciou seu discurso com uma saudação revolucionária a todo o nosso povo e disse: «Infelizmente temos que interromper a rotina dominical, que todas nossas famílias aproveitam para descansar e dividir, para informar-lhes e partilhar com vocês um conjunto de elementos sobre os eventos que estão acontecendo hoje, que dizem respeito a todo um nível de provocação sistemática em escala, que tem promovido a contrarrevolução nestes dias».

«Quais são os antecedentes da situação que vivemos?», perguntou ele.

«Temos sido honestos, temos sido transparentes, temos sido claros e em todos os momentos temos explicado ao nosso povo a complexidade dos momentos atuais».

«Lembro-me que há mais de um ano e meio, quando começou o segundo semestre de 2019, tivemos que explicar que íamos para uma conjuntura difícil, e usamos esse termo, que mais tarde foi tomado como parte do humor popular, porque estamos nessa conjuntura há muito tempo ... com base em todos os sinais que o governo dos Estados Unidos, liderado pelo governo Trump, dava em relação a Cuba».

Ele lembrou que começou a se intensificar todo um conjunto de medidas restritivas do bloqueio; a perseguição financeira, a perseguição energética, com o objetivo de sufocar a economia do nosso país.

Díaz-Canel denunciou o desejo longamente esperado de provocar uma grande revolta social em Cuba, para a qual contribuem para toda aquela propaganda e todas as construções ideológicas que fizeram para convocar as chamadas intervenções humanitárias, que culminam em intervenções e ingerências militares, que esmagam os direitos e a soberania, a independência de todos os povos.

Essa sucessão de ações hostis continuou, disse ele. «Depois vieram as 243 medidas que todos nós conhecemos. E nos últimos dias desse governo se decidiu incluir Cuba na lista dos países patrocinadores do terrorismo».

Reiterou que essa «é uma lista totalmente espúria, uma lista ilegítima e uma lista unilateral, que os Estados Unidos assumem por acreditar que são a potência que domina o mundo, que são os imperadores deste mundo».

Ele ressaltou que, infelizmente, devido à falta de dignidade existente em um grupo de instituições internacionais e também em uma parte importante de alguns países, muitos se submetem de uma vez a todas essas medidas e ações. «É preciso reconhecer que outros não permitem que lhes sejam impostas, mas também são limitados pelo alcance extraterritorial que elas têm».

«E isso aumentou ainda mais todas essas limitações, todas essas restrições, que sobretudo implicaram que o país fosse imediatamente cortado de suas principais fontes de receita em divisas: estou falando do turismo, estou falando das viagens de cubanos e americanos ao nosso país, das remessas que as famílias cubanas tanto esperam de seus parentes nos Estados Unidos».

O presidente cubano denunciou também que se elaborou um tremendo plano para desacreditar as brigadas médicas cubanas, e por essa colaboração médica, além da colaboração solidária de Cuba, também era ingressada uma parte importante de divisas estrangeiras, e tudo isso foi provocando uma situação de escassez no país: «Escassez de alimentos, escassez de medicamentos, escassez de matérias-primas e insumos para poder desenvolver o nosso processo econômico e produtivo, que ao mesmo tempo paga impostos às exportações e insumos das pessoas; portanto, aqui dois elementos importantes são eliminados: a capacidade de exportar e receber divisas para importar e investir, e a capacidade dos processos de produção para desenvolver todo um conjunto de bens e serviços para nossa população».

Ele sublinhou que o país «teve limitação de combustível, limitação de peças de reposição, e tudo isso gerou um grupo de insatisfações, aumentou os problemas acumulados, que não temos conseguido resolver e que vinham do período especial, e a isso se juntou uma feroz campanha mediática de descrédito como parte da chamada guerra não convencional, que tenta, por um lado, romper a unidade entre o Partido, o Governo, o Estado e o povo, que tenta colocar o Governo como insuficiente, incapaz de proporcionar bem-estar ao povo cubano e que pretende erguer o governo dos Estados Unidos "muito preocupados com esse povo" que injustamente bloqueou, indicando que é através dele que se pode aspirar ao desenvolvimento e ao progresso de um país como o nosso».

«São receitas hipócritas bem conhecidas e discursos de dupla moral, que conhecemos muito bem ao longo da história dos Estados Unidos em relação a Cuba. Sabemos como intervieram em nosso país, como se apropriaram de nossa Ilha, como mantiveram o domínio de nossa Ilha na etapa da pseudorrepública e como esses interesses foram atingidos com o triunfo da Revolução Cubana».

«E há 60 anos que se incomodam muito com o exemplo da Revolução Cubana e aumentam constantemente ..., aplicam um bloqueio injusto, criminoso, cruel, que se intensifica agora, pior em condições de pandemia. Aí está a perversidade manifesta, a maldade de todas essas intenções: bloqueio e ações restritivas, que nunca fizeram contra nenhum outro país, nem contra aqueles que consideram seus principais inimigos».

«Portanto, tem sido uma obra e uma política de maldade contra uma pequena Ilha, que só pretende defender a sua independência, a sua soberania e construir, com autodeterminação, sua sociedade de acordo com os princípios que mais de 86% aprovou, tem apoiado no exercício amplo e democrático que apoiamos para aprovar a atual Constituição da República de Cuba».

«E em meio a essas condições começa a pandemia, uma pandemia que não afetou apenas Cuba, uma pandemia que afetou o mundo inteiro, uma pandemia que afetou também os Estados Unidos, que afetou os países ricos. É preciso dizer que os Estados Unidos e esses países ricos não tiveram toda a capacidade de enfrentar os efeitos desta pandemia em seus primeiros dias».

«E em muitos desses países do primeiro mundo, com muito mais riqueza, os sistemas de saúde entraram em colapso, as salas de cuidados intensivos entraram em colapso. Os pobres ficaram em desvantagem, porque não existem políticas públicas voltadas para o povo, para sua salvação».

Disse que a nação setentrional do Norte e esses países ricos têm indicadores em relação ao enfrentamento da pandemia com resultados piores que os de Cuba em muitos casos.

«E fomos afetados por aquela pandemia e, em meio a todas essas restrições, com as reservas que o país criou, com o pouco que tínhamos no país, com o pouco que conseguimos adquirir neste ano difícil e meio, é que temos sido capazes de enfrentar todos esses desafios e todos esses desafios».

«E o fizemos com coragem, o fizemos sem desistir e, sobretudo, o fizemos partilhando o pouco que temos entre todos, e não o fizemos apenas em Cuba, nós o compartilhamos com o mundo, porque existe o exemplo das brigadas internacionalistas Henry Reeve, que se deslocaram a lugares brutalmente afetados pela pandemia».

«E assim progredimos, controlamos surtos e mais surtos, com uma grande capacidade de sacrifício de nosso povo, de nossos cientistas, nosso pessoal da Saúde, de quase todo o país envolvido nisso».

Díaz-Canel assinalou que foram criadas cinco vacinas candidatas, uma delas reconhecida como vacina, que é a primeira vacina da América Latina contra a COVID-19. Cuba já está vacinando sua população e esse é um processo que leva tempo. É preciso produzir vacinas, mas hoje temos uma das áreas de vacinação mais altas do mundo e em poucas semanas já atingimos mais de 20% do total da população vacinada », disse.

Nos últimos meses, ele alertou, cepas mais agressivas começaram a aparecer, causando mais transmissão da doença, e em meio a essa situação outro grupo de complicações começa a aparecer.

«Em primeiro lugar, os casos ocorrem com uma velocidade e acúmulo que superam as capacidades que temos sido capazes de criar para atender esses casos nas instituições do Estado. Por outro lado, tivemos que ir abrir vagas em outros centros», explicou.

Nesse sentido, defendeu que ao abrir mais locais, aos quais se deve dar prioridade energética – em meio ao acúmulo de problemas na geração de eletricidade, que têm levado a maiores danos –, a quantidade de circuitos que temos que proteger para atender esses pacientes aumentou.

Por ter mais pacientes, continuou ele, as reservas de remédios também estão se esgotando e as formas de adquiri-los são muito difíceis; e no meio disso tudo continuamos com vontade, continuamos pensando em tudo, trabalhando para todos.

«Agora tivemos que recorrer à experiência da internação domiciliar por falta de capacidade de um grupo de províncias, e tivemos que convocar, então, as famílias para que tivessem uma participação mais direta e responsável. A gente não se cansa de admirar essa capacidade de resistência criativa que nosso povo tem».

«Com estes valores, assegurou, se os acompanharmos com responsabilidade, no menor tempo possível, com vacinação, cumprindo as medidas sanitárias necessárias, sairemos mais cedo ou mais tarde deste pico pandêmico, que não é apenas um caso cubano. Cuba conseguiu adiá-lo com tudo o que fizemos e nós também vamos vencê-lo».

«Então, de forma muito covarde, sutil, oportunista, perversa, a partir das situações mais complicadas que tivemos em províncias como Matanzas e Ciego de Ávila, aqueles que sempre apoiaram o bloqueio, os que serviram como mercenários, lacaios do império ianque, começam a surgir com doutrinas de intervenção humanitária, de corredor humanitário, para fortalecer o critério de que o Governo cubano não é capaz de sair desta situação, como se estivessem tão interessados no bem-estar e na saúde de nosso povo», declarou o presidente.

«Se quiserem ter um gesto com Cuba, se quiserem realmente preocupar-se com o povo, se quiserem resolver os problemas de Cuba: tirem o bloqueio e vejamos como vai ser tudo, por que não o fazem? Por que não têm a coragem de tirar o bloqueio, que fundamento legal e moral sustenta que um governo estrangeiro possa aplicar essa política a um país pequeno e em meio a situações tão adversas? Isso não é genocídio? ».

«Levantam», denunciou, «critérios de que somos uma ditadura, «uma ditadura que se preocupa em dar saúde a toda sua população, que busca o bem-estar de todos, que em meio a essa situação é capaz de realizar políticas públicas, que aspira a vacinação com uma vacina cubana, porque sabíamos que ninguém nos a venderia, porque não tínhamos dinheiro para comprá-la», afirmou.

«Que ditadura estranha!», exclamou. Agora gritam que somos assassinos, onde estão os assassinados em Cuba, onde estão os desaparecidos em Cuba, porque os outros países que sofreram esses picos pandêmicos não foram atacados pela imprensa e a intervenção humanitária não foi posta como solução para eles nem foram armadas essas campanhas para desacreditá-los como fazem para nós, enfatizou Díaz-Canel.

«Acredito que a vida, a história, os fatos mostram o que está por trás de tudo isto, que é sufocar-nos e acabar com a Revolução, e para isso procuram desencorajar o nosso povo, confundir o nosso povo. E quando as pessoas estão em condições severas, acontecem eventos como os que vivemos em San Antonio de los Baños». Sobre os eventos nesta área, detalhou:

Quem fez parte desse grupo? Foi formado por pessoas de povo, que têm necessidades, que estão vivenciando parte dessas carências; era formado por revolucionários confundidos ou que não têm todos os argumentos, ou que também estão expressando essas insatisfações, mas o fizeram de uma forma diferente, porque estavam em busca de argumentos, de explicações.

«Mas isto foi encabeçado por um núcleo de manipuladores que se prestam aos desígnios das campanhas SOS Matanzas ou SOS Cuba, ou o chamado panelaço, que preparam há vários dias, de modo que em várias cidades de Cuba houvessem manifestações ou motins sociais deste tipo. Isso é muito criminoso, numa hora em que as pessoas precisam estar em casa, se protegendo».

Os revolucionários de San Antonio de los Baños reconheceu Díaz-Canel, as autoridades da província, um grupo de nós, líderes do país chegamos ali, enfrentamos os contrarrevolucionários e falamos com os revolucionários, ou aqueles que nos perguntavam para obter explicações, para mostrar que a rua é dos revolucionários.

Ele lembrou que sabemos que existe outros grupos de pessoas em certas ruas ou praças, em outras cidades do país, onde se concentraram também por esses motivos tão insalubres. «Dou esta informação, também para ratificar que em Cuba as ruas são dos revolucionários, que o Estado, o Governo revolucionário, guiado pelo Partido, tem toda a vontade política para discutir, argumentar e participar com o povo na resolução dos problemas, mas reconhecendo qual é a verdadeira causa dos nossos problemas, sem nos deixarmos confundir».

Aqueles que estão incentivando as manifestações não querem um bem de saúde para Cuba, enfatizou. Lembrem-se que seu modelo é o neoliberal, é a privatização da saúde, dos serviços médicos, da educação, é que cada um se salve como puder, que quem tiver dinheiro possa ir para cuidar da saúde, alertou.

«Nós não vamos abrir mão da soberania, nem a independência do povo, nem a liberdade desta nação. Somos muitos os revolucionários nesta cidade que estamos dispostos a dar a vida e isso não é por slogan, é por convicção. Eles têm que passar por cima de nossos cadáveres se quiserem derrubar a Revolução, e estamos prontos para tudo e estaremos lutando nas ruas».

Sabemos que incidentes desse tipo estão sendo orquestrados nas ruas de Havana e que há massas de revolucionários enfrentando elementos contrarrevolucionários. Separamos os revolucionários confundidos, separamos os habitantes de Cuba que podem ter certas preocupações, mas não vamos permitir que um contrarrevolucionário, mercenário, provoque a desestabilização de nosso povo.

“Por isso convocamos todos os revolucionários do nosso país, todos os comunistas, a tomarem as ruas em qualquer um dos lugares onde vão acontecer essas provocações hoje, de agora em diante e em todos estes dias», disse.

«Como disse no discurso de encerramento do Congresso do Partido, defendemos a Revolução em primeiro lugar, os revolucionários e, na primeira fila, os comunistas, e com essa convicção já estamos nas ruas, não vamos permitir para ninguém manipular nossa situação, nem que alguém possa defender um plano que não seja cubano, que não seja de bem-estar para os cubanos e que seja anexionista. Para isso chamamos os revolucionários e os comunistas deste país», concluiu.







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