Mostrando postagens com marcador doméstica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador doméstica. Mostrar todas as postagens

Audiência do caso Sirley revela: Está na moda jogar ovos e espancar prostitutas

Nesta sexta, dia 3, houve uma audiência na 38ª Vara Criminal aqui no Rio sobre o caso da doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, que foi violentamente espancada por cinco jovens no dia 23 de junho. A audiência apresentou algumas revelações surpreendentes.

Por exemplo: Jorge Vacite Filho, advogado de um dos jovens, acha que a agressão covarde está sendo superdimensionada. Em declaração ao G1, ele diz:

“Deram ao fato uma dimensão que ele não tem. Não é verossímil que essa moça seja agredida por cinco jovens e só procure o hospital horas depois. Ela foi primeiro para a polícia”, disse, insinuando que os ferimentos não foram tão graves assim. “Não estou dizendo que não houve a agressão. Mas não foi na proporção que passaram para provocar essa comoção social. Os exames não revelaram nenhuma fratura.”

Só faltou cantar “um tapinha não dói”...

No entanto, visão exatamente oposta tem a garota de programa Ana Lúcia Cordeiro Julião da Costa. Ela, que também já foi vítima dos mesmos jovens, disse ao juiz Jorge Luiz Le Cocq D’Oliveira, titular da 38ª Vara Criminal da Capital, que os agressores “bateram muito forte na cabeça e rosto” da doméstica “como se estivessem arrombando uma porta”.

“Já presenciei agressões contra prostitutas ali na Barra, mas nunca vi um linchamento como aquele”, contou.

Outra garota de programa, Ângela Maria Gomes dos Santos,disse que já sofreu "outras agressões e intimidações de jovens que costumam passar de carros jogando ovos nas prostitutas e até ameaçando espancá-las com tacos de beisebol".

Como se vê, quando o diretor do Big Brother Brasil, Boninho, declara em vídeo que joga ovo podre em "vagabundas" (clique aqui para ver o vídeo dos ovos), ele está rigorosamente na moda.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Empregada doméstica e motorista de táxi dão aula de cidadania

A empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto tem aplicado a seus agressores uma lição de moral, de que dificilmente irão se esquecer. Lúcida, magoada e ofendida, mas sem rancor, a superioridade moral de Sirlei esmaga ainda mais o quinteto sádico que a agrediu brutal e covardemente no final de semana passado, aqui no Rio.

Ela deu nova prova disso em suas declarações de ontem, quando retirou os holofotes de sua cabeça e os colocou no motorista de táxi que, com sua atitude, tornou possível a identificação e a prisão dos jovens. Sirlei fez o que a mídia (com a honrosa exceção deste blog) não havia feito até ali: manifestou seu reconhecimento e gratidão ao taxista:

"Queria agradecer o taxista, ele foi um herói, naquele momento. Eu não estou vendo ele, mas ele está me vendo e quero agradecer. Ele me tratou como se trata de uma filha. Ele já é como se fosse da minha família. ele foi um pai para mim, um herói. Se não fosse ele, eu não estaria aqui. Depois que isso tudo passar, quero conhecê-lo", disse Sirlei.

Como se não bastasse, Sirlei ainda lançou um olhar generoso sobre os pais de seus agressores:

"Ainda sinto medo, muito medo. Sei que eles estão presos, mas sinto como se eles ainda estivessem na rua. Quero que os jovens olhem isso, parem e pensem para que a gente tenha uma sociedade mais tranqüila para que os pais não sofram tanto quanto os pais desses jovens estão sofrendo."

A empregada doméstica e o motorista de táxi são duas pessoas que entraram em nossas vidas numa circunstância trágica para mostrar como pode ser melhor nosso estado, nosso país, se seguirmos as lições de cidadania que eles estão nos dando.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail