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Nada como um Álvaro Dias após o outro

Em O Globo hoje:

É grande o mal-estar entre os tucanos com o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Um de seus líderes no Congresso lembrou que Dias não é, propriamente, um fã do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em junho de 2001, o deputado Sebastião Madeira (MA) propôs e a executiva tucana, presidida pelo atual líder José Anibal (SP), abriu processo que resultou na expulsão de Dias do PSDB. Ele tinha assinado requerimento para criar uma CPI da Corrupção no Senado.

Mais Dias, menos Dias, nossa mídia corporativa descobre que Dias é PT desde criancinha...

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Álvaro Dias confessa ao repórter Raphael Prado que foi fonte de Veja

Fiz questão de colocar o nome do repórter no título da postagem, porque seu trabalho foi irretocável. Sua reportagem no Terra Magazine confirma o que já se sabia desde ontem, o bico tucano do senador Álvaro Dias no dossiê FHC de Veja. Mas suas perguntas foram fundamentais para trazer à luz a verdade. Parabéns Raphael.

O senhor admitiu que viu as informações antes de elas serem tornadas públicas. Em que circunstâncias isso aconteceu?
Álvaro Dias - Olha, o jornalismo investigativo tem prestado um grande serviço ao País, seria muito pior a degradação das instituições, não fosse a competência e a ousadia do nosso jornalismo de investigação. E isso se dá em razão de fontes. O jornalista se utiliza de muitas fontes. Uma revista do porte da Veja, que só no escândalo do mensalão divulgou, se não me falha a memória, matérias de capa 17 vezes, não contou com apenas uma fonte. Certamente valeu-se de muitas fontes de informação. Eu tenho sido ouvido por muitos jornalistas, do Terra, de outros sites, de jornais, emissoras de TV e certamente outros parlamentares da mesma forma. Esse é o caminho para se produzir a informação.

O senhor então foi uma das fontes de informação desses jornalistas?
É evidente que é meu dever responder questões formuladas por jornalistas, e eu tenho feito. Obviamente, o que pretende o governo agora é tirar o foco, o governo não quer mostrar as suas contas. Mostra as do governo passado mas esconde as suas. E pretende exatamente desviar o foco do debate.

O senhor então foi fonte de informação do jornalista da Veja? Não a única, mas uma das?
(silêncio) Qual é a importância disso? Eu pergunto. Obviamente a Veja tem fontes no Palácio do Planalto... Qual é o ilícito em conversar com jornalistas, como eu estou conversando com você? Qual é o ilícito? Enfim, é surrealista essa história. Acho que o governo subestima a inteligência das pessoas, preparando uma estratégia como essa, tentando repassar responsabilidades. Se eventualmente contribuí com informações para que a matéria pudesse ser veiculada, altera a responsabilidade do governo na confecção do dossiê? É evidente que não. Isso exime o governo de responsabilidade? É óbvio que não. Então não há porque priorizar essa discussão, que a partir de ontem à tarde, priorizaram.

Certo. E se não há ilícito nenhum, também não há problema nenhum em admitir que o senhor foi uma das fontes, certo?
Uma das fontes é natural que eu tenha sido. Provavelmente alguma opinião minha pode ter tido alguma importância. Acho que estão superdimensionando a minha capacidade de obter informações.

Entendi. Mas o senhor obteve esse dossiê de que maneira? No Palácio do Planalto?
Eu não tenho o dossiê. Eu tenho informações sobre o dossiê. Como muitos possuem. Agora, quem mais tem informações sobre o dossiê é o presidente da República e a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil). Ela mesma, em São Paulo, no dia 17 de fevereiro, declarou taxativamente: "não vamos apanhar quieto, estamos fazendo levantamento de dados do governo passado". Ela sim tem todas as informações e é a melhor fonte. [leia a íntegra da reportagem aqui]

Mas ainda digo mais, a respeito da entrevista: repararam no trecho em que ele afirma que Veja deu 17 capas para o chamado mensalão e diz "se não me falha a memória"? Quem tem problemas de memória usa números redondos. Se 7 é conhecido como número de mentiroso, 17 seria o quê?

Leia também:

» ‘Dossiê FHC’: o que se explica e o que falta explicar

» Nada como um Álvaro Dias após o outro

» Comissão de Ética do Senado deve pedir cassação do senador tucano Álvaro Dias

» A fábrica de dossiês dos tucanos e o 'dossiê Vedoin' das eleições de 2006


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A fábrica de dossiês dos tucanos e o 'dossiê Vedoin' das eleições de 2006

Esta do senador Álvaro Dias não é a primeira que os tucanos armam para cima dos adversários. O caso mais citado é o de Roseana Sarney, nas eleições de 2002. Mas ninguém me tira da cabeça que os tucanos também estavam por trás do tal “escândalo dos aloprados”, como escrevi aqui, em 23 de setembro de 2006.

Repito a postagem. Leiam até o final e comparem com o que veio a acontecer menos de uma semana depois, com o surgimento da foto do dinheiro, via delegado Bruno.

O escândalo do dossiê contra Serra: E se aconteceu assim?

Se a grande imprensa pode especular à vontade, por que este humilde blog também não pode fazê-lo? Vamos aos "fatos" - assim como eles fazem.

Depois de adiar o encontro com a realidade por meses, semanas, e, finalmente, dias, os tucanos perceberam que a eleição de Lula já estava decidida, e no primeiro turno. A menos que... A menos que uma bomba caísse no colo do presidente. Trataram de montá-la.

A primeira providência foi procurar uma dupla de velhos parceiros, os Vedoin, pai e filho. Eles já haviam ganhado muito dinheiro com FHC no poder, e estavam no "contas a pagar" clandestino do PSDB, desde que explodiu o caso das sanguessugas.

É bom destacar que os Vedoin não gostam dos petistas. Se ganharam muito no governo anterior ("a gente pagava até adiantado..."), com os petistas começaram ganhando dinheiro também. Mas acabaram com um par de algemas cada e dividindo hospedagem numa cela da Polícia Federal. E isso é uma coisa que os bandidos sempre consideram uma "injustiça", uma "sacanagem".

Os tucanos foram direto ao assunto com os Vedoin: precisavam ferrar a candidatura de Lula. Tinham um plano, e eles eram a isca. Deveriam procurar o PT e dizer que passavam por dificuldades financeiras, já que todas as suas contas estavam bloqueadas na justiça. Ofereceriam aos petistas o que eles queriam, e sempre procuraram: as provas de que os tucanos estavam envolvidos até o pescoço no esquema das sanguessugas. Mas os Vedoin não poderiam ser os portadores da proposta, porque os petistas desconfiariam. Eles necessitavam de um intermediário confiável ao PT. Aí entra Valdebran Padilha.

Valdebran (que estava no hotel em São Paulo e, em tese, receberia a grana pelos Vedoin) também não gosta dos petistas. Sempre foi um operador no Mato Grosso. Vivia - para usar uma expressão do senador Suassuna - beliscando uma "beirada" aqui, outra ali. Com o PT no poder, vislumbrou um futuro promissor. Filiou-se ao partido em 2004, a tempo de comandar a arrecadação de recursos do candidato petista à prefeitura de Cuiabá. Mas o petista não se elegeu. Valdebram ficou chupando dedo, até que se candidatou a uma vaga na direção da Eletronorte. "Mas uma ala do PT impediu a nomeação enviando um dossiê contra ele sobre superfaturamento em prefeituras de Mato Grosso".

Contatado pelos Vedoin, Valdebran topou a parada. Procurou seus "companheiros" petistas e expôs a proposta. Pediu uma quantia absurda (vinte milhões de reais) para dar maior credibilidade ao que propunha. Mas aceitou, rapidamente, que ela caísse para a décima parte. Os "alegres petistas" caíram como patetas.

O acordo seria feito em duas partes. Na primeira, uma entrevista onde os Vedoin denunciariam o envolvimento de Serra e Barjas Negri no esquema. Os tucanos estrilariam, e aí entraria a segunda parte do plano: as provas seriam exibidas à imprensa, com toda a movimentação financeira que provaria por a+b que a máfia das sanguessugas nasceu e se desenvolveu em ninho tucano, com a participação direta de Barjas Negri e, ao menos, a omissão de Serra.

A primeira parte foi feita, com a entrevista dos Vedoin à IstoÉ. Os "alegres petistas" aguardavam ansiosos no Hotel Íbis o material relativo à segunda parte. Foram surpreendidos pela Polícia Federal, "casualmente" alertada por uma conversa providencial dos Vedoin ao telefone - que sabiam estar grampeado.

No kit que os tucanos combinaram com os Vedoin estava ainda a necessidade da inclusão de uma foto de Alckmin no meio do "dossiê" para poder envolver o presidente Lula no episódio. O que foi feito. No mais, algumas imagens de Serra, que todos já estavam mais carecas que ele de saber. A movimentação financeira do esquema...ha-ha-ha...

Tudo certo, tudo perfeito - se não ficasse faltando um detalhe (e como os tucanos lamentam isso...): uma foto da bolada de dinheiro, exatamente como aconteceu com Roseana Sarney.

Nada que, nesta reta final, o programa de Alckmin não possa resolver com uma edição maliciosa. Imagens já não faltam. A Veja desta semana tem uma arte com uma montanha de reais e dólares. A primeira página de O Globo de hoje, a foto de um monte de dinheiro de uma outra operação da PF.

Como um exército de Brancaleone desesperado, a oposição a Lula exclama, com o apoio da grande imprensa:

- Avante, Aquilante - quer dizer, Avante, Alckmin!!! Abaixo "Apedeuta" [publicado originalmente em 23 de setembro de 2006]

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Comissão de Ética do Senado deve pedir cassação do senador tucano Álvaro Dias

Depois que o senador tucano Álvaro Dias (PR) confessou que está com o tal dossiê FHC nas mãos, desde antes da primeira reportagem de Veja sobre o assunto, e ainda não confirmou nem negou ter sido ele a fonte da revista (o que é uma confissão de culpa, já que ninguém é obrigado a se auto-incriminar), o que espera o Senado para levá-lo à Comissão de Ética e pedir sua cassação por falta de decoro parlamentar?

Como pode um senador da República ter em mãos documentos sigilosos, provavelmente surrupiados de forma clandestina e não acionar a PF ou denunciar a sujeira no Senado?

Com a palavra, Suas Excelências os Senadores da República.

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