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Governo Serra assinou contratos de R$800 milhões com a Delta. Representante da empresa em SP está foragido

Reportagem da Conceição Lemes publicada no Viomundo mostra que os tentáculos da Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira se estendiam até São Paulo. O homem do grupo, que fazia a ponte Delta- quadrilha de Cachoeira é Heraldo Puccini Neto, diretor da Delta Construções para São Paulo e Sul do Brasil.

Heraldo teve a prisão decretada pela Justiça Federal na semana passada. Foi a partir de investigações realizadas no âmbito da Operação Saint Michel, braço da Monte Carlo.

Um grupo de policiais civis de Brasília chegou às 6 horas da última quarta-feira 25 ao apartamento dele, no Morumbi, em São Paulo. Heraldo não estava nem foi localizado pela polícia. É considerado foragido da Justiça.


No total dos governos tucanos (soma Alckmin + Serra) a Delta tem quase R$ 1 bilhão no estado.

Desses R$ 943,2 milhões, R$ 178, 5 milhões foram celebrados nas gestões Alckmin (2002 a março de 2006 e de janeiro de 2011 em diante) e R$ 764,8 milhões no governo de José Serra (janeiro de 2007 a abril de 2010).


O contrato de maior valor também foi assinado no governo de José Serra para construção da Nova Marginal do Tietê.

O maior contrato da Delta com órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo foi com a Dersa para executar a ampliação da marginal do rio Tietê: R$ 415.078.940,59 (valores corrigidos).


Esse contrato foi assinado em 13 de maio de 2009 por Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, que José Serra negou conhecer durante a campanha, depois, subitamente se lembrou - coincidentemente após tomar conhecimento da já célebre frase de Paulo Preto: “Não se larga um líder ferido na estrada em troca de nada. Não cometam esse erro”.

Para quem não se recorda, num dos debates entre os então candidatos Dilma e Serra, a atual presidenta falou:

“Fico indignada com a questão da Erenice. Agora, acho que você também deveria responder sobre Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com 4 milhões de reais de sua campanha”. [Fonte]


Para ler mais sobre Serra e Paulo Preto, Um dia após assumir Dersa no governo Serra, Paulo Preto liberou geral para empreiteiras. E filha dele era advogada delas.

Para ler a reportagem completa da Conceição Lemes no Viomundo sobre as obras da Delta nos governos tucanos de São Paulo clique aqui. Vale a leitura.

Álvaro Dias confessa ao repórter Raphael Prado que foi fonte de Veja

Fiz questão de colocar o nome do repórter no título da postagem, porque seu trabalho foi irretocável. Sua reportagem no Terra Magazine confirma o que já se sabia desde ontem, o bico tucano do senador Álvaro Dias no dossiê FHC de Veja. Mas suas perguntas foram fundamentais para trazer à luz a verdade. Parabéns Raphael.

O senhor admitiu que viu as informações antes de elas serem tornadas públicas. Em que circunstâncias isso aconteceu?
Álvaro Dias - Olha, o jornalismo investigativo tem prestado um grande serviço ao País, seria muito pior a degradação das instituições, não fosse a competência e a ousadia do nosso jornalismo de investigação. E isso se dá em razão de fontes. O jornalista se utiliza de muitas fontes. Uma revista do porte da Veja, que só no escândalo do mensalão divulgou, se não me falha a memória, matérias de capa 17 vezes, não contou com apenas uma fonte. Certamente valeu-se de muitas fontes de informação. Eu tenho sido ouvido por muitos jornalistas, do Terra, de outros sites, de jornais, emissoras de TV e certamente outros parlamentares da mesma forma. Esse é o caminho para se produzir a informação.

O senhor então foi uma das fontes de informação desses jornalistas?
É evidente que é meu dever responder questões formuladas por jornalistas, e eu tenho feito. Obviamente, o que pretende o governo agora é tirar o foco, o governo não quer mostrar as suas contas. Mostra as do governo passado mas esconde as suas. E pretende exatamente desviar o foco do debate.

O senhor então foi fonte de informação do jornalista da Veja? Não a única, mas uma das?
(silêncio) Qual é a importância disso? Eu pergunto. Obviamente a Veja tem fontes no Palácio do Planalto... Qual é o ilícito em conversar com jornalistas, como eu estou conversando com você? Qual é o ilícito? Enfim, é surrealista essa história. Acho que o governo subestima a inteligência das pessoas, preparando uma estratégia como essa, tentando repassar responsabilidades. Se eventualmente contribuí com informações para que a matéria pudesse ser veiculada, altera a responsabilidade do governo na confecção do dossiê? É evidente que não. Isso exime o governo de responsabilidade? É óbvio que não. Então não há porque priorizar essa discussão, que a partir de ontem à tarde, priorizaram.

Certo. E se não há ilícito nenhum, também não há problema nenhum em admitir que o senhor foi uma das fontes, certo?
Uma das fontes é natural que eu tenha sido. Provavelmente alguma opinião minha pode ter tido alguma importância. Acho que estão superdimensionando a minha capacidade de obter informações.

Entendi. Mas o senhor obteve esse dossiê de que maneira? No Palácio do Planalto?
Eu não tenho o dossiê. Eu tenho informações sobre o dossiê. Como muitos possuem. Agora, quem mais tem informações sobre o dossiê é o presidente da República e a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil). Ela mesma, em São Paulo, no dia 17 de fevereiro, declarou taxativamente: "não vamos apanhar quieto, estamos fazendo levantamento de dados do governo passado". Ela sim tem todas as informações e é a melhor fonte. [leia a íntegra da reportagem aqui]

Mas ainda digo mais, a respeito da entrevista: repararam no trecho em que ele afirma que Veja deu 17 capas para o chamado mensalão e diz "se não me falha a memória"? Quem tem problemas de memória usa números redondos. Se 7 é conhecido como número de mentiroso, 17 seria o quê?

Leia também:

» ‘Dossiê FHC’: o que se explica e o que falta explicar

» Nada como um Álvaro Dias após o outro

» Comissão de Ética do Senado deve pedir cassação do senador tucano Álvaro Dias

» A fábrica de dossiês dos tucanos e o 'dossiê Vedoin' das eleições de 2006


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A fábrica de dossiês dos tucanos e o 'dossiê Vedoin' das eleições de 2006

Esta do senador Álvaro Dias não é a primeira que os tucanos armam para cima dos adversários. O caso mais citado é o de Roseana Sarney, nas eleições de 2002. Mas ninguém me tira da cabeça que os tucanos também estavam por trás do tal “escândalo dos aloprados”, como escrevi aqui, em 23 de setembro de 2006.

Repito a postagem. Leiam até o final e comparem com o que veio a acontecer menos de uma semana depois, com o surgimento da foto do dinheiro, via delegado Bruno.

O escândalo do dossiê contra Serra: E se aconteceu assim?

Se a grande imprensa pode especular à vontade, por que este humilde blog também não pode fazê-lo? Vamos aos "fatos" - assim como eles fazem.

Depois de adiar o encontro com a realidade por meses, semanas, e, finalmente, dias, os tucanos perceberam que a eleição de Lula já estava decidida, e no primeiro turno. A menos que... A menos que uma bomba caísse no colo do presidente. Trataram de montá-la.

A primeira providência foi procurar uma dupla de velhos parceiros, os Vedoin, pai e filho. Eles já haviam ganhado muito dinheiro com FHC no poder, e estavam no "contas a pagar" clandestino do PSDB, desde que explodiu o caso das sanguessugas.

É bom destacar que os Vedoin não gostam dos petistas. Se ganharam muito no governo anterior ("a gente pagava até adiantado..."), com os petistas começaram ganhando dinheiro também. Mas acabaram com um par de algemas cada e dividindo hospedagem numa cela da Polícia Federal. E isso é uma coisa que os bandidos sempre consideram uma "injustiça", uma "sacanagem".

Os tucanos foram direto ao assunto com os Vedoin: precisavam ferrar a candidatura de Lula. Tinham um plano, e eles eram a isca. Deveriam procurar o PT e dizer que passavam por dificuldades financeiras, já que todas as suas contas estavam bloqueadas na justiça. Ofereceriam aos petistas o que eles queriam, e sempre procuraram: as provas de que os tucanos estavam envolvidos até o pescoço no esquema das sanguessugas. Mas os Vedoin não poderiam ser os portadores da proposta, porque os petistas desconfiariam. Eles necessitavam de um intermediário confiável ao PT. Aí entra Valdebran Padilha.

Valdebran (que estava no hotel em São Paulo e, em tese, receberia a grana pelos Vedoin) também não gosta dos petistas. Sempre foi um operador no Mato Grosso. Vivia - para usar uma expressão do senador Suassuna - beliscando uma "beirada" aqui, outra ali. Com o PT no poder, vislumbrou um futuro promissor. Filiou-se ao partido em 2004, a tempo de comandar a arrecadação de recursos do candidato petista à prefeitura de Cuiabá. Mas o petista não se elegeu. Valdebram ficou chupando dedo, até que se candidatou a uma vaga na direção da Eletronorte. "Mas uma ala do PT impediu a nomeação enviando um dossiê contra ele sobre superfaturamento em prefeituras de Mato Grosso".

Contatado pelos Vedoin, Valdebran topou a parada. Procurou seus "companheiros" petistas e expôs a proposta. Pediu uma quantia absurda (vinte milhões de reais) para dar maior credibilidade ao que propunha. Mas aceitou, rapidamente, que ela caísse para a décima parte. Os "alegres petistas" caíram como patetas.

O acordo seria feito em duas partes. Na primeira, uma entrevista onde os Vedoin denunciariam o envolvimento de Serra e Barjas Negri no esquema. Os tucanos estrilariam, e aí entraria a segunda parte do plano: as provas seriam exibidas à imprensa, com toda a movimentação financeira que provaria por a+b que a máfia das sanguessugas nasceu e se desenvolveu em ninho tucano, com a participação direta de Barjas Negri e, ao menos, a omissão de Serra.

A primeira parte foi feita, com a entrevista dos Vedoin à IstoÉ. Os "alegres petistas" aguardavam ansiosos no Hotel Íbis o material relativo à segunda parte. Foram surpreendidos pela Polícia Federal, "casualmente" alertada por uma conversa providencial dos Vedoin ao telefone - que sabiam estar grampeado.

No kit que os tucanos combinaram com os Vedoin estava ainda a necessidade da inclusão de uma foto de Alckmin no meio do "dossiê" para poder envolver o presidente Lula no episódio. O que foi feito. No mais, algumas imagens de Serra, que todos já estavam mais carecas que ele de saber. A movimentação financeira do esquema...ha-ha-ha...

Tudo certo, tudo perfeito - se não ficasse faltando um detalhe (e como os tucanos lamentam isso...): uma foto da bolada de dinheiro, exatamente como aconteceu com Roseana Sarney.

Nada que, nesta reta final, o programa de Alckmin não possa resolver com uma edição maliciosa. Imagens já não faltam. A Veja desta semana tem uma arte com uma montanha de reais e dólares. A primeira página de O Globo de hoje, a foto de um monte de dinheiro de uma outra operação da PF.

Como um exército de Brancaleone desesperado, a oposição a Lula exclama, com o apoio da grande imprensa:

- Avante, Aquilante - quer dizer, Avante, Alckmin!!! Abaixo "Apedeuta" [publicado originalmente em 23 de setembro de 2006]

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Contratos da Nossa Caixa com Asbace voltam para assombrar tucanos de SP

Reportagem de Ranier Bragon, na Folha (aqui, para assinantes):

Promotores de Justiça do Distrito Federal anunciaram que começarão nas próximas semanas a acionar Ministérios Públicos de várias partes do país para que investiguem a possibilidade de que bancos estaduais tenham dispensado de forma irregular licitação para a contratação da Asbace (Associação Nacional de Bancos).
O primeiro a receber a documentação do DF será o Ministério Público de São Paulo, dizem os promotores, devido aos contratos firmados pela Nossa Caixa com a associação.

O assunto não é novo e já foi tema de postagem aqui no blog, em outubro do ano passado. Mas, parece que agora o Ministério Público resolveu agir pra valer.

Para quem está boiando no assunto, repito a postagem:

'Choque de gestão' em SP libera R$ 752 milhões sem licitação

Não saiu na primeira página, nem na home da versão online, mas pelo menos a Folha deu a notícia de que a Nossa Caixa se meteu num negócio pra lá de escabroso, durante o choque de gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, com reflexos até os dias de hoje. O banco paulista, que tem o governo de São Paulo (leia-se o povo de São Paulo) como seu principal acionista, fechou contratos num valor total de R$ 752 milhões, sem licitação, com uma empresa chamada Asbace.

Para justificar a contratação direta num valor tão alto, a Nossa Caixa se baseou no inciso XIII, do artigo 24 da lei nº 8.666/93, que prevê a dispensa de licitação se a contratada não tiver fins lucrativos, gozar de inquestionável reputação ético-profissional e for voltada ao ensino, à pesquisa ou ao desenvolvimento institucional.

Só que, em seguida, a Asbace, “sem infra-estrutura para a execução dos serviços”, subcontratou a “ATP Tecnologia e Produtos, que tem fins lucrativos e pertence à própria associação”, para fazer o serviço. Na prática, a Asbace funcionou como fachada para a contratação da ATP, sem concorrência, num negócio de quase R$ 800 milhões. Acha pouco? Tem mais:

A ATP, por sua vez, subcontratou a ONG Caminhar, cujos funcionários relataram à polícia terem prestado serviços fictícios à Nossa Caixa.

R$ 1 bi sem licitação, isso é que é choque de gestão! Eu, por exemplo, estou chocado.

Ainda segundo a reportagem de Lilian Christofoletti:

A Asbace está sob suspeição desde junho, quando a polícia e a Promotoria do Distrito Federal deflagraram a Operação Aquarela, que prendeu o ex-presidente da associação e do BRB (banco estatal de Brasília) Tarcísio Moura e o ex-secretário-geral e principal homem da entidade, Juarez Cançado.

Juarez Cançado?! Estará aí a origem do movimento Cansei?

Leia também:

» Adag, Lua Branca e Contexto: Agências de sempre vencem concorrência do governo Serra(este é outro escândalo à espera do MP)

» Empresa fantasma assombra contas de Serra em 2002

» Operação Vampiro volta para assombrar José Serra

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Tucanos não querem apurar denúncia de Itamar contra FHC

Em declaração reproduzida no JB de hoje, o líder (e pré-candidato à presidência) tucano no Senado, Arthur Virgílio, afirma o seguinte sobre a denúncia do ex-presidente Itamar Franco de que o também ex-presidente Fernando Henrique teria assinado as notas de Real, quando já não era mais ministro:

- Não tem porque entrar nestas questões agora. Sinceramente, precisa ficar claro para todos é que a participação tanto de Itamar quanto de Fernando Henrique permitiu esta estabilização da economia que vivemos há 15 anos. O Itamar deu o ponto inicial para o plano, Fernando Henrique estruturou e o presidente Lula mantém.

Por que não discutir o assunto? Por que não polemizar, logo Virgílio, que adora uma polêmica? A resposta está um pouco adiante, na mesma reportagem do JB, e é dada pelo especialista em Direito Eleitoral da Universidade de Brasília, Tarcisio de Carvalho:

- Do ponto de vista eleitoral houve algo ilícito. Agora, para a configuração do abuso de poder político, não basta a simples prática da conduta ilícita, sendo necessário verificar se ela teve potencialidade de influenciar na lisura do pleito - considera Carvalho.

Alguém tem alguma dúvida da influência do Real na campanha? Lembram-se de FHC autografando cédulas?

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Adag, Lua Branca e Contexto: Agências de sempre vencem concorrência do governo Serra

Do Radar Online, da Veja:

A propaganda de Serra 1 | 12:33
Acabou de sair o resultado da parte técnica da licitação da conta de propaganda do governo paulista. As agências vencedoras são a Adag, a Lua Branca e a Contexto. Todas as três têm alguma relação com o ninho tucano. Agora, falta a parte de preços propostos pelas concorrentes, cujo resultado será conhecido no dia 10 de março - embora, o mercado publicitário como um todo não veja possibilidade de mudança no trio vencedor do processo de hoje.

A propaganda do Serra 2 | 12:32
A Adag já atende a conta da Nossa Caixa e a agência de transportes de São Paulo. A Contexto trabalhou para o governo paulista, na gestão Geraldo Alckmim. E a Lua Branca comandou diversas campanhas eleitorais tucanas - como a eleição para prefeito de José Serra em 2004 e a derrota de Alckmin em 2006.

A propaganda do Serra 3 | 12:16
As três agências vencedoras da licitação dividirão uma verba anual de 88 milhões de reais - um valor 46% maior que os 60 milhões de reais do ano passado.

Por que será que são sempre as mesmas três agências que abiscoitam as contas tucanas em São Paulo, mesmo que esse, digamos assim, atendimento preferencial, já tenha gerado tantas controvérsias?

Será que vai sair na primeira página da Folha amanhã? Ou na página dois? O que terão a dizer os indignados Clóvis Rossi e Eliane Cantanhêde sobre o assunto?

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Oposição vai ao Supremo contra programa que prevê R$ 11,3 bi para combater pobreza

Se nossa “grande imprensa” não estivesse tão comprometida com a oposição, essa notícia certamente mereceria a primeira página de todos os jornais. Mas não foi manchete em nenhum deles. Os presidentes do DEM, Rodrigo Maia, e do PSDB, Sérgio Guerra, vão entrar com ações na Justiça contra o programa Territórios da Cidadania. O programa prevê investimentos de R$ 11,3 bilhões para combate à pobreza em 985 municípios brasileiros.

Mas a oposição é contra, porque diz que o programa é eleitoreiro, já que estamos em ano de eleições municipais.

Bom, como no Brasil temos eleições de dois em dois anos, parece que a oposição quer que o governo só trabalhe também de dois em dois. Nos outros, o governo deveria fazer o quê? Jogar paciência, freecell ou spider no computador?

Em vez de querer obrigar o governo a cruzar os braços em ano eleitoral, a oposição deveria parar de trabalhar contra os pobres, pelo menos em ano de eleição, pra ver se assim consegue uns votinhos a mais.

Depois se espantam quando a popularidade de Lula está lá em cima e as chances deles lá embaixo. É que o povo já percebeu que eles só querem atrapalhar.

Daqui a pouco é o PSDB que vai ter que fazer como o antigo PFL: trocar de mosca, quer dizer, de nome pra fingir que ainda está vivo.

Vamos colaborar com os tucanos? Você tem alguma sugestão de nome para dar ao PSDB?

Leia também:

» Todo cuidado é pouco com as pesquisas para a prefeitura de São Paulo

» Alta cúpula tucana leva Mário Soares no bico

» César Maia confessa: o objetivo da oposição é derrubar o governo Lula

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Quem comemora o fim da CPMF?

Estudo do professor e vice-presidente da FGV, Marcos Cintra, publicado na Folha (aqui, para assinantes).

Em termos de comparação setorial, o peso da CPMF é de no máximo 2,25% na indústria do café. Segundo alguns críticos do tributo, esse setor deveria reduzir seus preços em torno disso, mas o IPCA mostrou que no caso do café moído houve inflação de 0,16% e, no solúvel, a redução de preços foi de apenas 0,73%.
No setor de eletroeletrônicos, a CPMF tinha custo tributário de 1,74% sobre o faturamento, mas seus preços aumentaram 0,11%;
na indústria automobilística, o tributo pesava 1,69% e houve inflação de 0,26%;
na indústria farmacêutica, o tributo representava 1,49%, mas o IPCA registrou 0,15%. Na área de transportes, que tem peso elevado para os consumidores, a CPMF representava 1,33%, mas os preços aumentaram 0,4%;
e, nos serviços pessoais, em que o ônus do tributo era de 1,31%, os preços cresceram 0,64%.

O fim da CPMF desonerou os bolsos de todos, é verdade. Todos os que movimentavam contas correntes. Mas não foi repassado para os preços, que continuaram subindo. Ou descendo menos do que a retirada do imposto permitiria. O que significa que os empresários embolsaram ainda mais.

Quem vai pagar essa conta? O que não tem conta em banco, o que precisa do governo para lhe oferecer serviços essenciais, especialmente na área da saúde. E o fim da CPMF tirou R$ 40 bi do governo.

Quem comemora o fim da CPMF: os empresários, os sonegadores, os demo-tucanos.



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Operação Vampiro volta para assombrar José Serra

A notícia está no Consultor Jurídico:

O Ministério Público Federal no Distrito Federal ajuizou ação de improbidade administrativa contra quatro pessoas e duas empresas acusadas de fraude a licitações do Ministério da Saúde. A ação é resultado da Operação Vampiro, deflagrada em 2004.

O MPF também quer a anulação de três contratos firmados em 2001 entre a União e as empresas Octapharma e LFB e a devolução de cerca de R$ 227 milhões aos cofres públicos. A ação é contra a União, as empresas fornecedoras de hemoderivados, seus representantes legais (Jaisler Jabour, Paulo Lalanda e Marcelo Pitta) e o ex-servidor do Ministério da Saúde, Luiz Cláudio Gomes. Eles são acusados de praticar atos de improbidade administrativa que resultaram em enriquecimento ilícito.

Contratos ilegais aconteceram quando Serra era ministro

Repararam na data dos contratos? 2001. O ministro da Saúde era o atual governador de São Paulo, José Serra. Segundo o MPF, R$ 227 milhões foram desviados nas barbas do ministro. E não foi por falta de aviso.

Aqui mesmo, em 26 de setembro de 2006, publiquei uma postagem sobre a Operação Vampiro, onde mostrava que, em 2001, chegou uma denúncia anônima encaminhada diretamente a José Serra e protocolada no Ministério da Saúde. Segundo o relatório da PF, a denúncia "dá conta da prática de diversos crimes". Havia dois acusados. Um deles era Platão Fischer Puhler, diretor do Departamento de Programas Estratégicos e um dos homens de confiança do ministro. O outro era o empresário Jaisler Jabour, que mais tarde se descobriu ser o chefe do braço na iniciativa privada dos vampiros.

Máfia dos Vampiros nasceu em ninho tucano

A PF constatou que o então ministro Serra abriu e leu o documento com a denúncia. O que fez Serra? Mandou o próprio Platão – seu homem de confiança e envolvido na denúncia – investigar o caso. Ou seja, auto-investigar-se. Uma atitude socrática...

O ajuizamento da ação de improbidade, no ultimo dia 14 de fevereiro, confirma o nascimento em ninho tucano do esquema que veio a ser desbaratado pela Operação Vampiro, em 2004.

Segundo o procurador da República Gustavo Pessanha, da Procuradoria Geral da República no Distrito Federal, as fraudes na compra superfaturada de remédios e hemoderivados tiveram início em 1998.

Esquema dos vampiros só começou a ser investigado no governo Lula

As investigações, que vieram a desbaratar a quadrilha, começaram apenas em 2003, no primeiro ano do governo Lula. E acabaram respingando sangue em Luiz Cláudio Gomes, homem de confiança do ministro da Saúde de Lula na época, Humberto Costa. Gomes também foi ajuizado na ação, por facilitar a assinatura de aditivos aos contratos iniciais.

Vamos ver como a notícia será tratada nos jornalões. Embora o ajuizamento tenha sido feito no dia 14, até o momento o silêncio - bem de acordo com o vampirismo - é sepulcral.

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Folha confirma que governo tucano de SP saca mais no cartão que o governo federal

Trecho da primeira página da Folha

Aí em cima, a primeira página, e agora trechos da reportagem de Catia Seabra e José Alberto Bombig, na Folha, hoje:

No ano passado, o governo de São Paulo destinou R$ 108.384.268,26 a gastos efetuados por uma espécie de cartão de débito: o cartão de pagamento de despesas. Esse sistema de adiantamento atende a 47 diferentes classificações de despesas, da diária de pessoal a gêneros alimentícios. Mas, diferentemente do governo federal -que lançou um portal para registro dos gastos - o Estado não oferece um sistema aberto com essa descrição.
Os dados são lançados no Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária), a qual somente as bancadas de deputados na Assembléia Legislativa têm acesso. Ainda assim, o Sigeo não descreve, necessariamente, o objeto da compra realizada com o cartão de débito.
(...)Ainda segundo o Sigeo, a Secretaria de Segurança gastou R$ 6.500,00 numa churrascaria no dia 11 de maio.
Mas, segundo o levantamento feito pela liderança do PT a pedido da Folha, o Sigeo não esclarece o motivo do gasto.
A exemplo do governo federal, o Sigeo também não apresenta descrição de grande volume dos gastos realizados através de saque. Segundo os dados do Sigeo, 44,58% dos gastos - R$ 48,3 milhões - foram realizados graças a saques.

E por aí segue a matéria, que pode ser lida na íntegra pelos assinantes, ou em vários outros blogs. O que a reportagem informa, em resumo, é que São Paulo gasta mais (proporcionalmente) que o governo federal, de modo menos transparente e com um volume maior de saques em dinheiro vivo (muitas vezes, vivíssimo).

Mas eu quero raciocinar com vocês não sobre o teor da notícia, mas sobre a publicação dela. O que você acha:

1. A Folha publicou a reportagem pressionada pelos blogs (destaco o Oni Presente, que foi pelo menos onde vi que isso começou) e pela denúncia do PHA em seu Conversa Afiada.

2. A Folha publicou a reportagem para ajudar a derrubar a CPI dos Cartões, que mirava o governo FHC, numa espécie de damos os anéis para ficarmos com os dedos?

Qual a sua opinião?

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PSDB implode e Arthur Virgílio lança sua candidatura ao Planalto

Só se fala em outra coisa. E quando se fala no assunto é para zombar. Mas o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) lançou nesta quarta-feira sua pré-candidatura à Presidência pelo partido.

Seria apenas ridículo e risível, já que nas últimas eleições, quando concorreu ao governo de seu estado, Virgílio teve menos votos que os deputados federais que se elegeram por lá.

Mas isso não é importante. Virgílio não é importante. O que a notícia mostra é que o PSDB, aquele partido que governou o país com FHC por dois períodos, acabou, implodiu.

A briga interna em São Paulo entre Serra e Alckmin, mais a disputa com Aécio, abriu espaço para a bancada nordestina e para franco-atiradores, como o senador Virgílio. Há ainda a vaidade-mor, o ex-presidente FHC, que mesmo sem votos e sem cargo continua deitando falação, geralmente criando crises internas no partido.

Virgílio jamais se atreveria a lançar sua pré-candidatura se o partido não estivesse literalmente no chão. Sem que Lula tivesse que mover uma única palha para isso. Apenas com as realizações de seu governo e o auxílio luxuoso da incompetência da tucanada paulista, que de bicada em bicada destruiu o próprio ninho.

Leia também:

» Por que demos e tucanos estão nervosos

» No Jornal Nacional, cratera do metrô de São Paulo pariu um bebê

» FHC, demos e tucanos derrubaram a CPMF obrigando o governo a cortar custos e aumentar impostos

» Quando precisa de 'dignidade, coragem e honestidade', PSDB recorre a outros partidos

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César Maia confessa: o objetivo da oposição é derrubar o governo Lula

Em postagem do dia 30 de março do ano passado eu já avisava isso. Tucanos e demos – especialmente estes – querem ferrar o governo. Aliás, o ex-prefeito do Rio, ainda no exercício do cargo (felizmente só até o final deste ano), César Maia, o Vaia, não faz questão de esconder isso de ninguém.

Em seu ex-blog de 29 de março de 2007, César confessou com todas as letras que o objetivo da oposição não é ajudar o país nem melhorar a vida da população, é derrubar o governo Lula. Inclusive deu a receita:

A oposição deveria assistir o premiado documentário da luta de Cassius Clay na África anos atrás. Ou qualquer luta equilibrada entre pesos pesados. Se tentar nocautear o governo de saída pode ser nocauteado. Deve ir tirando a resistência do governo através de golpes sistemáticos no fígado e no baço. Girando em torno do governo e desgastando-o sempre e continuadamente.
Com isso acelera o necessário desgaste do governo e o inevitável conflito interno um quadro inorgânico como o brasileiro.
O tempo da oposição começa no segundo ano de governo. Aí já poderá levar o governo a lona por alguns segundos. Mas para isso deve tê-lo desgastado nos primeiros rounds. A CPI do Apagão deve ter este foco. Não é a batalha final. E não pode ser tratada assim. A ela vão se somando outras e sucessivas: a emenda número 3, o leque de gastos sem licitação do governo e o TCU está cheio deles auditados, as prorrogações da DRU e da CPMF, etc... e tal... progressivamente.

E eles estão seguindo a receita. Com o apoio caloroso da “grande imprensa”. Agora estão colocando na pauta a possibilidade de um apagão no setor elétrico, já que não aconteceu o caos que prognosticaram nos aeroportos, nas festas de final de ano.

Não interessa aos demo-tucanos que o país continue progredindo sob Lula. Especialmente os demos estão desesperados. Após quase morrerem nas últimas eleições, trocaram de nome para tentar uma repaginada. Afinal, o DEM foi o incrível partido que encolheu, o único a perder filiados.

Agora pra eles é tudo ou nada. Ou abatem Lula ou morrem.

Você, arguto leitor, perspicaz leitora, aposta em qual opção?

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Por que demos e tucanos estão nervosos

O Blog do Alê, que tem sempre números atualizados sobre a nossa economia, mostra a razão do desespero que baixou no terreiro dos demos e dos tucanos. Basta ler alguns títulos das postagens deste ano de 2008:

. Captação da poupança bate recorde e chega a R$ 33,37 bilhões em 2007

. Cai relação entre cesta básica e mínimo, a menor desde 1972

. Empresas brasileiras têm melhor resultado da década, diz Serasa

. Renda média familiar no Nordeste cresce 12%

. Calçados desmentem previsão e crescem 8%

Todos os números do governo são positivos. O país está otimista quanto ao futuro. Mas a nossa alegria é a desgraça deles. E vice-versa, como demonstraram as urnas, onde eles levaram surras históricas.

Não é por outra razão que eles fazem qualquer coisa para atrapalhar o governo. Ainda que isso signifique, por extensão, atrapalhar o país.

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FHC, demos e tucanos derrubaram a CPMF obrigando o governo a cortar custos e aumentar impostos

Infográfico mostrando que aumento de impostos vai afetar cheque especial, financiamento de casa própria, automóveis, operações com cartão de crédito, financiamento pessoal

Como dizia o Fernando Vanucci, Alô, você, que comemorou o fim da CPMF, vibrando com uma derrota do governo Lula.

Alô, você, que vibrou com os discursos inflamados e indignados do demo-senador Agripino e do tucano Arthur Virgílio.

Alô, você, que acreditou nos líderes oposicionistas que disseram que o governo poderia abrir mão de R$ 40 bilhões (com o fim da CPMF) sem aumentar impostos - o que sabiam não ser possível.

Alô, você, sabe quem vai pagar essa conta? Você – e eu. O governo aumentou impostos e todas as operações mostradas na imagem reproduzida aí acima vão ficar mais caras. O infográfico está na primeira página de O Globo de hoje.

O fim da CPMF, como afirmei aqui, foi uma vitória de FHC, dos demos e sonegadores. Se você não faz parte do grupo, estrepou-se. Como eu e outros milhões de brasileiros.

Alô, você, que é funcionário público federal e estava esperando um reajuste para este ano. Já era.

Alô, você, que estava se preparando para novos concursos públicos federais. Sinto muito, sem o dinheiro da CPMF o governo decidiu congelar a maioria dos concursos previstos para este ano. Assim como R$ 4 bilhões por ano, que dependiam dela, não irão para a área da Saúde.

Alô, você, que vai votar nas eleições deste ano, lembre-se bem daqueles que se alegraram e comemoraram a sua desgraça. A nossa desgraça.

Este vídeo aqui, criado por mim, é pra você.


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José Dirceu e Roberto Jefferson na Folha

Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu faz uma denúncia contra o comportamento discriminatório da Folha de S.Paulo. Dirceu mostra que, ao se referir ao ex-deputado Roberto Jefferson na matéria sobre a convenção tucana, o jornalão paulista trata-o como “presidente do PTB”, e não como um denunciado por formação de quadrilha etc., como faz usualmente quando se refere, por exemplo, a José Dirceu.

O ex-ministro acha justo o tratamento da Folha a Jefferson e reivindica que seja estendido a todos os demais arrolados no processo do chamado mensalão do PT. “Até porque todos têm a presunção da inocência”, argumenta.

Mas, ao comparar seu caso ao de Jefferson, o ex-ministro erra feio. Enquanto José Dirceu se diz inocente, o operístico ex-deputado é réu confesso. Diz que recebeu dinheiro, especifica até quanto – R$ 4 milhões – que ele enfiou em local incerto e não sabido.

Ao reivindicar igual tratamento, José Dirceu dá um tiro no próprio pé.

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Denúncia do Procurador-geral: Tucanos desviaram dinheiro do governo para campanha

Não adianta o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso achar que um rato é um gato apenas porque ele o chama assim. Um rato é um rato. E o que houve em 1998 em Minas, não foi apenas caixa dois para a campanha tucana, como declarou o ex-presidente. Foi – e é esse o eixo central da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza – desvio de dinheiro público para a campanha dos tucanos, especialmente do então candidato à reeleição Eduardo Azeredo, mas também para a campanha à reeleição do próprio FHC. E não sou eu quem diz isso, mas o próprio Azeredo, conforme já publiquei aqui anteriormente:

FOLHA - A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha...
EDUARDO AZEREDO -
Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era minha só, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.

FOLHA - O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?
AZEREDO -
Sim, parte dos custos foram bancados (sic) pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.

A denúncia do procurador-geral não deixa margem a dúvidas. Azeredo não só recebeu dinheiro, como passou recibo. Veja:


Recibo do valerioduto tucano assinado por Azeredo

A Lista do Mourão e a Lista de Furnas

A denúncia do procurador também confirma a veracidade da lista do Mourão, por muitos confundida com outra, posterior, e também muito famosa e bem mais explosiva - a lista do Dimas, mais conhecida como a lista de Furnas.

Existem muitas semelhanças entre as listas, daí provavelmente a confusão entre elas. A mais notável é a presença de grandes nomes no PSDB como principais beneficiados. A outra grande semelhança é que ambas as listas falam de desvios de verbas que teriam ocorrido no governo de Fernando Henrique Cardoso. A de Mourão, em 1998, a de Furnas, em 2002.

Mas quatro anos as separam. E muitos milhões a mais. Se na lista de Mourão, o atual governador de Minas, Aécio Neves, aparece como tendo recebido R$ 110 mil, na lista de Furnas o valor salta para R$ 5,5 milhões. José Serra, que não estava na primeira, aparece na de lista de Furnas com se beneficiado com o recebimento de R$ 7 milhões na campanha de 2002.

Quando surgiu a lista do Mourão, muitos contestaram sua veracidade. Agora, esta foi atestada pela PF. O documento é verdadeiro, embora possa ser mentiroso seu conteúdo – é o que diz o relatório da PF.

A lista de Furnas vai pelo mesmo caminho. Pelo menos um dos citados, o ex-deputado Roberto Jefferson, confirmou que recebeu o valor anotado na lista. As primeiras investigações da PF concluíram pela veracidade do documento. Vamos ver se isso será comprovado no relatório final.

As semelhanças e diferenças entre as duas listas você poderá constatar clicando nas imagens abaixo para ampliá-las. As duas primeiras formam a lista do Mourão, página 1 e página 2, respectivamente. As demais são as cinco páginas da lista de Furnas, apresentadas em ordem crescente.

Lista do Mourão


lista do Mourão. página 1lista do Mourão. página 2

Lista de Furnas







Se quiser ler a íntegra da denúncia do procurador-geral contra os tucanos, clique aqui.

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Terceiro mandato é para Lula ou era para FHC?

A discussão sobre a possibilidade de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Lula está sumindo do noticiário. As declarações consecutivas de Lula contra o projeto e o ataque sistemático da “grande imprensa”, que já o classificou como um golpe a la Chávez alimentado por petistas, estão tirando o assunto da pauta.

Mas o Blog do Mello teima em remar contra a maré do noticiário. Anotem aí: esse projeto ainda vai dar muito o que falar. A começar pelo que não foi dito até agora: sua origem – como antes a do mensalão – está no ninho tucano.

O projeto que foi recolocado em pauta na Câmara dos Deputados garante a reeleição não apenas para um segundo ou terceiro mandato, mas uma reeleição infinita para cargos majoritários – a exemplo do que já ocorre no Senado e nas Câmaras e Assembléias.

Este projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E não é de um petista, mas do deputado paraibano Inaldo Leitão. Partido dele na época: PSDB, onde era líder. Foi apresentado em 1999 e aprovado pela CCJ no ano 2000.

Quem era o presidente da República em 1999 e 2000? - FHC.

Portanto, o projeto era para garantir a possibilidade de reeleição infinita de FHC. Por que ninguém fala nisso? É bom não esquecer que o ex-ministro Sérgio Mota, o Serjão, cansou de afirmar que o projeto de poder dos tucanos era para 30 anos (imagine se Lula afirmasse tal coisa...).

Agora, a pergunta que faço é: Por que o projeto foi criado e apresentado naquela época, aprovado pela CCJ e em seguida engavetado? Será que isso só aconteceu porque a popularidade de FHC despencou ladeira abaixo, junto com o fiasco que foi seu segundo governo, cercado de escândalos?

Seria então FHC um chavista avant la lettre?

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Lula devorou FHC, o bispo Sardinha tucano

Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
- Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo ontem o economista Márcio Pochmann, presidente do IPEA, afirma que governo Lula põe por terra mitos construídos na década de 90 e – digo eu – tidos como verdades inquestionáveis pelo governo FHC.

Falso mito 1: “A geração de inempregáveis”

Primeiro, teve relevância na reorientação das políticas públicas dos anos 90 o falso mito da geração dos inempregáveis, tendo em vista a dicotomia entre a perspectiva do determinismo tecnológico na supressão dos postos de trabalho e o avanço na oferta de mão-de-obra. Por causa disso, pregava-se que o setor industrial não mais geraria emprego e o assalariamento estaria com os dias contados, restando, em contrapartida, o salve-se quem puder pelo auto-emprego (empreendedorismo) ou pelos cursos de qualificação profissional.
À medida que o Brasil vai se distanciando da visão neoliberal, o emprego assalariado volta a crescer, permitindo que o desemprego comece a diminuir. O país está longe do ideal, mas não há por que deixar de acreditar que o desemprego possa voltar às taxas inferiores a 3% da população economicamente ativa vigentes até a década de 1980, desde que nossa economia insista no ritmo de expansão acima dos 5% ao ano, acompanhado de um novo padrão de políticas públicas.

Falso mito 2: “Salário mínimo maior aumenta desemprego”

Em segundo lugar, deve-se destacar o falso mito de que o salário mínimo em alta implicaria elevação do desemprego (fechamento de empresas) e da informalidade das relações de trabalho (ocupações sem carteira assinada) ou queda do salário real (aumento da inflação). Diferentemente disso, percebe-se nos dias de hoje que a marcha de contínua recuperação do valor real do salário mínimo nacional vem acompanhada da manutenção da estabilidade monetária, queda do desemprego e da informalidade.

Além disso, destaca Pochmann, o aumento do mínimo é fator decisivo para a diminuição da desigualdade no país, como mostraram dados recentes da Pnad 2006.

O rendimento dos trabalhadores de salário de base (intervalo do segundo ao quinto decis da estrutura da distribuição da renda do trabalho) foi o que mais cresceu em 2006 -12,6%, contra 7,8% no rendimento do extrato superior.

Falso mito 3: “Legislação social e trabalhista no Brasil é anacrônica”

Por fim, em terceiro lugar, ganhou dimensão o falso mito a respeito do anacronismo da legislação social e trabalhista no Brasil. Além de antiga, pois constituída na década de 1940, se apresentava como um verdadeiro entrave ao avanço das relações de trabalho, pois suprimiria empregos e fomentaria a informalidade. Em síntese, a CLT era apontada pelos neoliberais de plantão como portadora do desemprego ou da ocupação precária.
Acontece que a cegueira situacional em que se meteram os automatistas e exclusivistas das forças de mercado os impediu de constatar não só que as medidas regulatórias do trabalho no chamado mundo desenvolvido eram ainda mais antigas que as do Brasil mas também que as mudanças executadas mais recentemente haviam gerado a volta ao passado, com intensa precarização e desigualdade entre os trabalhadores, conforme atestam estudos internacionais produzidos pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).
Como não poderia deixar de ser, as mais de duas dezenas de alterações introduzidas na CLT voltadas para a desregulação e a flexibilização do mercado de trabalho produziram o óbvio: perdas irreparáveis para a maioria daqueles que dependem do seu próprio trabalho para sobreviver.
Desde o afastamento do assédio liberal-conservador, que torna menos intensa a pressão pelo desmanche da legislação social e trabalhista, o mercado de trabalho reage menos desfavoravelmente aos trabalhadores. Não somente o emprego formal é o que mais cresce no país desde 2003 (4% em média ao ano) como também permitirá ultrapassar o estágio da estruturação do mercado de trabalho atingida na década de 1980, caso a economia continue a perseguir o ritmo de expansão acima dos 5% ao ano.

Lula devorou tucanos, como caetés o bispo Sardinha

Agora, digo eu: Lula apoderou-se do discurso dos tucanos pregando e defendendo como sua a estabilidade do país, o controle da inflação. Mas lançou sobre esse discurso o seu próprio e, antropofagicamente, melhorou todos os números do país – até aqueles de que os tucanos tanto se gabavam – deixando-os sem discurso, sem proposta, sem rumo, a ponto de terem de apelar ao STF para não perderem, um a um, seus parlamentares, como já acontecia com os Demos.

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Cacciola vem aí, e já disse que vai abrir o bico

Sexta-feira, o Ministério Público do Principado de Mônaco aprovou os documentos brasileiros para o pedido de extradição do banqueiro fujão Salvatore Cacciola. Pela rotina do Principado, os documentos devem ser enviados agora ao príncipe Albert I, que é quem dá a palavra final. E, em geral, o príncipe acata os pareceres do Ministério Público. Portanto, vem aí de volta o banqueiro que deu um prejuízo de R$ 1,5 bi ao país.

A turma tucana é que não deve estar gostando nada da brincadeira. Para quem não se lembra, na época de sua prisão Cacciola chegou a tentar um acordo com a Polícia Federal. Ele disse que contaria tudo o que sabia sobre o esquema, em troca de um abrandamento da pena. Só que ele fugiu antes, logo após uma providencial liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Agora, pense bem, meu leitor arguto: se vários integrantes do BC do governo Fernando Henrique foram condenados pela operação, sem que Cacciola abrisse o bico, imagine como ficarão as coisas, quando Cacciola finalmente abrir a boca.

Definitivamente, os tucanos estão vivendo seu inferno astral. Além do valor exorbitante dos pedágios nas rodovias, da denúncia que o Procurador Geral da República deve fazer do valerioduto tucano, a volta de Cacciola deve jogar ainda mais no ventilador tucano aquilo que os atores se desejam no início dos espetáculos.

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Vem aí a revelação do mensalão tucano em SP

Editorial da Folha hoje:

Mal contado

O contrato não era pequeno: envolvia R$ 671 milhões. Quem desembolsou a quantia foi a Nossa Caixa, durante o governo Alckmin, em 2003. Do outro lado estava a Asbace, entidade que congrega bancos estatais. O gasto se destinava à instalação de terminais de auto-atendimento da Nossa Caixa em todo o Estado.
A partir daí, tudo se cerca de graves suspeitas. Os R$ 671 milhões foram entregues à Asbace sem licitação. O argumento se baseava na "inquestionável reputação ético-profissional" da entidade, e no fato de que a Asbace não tem fins lucrativos.
Quaisquer que sejam a reputação e os fins da Asbace, o fato é que a entidade não tinha estrutura para realizar o serviço contratado. Repassou a tarefa para outras empresas, estas sim, com fins lucrativos e capazes de implantar a rede de auto-atendimento desejada.
Sete pareceres técnicos do Tribunal de Contas do Estado contestaram o contrato. Afinal, se outras empresas teriam de fazer o serviço, por que não realizar uma concorrência pública? O contrato foi a julgamento no TCE: graças ao voto de três conselheiros, terminou aprovado. Novos contratos entre a Nossa Caixa e a Asbace se firmaram durante a última gestão do governador tucano, somando cerca de R$ 740 milhões.
Provavelmente, teria tudo ficado por isso mesmo, não tivesse a Polícia Federal desencadeado em junho a Operação Aquarela: desta resultou a prisão de dois ex-dirigentes da Asbace, sob a acusação de terem lesado o BRB, banco estatal de Brasília, em R$ 50 milhões. O ocorrido em Brasília "não tem nada a ver" com os contratos paulistas, garantem o ex-governador Alckmin e seu ex-secretário da Fazenda.
Será? O caso Asbace ainda está por ser plenamente elucidado.

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