Mostrando postagens com marcador favelas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador favelas. Mostrar todas as postagens

Dodeskaden. Homenagem a Akira Kurosawa, morto em 6 de setembro de 1998



O filme é ótimo. E a seqüência, uma das mais bonitas da história do cinema. Não sei se ela tem o mesmo impacto para quem não assistiu ao filme. Se esse é seu caso, corrija-se. Por causa da cena, veja o filme inteiro. Você vai me agradecer.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel quer a remoção das favelas?

O diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, publicou um artigo em O Globo esta semana, com o título “Prioridades”. Selecionei um parágrafo do artigo, que acho que o resume, para comentar. Mas como O Globo dificulta o acesso aos textos, resolvi postar a íntegra do artigo de Kamel aqui, porque não acho justo criticar um texto sem dar ao leitor a oportunidade de conhecê-lo na íntegra. Vamos ao trecho que selecionei. Os destaques são meus e os comentários estão logo abaixo.

Precisamos encarar de frente o problema: favelas em morros não são urbanizáveis (1). O Estado precisa desenvolver políticas conseqüentes que dêem à população de baixa renda acesso a habitações decentes, via financiamento subsidiado, em áreas com escolas, hospitais e demais serviços públicos, ligadas ao centro (2) por transporte público de massa veloz, confortável e barato. Que uma cidade como a nossa aceite conviver com favelas diz muito de nossa visão de mundo. E nós deveríamos nos envergonhar dela. É inadmissível que aceitemos como um dado da vida que pobres morem em condições subumanas. Qualquer sociedade, quando chega em certo nível de civilização, une todos os esforços para que concidadãos morem dignamente. Aqui, por culpa da esquerda, criou-se o pensamento torto de que o pecado é remover favelas e que a boa ação é deixá-las onde estão (3). E, o pior, como estão. Eu já disse em outro artigo: ninguém quer se livrar das favelas, mas livrar delas os favelados (4).

1. Por quê? Pela geografia? Como explicar, então, Santa Tereza?

2. Se as “habitações decentes” devem ser “ligadas ao centro”, evidentemente elas serão construídas “fora do centro”. Logo, os favelados serão removidos.

3. Por que este é um “pensamento torto”? Qual seria o “pensamento reto”, retirá-las dali, removê-las?

4. Só há duas alternativas para livrar os favelados das favelas. Uma: urbanizar as favelas. Mas Ali Kamel afirma que “favelas em morros não são urbanizáveis”. A segunda: a remoção dos favelados. Pelo contexto, é o que ele defende. Agora ele só precisa dizer quem vai fazer isso, quando e como.

Kamel sabe muito bem que isso é inviável. Não estamos mais nos tempos de Carlos Lacerda. Parafraseando o líder udenista, hoje não é mais possível pensar em remover favelas; se isso for pensado, não poderá virar projeto de lei; se virar projeto de lei, não poderá ser votado; se for votado, não poderá ser aprovado; se for aprovado, não poderá ser executado; se for executado o governo cai.

Se Kamel sabe que não é viável remover, por exemplo, a Rocinha e/ou o Vidigal, por que ele critica as obras de urbanização das favelas? Simplesmente porque eles sempre acham que o dinheiro a ser gasto com os mais pobres poderia ser mais bem aplicado. O Bolsa Família foi criticado como bolsa esmola. Os CIEPs, segundo eles, eram sofisticados demais. Imagine, um projeto que mantinha os filhos dos pobres nas escolas em horário integral, com educação física, piscinas, quadras de esporte...“desperdício”... Era melhor reformar as escolas existentes...

É sempre assim. As “Prioridades” (este é o título do artigo) de Kamel são outras. Mas ele e os que pensam como ele perderam a eleição. Urbanização das favelas é uma das prioridades do governo Lula. Que venceu a eleição.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Para os que acreditam em ‘balas perdidas’

Já falei aqui que não acredito nessa história de bala perdida. Essas balas escolhem sempre pessoas com perfis semelhantes.

Aos números. No exato espaço de uma semana, da segunda-feira passada até esta, sete pessoas foram atingidas pelas tais balas perdidas. Na segunda, a menina Alana, no morro dos Macacos, em Vila Isabel. Na terça, quatro pessoas no complexo de favelas do Alemão. Na quarta, uma menina de dois anos, na favela Vila Vintém, em Padre Miguel. Na sexta, uma empregada doméstica, na favela conhecida como Rocinha 2, na Cidade de Deus.

Balas perdidas? Bobagem. O alvo muda apenas de nome, mas é sempre o mesmo.