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São a favor da tortura 42% dos brasileiros que ganham acima de R$ 2 mil e 40% dos que têm curso superior

É o que afirma Pesquisa sobre Valores e Atitudes da População Brasileira, realizada pelo Ibope e a agência Nova S/B e publicada ontem em O Globo.

Há vários outros aspectos da mesma pesquisa destacados na reportagem, mas que semelhantes a uma anterior do mesmo Ibope, de abril de 2006, chamada "Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice", comentada aqui.

O cruzamento dos dados dessa pesquisa atual, em relação ao comportamento diante da tortura, é que produz resultados interessantes. Se 42% dos que ganham mais do que 5 salários mínimos apóiam a tortura, o índice cai para 19%, entre os que ganham menos de um salário mínimo. Porque, em geral, a tortura é aplicada nestes.

A pergunta da pesquisa não deixa dúvidas. Vou repeti-la, como está no questionário [o grifo é meu]:

No filme “Tropa de Elite”, sobre a forma de atuação do Bope no Rio de Janeiro, aparecem cenas em que os policiais forçam os suspeitos a darem informações através de algumas práticas violentas, consideradas tortura. Se fosse um policial combatendo o crime organizado, você provavelmente...

. Usaria práticas violentas para obter informações importantes de suspeitos, pois esse é o único método que funciona no país
. Nunca usaria práticas violentas contra suspeitos, a não ser para se defender, para não desrespeitar os direitos deles

A pesquisa mostra o tamanho dos “indignados úteis”, que defendem a tortura, e são freqüentadores dos pitblogs, ardorosos fãs de seus pitblogueiros (desmascarados por Nassif, em seu dossiê Veja, como penas de aluguel, moleques de recados alheios).

É a esse público que Veja se dirige, como afirmou seu presidente, Roberto Civita. Defendem a tortura policial, porque pensam que ela não os alcançará, e só quando são agredidos, como aconteceu recentemente com um juiz aqui no Rio, percebem o engano que cometem.

Quando 42% da elite financeira e 40% da elite educacional de um país defendem a tortura é sinal de que é chegado o momento de – como dizem as mulheres - repensar a relação.

A tortura é uma ignomínia, que não pode ser tolerada de forma alguma. Ainda mais a praticada pelo Estado, que, ao menos teoricamente, existe para defender os direitos do cidadão e promover a cidadania.

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Grande imprensa contra o governo Lula

Que a mídia é preconceituosa, procura sempre atacar o governo Lula e enaltecer os demo-tucanos ou ao menos esconder o que fazem de errado, tudo isso é verdade. A grande imprensa é mesmo contra o governo Lula, e se ele morresse amanhã de manhã, ela ficaria bem feliz.

Mas isso não é tudo. Se fossem – como são – sempre contra o governo e isso não lhes trouxesse um mísero leitor/ouvinte/espectador eles já teriam mudado o tom, ou falido. Mas não, embora o governo tenha uma aprovação superior a 60%, eles estão ligados naquela faixa de público que não aceita o governo Lula, que acha que o Bolsa Família é esmola; que cota é que é preconceito, porque no Brasil não existe preconceito que um elevador de serviço não conserte; que Lula, Chávez, Evo Morales são uma praga populista nascida da praga-mor, Fidel Castro, o ditador daquela ilha que, mesmo bloqueada pela maior potência do mundo, não deixa que nenhuma de suas crianças morra de fome, onde não há analfabetismo e o acesso à saúde é um direito de todos.

Nossa grande mídia escreve e faz reportagens para esse público, que eu chamo aqui de indignados úteis, que têm como seus porta-vozes na internet os pitblogs e seus pitblogueiros.

Enquanto pessoas solidárias tendem a tratar os problemas do mundo como seus, os pitblogueiros fazem o contrário, transportam seus problemas pessoais para o mundo, enxergam o mundo e a vida do ponto de vista de seus problemas pessoais. E tome pus, e tome bile. Se a vida fosse o carnaval, eles seriam a quarta-feira de cinzas. Servem suas excrec~encias a leitores que pedem, clamam por isso.Como afirmou Roberto Civita, da Veja, em uma entrevista:

“...Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar."

O curioso é que Civita fez elogios ao governo recentemente, o que significa quem nem Civita lê a Veja, que se limita agora às salas de espera dos consultórios médicos e dentários e dos laboratórios de análises clínicas, onde a revista chega para recolher material para suas reportagens e retorna meses depois para disputar espaço com aquela Caras em que Adriane Galisteu ainda é namorada de Ayrton Senna.

Leia também:

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Retirada de propaganda do carro é só propaganda

Vamos supor que tenha havido mesmo pressão do governo (jornalões, pitblogueiros e seus acólitos dizem que diretamente do presidente Lula) para que fosse retirado do ar o comercial de um carro que fazia referência à frase “relaxa e goza” da ministra Suplicy. Vamos supor.

A diretoria da montadora tinha diante de si duas opções: retirava o comercial, para ficar bem com o “presidente”; mantinha o comercial. Não tem lógica alguma retirar o comercial do ar e “deixar vazar” que isso aconteceu por causa de censura vinda do governo. Porque aí não seriam atendidas nenhuma das alternativas.

Logo, o que está acontecendo não pode ser explicado por essas duas alternativas. Mas por uma terceira. Trata-se de mais um caso de marketing viral. A pista para isso é dada pela própria fonte do vazamento: o presidente da agência responsável pelo comercial.

Toda a campanha é inteligente e joga muito bem com o senso de oportunidade. Primeiro, ao fazer o comercial. Agora, ao retirá-lo do ar e revestir a ação de um conteúdo político, explorando a gosto de sangue dos indignados úteis e seus pitblogs, que reproduzem com satisfação o comercial em suas páginas. Num terceiro momento, quem sabe, o carro vem associado à defesa da liberdade de expressão. Mas é apenas um carro.

O que me diverte é que os antiLula estão fazendo propaganda de carro, quando pensam que estão atacando o governo. E com que alegria eles são manipulados!

Comigo não, violão.

Para quem tem preguiça de navegar, aqui vai a definição de marketing viral da Wikipedia:

O marketing viral e a publicidade viral referem-se a técnicas de marketing que tentam explorar redes sociais pré-existentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca, com processos similares a extensão de uma epidemia. A definição de marketing viral foi cunhada originalmente para descrever a prática de vários serviços livres de email de adicionar sua publicidade ao email que sai de seus usuários. O que se assume é que se tal anúncio alcança um usuário "susceptível", esse usuário "será infectado" (ou seja, se ativará uma conta) e pode então seguir infectando a outros usuários susceptíveis. Enquanto cada usuário infectado envia o email a mais de um usuário susceptível por média (ou seja, a taxa reprodutiva básica é maior que um), Os resultados "standard" em epidemiologia implicam que o número de usuários infectados crescerá segundo uma curva logística, cujo segmento inicial é exponencial.

De forma mais geral, o marketing viral se utiliza às vezes para descrever algumas classes de campanhas de marketing baseadas na internet, incluindo o uso de weblogs, de sites aparentemente amadores, e de outras formas de astroturfing (termo utilizado para designar ações políticas ou publicitárias que tentam criar a impressão de que são movimentos espontâneos e populares) para criar o rumor de um novo produto ou serviço. O termo "publicidade viral" se refere à idéia que as pessoas passarão e compartilharão conteúdos divertidos. Esta técnica muitas vezes está patrocinada por uma marca, que busca construir conhecimento de um produto ou serviço. Os anúncios virais tomam muitas vezes a forma de divertidos videoclipes ou jogos Flash interativos, imagens, e inclusive textos.

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