Mostrando postagens com marcador jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jornalismo. Mostrar todas as postagens

Não é apenas Assange. Todos os jornalistas são passíveis de processo sob a Lei de Espionagem dos EUA, confessa acusação


O ex-diplomata britânico, humanista e ativista político Craig Murray é um dos poucos com acesso ao julgamento de Assange e tem escrito sobre seu dia-a-dia em seu site.

No resumo de hoje (quarta), sobre a sessão de ontem, Murray afirma que a acusação dos EUA tirou finalmente a máscara e passou a admitir que não apenas Assange, mas qualquer jornalista que publique arquivo confidencial dos EUA está sujeito a ter um julgamento como o de Assange.

Portanto, os jornalistas da mídia comercial, que publicaram o material distribuído pelo WikiLeaks e seu publisher e editor Julian Assange, podem vir a ser processados no futuro.

Lembrem-se do texto de  Niemöller: "Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte..."etc. Agora é Assange, amanhã pode ser você.
O governo dos Estados Unidos agora está dizendo, de forma totalmente explícita, no tribunal, que aqueles repórteres [de uma publicação do NYT que não foram punidos em ação semelhante] poderiam e deveriam ter ido para a cadeia e é assim que agiremos no futuro. O Washington Post, o New York Times e todos os “grandes meios de comunicação liberais” dos EUA não estão no tribunal para ouvi-lo e não vão denunciar isso, por causa de sua cumplicidade ativa contra o “outro”, Julian Assange, como algo sub-humano cujo destino pode ser ignorado. Eles são realmente tão estúpidos a ponto de não entender que são os próximos?
Err, sim - o próprio Murray responde.
Essa nova linha da acusação representou um afastamento radical da abordagem anterior, que era afirmar que Julian Assange não é um jornalista e tentar distinguir seu comportamento do dos jornais. Especialistas em jornalismo testemunharam que o relacionamento de Assange com Manning [que vazou os documentos para Assange] não era materialmente diferente do relacionamento de outros jornalistas com fontes com dados oficiais para vazar.
O objetivo da abordagem anterior era claramente reduzir o apoio da mídia a Assange, diferenciando-o de outros jornalistas. Tornou-se óbvio que tal abordagem corria um risco real de fracasso, se pudesse ser provado que Assange é jornalista, linha que estava indo bem para a defesa. Portanto, agora temos “qualquer jornalista pode ser processado por publicar informações classificadas”, conforme a linha do governo dos EUA. Eu suspeito fortemente que eles decidiram que não precisam mitigar a reação da mídia, já que a mídia não está prestando atenção a esta audiência de qualquer maneira.
Essa última frase é típica do fino humor britânico.

Leia a narrativa completa, que é minuciosa, lá no site de Murray, clicando aqui.



Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos




Recentes:


Assine a newsletter do Blog do Mello.
É grátis.

Sob silêncio da mídia comercial brasileira, o jornalista Julian Assange, do WikiLeaks, vai a julgamento nesta segunda por fazer jornalismo


Nesta próxima segunda, dia 7, o jornalista e editor do WikiLeaks, Julian Assange, vai a julgamento e deve ser extraditado para os Estados Unidos pelo crime de... fazer jornalismo.

Assange recebeu da militar dos EUA Chelsea Manning imensa quantidade de material a que o governo dos Estados Unidos não queria que o mundo tivesse acesso.

A partir da divulgação de parte do material pelo WikiLeaks, jornais pelo mundo, inclusive brasileiros, reproduziram as revelações. Nenhum foi punido ou está ameaçado pelo governo dos EUA. Apenas Assange, que, caso seja extraditado, deverá ser condenado a 175 anos de prisão em isolamento.

Entre as revelações de Assange, estão a prova do assassinato de civis pelas tropas estadunidenses na guerra do Iraque, como a famosa execução via helicóptero Apache, que já publiquei aqui (confira aqui em "EUA querem que Assange pague por denunciar seu jogo sujo no Iraque e com aliados, inclusive o Brasil").

Nessa execução, foi morto o fotógrafo da agência Reuters Namir Noor-Eldeen, que tirou esta foto em Bagdá de um menino saindo da escola, desviando da poça de sangue sobre folhas de cadernos, após ataque das tropas dos EUA que mataram quatro estudantes.


O Julgamento desta segunda poderia ter um desfecho diferente, caso a mídia comercial fosse mais solidária com o colega jornalista que submissa aos interesses dos Estados Unidos.

Porque é um jogo de cartas marcadas. A juíza do caso tem familiares que fazem parte do serviço secreto do Reino Unido, principal aliado dos EUA.

Ela deveria se dizer impedida de julgar o caso. Mas não o fez, nem é cobrada por isso.

Os Estados Unidos querem a cabeça de Assange para que cada um fique sabendo que, caso publique alguma coisa que vá contra os interesses dos EUA, poderá ter o mesmo destino dele, ser perseguido, condenado e confinado numa cela para o resto da vida.

Por isso a liberdade de Assange deveria ser uma luta do jornalismo global e de todos os jornalistas.

#FreeAssange



Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos




Recentes:


Assine a newsletter do Blog do Mello.
É grátis.

A quem favorece o silêncio do Blog do Mino?

Mino Carta está fazendo falta. É verdade que ele ainda escreve na sua Carta Capital. Mas é diferente. O dia-a-dia da blogosfera, o “calor dos acontecimentos”, tudo isso sente falta da palavra de Mino. Ainda que seja para discordar dele às vezes.

Mino Carta está para a imprensa brasileira como Fernando Barbosa Lima, recentemente falecido, está para a história do jornalismo televisivo. Embora Mino seja muito mais temido (pelos ex-patrões e sua turma) e tenha sua importância muito mais reconhecida que a de Fernando Barbosa Lima.

Mas até o mundo mineral sabe da importância das palavras de Mino em seu blog. Especialmente porque ele conhece os intestinos da nossa mídia porcorativa e – mais importante – eles sabem que ele sabe.

Portanto, a pergunta do título só pode ter uma resposta: o silêncio do Mino em seu blog favorece a mídia porcorativa e suas reporcagens.

Por isso, Mino deveria rever sua atitude e voltar ao blog, ao cotidiano dessa batalha por uma comunicação mais democrática, que travamos em nossos modestos blogs contra os barões da mídia.

Porque, cá entre nós, o tal jornalismo como o conhecíamos, aquele defendido pelos sindicatos com seus diplomas, já era. A informação hoje é – para usar uma expressão do mercado que nos governa – commodity. Está aí à disposição de todo mundo. O que faz cada vez mais a diferença é o agente que transmite a informação, porcalista ou não, desde que ele tenha para o leitor / ouvinte / telespectador credibilidade. Isso Mino Carta tem de sobra.

Mino faz falta até nos comentários sobre futebol. Embora ele não entenda nada do assunto, pois defende que é futebol aquilo praticado pelos cinturas-duras de sua Itália – e que vagamente lembra o esporte inventado pelos ingleses mas criado e aperfeiçoado no Brasil. Até falando besteira ele o faz com estilo. Talvez pela qualidade dos botões com que dialoga.

Mas, enquanto Mino não volta, leia o que ele escreveu na sua Carta Capital desta semana, originalmente aqui:

Antes e depois da Satiagraha

Que plano republicano é este em um país que se diz República? Até parece que as maiores ameaças rondam o Brasil, republicano há 120 anos, e sua atual Constituição, velha de 21. O simples anúncio de que os representantes dos Três Poderes democráticos se reuniram para assinar o tal imponente e caudaloso documento presta-se a despertar, muito além de perplexidades, espanto e temores. Ou não, melhor cair na gargalhada?

Fosse este, ao contrário do que entendia De Gaulle, um país sério, teríamos fartas razões para recear uma ruptura institucional, a impor a urgência de um acordo por cima. Sim, convenhamos: a nação não parece incomodar-se com a solene encenação. Mas, assim como cabe a pergunta “que República é esta?”, também vale outra: que nação é esta?

Interpretação viável. O presidente do STF, Gilmar Mendes, denuncia há tempo a ameaça de um “Estado policial” pronto a se instalar no País, se já não teria tomado posse. Não falta quem, do lado oposto, aponte a tentativa do ministro Mendes de submeter o Brasil a um “Estado judicial”. Estaria aí o confronto em andamento?

Pode ser. Mas não se desenrola também uma luta surda, porém acirrada, dentro da própria PF? Remonto, talvez instintivamente, à Operação Satiagraha como a um divisor de águas, momento fatal que separa o antes do depois. A partir daí o circo arrisca-se ao incêndio, a despeito da tentativa bombeira da mídia. Com os habeas corpus a Daniel Dantas, Mendes ganha dimensão extraordinária, reforçada pela história fantasiosa do pretenso grampo da sua inócua conversa com o senador Demóstenes, o que o leva a “chamar às falas” o presidente da República. E o presidente? Acede ao chamado.

Decorrem implacavelmente o desterro do diretor da Abin, Paulo Lacerda, e as diversas vicissitudes sofridas pelo delegado Protógenes e pelo juiz Fausto De Sanctis. Recordo que na manhã do dia em que foi deflagrada a Satiagraha, figura importantíssima do governo (escolho o superlativo, embora avise não se tratar do presidente Lula) ligou-me para dizer: “Viu, viu o que a gente fez?”

Caí das nuvens, nada sabia. Ouvi todas as explicações do outro lado da linha, a começar pela frase: “Prendemos o orelhudo”. A figura, sublinho importantíssima, estava eufórica. Com o decorrer dos dias e dos meses mudou o tom. Quem sabe a manada tenha entrado na linha. Encontro motivos, contudo, para acreditar no delegado Protógenes quando afirma que a Satiagraha recebeu o aval do Palácio do Planalto.

Seria o destino do banqueiro do Opportunity tão decisivo para a saúde da República? Haja surpresa. De todo modo, enxergo no pacto republicano o enésimo arreglo para oferecer aos privilegiados do Brasil ulteriores e mais amplos privilégios. Acerto a bem da patota, da turma, do grupo. Do estamento, diria Raymundo Faoro, de vivíssima memória nesta redação. Algo bem mais medíocre do que a célebre conciliação das elites, mas de efeitos igualmente deletérios para a maioria dos cidadãos, sufragado pelo apoio, diria mesmo a proteção, da mídia.

Sim, que República é esta, que nação, que elites... E qual seria o país sério, democrático e civilizado em que a mídia não repercute uma grave acusação contra o chefão da polícia, suspeito de atentado aos direitos humanos?

CartaCapital, com uma reportagem de Leandro Fortes, acusou o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, de ter torturado a empregada doméstica da avó da mulher nas dependências da polícia de Porto Alegre, quando lá prestava serviço. Corrêa não soube produzir explicações convincentes para o fato, e muito menos o desmentiu categoricamente. Contou, entretanto, com o costumeiro silêncio do jornalismo pátrio. Normal, normalíssimo. Estamos é no Brasil.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

Diploma de jornalista não é garantia de Jornalismo

Não vou entrar aqui no mérito da exigência ou não de diploma de curso superior em Jornalismo para exercer a profissão de jornalista. Se for entrar nessa questão vou me desviar do assunto desta postagem, que é criticar a defesa que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) faz da tal exigência.

Que eles defendam o diploma e o nicho de mercado para a profissão (e também para as faculdades catadoras de dinheiro espalhadas pelo país) é problema deles. Minha crítica é quanto ao contexto e aos argumentos utilizados.

Como a votação pelo STF se dará no dia 1° de abril, eles estão comparando o fim da exigência do diploma à implantação de uma ditadura no Brasil, semelhante ao golpe de 1964. Está no texto do folder [o destaque é da Fenaj]:

Em 1964, há 45 anos, na madrugada de 1° de abril, um golpe militar depôs o presidente João Goulart e instaurou a ditadura que castigou o Brasil durante 21 anos. A sociedade brasileira pode estar diante de um novo golpe.

Peralá. Quer dizer que se o STF disser que não é necessário diploma para exercer o jornalismo no Brasil (não vou nem citar aqui os países em que essa exigência não existe) vamos voltar ao período das trevas, da censura, do arbítrio, da violência, da tortura, do assassinato, da cassação de políticos, da falta de liberdade de expressão etc?... Não é forçar demais a barra?

Mas, prossegue o folder [o grifo agora é meu]:

Desta vez, direcionado contra o seu direito de receber informação qualificada, apurada por profissionais capacitados para exercer o Jornalismo, com formação teórica, técnica e ética.

Onde é que nós estamos (ou a Fenaj afirma que estamos) recebendo “informação qualificada, apurada por profissionais capacitados para exercer o Jornalismo, com formação teórica, técnica e ética”? Qual é o veículo em que isso está acontecendo?

Porque as grandes redes de TV, jornal, as revistas, a tal mídia corporativa, enfim, há muito que não produz (ou produz muito pouco) algo que se possa chamar de Jornalismo, com jota maiúsculo.

Não tenho nada contra a exigência ou não de diploma (embora a exigência me pareça apenas uma questão corporativista somada aos interesses dos donos de faculdades de Jornalismo), mas não é o diploma de jornalismo que faz um jornalista. Nem é a defesa desse diploma que qualifica uma associação de classe.

Onde estão os jornalistas quando os repórteres são obrigados a mentir, falsificar, manipular? Onde estão os jornalistas de uma Veja (provavelmente todos com diploma), por exemplo, que permitem que nossa maior revista semanal tenha se transformado no lixo informativo que é hoje?

Onde eles estão quando permitem que esta mesma Veja tenha em seus quadros um jornalista de esgoto, especialista em ofender colegas de profissão, sem que nada seja feito?

Ao sair da Rede Globo o jornalista Rodrigo Vianna (atualmente na Record) afirmou que entrevistas e reportagens em que estivesse envolvido o governador José Serra tinham que passar pelo crivo de Ali Kamel, o diretor-executivo de jornalismo da RGTV, gerando omissões, falsificações, manipulações. Numa hora dessas, de que serve o diploma, se os diplomados entubam e se calam, se os sindicatos sabem do problema e se omitem?

A Fenaj (imagino que os sindicatos do Brasil inteiro também estejam engajados nesta batalha pelo diploma) está perdendo uma grande oportunidade, ao atrelar a qualidade do jornalismo apenas à exigência do diploma. A internet, as rádios comunitárias, a mídia livre, já atropelou esse “jornalismo chapa sindical” há muito tempo.

Mas, eu pelo menos, esperava uma ampliação de horizontes, que essa exigência do diploma viesse acompanhada de um código de ética da profissão, que não permitiria aos alikamels da vez detonarem com o jornalismo plural e informativo – este sim, o verdadeiro jornalismo. Será pedir demais? Ou o negó$$io é só o diproma, e vice-versa?

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

‘Nenhum jornalista honrado aceitará a recomendação do chefe ou do patrão para atacar esse ou aquele cidadão’

No Jornal do Brasil de hoje:

A imprensa e o Código Penal

- Mauro Santayana

Propôs o deputado federal Miro Teixeira a revogação da Lei de Imprensa, remanescente da ditadura militar. Posto que, desde 1891, imitamos os constituintes de Filadélfia, seria conveniente adotar, na atual Constituição, ou em outra (que a consciência nacional pede), a interdição de que se legisle contra a liberdade de imprensa. Faz falta incorporar, em nosso Direito, a proteção do Bill of Rights de 1791, em sua Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. O fato de que tenham precedido todos os outros direitos dos cidadãos pelo de expressão é significativo. No Brasil, essa liberdade é limitada. Entre outros fatores, há uma lei, também de 1967, que exige licença acadêmica para a profissão de jornalista. A lei admite a liberdade de os especialistas escreverem, nos jornais, sobre o assunto de sua ciência, mas impede que pessoas vindas do povo possam trabalhar nos jornais sem o diploma universitário, e neles publicar sua opinião. Nos Estados Unidos - e sob a proteção da Primeira Emenda - essa restrição não existe. Qualquer medida que restringisse a liberdade de expressão violaria o mais significativo dos rights do homem. Jornalista é qualquer um que saiba escrever.

A história política não seria escrita sem o conflito permanente entre a palavra e os poderosos. O poder sempre procurou amestrar os homens de talento, cooptando-os (algumas vezes com grande benefício para o Estado), ameaçando-os ou, finalmente, os matando. O saber e o mando são duas categorias da razão quase sempre em conflito, ainda que, em raríssimos momentos da História, saber e mando se equilibrem em espíritos excepcionais, como ocorreu entre os fundadores dos Estados Unidos. Há também homens de saber que se associam aos grandes líderes (o que houve na colaboração de Malraux com De Gaulle) para levar ao poder a ordem da razão. Mas, no caso da liberdade de imprensa, há argumentos mais fortes. O direito de cidadania não está limitado, nem poderia estar, aos conhecimentos escolares. Toda pessoa nasce com os mesmos direitos políticos, sem exceção, quaisquer que sejam sua origem de classe e suas aptidões intelectuais. Esse direito ela o tem por pertencer à espécie - e ponto. O uso dessa liberdade só estará submetido à sua própria vontade.

A liberdade de expressão é o primeiro dos direitos políticos invioláveis. A expressão não se limita à palavra. O termo é amplo. O homem se expressa pelas palavras, com que enuncia os seus juízos e a sua vontade, mas se expressa também em sua ação. Expressar-se não é apenas o logos, mas também é a práxis. É ser e agir, saindo para fora de si mesmo. Sem liberdade de expressão não se pode falar em constituições políticas ou em democracia.

Não se deduza que a liberdade de imprensa seja carta de corso para o assalto à reputação alheia. O jornalista não pode sair por aí, vociferando (muitas vezes sem provas) contra quem quer que seja, e permanecer impune. Ele deve responder pelos deslizes que cometa. E mais: a ética - não "ética jornalística", porque o vocábulo não aceita adjetivos - impede-o de revelar suas fontes. Cabe-lhe o dever de examinar os fatos, antes de divulgá-los. A Justiça não socorre os que dormem, diz o brocardo latino. Mas tampouco socorre os ingênuos. Dele é a plena responsabilidade pelo que escreve. Por isso, nenhum jornalista honrado aceitará a recomendação do chefe ou do patrão para atacar esse ou aquele cidadão, sem que assuma responsabilidade pessoal pelo que fizer.

A lei de imprensa é dispensável. Os jornalistas não se distinguem dos demais cidadãos. Não devem ser privilegiados, pelo fato de exercerem esse modesto ofício, nem castigados pela mesma razão. Cabe aos jornalistas e empresários dos meios de comunicação responder pelos seus atos, como qualquer pessoa, de acordo com a lei penal, que prevê os delitos de difamação, injúria e calúnia, e, sendo o caso, reparar as ofensas. Se a lei é branda ou rigorosa demais, que seja agravada ou suavizada conforme os fatos delituosos, com a reforma dos códigos aplicáveis. E que os parlamentares tenham a coragem que tiveram os fundadores da grande República do Norte: o Estado não pode penetrar na alma dos cidadãos, a fim de amordaçá-la, impor-lhe normas, conduzir sua fé, amolgar suas convicções. Por isso, o Congresso não deve legislar contra a liberdade de expressão. Há exageros e leviandade de alguns jornalistas e meios de comunicação, mas não é com leis arbitrárias que o problema será resolvido. Basta aplicar o Código Penal, o mesmo que se usa contra qualquer difamador e caluniador de botequim.

Clique aqui para ir ao Player de Vídeos do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Confederação de Trabalhadores da Imprensa pede que jornalistas trabalhem com ética

Documento da Confederação afirma que muitos jornalistas não estão trabalhando à altura da situação em que vive o país.

Em linhas gerais, nosso diagnóstico revelou que a imprensa escrita tem distorcido informações. Cremos que fazer um jornalismo melhor significa também olhar a notícia com ética. Se os jornalistas praticarem esse conjunto de passos não teremos mais uma cobertura política unilateral, que destaca apenas o lado negativo e não registra os avanços.

O documento é da Confederación de Trabajadores de la Prensa de Bolívia... Mas também serve para o Brasil.

Clique aqui para ir ao Player de Vídeos do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

Opus Dei, o movimento católico preferido pelos pitblogueiros

Os pitblogueiros adoram o Opus Dei. E seus pitblogs são a face mundana da ordem fundada na Espanha. Aqui, eles se espalham pelos nossos jornalões, e sua influência deixa marcas, que não são simplesmente as do silício que utilizam para se autoflagelar.

O Opus Dei, como se pode observar pelos depoimentos de ex-devotos no vídeo acima (um deles com 35 anos na causa), é uma maneira de ser e de se comportar. Se fossem apenas masoquistas, seria um problema só deles. Mas, como afirmei na postagem Os pitboys e os pitblogs, eles são sadomasoquistas. Querem socializar o silício e o chicotinho.

A reportagem do vídeo é de Lorena Calábria.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail