Julian Assange completa hoje 51 anos, longe da mulher, dos filhos, da família, dos amigos, encarcerado em Belmarsh, Londres, e há 11 anos sem liberdade, entre o tempo em que esteve exilado na embaixada do Equador e agora na prisão, aguardando sua possível extradição para os Estados Unidos. Seu "crime": divulgar crimes de guerra dos EUA e aliados. Fazer aquilo que é dever do jornalismo, despir o poder de duas máscaras, trazer à luz o escondido, denunciar que o rei está nu.
Há poucos dias, a secretária de Estado britânico Priti Patel deu autorização para a extradição de Assange. Há dois dias, a defesa de Julian entrou com recurso na Suprema Corte, última oportunidade de barrar sua extradição e colocá-lo em liberdade.
A prisão de Assange é mais um caso de lawfare, pois até hoje não há indício ou prova de nenhum dos crimes imputados a ele. Há, ao contrário, o depoimento de um de seus delatores, que voltou atrás em suas afirmações e solenemente confessou que mentiu em juízo. Há também o fato de que Assange foi grampeado pela CIA, quando exilado na embaixada do Equador, e teve violado o sigilo de suas conversas com seus advogados, o que tornaria nulo qualquer processo que não fosse viciado, um jogo de cartas marcadas como esse. Há também a prova de que o governo dos EUA sugeriu assassinar Assange, quando esteve exilado.
No entanto, o processo segue como se fosse absolutamente legítimo, enquanto os crimes cometidos pelos EUA na Síria, no Afeganistão e em Guantánamo continuam impunes.
A prisão de Assange é um crime, e intelectuais, artistas, cientistas, jornalistas, políticos (como nosso ex e futuro presidente Lula) defendem sua liberdade imediata, em nome da justiça e da liberdade de informação.
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