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Feliz aniversário, Assange! 51 anos, há 11 sendo perseguido pelos EUA por divulgar seus crimes de guerra

Julian Assange completa hoje 51 anos, longe da mulher, dos filhos, da família, dos amigos, encarcerado em Belmarsh, Londres, e há 11 anos sem liberdade, entre o tempo em que esteve exilado na embaixada do Equador e agora na prisão, aguardando sua possível extradição para os Estados Unidos. Seu "crime": divulgar crimes de guerra dos EUA e aliados. Fazer aquilo que é dever do jornalismo, despir o poder de duas máscaras, trazer à luz o escondido, denunciar que o rei está nu.

Há poucos dias, a secretária de Estado britânico Priti Patel deu autorização para a extradição de Assange. Há dois dias, a defesa de Julian entrou com recurso na Suprema Corte, última oportunidade de barrar sua extradição e colocá-lo em liberdade.

A prisão de Assange é mais um caso de lawfare, pois até hoje não há indício ou prova de nenhum dos crimes imputados a ele. Há, ao contrário, o depoimento de um de seus delatores, que voltou atrás em suas afirmações e solenemente confessou que mentiu em juízo. Há também o fato de que Assange foi grampeado pela CIA, quando exilado na embaixada do Equador, e teve violado o sigilo de suas conversas com seus advogados, o que tornaria nulo qualquer processo que não fosse viciado, um jogo de cartas marcadas como esse. Há também a prova de que o governo dos EUA sugeriu assassinar Assange, quando esteve exilado.

No entanto, o processo segue como se fosse absolutamente legítimo, enquanto os crimes cometidos pelos EUA na Síria, no Afeganistão e em Guantánamo continuam impunes.

A prisão de Assange é um crime, e intelectuais, artistas, cientistas, jornalistas, políticos (como nosso ex e futuro presidente Lula) defendem sua liberdade imediata, em nome da justiça e da liberdade de informação.

#FreeAssange


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Justiça britânica se nega a investigar evidências de que a CIA grampeou advogados de Assange, o que pode levar à sua liberdade

O juiz do Tribunal Superior Nacional da Espanha Santiago Pedraz afirma que a empresa de segurança espanhola UC Global grampeou ilegalmente conversas entre Julian Assange e seus advogados, quando o líder do WikiLeaks se encontrava refugiado na embaixada do Equador em Londres. O juiz Pedraz suspeita que essas gravações ilegais podem ter sido entregues a agentes dos serviços secretos dos Estados Unidos. A violação do sigilo entre cliente e advogado é fato gravíssimo o suficiente para anular todo o processo.

O repórter de El País José María Irujo teve acesso a um documento enviado pelo juiz Pedraz à justiça britânica em que o juiz solicita que possa tomar depoimentos dos advogados britânicos e dos médicos de Assange que foram espionados. Entre eles Gareth Peirce, 82, o famoso advogado britânico do filme Em nome do pai interpretado por Emma Thompson.

O juiz enviou essa ordem de investigação europeia (OEI) à justiça britânica há mais de dois anos. O OEI é uma ferramenta de cooperação judiciária para agilizar a cooperação entre juízes. No entanto, a justiça britânica, contrariando a tradição, até o momento não respondeu à solicitação, e segue ignorando uma circunstância que pode garantir a anulação do processo de extradição e a liberdade para Assange.

Os advogados britânicos, espionados na sede da Embaixada do Equador em Londres por ordem de David Morales (ex-militar espanhol proprietário da UC Global, a quem Pedraz pede para questionar), são os mesmos que agora defendem Assange no pedido de extradição para os EUA. 

Ao expor as supostas atividades ilícitas de David Morales ao Reino Unido, o juiz do Supremo Tribunal Nacional aponta diretamente as agências de inteligência dos EUA ou as autoridades daquele país como receptoras das conversas dos espiões, entre as quais advogados, médicos, jornalistas, diplomatas, parentes e amigos do ativista.

A demonstração de que os serviços de inteligência dos EUA souberam da estratégia de defesa do ciberativista australiano espionando seus advogados poderia anular a extradição ao questionar os métodos ilegais usados ​​pelos EUA para julgar Assange em seu país.

A investigação judicial sobre o diretor da UC Global e as atividades de sua empresa foi ordenada pelo juiz José de la Mata, a quem Pedraz substituiu, e começou semanas depois que o El País revelou  vídeos, áudios e relatórios mostrando que esta empresa espionava as reuniões de Assange com seus advogados e colaboradores. Morales supostamente enviou essas e outras conversas para os serviços de inteligência dos EUA.

Após a investigação deste jornal, Assange apresentou queixa contra Morales, que foi preso e acusado de crimes contra a privacidade, violação do sigilo das comunicações entre advogado e cliente, suborno e lavagem de dinheiro. Várias testemunhas protegidas depuseram contra Morales e afirmam que os EUA tiveram acesso a todo o material apreendido durante a espionagem de Assange e seus advogados. [El País]

Estranho que o Reino Unido siga acoelhado diante dos Estados Unidos, mantendo Assange preso sem cometimento de crime algum naquele país, apenas aguardando a decisão de um insólito pedido de extradição para que Assange seja julgado nos EUA por ter divulgado crimes de guerra cometidos por aquele país.

Por que a justiça britânica não atende à Ordem de Investigação Europeia emitida pelo juiz espanhol? Por que não acolher os documentos da Espanha que provam o grampo na embaixada do Equador violando ilegalmente o sigilo entre Assange e seus advogados e familiares?

Além do absurdo de se julgar alguém por divulgar crimes efetivamente cometidos, há agora a prova de que o julgamento é ilegal, com um lado sabendo secretamente as estratégias do outro.

Tudo deve ser anulado e Assange posto em liberdade, como deveria ter sempre estado, embora esteja há mais de 10 anos privado de sua liberdade, aquela palavra que o sonho humano alimenta, que "não há ninguém que explique e ninguém que não entenda", nos versos de Cecília Meireles no Romanceiro da Inconfidência.

#FreeAssange

 

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Anistia Internacional: 'Extradição de Assange ameaça a liberdade de imprensa'

A Anistia Internacional volta a defender a não extradição de Assange e a declarar que ela é uma ameaça à liberdade de imprensa.

Mas não apenas isso. A extradição de Assange será, na prática, sua condenação à morte, pois ele não resistirá às condições das prisões dos Estados Unidos, conforme sua defesa deixou claro, no que foi acolhida pela juíza do caso, Vanessa Baraitser, que, primeiramente, negou sua extradição exatamente pela falta de qualidade das prisões dos EUA e da falta de garantia de um tratamento humanitário a Assange.

Da Anistia Internacional, Portugal:

Se a Ministra do Interior britânica, Priti Patel, certificar o pedido dos EUA para extraditar Julian Assange, estará a violar a proibição contra a tortura e a criar um precedente alarmante para editores e jornalistas em todo o mundo, referiu a Amnistia Internacional, na sequência da decisão do Tribunal de Magistrados do Reino Unido de emitir uma ordem de extradição.

O caso será agora enviado a Priti Patel, que decidirá se certifica, ou não, o pedido dos EUA até ao dia 18 de maio.

“O Reino Unido tem a obrigação de não enviar qualquer pessoa para um local onde a sua vida ou segurança esteja em risco. O governo não deve abdicar dessa responsabilidade. As autoridades norte-americanas indicaram firmemente que alterarão os termos da prisão de Assange num estabelecimento federal sempre que considerarem ser necessário. Esta declaração coloca Julian Assange em grande risco de condições prisionais que podem provocar danos irreversíveis para o seu bem-estar físico e psicológico”, sublinhou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.

“A extradição de Julian Assange seria também devastadora para a liberdade de imprensa e para as populações, já que todas as pessoas têm o direito de saber o que os seus governos estão a fazer em seu nome”.

“A publicação de conteúdos do interesse público é uma pedra angular da liberdade dos meios de comunicação social. Extraditar Julian Assange para que enfrente alegações de espionagem por publicar informação classificada estabeleceria um precedente perigoso e deixaria muitos jornalistas apreensivos e inseguros por todo o mundo”.

O confinamento solitário prolongado é uma prática regular nas prisões de segurança máxima dos EUA, equivalente a tortura ou outros maus-tratos, e proibida pelo direito internacional. No caso de Julian Assange, as garantias de tratamento justo oferecidas pelos EUA são profundamente falaciosas e podem ser revogadas a qualquer momento. A extradição para os EUA colocaria Assange em risco de graves violações dos direitos humanos, e as garantias diplomáticas vazias não o podem proteger de tais abusos.

Se o governo do Reino Unido permitir que um país estrangeiro exerça jurisdição criminal extraterritorial para processar uma pessoa cujas publicações são feitas a partir do Reino Unido, outros governos poderiam usar os mesmos instrumentos legais para prender jornalistas e silenciar a imprensa, muito para além das fronteiras dos seus próprios países.

“As acusações contra Assange nunca deveriam ter sido apresentadas em primeiro lugar. Não é demasiado tarde para as autoridades americanas corrigirem o seu comportamento e retirarem as acusações”, frisou Agnès Callamard.

“Entretanto, tendo em conta a natureza politicamente motivada do caso, e as suas graves implicações para a liberdade de expressão, o Reino Unido deveria abster-se de representar os EUA em quaisquer outros recursos”.

 

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Justiça britânica autoriza extradição de Assange aos EUA, conforme antecipou WikiLeaks

O WikiLeaks antecipou, e eu publiquei aqui, que a justiça britânica iria autorizar a extradição de Assange aos Estados Unidos. O caso agora passa para a mão da ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, que vai dar a decisão final, provavelmente também autorizando a extradição.

Nos EUA, Assange pode ser condenado a até 175 anos de prisão pelo "crime de divulgar crimes de guerra dos Estados Unidos", mas, como não podem confessar isso, alegam que ele teria exposto vidas de pessoas ao liberar os documentos secretos. Só que isso também não é verdade.

Aos fatos: ao receber os arquivos secretos, Assange viu que pelo tamanho do material não teria com dar conta dele (mais ou menos como aconteceu aqui com os arquivos da Vaza Jato). Chamou jornalistas de alguns dos principais jornais do mundo para ajudá-lo com o material.

Foi um sucesso, as reportagens bombaram (com duplo sentido) pelo mundo, inclusive no Brasil.

Mas, como não poderia deixar de ser, os documentos estavam guardados com uma chave secreta, de que apenas Assange e esses jornalistas parceiros tinham conhecimento. Todos são unânimes em afirmar da intensa preocupação de Assange com a divulgação de nomes, que pudessem colocar a vida de pessoas inocentes em risco.

No entanto, dois jornalistas do britânico Guardian —David Leigh e Luke Harding— revelaram a senha em um livro que publicaram sobre o Wikileaks (Wikileaks: Inside Julian Assange's War on Secrecy). [imagem abaixo].

Reparem na preocupação de Assange, ao acrescentar uma palavra que deveria ser apenas gravada na memória (Diplomatic) e não escrita, para garantir um segredo maior.

Temerosos com a divulgação da senha, Assange e o WikiLeaks resolveram abrir os arquivos para todo mundo acabando com a chave de acesso. Com isso, pretendiam evitar que um governo interessado em brecar a divulgação das mensagens (seriam os Estados Unidos, amigos leitores?...) pudesse usar a senha, mudá-la e trancar o acesso ao material.

Por isso, Assange está há dez anos afastado da sociedade (sete anos como exilado na embaixada do Equador, sem poder sair, e mais três anos na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres).

E os jornalistas do Guardian que divulgaram a chave de segurança e acabaram forçando a liberação geral dos documentos? Nem testemunhar em favor de Assange foram.

A prisão, extradição e condenação de Assange é um crime que vem ocorrendo há dez anos, para servir de exemplo aos jornalistas do mundo, que devem aprender que não se deve divulgar crimes de guerra dos Estados Unidos e aliados. Ou sofrerão como Assange.

A defesa de Assange tem prazo até 18 de maio para recorrer, mas dificilmente vão conseguir reverter a decisão da justiça britânica. A menos que haja uma intensa pressão mundial pela libertação de Assange, ou um súbito desinteresse dos EUA por sua extradição —infelizmente hipóteses remotas.

#FreeAssange


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Há 12 anos, Assange publicou este vídeo que provocou a ira dos EUA e explica sua perseguição e prisão. Confira

Em 5 de abril de 2010, WikiLeaks e seu líder, Julian Assange, publicaram um vídeo, que ficou conhecido como Assassinato Colateral, mostrando de forma seca e definitiva crimes de guerra dos Estados Unidos no Iraque. [confira o vídeo abaixo]

De um helicóptero Apache, soldados dos EUA pedem autorização para exterminar civis (entre eles repórteres da Reuters). Recebida a autorização, os homens são exterminados friamente por soldados que parecem brincar de videogame, chegando a zombar dos mortos e até quase a implorar para novas autorizações para assassinatos.

A crueza das imagens chocou o mundo e mostrou, para quem ainda não conhecia, a realidade das "intervenções democráticas dos EUA".

Desde esse período a cabeça de Assange está a prêmio. Há dez anos, ele não tem mais liberdade. Teve que se refugiar na embaixada do Equador em Londres, onde era mantido sob intensa pressão, com ameaça até de invasão ilegal da embaixada por assassinos profissionais.

Agora, há três anos, Assange está isolado na prisão de segurança máxima de Belmarsh, no Reino Unido, onde aguarda para este mês a sentença que provavelmente o extraditará para os EUA, pelo crime, veja bem, não de cometer mas de divulgar crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos.

Por isso, cada vez mais pessoas no mundo se juntam pedindo liberdade para Assange e sua não extradição aos Estados Unidos, porque isso seria dar aos criminosos o direito de punir quem os denuncia.

#FreeAssange

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ASSANGE. Justiça britânica autoriza extradição aos EUA, que planejaram sequestrá-lo e assassiná-lo


Cúmplice nas ações criminosas de guerra dos EUA, o Reino Unido acaba de anular nesta sexta a decisão da juíza Vanessa Baraitser, que havia negado a extradição de Assange aos Estados Unidos. Com isso, a extradição pode ser determinada a qualquer momento. A defesa de Assange já avisou que vai recorrer da decisão.
 
A declaração da noiva de Assange e mãe de seus dois filhos Stella Morris resume o absurdo da decisão:
"Como pode ser justo, como pode ser certo, como pode ser possível, extraditar Julian para o próprio país que conspirou para matá-lo?"
Para quem não se recorda, reportagem de Zach Dorfman, Sean D. Naylor e Michael Isikoff publicada no Yahoo News revelou que a CIA tinha planos e estudos para sequestrar e até assassinar o líder do WikiLeaks.
 
O ano foi 2017, quando Assange já estava havia cinco anos asilado na embaixada do Equador e ilegalmente era espionado por câmeras e captadores de áudio infiltrados pelo governo dos Estados Unidos.
 
A ideia do sequestro e até do assassinato surgiu em função de novos pacotes de dados revelados pelo WikiLeaks, que atingiam o coração de operações de hackers da CIA, conhecidas coletivamente como "Vault 7". A reportagem publicada no Yahoo é extensa e vale a conferida [em inglês].
 
Em favor de Assange, ainda há a informação da principal testemunha apresentada pelos Estados Unidos de que seu depoimento era falso e foi forçado pelo FBI (como as delações premiadas da Lava Jato aqui no Brasil).
 
A testemunha dos EUA é o islandês Sigurdur Thordarson, que declarou que mentiu em seu depoimento em que acusou Assange, pressionado e acobertado pelo FBI. Ele  está preso agora em seu país, Islândia. É "um hacker pedófilo condenado por abusar sexualmente de nove crianças, tendo sido absolvido de cinco outros casos por falta de provas". Ponto importantíssimo em favor de Assange, já que Thordarson foi a única testemunha contra Assange.
 
Essas informações, que surgiram após a decisão da juíza Baraitser, deveriam reforçar a negativa de extradição e não permiti-la, como decidiu agora a justiça britânica.

Irmanado nos crimes de guerra denunciados por Assange e o WikiLeaks, a justiça britânica permite a extradição com a garantia do governo dos EUA de que seus prisioneiros recebem atendimento humanitário. 
 
Um pouco desse "atendimento humanitário" pode ser conferido aqui, em postagem do Blog do Mello de há 14 anos, 2007, e que esta pequena imagem ilustra [há outras no link].

 
#FreeAssange




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Recomeça julgamento de Assange hoje no Reino Unido


Recomeça hoje o julgamento do pedido de extradição de Julian Assange aos Estados Unidos. Se for extraditado, Assange pode ser condenado a 175 anos de prisão e apodrecer numa prisão de segurança máxima dos EUA por ter revelado ao mundo os crimes de guerra cometidos por aquele país e aliados.
 
O julgamento de hoje vai tratar da apelação dos Estados Unidos contra a sentença da Juíza Vanessa Baraitser que determinou a não extradição do líder do Wikileaks.
 
A promotoria dos EUA alega que o médico que deu o laudo de que Assange poderia muito provavelmente se suicidar na prisão omitiu o fato de Assange ser pai de dois filhos de sua noiva Stella Moris.
 
Em favor de Assange há dois fatos novos, surgidos depois do julgamento da juíza Vanessa Baraitser em janeiro deste ano: a informação da principal testemunha apresentada pelos Estados Unidos de que seu depoimento era falso e foi forçado pelo FBI (como as delações premiadas da Lava Jato aqui no Brasil). O outro, a informação publicada em setembro no Yahoo de que a CIA teria realizado planejamento para sequestrar e até assassinar Assange.
 
A testemunha dos EUA é o islandês Sigurdur Thordarson, que declarou que mentiu em seu depoimento, pressionado e acobertado pelo FBI. Ele  está preso agora em seu país, Islândia. É "um hacker pedófilo condenado por abusar sexualmente de nove crianças, tendo sido absolvido de cinco outros casos por falta de provas". Ponto importantíssimo em favor de Assange, já que Thordarson foi a única testemunha contra Assange.
 
Outro ponto em favor de Assange foi a reportagem de Zach Dorfman, Sean D. Naylor e Michael Isikoff publicada no Yahoo News que revelou que a CIA tinha planos e estudos para sequestrar e até assassinar o líder do WikiLeaks.
 
O ano foi 2017, quando Assange já estava havia cinco anos asilado na embaixada do Equador e ilegalmente era espionado por câmeras e captadores de áudio infiltrados pelo governo dos Estados Unidos.
 
A ideia do sequestro e até do assassinato surgiu em função de novos pacotes de dados revelados pelo WikiLeaks, que atingiam o coração de operações de hackers da CIA, conhecidas coletivamente como "Vault 7".
 
A reportagem publicada no Yahoo é extensa e vale a conferida [em inglês]. Mas, de prático, o que se vê é que os Estados Unidos acabaram por optar usar contra Assange o mesmo que fizeram com Lula e o PT no Brasil: ação judicial. Sequestro e assassinato jurídico. 
 
Com os novos fatos, a liberdade de Assange deveria ser o resultado final do julgamento que recomeça hoje. Mas, aí, muito provavelmente os Estados Unidos vão apelar à Suprema Corte britânica e o calvário de Julian Assange vai prosseguir, pois nem permitir que ele responda em liberdade permitem.
 
Como já escrevi aqui, na prática Assange está sequestrado pelo governo dos EUA na prisão do Reino Unido em que se encontra, numa solitária e quase incomunicável. Para que sirva de lição aos jornalistas de todo o mundo de que não se pode divulgar crimes dos Estados Unidos.
 
Por isso é fundamental que todos lutemos pela liberdade imediata de Assange e sua não extradição aos Estados Unidos.
 
#FreeAssange





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Nobel da Paz vai para jornalistas independentes, enquanto Assange segue preso político dos EUA em presídio do Reino Unido

O Nobel da Paz deste ano foi concedido aos jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov por seus esforços em defender a liberdade de expressão, segundo o Comitê norueguês:
"[Os laureados] são representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas", afirmou Berit Reiss-Anderson, presidente do conselho do Nobel. [G1]
Perdeu uma oportunidade o comitê norueguês de corrigir seu vizinho comitê sueco, responsável pelos Nobel de Física, Química, Literatura. Foi a Suécia o primeiro país a iniciar a perseguição jurídica a Julian Assange com uma muito conveniente e agora arquivada acusação de estupro contra o líder dos WikiLeaks. O arquivamento foi não apenas por falta de provas, mas até da acusação mesmo, pois a suposta estuprada jamais denunciou Assange por isso.
 
Sem tirar os méritos dos jornalistas laureados, por que ao menos não incluir o nome de Assange entre eles?
 
Assange mostrou ao mundo a face do terror praticado por Estados Unidos e aliados com torturas e assassinatos de inocentes e até crianças.
 
Que liberdade de expressão é esta que mantém Assange prisioneiro na Inglaterra sem que tenha cometido crime algum, ao contrário, por ter denunciado a prática de crimes de guerra?
 
Como comemorar o prêmio aos dois jornalistas, enquanto Assange apodrece na cadeia, mantido vivo como um zumbi para que sirva de exemplo a todos os jornalistas do mundo sobre o que lhes espera caso denunciem os crimes de guerra dos EUA e aliados?
 
Como justificar ainda a prisão de Assange, se a única testemunha contra ele, Sigurdur Thordarson, declarou recentemente que mentiu em seu depoimento, pressionado e acobertado pelo FBI, e está preso agora em seu país, Islândia, "um hacker pedófilo condenado por abusar sexualmente de nove crianças, tendo sido absolvido de cinco outros casos por falta de provas"?
 
Parabéns a Maria Ressa e Dmitry Muratov, mas infelizmente o prêmio está manchado por essa ignomínia que é a prisão de Julian Assange, perseguido há dez anos por divulgar verdades "inconvenientes".
 
#FreeAssange






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Justiça britânica apoia demanda dos EUA e extradição de Assange fica mais próxima. Decisão em outubro


Na quarta, 11, um juiz britânico atendeu pedido da promotoria dos EUA em acusação a Assange aceitando incluir no processo uma contestação ao argumento da defesa de risco de vida de Assange em prisão dos EUA. 
 
Por aí pode estar o caminho de uma decisão favorável à extradição do líder do WikiLeaks. Porque, é bom lembrar, esse foi o motivo de a juíza Vanessa Baraitser negar a extradição em janeiro.
 
Baraitser aceitou todas as teses da acusação e Assange só não foi extraditado porque a juíza atendeu à defesa que provou o enorme risco de Assange atentar contra a própria vida caso fosse extraditado.
 
Quem aceitou a demanda dos EUA foi o juiz Timothy Holroyde, do Tribunal de Recurso de Inglaterra e do País de Gales:
“Tendo em conta a importância da administração de justiça de um tribunal ter de ser capaz de responder sobre a imparcialidade de uma testemunha especializada, é, na minha opinião, defensável que deveria ter sido feita uma consideração mais detalhada e mais crítica sobre por que é que a resposta humana compreensível [dada pelo professor] pode ter originado um relatório inexacto”, disse Holroyde. 

A contestação ao relatório médico será, assim, um dos quatro fundamentos que os advogados dos EUA vão apresentar no recurso à decisão de Baraitser, cuja audiência está agendada para os dias 27 e 28 de Outubro. [Fonte: Publico]

Agora, com a aceitação de uma contestação ao laudo da defesa, pode ser aberta a trilha para que os EUA consigam a extradição de Julian e ele apodreça numa solitária dos EUA (ou se mate por lá), para que o mundo aprenda que não se pode denunciar crimes dos Estados Unidos impunemente.

Porque, para os EUA, cometer crimes de guerra não é crime; crime é denunciá-los, como fez Assange no WikiLeaks.





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Secretário de Estado dos EUA diz que país está muito preocupado com 'intimidação de jornalistas na China'. E Assange?


Em seu perfil no Twitter (ao que parece a nova plataforma de comunicação dos governos), o secretário de Estado dos Estados Unidos Antony Blinken escreveu [na tradução do Google]:
Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a tendência crescente de vigilância, assédio e intimidação de jornalistas estrangeiros na China. A República Popular da China pode e deve fazer melhor. 
Mas, e quanto à vigilância, o assédio, a intimidação e mesmo a ameaça de encarceramento perpétuo do governo dos EUA a Julian Assange?
 
Afinal, o trabalho do líder do WikiLeaks foi reconhecido pelos principais jornais do mundo, inclusive dos EUA, que deram destaque e fizeram parcerias jornalísticas com os dados divulgados por Assange e sua equipe, num trabalho por todos reconhecido como jornalístico.
 
Assange é perseguido há 10 anos pelos EUA. Teve que passar mais de sete anos (para ser exato, 2429 dias) refugiado na embaixada do Equador em Londres e amarga agora dois anos na cadeia de segurança máxima de Belmarsh, onde fica encarcerado por 23 horas e tem direito a um passeio solitário de uma hora, cada dia em horário diferente, e sem que possa conversar com ninguém, a não ser em horários específicos com seus advogados, inclusive a mulher, que também é advogada.
 
Assange não pode ver os filhos, não pode ter uma vida normal, embora não tenha cometido crime algum, a juíza tenha negado sua extradição aos EUA, mas ainda assim ele permanece preso aguardando a conclusão do recurso dos Estados Unidos (do secretário "preocupado com jornalistas na China" Blinken), que continuam requerendo sua extradição para encarcerá-lo por... fazer jornalismo.
 
Nenhuma preocupação com a liberdade de imprensa dos EUA pode ser levada a sério enquanto durar a infame perseguição a Julian Assange.
 
Não custa lembrar: Divulgar crimes de guerra não é crime; crime é cometê-los.
 
#FreeAssange




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Em vídeo, Lula defende liberdade de Assange e indica seu nome ao Nobel da Paz


Em janeiro, a juíza britânica Vanessa Baraitser negou pedido de extradição do líder do WikiLeaks Julian Assange feito pelos Estados Unidos. No entanto, a juíza não permitiu que Assange fosse posto em liberdade, já que a acusação recorreu de sua decisão.
 
Por isso, Assange continua preso numa prisão de segurança máxima, em meio a uma pandemia, mesmo sem ter cometido crime algum, apenas aguardando o desfecho de seu caso.
 
Sábado passado, Assange completou 50 anos, longe da mulher, dos dois filhos pequenos e dos amigos. Há 10 anos é perseguido por ter denunciado crimes de guerra dos Estados Unidos e aliados.
 
O ex-presidente Lula dá um depoimento emocionado em favor da liberdade imediata de Assange, faz uma acusação aos Estados Unidos pela perseguição judicial e lança o nome de Assange ao Nobel da Paz.






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Como Trump, Departamento de Justiça de Biden pede que o Tribunal Britânico reveja sentença e aprove a extradição de Julian Assange


O governo do presidente Biden ignorou as manifestações de grupo de defensores das liberdades civis e dos direitos humanos e apelou ontem contra a sentença da juíza britânica que negou a extradição de Julian Assange aos Estados Unidos.

Com isso, o governo Biden sinalizou que continua com a tentativa de seu antecessor de processar Julian Assange, o fundador do WikiLeaks. 
 
Uma porta-voz do Crown Prosecution Office disse hoje que o governo dos EUA protocolou a petição ontem, quinta-feira. Os termos da apelação não foram divulgados, porque os registros no tribunal britânico, ao contrário dos Estados Unidos, não são públicos por padrão. 
 
Marc Raimondi, porta-voz do Departamento de Justiça, disse que o governo estadunidense não tinha permissão para distribuí-lo, mas confirmou seu pedido. 
"Continuamos buscando a extradição", disse ele. [Fonte: The New York Times]
 #FreeAssangeNow



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Assange e um elefante num quarto escuro. Com a palavra o Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer


Em longa entrevista [que você pode acessar na íntegra, em inglês, aqui] sobre o caso de perseguição a Julian Assange, o Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer, usou a seguinte imagem para ilustrar o que está acontecendo:
Imagine um quarto escuro. De repente, alguém ilumina o elefante na sala - os criminosos de guerra, a corrupção. Assange é o homem com a lanterna. Os governos ficam brevemente em choque, mas depois mudam o foco da lanterna para Assange com acusações de estupro. É uma manobra clássica quando se trata de manipular a opinião pública. O elefante mais uma vez desaparece na escuridão, atrás do holofote. E Assange passa a ser o foco das atenções, e começamos a conversar sobre se Assange está andando de skate na embaixada [do Equador, quando exilado] ou se está alimentando seu gato corretamente. De repente, todos nós somos "informados" que ele é um estuprador, um hacker, um espião e um narcisista. Mas os abusos e crimes de guerra que ele denunciou desaparecem na escuridão.
Assange, através do WikiLeaks, revelou crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos e aliados (o elefante), mas aí a lanterna da mídia comercial, movida pelos interesses do Mercado e dos aliados, devolveu o elefante à escuridão, deixou de investigar os crimes de guerra cometidos e passou a criminalizar Assange.
 
É isso o que Nils Melzer mostra nessa entrevista reveladora [Vou publicar destaques dela em outra postagem, ou postagens]. Toda a mentira sobre a acusação de estupro que Assange teria cometido. Acusação que, simplesmente, nunca houve, nunca mulher alguma acusou Assange de estupro ou assédio. A não ser em "supostas" notícias na mídia comercial. E no governo da Suécia, vergonhosamente parcial em favor dos EUA.
 
Quando se discute o julgamento de Assange e sua ainda possível extradição aos Estados Unidos (os promotores dos EUA recorreram da decisão da juíza, contrária à extradição) se está deixando de discutir o verdadeiramente grave nisso tudo: os crimes de guerra, torturas, assassinatos, até de crianças e famílias inteiras de civis, por militares dos Estados Unidos e aliados, inclusive a Grã-Bretanha, onde Assange pena numa solitária.
 
Denunciar crimes não é crime. Crime é cometê-los.
 
#FreeAssange




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Juíza nega fiança e mantém Assange preso. Agora, só Biden pode livrá-lo de morrer na prisão


A juíza Vanessa Baraitser negou nesta manhã em Londres a liberdade sob fiança ao líder do WikiLeaks Julian Assange e mandou-o de volta ao presídio de segurança máxima de Bekmarsh, onde deverá aguardar julgamento de recursos dos Estados Unidos.
 
A manobra de manter Assange na prisão em Londres sem extraditá-lo foi a solução salomônica dos governos dos EUA e Reino Unido, já que a extradição poderia causar problemas ao novo governo Biden, caso Assange conseguisse se matar na prisão, como temem os psiquiatras que o examinam em Belmarsh.
 
Como afirmei aqui no domingo, o objetivo é ficar numa guerra de recursos, enquanto Assange apodrece na cadeia, em condições quase tão desumanas como as que encontraria nos EUA. Recentemente, um preso da mesma ala de Assange se matou.
 
A juíza Baraitser alegou que Assange poderia fugir, porque o julgamento da extradição ainda não está encerrado.
 
A defesa de Assange negou que ele tivesse o intento da fuga e alegou que ele preferiria ficar ali com a mulher e as duas filhas. Sem sucesso.
 
Assange já voltou para a cela, onde fica trancado por 20 horas, enfrentando temperatura de 0º pela madrugada e em meio ao recrudescimento da COVID no Reino Unido, que entrou em lockdown pelo descontrole sobre a pandemia.
 
Querem transformar Assange em exemplo, para que ninguém jamais ouse novamente denunciar os crimes de guerra dos Estados Unidos.
 
Só o presidente eleito Joe Biden pode parar com esse jogo de cartas marcadas, se ao assumir a presidência encerrar o pedido de extradição de Assange.
 
Mas, provavelmente, Biden vai deixar o tempo correr... Ainda mais que, morrendo em Londres, retira o ônus da morte de suas costas.
 
Por isso é fundamental a campanha pela libertação imediata de Assange. 
 
Divulgar crimes de guerra não é crime. Crime é cometê-los.
 
#FreeAssange




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Vitória de Assange mas derrota do jornalismo independente: Juíza nega extradição de Assange, mas acata alegações dos EUA


A juíza Vanessa Baraitser negou esta manhã em Londres a extradição do líder do WikiLeaks Julian Assange aos Estados Unidos. No entanto Baraitser acolheu todos os argumentos da acusação e só não concordou com a extradição de Assange dado ao alto riso de que ele se suicidasse na prisão de altíssima segurança dos EUA.
 
A defesa de Assange vai apresentar na próxima quarta seus argumentos finais para pedir a imediata liberdade de seu cliente, o que pode ser concedido já na própria quarta, provavelmente sob fiança e garantia de que não fugirá da Inglaterra.
 
Por outro lado, a promotoria dos EUA já disse que vai recorrer da decisão e pede que Assange continue preso até o final do processo.
 
A negativa do pedido de extradição foi uma vitória pessoal de Assange e de todos os que manifestaram solidariedade à sua causa pelo mundo e exigiram sua liberdade.
 
No entanto, foi uma derrota fragorosa para o jornalismo independente e a liberdade de imprensa, pois a juíza Vanessa Baraitser acolheu todas as reivindicações dos EUA, a principal delas a de que liberdade de imprensa vale apenas para jornalistas, e jornalista é todo aquele que trabalha para os jornalões e não quem faz jornalismo.
 
Por esses critérios, Julian Assange não é jornalista. Assim como não é jornalista Glenn Greenwald, que é advogado, mas tem um Pulitzer de Jornalismo, o mais prestigiado prêmio da categoria.
 
Para piorar a situação, uma das acusações vitoriosas contra Assange (a de divulgar documentos secretos) foi na verdade praticada por um jornalista do The Guardian, David Leigh, que publicou em um livro que escreveu sobre o WikiLeaks a senha que levava ao arquivo secreto e abria os documentos na íntegra.
 
Com a publicação da senha, o WikiLeaks se viu forçado a abrir de vez os documentos, com receio de que eles fossem aprisionados por governos interessados em censurar seu conteúdo.
 
Se não houvesse perigo de suicídio, Assange seria extraditado e o recado portanto segue válido: O governo dos EUA e do Reino Unido advertem que, se você não é um jornalista oficial, pode pegar uma cadeia eterna nas terras do Tio Sam, caso publique algo que contrarie os interesses dos Estados Unidos, como denunciar seus crimes de guerra, por exemplo.
 
Denunciar crimes de guerra, seja você jornalista ou não, não é nem pode ser crime. Crime é cometê-los.



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