Mostrando postagens com marcador menina presa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador menina presa. Mostrar todas as postagens

Oh, Ana Júlia...

A governadora do Pará, a petista Ana Júlia Carepa, não está entendendo nada. O que ela deveria ter feito – demitido o delegado que disse que a jovem que foi servida em rodízio na cadeia tinha problemas mentais – ela não fez. Deixou que o delegado se demitisse, perdeu a oportunidade da iniciativa, não fez valer sua autoridade.

Agora a esse erro a governadora soma um outro. Mandou demolir a carceragem de Abaetetuba, onde tudo aconteceu. Está errada de novo, governadora. Não é pra demolir a que tem, mas para construir outra, onde as mulheres que cometam delitos possam ficar separadas dos homens.

Ana Júlia assumiu o governo este ano e não pode ser responsabilizada pela situação caótica em que se encontram as delegacias do Pará (não só as do Pará, que se diga). Mas é responsável pelo que faz, ou deixa de fazer, quando toma conhecimento dessa realidade. E aí faltou à governadora uma atitude firme, que mostrasse à polícia que ela não permite, não tolera e não vai admitir que o ocorrido com a jovem se repita.

Clique aqui para ir ao Player de Vídeos do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

É no Brasil todo: - ‘Presa tem que dar’

O que estou vendo de surpresas, de ohs e ahs com o caso da menina no Pará... Por que o espanto? É uma barbaridade? Sem dúvida. Mas essa barbaridade é defendida diariamente nos editoriais, nos pitblogs, na imprensa indecente, nas seções de Cartas dos Leitores dos principais jornais e revistas do país.

É claro que ninguém diz com todas as letras que quer ver presas menores de idade trancadas com marmanjões em cadeias imundas no interior do Pará. O que se diz é “Não me falem em direitos humanos de presos, isso é papo de intelectual. Bandido tem que pagar”.

Não dizem como, mas imaginam. Ou melhor, nem imaginam, porque nem querem pensar nisso. Afinal, cadeia no Brasil, ainda em sua maior parte, é feita apenas para os PPP, pretos, putas e pobres. Então, pra que pensar numa melhoria de condições de vida nas prisões e presídios, se nós não iremos pra lá?

Tenho uma má notícia para quem pensa assim. É bom começar a se preocupar. Cada vez mais jovens de classe média, e até de “alta classe”, estão sendo presos. Só aí os pais desses jovens começam a ter contato com a realidade que nunca quiseram ver.

As revistas são feitas por homens, não importa o sexo do preso. Você, leitor amigo, já imaginou sua filha sendo revistada pelo policial ou carcereiro?

Mas não é apenas isso, caro leitor. Seus problemas não acabaram. Já imaginou “sua patroa” ou sua mãe sendo revistada por um deles também? Pois imagine, porque se uma delas quiser visitar o pimpolho ou a pimpolha na delegacia ou no presídio terá que passar por essa mesma revista.

É como diz o delegado titular da Divisão de Capturas da Polícia Civil do Rio (Polinter), Herald Paquete (sic) Espínola Filho:

- A lei não diz que a revista tem que ser feita apenas por mulheres. Não vou perder meu tempo comentando isso.

Na mesma reportagem de O Globo em que há a declaração do delegado sem tempo, Vera Lúcia Tostes, que é coordenadora da Pastoral Carcerária do estado do Rio e presidente do Conselho da Comunidade relata outros casos de maus-tratos, como a falta de absorventes, o que leva presas a usar até miolo de pão. Para obterem material higiênico ou ter proteção, presas têm relações sexuais com funcionários e funcionárias ou com outras presas.

É comum que jovens detidos para cumprir medidas sócio-educativas (na maioria das vezes, apenas presos mesmo) implorem para que suas mães não os visitem para que não sejam submetidas à revista degradante (preciso descrever?). Se alguém defende um tratamento mais digno para esses jovens e suas mães, pronto, lá vêm as matérias editorializadas, as Cartas dos Leitores descendo o pau “nesse pessoal que defende os direitos humanos dos presos”.

Depois se espantam com notícias como as do Pará. E com a tranqüilidade com que delegados tratam do assunto. No Pará, disseram apenas que não havia cadeia separada...

Se querem continuar como os três macaquinhos, com as mãos, os olhos e os ouvidos fechados, que o façam. Mas nos poupem do espanto hipócrita.

Clique aqui para ir ao Player de Vídeos do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail