Lula ou FHC, quem gastou mais em publicidade?

Reportagem de Ilmar Franco em O Globo afirma que governo do presidente Lula vai gastar mais no ano que vem em publicidade. Declara até o percentual: 46,5% a mais em relação aos valores de 2004.
O que a reportagem não afirma, mas gráficos nela contidos dizem, é que pela primeira vez o governo Lula fará gastos publicitários semelhantes aos de seu antecessor, FHC.
De 1999 a 2002, os gastos de FHC em milhões de reais foram, respectivamente: 241,8; 301,5; 310,4; 256,6.
Com Lula, esses valores caíram drasticamente: em 2003, 158,2; em 2004, 222,7; em 2005, 117,4 (até setembro).
Portanto, se acrescentarmos 40 (proporcional a um trimestre) a este ano de 2005 e mais os tais 326,3 do ano que vem, o governo Lula gastará R$ 864,6 milhões em quatro anos. FHC gastou R$ 1,11 bilhão no mesmo período. Quase 30% a mais.
Ainda: a diferença entre o valor gasto a mais por FHC em relação a Lula ( R$ 245,7 milhões) é superior a qualquer dos índices anteriores de Lula.
Em outras palavras, Lula precisaria de cinco anos para gastar o que FHC gastou em quatro.

Cesar Maia erra mais uma vez

O ex-prefeito do Rio ainda em exercício, Cesar Maia, declarou que abre mão de sua candidatura em favor do prefeito de São Paulo, José Serra, na disputa presidencial do ano que vem.
Errado. Quem abriu mão da candidatura de Cesar Maia foi o eleitor.

Quem é quem no STF

Em sua coluna de hoje no Jornal do Brasil, o jornalista Augusto Nunes faz um "quem é quem" dos onze membros que compõem o Supremo Tribunal Federal (STF).
"Dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, só dois foram juízes de Direito. Os nove restantes chegaram ao olimpo do Poder Judiciário sem ter aprendido a julgar" - escreve Augusto.
Os dois que foram juízes antes são:
. Carlos Velloso (aquele que se comoveu com os Maluf presos juntinhos...), que foi nomeado por Fernando Collor.
. Antonio Cezar Peluso, nomeado por Lula.
Os demais - com o nome do presidente que os nomeou ao lado - são:
. Sepúlvede Pertence - Sarney;
. José Celso de Mello Filho - Sarney;
. Marco Aurelio de Mello - Collor;
. Nelson Jobim - FHC;
. Ellen Gracie Northfleet - FHC;
. Gilmar Ferreira Mendes - FHC;
. Carlos Ayres Britto - Lula;
. Joaquim Barbosa - Lula;
. Eros Roberto Grau - Lula.

Entrevista com o autor de O Monge e o Executivo

Autor do best-seller O Monge e o Executivo, o americano James C. Hunter, numa entrevista à revista Época, saiu-se com esta:
- O bom líder consegue engajar as pessoas "do pescoço pra cima". Conquista seus corações e mentes e obtém o melhor que elas podem dar.
Ok, mas antes ele precisa achar pessoas que tenham o coração "do pescoço pra cima"...será que consegue?

Daslu versus Daspu

Prostitutas criaram, por intermédio de uma ONG, uma grife chamada Daspu - uma brincadeira evidente com a megaloja de SP -, onde profissionais de sexo e simpatizantes produzem roupas de "batalha" (como chamam a labuta da "difícil vida fácil"), de festa e básicas. O objetivo é oferecer uma alternativa de vida às moças.
Só que a irreverência das putas magoou a megaloja, que as ameaçou com medidas judiciais, caso não mudem o nome da grife em dez dias. Advogados da Daslu alegam que a marca é "um deboche que visou denegrir a imagem da Daslu".
Mas, peralá. A Daslu não recebeu há pouco uma visita da Polícia Federal, onde foram apreendidos documentos que comprovaram evasão fiscal, notas frias, importação fraudulenta?... Roupas compradas por mil dólares, e vendidas por até R$ 10 mil, eram declaradas como se houvessem custado R$ 150...
Não sei não, mas com esta ação a Daslu pode estar preparando a cama para a Daspu deitar-se nela. E uma cama Daslu deve ser o sonho de consumo Daspu.

Política para os políticos

Após a cassação de José Dirceu começou uma discussão em Brasília para terminar com o julgamento de deputados e senadores por seus pares. Se houver acusação contra alguém, caberá à Justiça o julgamento. Se condenado, o deputado ou senador perde o mandato.
Mas o bom do julgamento pelos pares é que ele é político, exatamente como eles! A conjunção de forças daqueles senhores e senhoras (eleitos por nós, é bom lembrar) é que define o destino do julgado. E esses senhores e senhoras muitas vezes votam pressionados pela base (nós).
Imaginemos, por exemplo, um presidente na mira da Justiça (convém não esquecer, que ele nomeia membros do STF). O caso, com suas idas e vindas jurídicas, pode se arrastar por todo um mandato. Que país resistiria a isso?
Só para lembrar: se o julgamento no Congresso fosse jurídico e não político, Collor não teria sido cassado (ele foi absolvido pelo STF).

As contribuições do PP ao Brasil

Via o Jornal Nacional, quando fui surpreendido pela entrada no ar do programa do PP. Depois de um jinglezinho sem-vergonha sobre umas imagens surradas, surge uma apresentadora em estúdio, que fala umas coisas sobre o PP e em seguida chama uma matéria, dizendo que nós iríamos conhecer como os políticos do PP têm contribuído para o Brasil.
Aproveitei para ir ao banheiro. Já sentado no vaso, fiquei imaginando as contribuições pepistas.
O mais célebre deles todos é o ex-prefeito de SP Paulo Maluf (PP-SP). A contribuição dele, segundo o Ministério Público paulista, foi desviar meio bilhão de dólares dos cofres públicos.
Outro pepista famoso é o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti. Renunciou ao mandato para não ser cassado, por cobrar um mensalinho do restaurante da Câmara. Sua contribuição ao país foi empregar o filho numa estatal em Pernambuco - cargo que, aliás, o filho ainda não devolveu, embora Severino garantisse à época que ele o faria.
Temos também o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PP-PE), acusado de ter autorizado seu ex-assessor João Cláudio Genu a sacar R$ 4,1 milhões das contas do publicitário Marcos Valério.
O líder José Janene (PP-PR), que é acusado de ser o gestor do mensalão dentro do PP. Além disso, também é acusado pelo Ministério Público do Paraná de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e desvio de verbas da Prefeitura de Londrina.
A lista não ficaria completa sem o inacreditável deputado Ronivon Santiago (PP-AC). Este já havia renunciado ao mandato uma vez (para não ser cassado), quando confessou que recebera R$ 200 mil para votar a favor da reeleição de FHC. Voltou à Câmara, "absolvido pelas urnas" - segundo suas palavras. Não foi o que entendeu o TSE, e Ronivon foi cassado por compra de votos.
Enquanto dava a descarga, percebi que não me lembrava de mais ninguém. Cheguei na sala e o programa do PP já havia terminado. Será que eles mostraram realmente as grandes contribuições pepistas?

César Maia confessa fracassos

O ex-prefeito do Rio ainda em exercício, César Maia, confessa em entrevista que tem apenas dois fracassos na administração municipal: as áreas de saúde e de transportes.
Quanta modéstia!

Caiado e Skaf querem mais

Ruralistas e industriais estão unidos na crítica à política econômica do governo. Mas, nas entrelinhas, é possível descobrir o que no fundo, no fundo eles querem: fundos. Nisso estão irmanados o deputado Ronaldo Caiado (líder dos ruralistas) e Paulo Skaf, presidente da poderosa Fiesp.
Caiado, segundo nos informa a coluna de Tereza Cruvinel de hoje em O Globo, conseguiu aprovar na Comissão de Finanças da Câmara projeto nesse sentido. Paulo Skaf quer um novo refinanciamento das dívidas dos industriais, e fez lobby para isso quando da votação (que acabou não acontecendo) da medida da implantação da Super-Receita. Mas vai voltar ao ataque assim que o projeto de Lei com o mesmo objetivo for à votação.
Se forem atendidos, a política econômica de “feia” passa a “fofa” rapidamente.

A decisão do STF

Se alguém conseguir explicar, explique. O placar no Supremo estava empatado em cinco. Todos aguardávamos o voto do ministro Sepúlveda Pertence para desempatar o jogo. Ele votou a favor de Dirceu... mas Dirceu perdeu e foi julgado e cassado. O resultado lógico que seria seis a cinco a favor de Dirceu, foi seis a cinco contra.
Se independentemente do voto do ministro o resultado já estava decidido, por que esperamos pelo voto de Pertence, então?
Algo a ver com luzes, câmeras e microfones?

Há 50 anos a História começava a mudar nos EUA

Rosa Parks, aos 42 anos, em 1955, quando tudo começouEm 1º de dezembro de 1955 - portanto há exatos 50 anos - a costureira negra Rosa Parks recusou-se a ceder seu banco em um ônibus a um homem branco, como determinava a lei.

Isso aconteceu em Montgomery, Alabama, EUA, e por causa disso Rosa foi presa e condenada a pagar uma multa. O fato gerou um boicote em massa dos negros ao transporte público do Estado, marcando o início da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

O boicote foi organizado por um à época desconhecido pastor da Igreja Batista, Martin Luther King Jr, que anos mais tarde ganharia o Prêmio Nobel da Paz.

A desobediência de Parks à lei de segregação no Alabama levou ao fim a segregação nos transportes públicos e culminou, em 1964, com a Lei dos Direitos Civis, que transformou a segregação racial em um ato fora da lei nos Estados Unidos.

Apenas um “não”, pronunciado na hora certa, mudou o rumo da História americana.
Para sua atitude Rosa Parks tinha uma explicação simples: 

- A verdadeira razão de eu não ter cedido meu banco no ônibus foi porque senti que tinha o direito de ser tratada como qualquer outro passageiro. Aguentamos aquele tipo de tratamento por muito tempo.
 

Rosa Parks morreu no último dia 24 de outubro na cidade de Detroit. Tinha 92 anos, e, segundo seu advogado, morreu dormindo.