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Assisti ontem à entrevista do empresário Tony Garcia ao Nassif, reproduzida abaixo. As dúvidas que tinha a respeito da veracidade das gravíssimas acusações que ele faz a Sergio Moro foram dirimidas, a partir do momento em que ele disse que tudo o que vem afirmando consta dos autos que estão agora em poder do ministro Toffoli, no STF. Se não for feita a apreensão do passaporte de Sergio Moro, ele vai fugir do país para não ser preso. O mesmo pode acontecer com o ex-procurador de deus e ex-deputado Deltan Dallagnol e antigos procuradores da república de Curitiba, Carlos Fernando de Souza e Januário Paludo, todos participantes do esquema, segundo o empresário.
Tony Garcia acusa o hoje senador Sergio Moro de ter criado uma Guantánamo em Curitiba, em referência à prisão que os Estados Unidos mantêm em Cuba, onde prisioneiros são torturados (Leia aqui: EUA mantêm centro de treinamento de tortura com cobaias humanas em Guantánamo, denuncia The Guardian).
O empresário diz que foi mantido refém por duas décadas, sendo utilizado por Moro para grampear pessoas, fazer delações dirigidas por Moro, com o objetivo declarado de prejudicar o PT, incluindo a prisão de Lula e até o impeachment de Dilma.
Há de tudo um pouco, até uma "festa da cueca", que teria acontecido na suíte presidencial do Hotel Bourbon em Curitiba, onde desembargadores do TRF-4 (a segunda instância dos casos do Paraná) foram gravados de camisa social, gravata, sapatos, meias e cuecas numa alegre festa com prostitutas, após um jogo da seleção brasileira de futebol. Segundo Garcia, Moro tinha os desembargadores sob chantagem com as imagens. Daí se explica, talvez, o recorde mundial de um dos desembargadores que conseguiu ler todo o processo de Lula num prazo que corresponderia a ler duas mil páginas por hora, ininterruptamente, por 24 horas, durante três dias.
Sendo verdade o que diz o empresário, o depoimento de Tacla Duran, que acusa Moro e Dallagnol de extorqui-lo, mostrará apenas uma das facetas das ilegalidades da república de Curitiba, que alcançaram seu ápice na famigerada Operação Lava Jato. Se Moro já estava admitindo deixar o país diante do depoimento de Tacla Duran, com as declarações de Garcia a fuga é certa, a não ser que retenham seu passaporte.
Assista à entrevista do empresário Tony Garcia ao Nassif. Já está no ponto.
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— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) June 3, 2023
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Primeiro, a necessidade de um salto rápido, quase um bote, depois da corrida louca, para detê-lo pela camisa, puxá-lo; depois, foi como um impulso, seta do desejo: a mão num soco, fechada como a frente de um Scania, bem no fígado, puf, seco, e, então, o outro se curva, quase uma cadeira, a boca, de dentes podres, abre-se, a língua tremendo num grito pavoroso, os olhos arregalados amarelecendo no rosto negro.
Em direção aos dois, uma pessoa atravessa a rua, uma pessoa quase gato, tão ágil ela. Outras, outro lado da rua, olham apenas; isso, é fácil prever, é por enquanto.
O ódio continua surdo, e ele, agora, aplica, mãos espalmadas, plaft, um telefone-sem-fio no outro; o menino cai, mãozinhas no ouvido, um milhão de abelhas na cabeça zumbindo, lágrimas dos olhos escorrendo, quase um feto no chão, retorcido. O homem chuta a cara do menino, cract; sangue e alguns dentes que, podres, quebraram tão fácil, saltam pela boca, quase de velho agora: murcha.
Outras pessoas cercam os dois, olham: espanto. Sobre suas cabeças: prédios e um céu azul, daqueles de se dizer diáfano, transparente, translúcido. Alguns comentam que eram dois os pivetes, e do morro do Pavãozinho, na certa, ou de muito longe, da Baixada, se tudo é incerto; mas dois, que um fugiu, "menorzinho ainda e já ladrão, deve estar por aí"; certo é que eram dois, pretendiam a bolsa de uma senhora, mas ela protestou, gritou, o homem viu, e o resto é o que estamos, impassíveis, presenciando.
O homem pega a impressão de feto pelas pernas, segura-as bem, e, por elas, levanta-a. O menino de cabeça para baixo, o que o homem pretende?
Um rapaz puxa a namorada, vamos embora daqui, ele diz, já vi esse filme. Ela pergunta qual o filme. Os dois afastam-se do grupo, que, de ciranda em ciranda, aumenta; afastam-se mais, atravessam a rua e, pouco adiante, a menina saltando no ombro do namorado, param - com certeza, o filme ele contou a ela.
O homem, zum-zum, começa, mãos nos pés do menino, a girá-lo. Tão forte é o homem, o menino parece uma ausência súbita, sombra apenas, que roda por cima da cabeça do homem. Este começa a caminhar, ainda zum-zum, e o grupo abre, o grupo num burburinho, dando passagem ao homem-helicóptero, uma pergunta animando a cabeça de todos: o que pretende?
Como o Átila do filme de Bertolucci, 1900, o homem, ainda, e sempre, girando o menino, bate, prac, com a cabeça dele num poste, onde, numa placa, lê-se ATENÇÃO ESCOLA DEVAGAR; e, prac, girando, bate outra vez, sangue e miolos espirrando - não em ninguém, que todos estão afastados, apenas olhando - prac, e prac, e prac. O homem, assim, cansa-se, ufa, e solta o ex-menino no chão de sempre.
O grupo, cirandando, renova-se, uns que vão, são outros que vêm: a cara de espanto quando veem o ex-corpo; então, conversa de olhos curiosos, pequenas exclamações, dúvidas, ais.
A cinco quarteirões dali, o menorzinho, que conseguiu fugir, limpa, na camisa suja, uma pera, lindo vê-la, apanhada pouquinho atrás num vacilo do comércio, e morde-a, uma delícia sob o céu azul, tantos prédios.
Depois, o menino anda, um pé na frente do outro, sempre trocando, um e
outro, assim, um pé na frente do outro. Um na frente do outro.
(Este
pequeno Relato faz parte de meu livro de contos A Metáfora de Drácula,
lançado pela Livraria José Olympio Editora, em 1982)
Em seu perfil no Twitter, Jullyene Lins, que foi casada com o atual presidente da Câmara, Arthur Lira, comemorou com ironia a decisão do ministro Toffoli de botar para julgamento um processo de corrupção que envolve o deputado, num caso de R$106 mil reais, encontrados com um seu assessor. O placar já está 3 a 0 contra Lyra, que pode perder o mandato, caso seja condenado.
"Não dá para acreditar! Arthur Lira pode perder o mandato por 106 mil, parece que os 300 milhões desviados da assembleia na operação taturana não foram suficientes! Que absurdo é esse Brasil!"
Os R$300 milhões a que se refere são da Operação Taturana, um escândalo de rachadinha na Assembleia de Alagoas, que levou a duas condenações de Lira, inclusive em segunda instância. Lira conseguiu concorrer nas duas últimas eleições graças a liminares.
Jullyene faz outras acusações contra Lira, inclusive de agressões físicas e alienação parental dos dois filhos que tem com ele.
“Me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou”, disse. “Ele me disse que onde não há corpo, não há crime, que 'eu posso fazer qualquer coisa com você'”, afirmou. “Aquilo era o machismo puro, o sentimento de posse."
Ela afirmou ainda ter sido usada como laranja. “Ele abriu uma empresa com meu nome e até hoje não tenho vida fiscal.”
Na época, 2006, Jullyene denunciou as agressões na delegacia. Mas depois voltou atrás:
Ele foi à minha casa, quando abri a porta, me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou. A minha sorte foi a babá do mais velho, que ouviu meus gritos e ligou para a minha mãe, que apareceu lá, mas eu estava desfalecendo já. Muito apanhada. Ele me chutou no chão, mas não queria falar disso porque dói tanto lembrar.
A situação toda durou 40 minutos. Ele parava, me xingava, me chamava de vagabunda e de outros nomes horríveis. Aquilo era o machismo puro, o sentimento de posse, que acho que tem até hoje. Tudo tem que estar no domínio dele, no comando dele, a arrogância e a prepotência. Ele é assim.
[Mudei o depoimento] Porque fui ameaçada, coagida. Se depusesse dizendo o que tinha acontecido, ele ia tirar os meninos de mim. Ele foi muito claro.
Pergunta: A senhora também testemunhou em processos de corrupção envolvendo Lira, como o da Taturana, que mirou em esquemas de desvios na Assembleia Legislativa de Alagoas quando ele era deputado estadual. O que disse?
Que eu via os malotes de dinheiro chegando, via tudo. As reuniões, tudo que rolava, mas ele mandava eu sair. Ele dizia que o dinheiro vinha de venda de fazendas, gados, ou que era para ele comprar fazenda, que tinha recebido dinheiro de fulano. Às vezes ele me mandava contar para ver se estava certo.Pergunta: A senhora também já afirmou que foi usada como laranja por Lira. Como foi isso?
Fui usada como laranja por ele. Foi uma empresa que ele me colocou como laranja junto com a esposa de outro deputado na época. Depois disso, eu não tenho mais vida fiscal, tributária. Respondo a causas trabalhistas, não posso ter conta em banco, nada.Pergunta: E o esquema na Assembleia, como foi?
Foi um esquema que a gente recebia, como várias pessoas, e ninguém ia trabalhar. Ele que me colocou lá, era o primeiro secretário. Eu estava lotada no gabinete dele e já era casada com ele. Ele tirou empréstimos inclusive usando nomes de outras pessoas, como o meu, usando como pagamento o meu salário. [Fonte: Constança Rezende, Folha]
350 cientistas e empresários de ponta da área de tecnologia resolveram divulgar um manifesto sobre os perigos da Inteligência Artificial e do risco de extinção da espécie humana que ela representa. A situação é tão grave, segundo eles, que o manifesto tem apenas uma única frase:
“Debelar o risco de extinção representado pela IA deve ser uma prioridade global ao lado de outros riscos de escala social, como pandemias e guerra nuclear.”
O jornalista e professor da ECA-USP Eugênio Bucci publicou em sua coluna no Estadão um relato das principais preocupações dos cientistas e o porquê do perigo que a IA representa para a espécie humana. A coluna:
O filósofo Adauto Novaes, com sua fala mineira, sem atropelos ou turbulências, gosta de lembrar uma frase do poeta francês Paul Valéry: “Nós, civilizações, sabemos agora que somos mortais”. Lembrança pertinente. Com essas palavras, Valéry faz a abertura de seu ensaio célebre A crise do espírito, publicado na França no ano de 1919, lá se vão mais de cem anos.
Eram tempos traumáticos. O desafio do pensamento era reconhecer que a utopia iluminista, com a sua promessa de que a ciência libertaria a humanidade da peste, da fome e das guerras, dava sinais de fadiga. O morticínio gerado pela Primeira Grande Guerra era a prova irrefutável desse fato. O que se viu foi a distopia. Cientistas desenvolveram gases tóxicos para dizimar adolescentes confinados nas trincheiras. Aviões se convertiam em armas letais. O poder era o crime perfeito. Ficava mais do que evidente que a civilização, impulsionada pelas mais estonteantes invenções da técnica, era capaz de matar, inclusive a si mesma.
Depois do veredicto de Valéry, as coisas pioraram. Vieram o Holocausto, a bomba atômica e o aquecimento global. Além das civilizações, a própria humanidade se descobriu mortal. Cães raivosos não alcançam essa ideia, mas assim é.
Anteontem, o jornal The New York Times noticiou que um grupo que reúne os principais pesquisadores e executivos dos maiores centros de inovação tecnológica no mundo lançou uma advertência: o crescimento indiscriminado da Inteligência Artificial (ou simplesmente IA), outra conquista do gênio humano, pode empurrar a nossa espécie para a “extinção”. Não, a palavra não é exagerada. O texto do Times, assinado pelo colunista de tecnologia Kevin Rose, não envereda por firulas especulativas. Vai aos nós objetivos do problema.
Enorme problema. Para começar, as ferramentas baseadas em IA vão devorar milhões e milhões de empregos hoje ocupados por pessoas feitas de átomos de carbono. Essas pessoas cederão seu lugar para traquitanas que levam átomos de silício em sua composição e serão expulsas do mundo do trabalho. Os laços sociais serão convulsionados.
Em outra frente, dispositivos atrelados a algoritmos inteligentes vêm desempenhando um papel tenebroso nas campanhas de ódio e disseminação das mentiras mais destrambelhadas. As multidões, presas fáceis, se aglomeram em tropas de fúria e fanatismo, o que corrói as instituições encarregadas de verificação da verdade factual, como a imprensa, a ciência e a justiça. Ato contínuo, os alicerces das instituições democráticas se desestruturam.
Diante disso, alguém levanta a mão para fazer a pergunta inevitável: mas essas mesmas tecnologias não podem ser usadas “para o bem”? Podem, sim, é lógico. O veneno de cobra e a arma de fogo também podem ser usados “para o bem”. O livro de Adolf Hitler, Minha Luta, quando estudado por historiadores ou pensadores comprometidos com a democracia e os direitos humanos, pode servir a bons propósitos, como o de nos ajudar a impedir uma recidiva no nazismo. Em tese, tudo pode servir “para o bem”. O cianureto, o pernilongo e a música brega podem ser utilizados “para o bem”. No entanto, não é bem esse “bem” que se projeta como tendência quando o tema é IA. Os que mais entendem do assunto estão assustados. Ouçamos o que eles dizem.
“Debelar o risco de extinção representado pela IA deve ser uma prioridade global ao lado de outros riscos de escala social, como pandemias e guerra nuclear”, afirma o manifesto de uma única frase assinado por cerca de 350 cientistas e dirigentes de empresas. Entre os signatários estão Sam Altman, presidente executivo da OpenAI, e Demis Hassabis, presidente executivo do Google DeepMind, além de Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, ganhadores do Prêmio Alan Turing, uma espécie de Nobel da tecnologia.
O risco da extinção de que eles falam não deve ser entendido como o risco de uma catástrofe nuclear. Não é que alguém vá lá, ligue o computador e, num estrondo, as populações de todos os países partirão desta para uma pior. Não será assim. A civilização, nesta hipótese da extinção por IA, desaparecerá aos poucos, num suspiro longo.
As ferramentas de IA vão aos poucos tomando posse dos protocolos discursivos que, desde sempre, orientam as condutas humanas. O jargão jurídico é um desses protocolos. O método científico é outro. A atividade dos médicos é um terceiro tipo. As religiões também têm os seus, que não se confundem com os anteriores. Todos esses protocolos têm um traço comum: eles são construídos na linguagem. Quando a IA aprende a falar, como se fosse gente, ela se apropria dos protocolos que formatam comportamentos individuais e sociais e, a partir daí, tudo muda de figura.
Como resultado, o ser humano perderá relevância, enquanto os protocolos desumanizados se expandirão. Da nossa irrelevância brotará o ciclo vicioso que vai nos escantear e, depois, nos extinguir. A menos que a democracia tome providências. Segundo o grupo seleto que assinou o manifesto de uma única frase, ainda há tempo.
Não é só a acusação de lavagem de dinheiro feita pelo senador Renan Calheiros que pesa sobre Lira. Hoje a PF faz busca e apreensão em residências de pessoas acusadas de um esquema de corrupção do kit robótica, no governo Bolsonaro, de uma empresa de Alagoas (terra de Lira) de pessoa muito ligada ao presidente da Câmara.
Um dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal nesta quinta (1) é em endereço de um dos mais próximos auxiliares do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
Luciano Cavalcante atualmente está lotado na Liderança do PP na Câmara e é conhecido em Brasília como uma das pessoas de maior confiança do político, que o acompanha em agendas diversas e viagens. A esposa de Luciano, Glaucia, também já foi assessora de Lira e aparece na investigação.
A PF investiga um esquema de desvios em contratos de kits de robóticas custeados pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) no governo de Jair Bolsonaro (PL). As aquisições dos kit foram reveladas pela Folha em 2022.
Uma das suspeitas é que Luciano e sua mulher Glaucia possam ser beneficiários de valores desviados de contratos para compra de kit robótica, custeados em parte com dinheiro de emendas do relator. [Folha]