terça-feira, 1 de outubro de 2019

Em seu livro, Janot aponta ações políticas de Moro e da Lava Jato nas eleições de 2014 e 2018

Janot e Moro sobre bandeira dos EUA

Livro de Janot tira a máscara da Lava Jato


Nas páginas 41 e 42 de seu livro (com Jailton de Carvalho), o ex-PGR Rodrigo Janot cita dois instantes que mostram o viés político da Lava Jato. O uso de uma delação de Youssef na campanha de 2014 ("destituídas de qualquer valor jurídico") e de Palocci em 2018.

Fica clara a motivação política da Operação, que já buscava tirar o PT do poder desde seu início.

Aras [procurador Vladimir Aras] se lembrou, então, de um diálogo que teve com Souza [ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza,], menos incensado que Dallagnol, mas, certamente, o principal estrategista da força-tarefa no Paraná. Segundo ele, Souza disse que a intenção da força-tarefa era “horizontalizar para chegar logo lá na frente”, e não “verticalizar” as investigações, e que, por isso, teríamos dificuldade em fundamentar os pedidos de inquérito. O que seria “horizontalizar para chegar logo lá na frente”? Não entendi direito o conceito. Creio que meus colegas também não. Só depois de muito tempo, quando vi Sergio Moro viajando ao Rio de Janeiro para aceitar o convite para ser o ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, é que me veio de novo à cabeça aquela expressão. Horizontalizar implicaria uma investigação com foco num determinado resultado? Eu não quis imaginar isso lá atrás e também não quero me esticar nesse assunto agora, mas isso ainda me incomoda um bocado, sobretudo quando penso em dois episódios separados no tempo, mas muito parecidos.
 

Estou falando dos vazamentos de trechos de depoimentos de Youssef e do ex-ministro Antonio Palocci na reta final das eleições presidenciais de 2014 e 2018, respectivamente. As declarações de Youssef, segundo o qual Lula e Dilma sabiam das falcatruas na Petrobras, eram destituídas de qualquer valor jurídico. Youssef não compartilhava da intimidade do Palácio do Planalto e não tinha provas do que dizia. Mas, mesmo assim, eram de forte conteúdo político, e não há dúvidas de que tiveram enorme impacto eleitoral. A divulgação de parte da delação de Palocci teve reflexo menor. O tema abordado já não era novo. Mas não é demais supor que também ajudou a municiar um dos lados do jogo político.

Esses dois casos, a meu ver, expõem contra a Lava Jato, que a todo momento tem que se defender de atuação com viés político. [Nada Menos que Tudo, pgs. 41-42]



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