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Em seu livro, Janot aponta ações políticas de Moro e da Lava Jato nas eleições de 2014 e 2018

Janot e Moro sobre bandeira dos EUA

Livro de Janot tira a máscara da Lava Jato


Nas páginas 41 e 42 de seu livro (com Jailton de Carvalho), o ex-PGR Rodrigo Janot cita dois instantes que mostram o viés político da Lava Jato. O uso de uma delação de Youssef na campanha de 2014 ("destituídas de qualquer valor jurídico") e de Palocci em 2018.

Fica clara a motivação política da Operação, que já buscava tirar o PT do poder desde seu início.

Aras [procurador Vladimir Aras] se lembrou, então, de um diálogo que teve com Souza [ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza,], menos incensado que Dallagnol, mas, certamente, o principal estrategista da força-tarefa no Paraná. Segundo ele, Souza disse que a intenção da força-tarefa era “horizontalizar para chegar logo lá na frente”, e não “verticalizar” as investigações, e que, por isso, teríamos dificuldade em fundamentar os pedidos de inquérito. O que seria “horizontalizar para chegar logo lá na frente”? Não entendi direito o conceito. Creio que meus colegas também não. Só depois de muito tempo, quando vi Sergio Moro viajando ao Rio de Janeiro para aceitar o convite para ser o ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, é que me veio de novo à cabeça aquela expressão. Horizontalizar implicaria uma investigação com foco num determinado resultado? Eu não quis imaginar isso lá atrás e também não quero me esticar nesse assunto agora, mas isso ainda me incomoda um bocado, sobretudo quando penso em dois episódios separados no tempo, mas muito parecidos.
 

Estou falando dos vazamentos de trechos de depoimentos de Youssef e do ex-ministro Antonio Palocci na reta final das eleições presidenciais de 2014 e 2018, respectivamente. As declarações de Youssef, segundo o qual Lula e Dilma sabiam das falcatruas na Petrobras, eram destituídas de qualquer valor jurídico. Youssef não compartilhava da intimidade do Palácio do Planalto e não tinha provas do que dizia. Mas, mesmo assim, eram de forte conteúdo político, e não há dúvidas de que tiveram enorme impacto eleitoral. A divulgação de parte da delação de Palocci teve reflexo menor. O tema abordado já não era novo. Mas não é demais supor que também ajudou a municiar um dos lados do jogo político.

Esses dois casos, a meu ver, expõem contra a Lava Jato, que a todo momento tem que se defender de atuação com viés político. [Nada Menos que Tudo, pgs. 41-42]



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PF confirma que Moro e delegados mentiram para a Justiça e podem anular toda a Lava Jato

lAVA jATO COM CARIMBO DE ANULADA

Esta postagem é o complemento da que fiz pela manhã, Lava Jato vai ser anulada, como Castelo de Areia e Satiagraha, pelo mesmo motivo: vazamentos e escutas ilegais.

Como eu tinha outros compromissos, somente agora pude voltar ao assunto e explicar o que aconteceu e qual o padrão que a Lava Jato vai seguir, copiado da Satiagraha e da Castelo de Areia, duas outras grandes operações contra corrupção envolvendo grandes empresas, que acabaram não dando em nada.

O que aconteceu de novo foi que a PF reconheceu a existência do grampo ilegal na cela de Youssef, quando ele já se encontrava preso pela PF. Delegados da PF e Moro negaram não somente o grampo como a autorização para ele. Mas agora a própria PF reconhece sua existência:
Análise feita pela Polícia Federal apontou que uma escuta instalada em uma cela de presos da Lava Jato em 2014 gravou irregularmente 260 horas (11 dias) de conversas no Paraná.
A análise foi feita dentro de uma sindicância interna da polícia iniciada após o doleiro Alberto Youssef, pivô da operação em seu início, relatar naquele ano ter encontrado equipamentos de gravação no local onde estava detido, na Superintendência da PF no Paraná. Os documentos foram obtidos pela Folha.
Como mostrei em postagem desta manhã linkada acima, já em janeiro de 2015 o Blog do Mello antecipava que a Lava Jato ia pelo mesmo caminho da Satiagraha e da Castelo de Areia.

Em fevereiro de 2017, os fatos evoluíram nesse sentido e publiquei aqui:
A Operação Satiagraha, comandada pelo exótico delegado Protógenes Queiroz e pelo austero juiz Fausto de Sanctis desvendou grande esquema de corrupção, que tinha como comandante o banqueiro Daniel Dantas, condenado a 10 anos de cadeia.
Mas aí, veio uma das famosas tecnicidades jurídicas, que condenou a participação de agentes da Abin na Operação e tudo foi anulado, inclusive a condenação do banqueiro, que até hoje está livre, leve e solto.

Depois veio a Operação Castelo de Areia, que também revelou um grande esquema de corrupção, muito parecido ao da Lava Jato atual, envolvendo empreiteiras, partidos e políticos. Tudo muito documentado, com delações e confissões. [ Inclusive um dos envolvidos é bastante conhecido por todos nós: o golpista Temer, citado 21 vezes nessa Operação.]

Mas aí veio outras das tecnicidades, dessa vez acusando a Operação de ter iniciado a partir de um telefonema anônimo, o que é ilegal e causou a anulação de toda a Operação e a consequente impunidade dos envolvidos.

Agora é a vez da Lava Jato subir no telhado. Foi descoberta e confirmada a existência de um grampo ilegal, lá no início da Operação, em 2014, na cela onde estava o delator que deu início à Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef.

Anulada sua primeira  delação, vai entrar em cena a desculpa usada nas duas operações anteriores, a teoria dos frutos da árvore envenenada, que defende que uma prova lícita, quando produzida a partir de uma prova ilícita, está contaminada, devendo também ser considerada ilícita.
O mesmo acontece agora, quando a Polícia Federal reconhece oficialmente a existência do grampo ilegal, de onde se originou a Lava Jato. A cúpula da PF do Paraná, que na época negou o grampo, ocupa hoje postos chaves no ministério de Moro.

A mesma teoria da árvore envenenada que matou Satiagraha e Castelo de Areia vale para a Lava Jato. O resultado pode não ser o mesmo (anulação de toda a Operação), pois isso inocentaria Lula de cara em todos os processos. E contra Lula, já vimos, a lei é outra.

Mas é o que está posto na mesa e que vem a se juntar a toda a trama imunda que está sendo revelada pelas mensagens enviadas ao Intercept Brasil e que contam da parceria entre Moro e os procuradores da Lava Jato para ferrar Lula e o PT.




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