domingo, 22 de março de 2020

'Lavar as mãos', por Jaimão

Pilatos lava as mãos

Distribuição injusta dos esforços para combater o coronavírus reflete a assimetria social


Jaime Cardoso foi presidente da Nuclep nos governos Lula e Dilma. Mas para nós aqui no Rio de Janeiro, Jaime é o Jaimão, eterno lutador pelas causas sociais, que foi preso e torturado na ditadura, quando acabou enviado para o exterior em troca pelo embaixador Suíço sequestrado, e ativista em todas as campanhas políticas de esquerda.

Neste texto que me enviou pelo WhatsApp, revela sua preocupação, que até também minha e já a manifestei em vátias postagens por aqui, com o tratamento desigual das medidas de combate ao coronavírus.


Lavar as mãos

O governo anuncia medidas para combater o Coronavírus como se estivesse na Bélgica e esquece da Índia (a comparação já não é tão boa como quando a expressão Belíndia foi criada para definir o Brasil, mas o conceito continua bom - um pequeno território  rico em um continente de pobreza). Os governantes dão conselhos para o povo da Bélgica (e é preciso concordar que são bons conselhos), mas, usando a imagem da Belíndia, o que se pensa para nossa Índia? Ah, claro, esqueci da principal proposta para a parcela pobre: redução dos salários dos trabalhadores... Impostos progressivos sobre os ganhos dos milionários e dos arquimilionários nem pensar (mesmo como uma espécie de Imposto Solidário para o enfrentamento da crise). Sempre foi o problema da classe média e da elite brasileiras considerarem que o país acaba onde acabam seus bairros, seus lugares de férias, seus centros de consumo, seus interesses, seus usos e costumes. Para não perder o foco não cabe aqui discutir as questões estruturais que nos deixaram nesta situação extremamente frágil diante do tamanho da crise (a ponto de se pensar em penalizar ainda mais a nossa Índia). Nenhuma ação para comprometer parte (mesmo que pequena) da fortuna dos bilionários, com ações para além dos atos de caridade e do compromisso de alguns industriais de aumentar a produção de álcool em gel. Nenhuma confusão pretendo fazer aqui entre a  ideia de justiça social e a errônea ideia de um igualitarismo absoluto, mas sim com o fato de que, para superar a crise, os recursos e esforços deveriam ser minimamente proporcionais à concentração de riqueza. O governo, para combater o Coronavírus, segue a linha de falar mais para a nossa parcela belga - é um discurso, sem dúvida de esclarecimentos necessários, mas que não alcança os que, ficando em suas casas, estarão além de mais aglomerados também sem saneamento básico. Os apelos para o tipo de proteção que são feitos dificilmente alcançam o mar de pobreza onde está o nosso enclave belga, mas chegam seguramente aos que podem continuar a fazer o que sempre fizeram diante da desigualdade social (a segunda maior do mundo): lavar as mãos! - por Jaime Cardoso
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