O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, conhecido no exterior pelo nome de seu protagonista, Antonio das Mortes, deu a Glauber Rocha a Palma de Ouro de Melhor Diretor, em 1968.
Baseado na peça teatral do mesmo nome de Dias Gomes, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, de 1962, é o único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro de Cannes, num ano em que concorreu com Michelangelo Antonioni (O Eclipse), Luís Buñuel (O Anjo Exterminador), Robert Bresson (O Processo de Joana D'Arc), Pietro Germi (Divórcio à Italiana), Sidney Lumet (Longa Jornada Noite Adentro), Otto Preminger (Tempestade sobre Washington), Agnès Varda (Cléo das 5 às 7).
No Sábado com Cinema no Blog do Mello, dois filmes de Glauber Rocha. "Di, de Glauber" e "Deus e o Diabo na Terra do Sol".
Deus e o Diabo é hoje um clássico do cinema mundial, adorado por, entre outros, Martin Scorcese. Foi indicado na seleção dos Melhores Filmes do Festival de Cannes de 1964.
Di, é um curta de 1976. Polêmico e genial, como quase tudo o que Glauber produziu no cinema, o Di tem uma história que envolve meio que por acaso o Blog do Mello.
Conto. O filme Di tem imagens feitas no velório do grande pintor Di Cavalcanti e a família do pintor proibiu o filme, que teve apenas algumas exibições e depois ficou na geladeira.
- Era dia do aniversário de Glauber. Lembrei-me dele e do filme ["Di Cavalcanti Di Glauber"], de que gosto muito, e que há muito não assistia. Fui ao site do Tempo Glauber e o filme estava lá, como ainda está.
Foi
exatamente isso o que aconteceu e contei ao repórter Lúcio Flávio, do
Correio Braziliense, que me entrevistou sobre o assunto. Imediatamente
comecei a receber comentários via e-mail e por telefone. Gente que, como
eu, gostava do filme e não o assistia há tempos. Em
seguida, Elio Gaspari falou do filme e do blog em sua coluna, e a coisa
se espalhou. Até hoje ainda recebo pedidos de informação sobre o site e
o filme.(...)
Di de Glauber
No mês do 68° ano do
nascimento de Glauber Rocha, o blogueiro Antonio Mello
(blogdomello.blogspot.com) [repare que Gaspari linkou o blog, coisa que
infelizmente não se vê na mídia corporativa] botou na internet o genial documentário de 20
minutos que o cineasta rodou no funeral do pintor Di Cavalcanti, em
1976.
A peça delirante e ególatra de Glauber foi censurada por
iniciativa da família de Di. Muito provavelmente o desconforto se deveu à
filmagem do rosto macerado do pintor no caixão, cena realmente
chocante.
A qualidade do vídeo não é grande coisa [é que o
arquivo era em extensão wmv com tamanho 320 por 240...] mas, mesmo
assim, mostra uma das obras mais representativas da cabeça de Glauber.
O cineasta baiano morreu em 1981, aos 42 anos. [Coluna do Gaspari de 18 de março de 2007]
Aliás, na reportagem de Lúcio Flávio, publicada no Correio Braziliense e no Diário Catarinense,
João Rocha, que é sobrinho de Glauber e diretor de relações
institucionais do Templo Glauber, afirma que já foram feitos milhares de
downloads do Di.
Nessa mesma reportagem ficamos sabendo também que após 30 anos o
filme está finalmente liberado, o que não deixa de ser mais uma prova do
poder da internet:
-
A família do Di, ciente de tudo, se calou diante da situação. A
reportagem tentou contatos com a família do pintor, sem sucesso. Segundo
a secretária particular de Elizabeth Di Cavalcanti, a família encara
como encerrado o episódio sobre o filme, não pronunciando qualquer nota.