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Peritos confirmam que é falsa a ficha de Dilma que Folha usou em reporcagem

Dois peritos independentes, pagos pela ministra Dilma Rousseff, chegaram à mesma conclusão: a ficha que a Folha publicou em destaque em sua primeira página de domingo, dia 5 de abril, é falsa.

Um dos laudos foi “produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha concluiu”:

"O objeto deste laudo foi digitalmente fabricado, assim como as demais imagens aqui consideradas. A foto foi recortada e colada de uma outra fonte, o texto foi posteriormente adicionado digitalmente e é improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais".

Um outro laudo foi “produzido pelo perito Antonio Nuno de Castro Santa Rosa da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), ligada à UnB (Universidade de Brasília), chega às mesmas conclusões”.

A ministra exige agora que a Folha faça o que já deveria ter feito há muito tempo:

Diante da prova técnica da falsidade do documento, solicito providências no sentido de que seja prestada informação clara e precisa acerca da "ficha" fraudulenta, nas mesmas condições editoriais de publicação da matéria por meio da qual ela foi amplamente divulgada, em 5 de abril de 2009.

Ou seja, o desmentido deve ser feito no alto da primeira página de domingo, com o mesmo destaque que a reporcagem teve à época.

A reportagem completa está na Folha, aqui, para assinantes.

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Sugestão de spam para a primeira página da Folha de domingo

Já que a Folha gosta de reproduzir spam em sua primeira página aos domingos, eis aqui minha sugestão.



Recebi esta mensagem, que tenta se aproveitar da curiosidade mórbida de algumas pessoas e dessa verdadeira pandemia de informação suína da mídia porcorativa mundial que tenta nos paralisar com alguns espirros, mexicanos mascarados, declaração de Serra de que é só não chegar perto dos porquinhos para não se emporcalhar, e menos de 20 mortes confirmadas pela tal gripe que nos vai matar a todos, se não agora, pelo menos um dia.

Repare que o criador do spam simula enviar matéria do G1 (portal de notícias das Organizações Globo), via Globo.com.

Então, Folha? É de PIG para PIG, sobre pigs. Para quem já publicou uma ficha falsa da ministra Dilma, recebida via e-mail espalhado pela rede por grupos que assumidamente defendem a ditadura de 1964, conforme mostrei aqui em Folha assume que fez reporcagem sobre Dilma com material de um spam.

Pelo menos não difama ninguém, como aconteceu no caso da Dilma (aliás, ministra, que tal processar a Folha para testarmos como está o país sem a Lei de Imprensa?), e o único vírus transmitido é o da desinformação – matéria-prima da Folha da ditabranda.

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Dilma enviou carta à Folha denunciando reporcagem. Não foi publicada

O Blog do Nassif publicou uma carta que teria sido enviada pela ministra Dilma Rousseff ao ombudsman da Folha, com críticas às reporcagens da Folha sobre ela.

A verdade é que a ministra seguiu apenas o protocolo, porque o cargo de ombudsman da Folha ficou desmoralizado após a demissão de Mário Magalhães (por sinal, cadê nossa mídia preguiçooooosa que não o entrevista?), que criticava semanalmente o diário dos Frias.

De qualquer modo, Dilma não deixa pedra sobre pedra. Fica no ar a possibilidade de um processo contra o jornal e a reporca, Fernanda Odilla, autora da reporcagem.

Talvez tenha vindo dessa possibilidade o pedido envergonhado de desculpas feito pela Folha, que, além do mais, nem foi publicado no local correto: com o mesmo destaque da reporcagem, na primeira página, alto, lateral esquerda, de um domingo.

Daí a importância de uma Lei de Imprensa, que a mídia porcorativa quer ver morta.

Leia a carta de Dilma:

De Dilma Rousseff

Senhor Jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsmann da Folha de São Paulo,

1. Em 30/03/2009, a jornalista Fernanda Odilla entrevistou-me, por telefone, a pedido do chefe de redação da Folha de São Paulo, em Brasília, Melchíades Filho, acerca das minhas atividades na resistência à ditadura militar.

2. Naquela ocasião ela me informou que para a realização da matéria jornalística, que foi publicada dia 05/04/09, tinha estado no Superior Tribunal Militar – STM. No entanto, eu soube posteriormente que, com o argumento de pesquisar sobre o Sr. Antonio Espinosa, do qual detinha autorização expressa para tal , aproveitara a oportunidade e pesquisara informações sobre os meus processos, retirando cópias de documentos que diziam respeito exclusivamente a mim, sem a minha devida autorização

3. A repórter esteve também no Arquivo Público de São Paulo, onde requereu pesquisa nos documentos e processos que me mencionavam, relativos ao período em que militei na resistência à ditadura militar. Neste caso, é política do Arquivo de São Paulo disponibilizar livremente todos os dados arquivados e, em caso de fotocópia, autenticar a cópia no verso com os dizeres “confere com o original”, com a data e a assinatura do funcionário responsável pela liberação do documento.

4. Os documentos pesquisados pela jornalista foram aqueles relativos ao Prontuário nº 76.346 e as OSs 0975 e 0029, sendo também solicitadas extrações de cópias.

5. Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30/03 sobre minha participação ou meu conhecimento do suposto seqüestro de Delfim Neto, a matéria publicada tinha como título de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro do Delfim”. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de “factóide”, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha de São Paulo.

6. O mais grave é que o jornal Folha de São Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br (“terrorismo nunca mais”), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.

7. Após a publicação, questionei por inúmeras vezes a Folha de São Paulo sobre a origem de tal ficha, especificamente o Sr. Melchiades Filho, diretor da sucursal de Brasília. Ele me informou que a jornalista Fernanda Odilla havia obtido a cópia da ficha em processo arquivado no DEOPS – Arquivo Público de São Paulo. Ficou de enviar-me a prova.

8. Como isso não aconteceu, solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 05/04/2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de São Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos.

9. Mais estranho ainda é que a legenda da ficha publicada pela Folha dizia: “Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu”. Ora, se a Folha sabia que os chamados crimes atribuídos a mim não foram por mim cometidos, por que publicar a ficha? Se optasse pela publicação, como ocorreu, por que não informar ao leitor de onde vinha a certeza da falsidade? Se esta certeza decorria de investigações específicas realizadas pela Folha, por que não informar ao leitor os fatos?

10. O Arquivo Público de São Paulo também disponibilizou cópia do termo de compromisso assinado pela jornalista quando de sua pesquisa, ficando evidente que a repórter não teve acesso a nenhum processo que tivesse qualquer ficha igual à publicada no jornal.

11. Mais ainda: a referida não existe em nenhum dos arquivos pesquisados pela jornalista, seja o STM, seja o Arquivo Público de São Paulo. O fato é que até o momento a Folha de São Paulo não conseguiu demonstrar efetivamente a origem do documento.

12. Considero ainda que a matéria publicada na sexta-feira,17 de março, em que a Folha relata as minhas declarações ao jornalista Eduardo Costa, da rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, não esclarece o cerne da questão sobre a responsabilidade do jornal no lamentável e até agora estranho episódio: de onde veio a ficha que afirmo ser falsa?

13. Após 21 dias de espera, não acredito ser necessária uma grande investigação para responder à seguintes questões: em que órgão público a Folha de São Paulo obteve a ficha falsa? A quem interessa essa manipulação? Parece-me óbvio que a certeza sobre a origem de documentos publicados como oficiais é um pré-requisito para qualquer publicação responsável.

14. Transcrevo abaixo o texto literal do termo de responsabilidade assinado pela jornalista em 22/01/09:

“Declaro, para todos os fins de Direito, assumir plena e exclusiva responsabilidade, no âmbito civil e criminal, por quaisquer danos morais ou materiais que possa causar a terceiros a divulgação de informações contidas em documentos por mim examinados e a que eu tenha dado causa. Ficam, portanto, o Governo do Estado de São Paulo e o Arquivo do Estado de São Paulo exonerados de qualquer responsabilidade relativa a esta minha solicitação.
Declaro, ainda, estar ciente da legislação em vigor atinente ao uso de documentos públicos, em especial com relação aos artigos 138 e 145 (calúnia, injúria e difamação) do Código Penal Brasileiro.
Assumo, finalmente, o compromisso de citar a fonte dos documentos (Arquivo do Estado de São Paulo) nos casos de divulgação por qualquer meio (imprensa escrita, radiofônica ou televisiva, internet, livros, teses, etc).” (Cópia em anexo)

15. Por último, cabe deixar claro que a ficha falsa foi divulgada em vários sites de extrema direita, como: a) Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), blog de apoio ao Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, ficha falsa postada em 30 de novembro de 2008; b) Coturno Noturno – Blog do Coronel: ficha falsa postada em 27 de março de 2009 (a ficha está “atualizada” apresentando uma foto atual) (http://coturnonoturno.blogspot.com/2009/04/desta-parte-dilma-lembra-tudo.html). A partir daí, outros sites na internet também divulgaram a ficha: a) http://fórum.hardmob.com.Br/showthread.php; b) http:/www.viomundo.com.Br/blog/dilma-terrorista/

16. Estou anexando a este memorial cópia de alguns documentos que considero importantes para sua avaliação:
➢
Termo de responsabilidade assinado pela jornalista no Arquivo de SP;
➢
Cópia de fichas onde consta a foto (ou idêntica) à utilizada para montagem da ficha usada pela Folha de São Paulo
➢
Cópia da solicitação da jornalista Fernanda Odilla ao STM de acesso a informações sobre Antonio Espinosa
➢
Autorização do Sr. Antonio Espinosa para acesso aos seus documentos
➢
Termo de Compromisso assinado pela jornalista Fernanda Odilla junto ao STM.

Espero que a ministra processe reporca e jornal e dê o pontapé inicial numa nova relação entre o governo e o PIG.

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Reporcagem da Folha sobre Dilma ‘não foi erro, foi fraude’


O inferno da Folha continua...

Quando publicou a reporcagem sobre o tal sequestro de Delfim Netto (que nunca houve), a Folha queria atingir dois objetivos: mostrar que Dilma era uma “terrorista” (você entregaria o governo na mão de uma?) e fustigar os que combateram a ditadura, que para a Folha e Pinochet (veja vídeo acima) foi ditabranda.

A jornalista Sylvia Moretzsohn, que também é professora da Universidade Federal Fluminense e autora de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007), escreveu o seguinte artigo, publicado no Observatório da Imprensa, onde mostra que o erramos da Folha significa fraudamos:

Quando o "erramos" pretende encobrir a fraude
Por Sylvia Moretzsohn em 28/4/2009

A controvérsia iniciada pela Folha de S.Paulo em 5 de abril, com a extensa matéria que vinculava a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao planejamento do sequestro do então ministro Delfim Netto, em 1969, atingiu um novo patamar com o texto publicado sábado (25/4). O título, oblíquo, dissimula: "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada". Ali o jornal – em matéria enviada pela sucursal do Rio, e não produzida na sede – reconhece dois "erros": o crédito, como "Arquivo [do] Dops", dado à reprodução de um documento que, na verdade, fora enviado por e-mail à repórter, e o fato de haver tratado como autêntica uma ficha cuja origem não podia comprovar.

Este Observatório reagiu com agilidade à matéria, acusando no dia seguinte o "erramos envergonhado" e afirmando: "Folha publicou ficha falsa de Dilma". No entanto, errou, também, duplamente: primeiro, ao dizer que o jornal havia reconhecido ser "falsa" a tal ficha; segundo, e mais importante, ao tratar como "erro" algo que é evidentemente uma fraude. Delimitar com clareza a distinção entre uma coisa e outra é fundamental para uma crítica justa, dadas as implicações – jurídicas, inclusive – que cada uma dessas práticas importa.

As diferenças entre erro e fraude

Erro, como se sabe, é algo casual, involuntário, que "acontece". Pode ser banal e irrelevante, pode ser grave, gravíssimo e produzir consequências catastróficas, pode resultar de incompetência ou de informações insuficientes, mas será sempre um acidente. É, como se costuma dizer, uma característica da espécie humana. No caso do jornalismo, o ritmo sempre acelerado de produção, aliado ao irracionalismo que domina a competitividade na era do "tempo real", costumam ser a principal justificativa – quando não a desculpa – para os erros que se multiplicam no noticiário cotidiano. Foi um erro, por exemplo, o anúncio da queda do avião da Pantanal em São Paulo, em maio do ano passado; foi um erro assumir como verdadeira a denúncia da brasileira que teria sido torturada por skinheads na Suíça.

Não é o caso dessa história sobre a ficha da ministra: desde sempre, a Folha sabia da origem do documento e também sabia que não havia confirmado sua autenticidade. No entanto, vendeu-o como fidedigno e falseou a fonte. Não apenas no minúsculo "Arquivo Dops" que aparece como crédito, mas no escancarado FICHA DE DILMA ROUSSEFF NO DOPS, menor apenas que o título da chamada de capa da edição de 5 de abril.

Obrigada a recuar, diante das investigações realizadas por iniciativa da própria Casa Civil, que demonstraram a inexistência daquele modelo de ficha no Arquivo Público de São Paulo, e da carta que a ministra escreveu ao ombudsman, a Folha optou pelo contorcionismo verbal – para não dizer ético – e acusou um singelo "erro técnico" na classificação dos documentos utilizados para a reportagem, que teria originado a identificação equivocada da fonte.

É verossímil que uma reportagem que custou quatro meses de pesquisa – segundo artigo neste mesmo Observatório ["Uma releitura da Folha e da fonte", em 8/4] – possa descurar de algo tão elementar como a catalogação correta daquela ficha?

Pérola de cinismo

Já muito se especulou sobre as intenções dessa reportagem. É muito óbvio que, se o jornal estivesse comprometido com o nobre propósito de zelar pela "memória da ditadura", não teria qualquer motivo para explorar a figura da ministra: afinal, todas as informações sobre o planejamento do sequestro-que-não-houve foram dadas por Antonio Espinosa, o comandante militar da organização guerrilheira. Como argumentou o ombudsman em sua primeira crítica sobre a matéria, o correto seria utilizar como ilustração a ficha de Espinosa.

Mas quem conhece Espinosa?

Por outro lado, quem desconhece Dilma?

Então é muito óbvio: a título de "memória da ditadura", o jornal alardeia, jogando com o tamanho das letras: "Grupo de DILMA planejou sequestro de DELFIM NETTO". E "ilustra" a chamada com a reprodução da tal ficha policial.

É óbvio demais: a publicação de fotos ou cópias de documentos só se justifica como comprovação de fatos. Por isso, precisam ser fidedignos. Porém a Folha decidiu publicar um documento cuja origem desconhece e que "está circulando há mais de um ano pela internet". Entretanto, só nos diz isso agora, desculpando-se pelo "erro", que nem foi tão grave assim: afinal, a autenticidade "não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada".

Esta pérola de cinismo – esse cinismo que campeia nas redações e que exige de todos os que vivem ou passaram por essa experiência um estômago de avestruz para discutir a sério tais argumentos –, esta pérola de cinismo tem, no entanto, efeito oposto ao pretendido: só ajuda a escancarar a fraude, que induz o público a erro e o leva a duvidar do jornal que lê.

Testando hipóteses

Todo mundo sabe que o principal capital de um jornal é a sua credibilidade. Todo mundo sabe que vender gato por lebre é fraude. Nem se fale do ponto de vista ético, mas dos interesses mais comezinhos de sobrevivência, que orientam qualquer comerciante em seus cálculos. Por isso, o espanto: sabendo que seria inevitável a descoberta da fraude, como foi possível tamanha irresponsabilidade?

Talvez a resposta esteja na já famosa teoria do teste de hipóteses, como observaram aqui mesmo, em comentário, o professor Samuel Lima e, em seu blog, o jornalista Luiz Carlos Azenha: a Folha estaria apenas testando a hipótese da autenticidade do documento – bem de acordo, aliás, com outra hipótese, tão cara ao "jornalismo colaborativo", de publicar primeiro e confirmar depois. De minha parte, sugiro outras duas. A primeira (da matéria original): a principal fonte implicada, uma ministra de Estado, não iria correr atrás da informação; a segunda (do atual "erramos"): o público é idiota.

Tão idiota que nem deve ter notado a ausência de um mísero registro desse "erramos" na capa, como seria compatível com um mínimo critério de proporcionalidade. Tão idiota que pode, por isso mesmo, ser convencido de que a autorregulação é mesmo o melhor caminho para a garantia de uma imprensa livre, democrática e responsável. Tão idiota que não deve achar necessário o esclarecimento cabal desse escândalo.

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Ditabranda abriu a caixa de Pandora da Folha

Depois que tentou se autoindultar, transformando em ditabranda a ditadura que serviu, a Folha deixou aberta a caixa de Pandora e todos os seus podres parecem vir à tona de uma vez.

A reclamação começou de dentro, quando Editor da Folha critica jornal:‘Ditabranda é demais’.

Depois, ficou claro que a Defesa da ditadura é tradição de pai para filho na Folha.

Vem a denúncia da jornalista Rose Nogueira: Torturada pela ‘ditabranda’, demitida pela Folha por abandono de emprego.

Em seguida, o ato contra a ditabranda, comandado pelo presidente do Movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães, que obteve grande repercussão na blogosfera e obrigou o diretor de Redação da Folha a retratar-se: Mais uma vitória da blogosfera: Herdeiro da Folha reconhece que ‘ditabranda’ foi um erro.

Só que nesse reconhecimento, Frias voltou a pisar na bola, quando ainda insistiu em acusar o professor Fábio Konder Comparato de nunca haver criticado o governo cubano.

Foi desmentido pelo próprio jornal, pois o professor havia criticado o regime cubano na própria Folha: Folha errou de novo: Comparato criticou governo cubano.

Na sabatina que realizou com o presidente do STF, Gilmar Mendes, nova bola fora. Sabatina da Folha: Perguntas que não foram feitas.

Aí vem o “caso Dilma”. A Folha chama guerrilheiros que combateram a ditadura de terroristas, usando jargão dos ditadores. Para Folha, terrorista não era a ditadura, mas quem a combatia.

Além de chamar a ministra de chefe de organização terrorista, o jornal fez uma reporcagem sobre um pseudofato (o suposto sequestro que seria feito de Delfim Netto), negado de forma veemente por Dilma.

Para piorar as coisas, a fonte da jornalista – o também jornalista Antonio Roberto Espinosa - enviou uma carta ao Painel dos leitores da Folha (carta esta que não foi publicada) e a distribuiu pela internet, sendo reproduzida em vários sites e blogs.

A Folha teve que se retratar novamente. Folha reconhece erro em reporcagem sobre Dilma.

Vem a manipulação de uma manchete na Folha Online em Para quem ainda não acredita na existência do PIG:

A manchete das 11h16 na Folha Online ontem era esta: “Março registra criação de quase 35 mil vagas com carteira assinada”. Não durou meia hora. Estava muito favorável ao governo, e isto, na Folha, não pooode. O editor foi lá e transformou em: “Emprego formal tem pior trimestre desde 1999, mas melhora em março”. A matéria era a mesma, trocaram apenas a mosca.

A situação se agrava. Dilma: ‘A ficha [publicada na Folha] é falsa, é uma montagem’. A Folha diz que vai averiguar e depois confessa: Folha assume que fez reporcagem sobre Dilma com material de um spam.

Em seguida, ficamos sabendo quem foi a fonte da tal ficha de Dilma: Dr. Asdrúbal, torturador e assassino, foi fonte da Folha.

Acabou? Não. Ontem o Portal Vermelho publicou uma entrevista com um ex-preso político, o jornalista e escritor Rui Veiga, que afirmou categoricamente que um repórter da Folha era setorista no Dops.

O Dops, no período, tinha na linha de frente o delegado Sérgio Paranho Fleury, ex-líder do Esquadrão da Morte e um dos torturadores mais frios e truculentos do regime. “Para me pressionar, ele (José Ramos [o tal jornalista do Grupo Folha]) dizia: “Quem vai te pegar é o Fleury”, conta Veiga.

O que mais virá pela frente?

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Dr. Asdrúbal, torturador e assassino, foi fonte da Folha

O porcalismo não tem jeito. Enfia o focinho na lama, deita e rola nela para produzir suas reporcagens.

Enquanto o mundo, com razão, preocupa-se com a gripe suína, aqui no Brasil a mídia suína faz estragos e segue com seu porcalismo de resultados. Mas, com a internet, o Pig não vai longe, porque sempre vemos seu rabinho encaracolado à mostra.

Acabei de ler no PHA, mais uma carta do jornalista Antonio Roberto Espinosa (aquele que deu a entrevista que foi totalmente manipulada, distorcida, falsificada) criticando a Folha. Agora sobre a desculpa envergonhada, quando a Folha reconheceu que a reprodução de um documento publicado na reporcagem originou-se de um spam. Desculpa safada que nem foi publicada na primeira página – como a matéria de origem – o que mostra a importância de uma Lei de Imprensa para nos proteger da gripe suína do PIG.

Na carta, ficamos sabendo que o primeiro a divulgar a ficha falsa foi “o coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá”.

São os torturadores da “ditabranda” servindo de fonte para a Folha. É um flagrante do PIG (Partido da Imprensa Golpista) se chafurdando na lama para fazer suas reporcagens.

Leia a carta de Espinosa e veja como se proteger dessa mais grave gripe suína, a que vem do PIG:

Osasco, 25 de abril de 2009
Ao
Ombudsman
Jornal Folha de S. Paulo

Prezado jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva,

As circunstâncias (no caso a matéria “Autenticidade de ficha de Dilma não é provada”, da Folha de 25/4/2009, pág. A 12) obrigam-me a escrever-lhe novamente, solicitando outro pronunciamento seu a respeito da qualidade de reportagens e edição do seu jornal. Acabei de enviar carta ao Painel do Leitor, que lhe reencaminharei, por outro e-mail, a seguir, a qual suponho que não será publicada graças a novas desculpas burocráticas.
Curiosamente a matéria de 5 de abril foi produzida pela Sucursal de Brasília e a meia-retratação da edição de hoje foi realizada pela Sucursal do Rio. Não entendi as razões pelas quais não foi a própria autora do erro a se retratar, mas outra sucursal. Também não entendi por que, se era o caso de submeter o caso a outro organismo da Folha, não foi ela realizada pelo próprio editor do jornal, o senhor Octavio Frias Filho, ou no mínimo, a redação de São Paulo (sede do jornal e também sede do Dops paulista, que, supostamente, teria produzido a ficha da atual ministra-chefe da Casa Civil).
Quanto mais mexe mais fede, diz um ditado popular. E, quanto mais se envolve no não-fato de quarenta anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim Netto), mais a Folha se enrola e atrapalha. Seguem 10 considerações, para sua apreciação:
1) O título da matéria é um primor de ambigüidade: “Autenticidade” da ficha “não é provada”. Ou seja, é falsa ou não?
2) O título insinua que, no futuro, pode ser descoberta a autenticidade da ficha, ou seja, que Dilma seria mesmo procurada pelo Dops e DOI-Codi por supostamente ter participado de ações como a execução do capitão americano Chandler (CIA e ex-integrante da invasão ao Vietnã). Mesmo nesse caso, ainda que fosse procurada por sua suposta participação, isso não quer dizer que tenha participado, fato aliás jamais mencionado em qualquer investigação ou processo. A verdade é que Dilma não participou, nem poderia (pois era membro de outra organização e residia em outro Estado), de qualquer daquelas ações;
3) A repressão no início da década de 70 (Operação Bandeirantes, DOI-Codi e Dops) era tudo, violenta, arbitrária, torturadora, cruel, cínica, mas não era imbecil. Isto é, não perderia tempo fazendo insinuações ou acusações falsas, pois era objetiva e tinha um papel a cumprir em favor do regime de exceção. Naquele período, a repressão não produzia fichas desse tipo, e não teria porque fazê-lo em relação a Dilma, que era uma simples militante sem participação em ações armadas;
4) A ficha citada, na verdade, foi produzida recentemente por quadros que, na época da ditadura, eram subalternos, faziam o trabalho sujo dos porões. Hoje já estão aposentados mas se sentem como os heróis do regime de terror e preparam armadilhas com o objetivo de desestabilizar uma virtual candidatura presidencial da atual ministra Dilma. Eu e alguns amigos fizemos uma pesquisa amadora na Internet e descobrimos que o primeiro a divulgar a ficha falsa, e seu provável autor, é o hoje coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá. A seguir foi reproduzida por dois dos mais conhecidos blogs da direita mais reacionária, também alimentado por quadros subalternos do regime militar, o Ternuma, do notório coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o A verdade sufocada – As histórias que a esquerda não quer contar, também mantido por sargentos e oficiais de baixo escalão dos porões;
5) O que é realmente estranho é que a Folha de S. Paulo, um jornal tão preocupado com os critérios burocráticos e as formalidades da apuração dos fatos, tenha acreditado e publicado, assim dando repercussão nacional, uma ficha falsa, oriunda de fontes tão suspeitas. Por isso talvez seja lícito que se indague a respeito das conexões da Sucursal de Brasília com remanescentes dos antigos, e felizmente superados, porões do regime militar;
6) No lead da meia-retratação feita pela Sucursal do Rio, está dito que “Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar”. Chocante que a Folha volte a utilizar uma expressão, “terroristas”, estampada na época nos cartazes de “procurados” e na propaganda contrarrevolucionária do SNI e organismos da repressão;
7) Do ponto de vista da boa teoria liberal, esposada pela Folha, o direito à rebelião contra a tirania é legítimo e um dever dos cidadãos. A rigor, terroristas, ou ao menos, terroristas primários, ou causadores da reação armada de setores populares, na verdade seriam os autores do golpe de força de 1964 e os signatários do Ato Institucional número 5, que romperam com a soberania popular, a legitimidade eleitoral e o Estado de Direito. Chocante também o jogo de palavras num espaço nobre da matéria, em que são repetidas as insinuações contra a ministra;
8) No primeiro parágrafo da segunda coluna da meia-retratação está escrito literalmente que “A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano de seqüestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele”;
9) Novamente a mesma argumentação da repórter e da Sucursal de Brasília é agora reiterada pela Sucursal do Rio. Nas cartas anteriores, esclareci que informação política é diferente de informação factual, distinção que V.Sa. revelou compreender perfeitamente na sua coluna de 12/4/2009. Entretanto, a Folha voltou a bater na mesma tecla. E, como ex-comandante nacional da VAR-Palmares e responsável pelo setor militar da organização, sou obrigado a repetir uma vez mais (e até quando terei que fazê-lo?) que Dilma, no que é de meu conhecimento, jamais participou de ações armadas e não teria como saber que o Regional de São Paulo, de fato, estudava a viabilidade do seqüestro do então ministro. De resto, esse tipo de informação jamais seria prestada com esse simplismo temerário mesmo ao comando nacional;
10) Da mesma forma que a repórter Fernanda Odilla, em resposta a minha carta, em 8/4/2009, agora a Sucursal do Rio, também garante que a Folha dispõe das gravações de minhas entrevistas. Essas entrevistas por acaso são secretas? Constituem um segredo jornalístico, inexpugnável e à prova dos leitores? Por que a Folha insiste em dizer que tem mas não publica as entrevistas? Eu já estou cansado de desafiar o jornal a fazê-lo. Na sua coluna de 12/4/2009, V.Sa. também informou ter sugerido à Redação que as publicasse, ainda que na Folhaonline, e reiterou sua sugestão. Além dos arquivos secretos da ditadura, temos agora também as entrevistas secretas da Folha de S. Paulo, que são uma arma da Redação contra suas fontes, os leitores e a verdade?
São essas as considerações que tinha a fazer e que embasam minha solicitação para que V.Sa. volte a tratar do assunto na sua coluna de amanhã. Creio que, além das questões técnicas da produção jornalística, estamos tratando também de uma conspiração contra a verdade, a boa informação, a boa fé dos leitores e a democracia.
Muito obrigado
Antonio Roberto Espinosa

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Folha assume que fez reporcagem sobre Dilma com material de um spam

Sabe aquele spam que corre a internet há vários meses, que diz que Dilma Roussef roubou, matou, sequestrou, derrubou a casa dos Três Porquinhos, deu a maçã envenenada para a Branca de Neve e maltratou a Cinderela? Pois é, foi a ficha fake de Dilma que ilustrava o spam que a Folha usou em sua reporcagem, com reprodução até na primeira página.

É o porcalismo de resultados em ação. Tudo ali era fake. A reporcagem dizia que grupo de Dilma iria sequestrar Delfim Netto, à época ministro da ditadura. O sequestro não houve, Dilma nunca soube dele, nem de várias das outras acusações contidas na até o momento mais forte candidata a Reporcagem do Ano (pau a pau com a de O Globo sobre Brizola).

Hoje a Folha publica um mea culpa compriiiido (mas em página interna. Deveria publicar na primeira página, e com o mesmo destaque que deu à reporcagem), que pode ser resumido assim: a reporcagem é falsa, errada da cabeça aos pés, baseada em informações de um spam distribuído por grupos que assumidamente defendem a ditadura de 1964 e se dizem combatentes do terrorismo, quando terroristas são eles, que derrubaram um governo legitimamente eleito, sequestraram, torturaram, mataram, censuraram, colocaram o país nas trevas durante 20 anos.

Eis o texto da Folha, um verdadeiro FEBEAPES (Festival de Besteiras Assumidas Para Eleger Serra):

Autenticidade de ficha de Dilma não é provada
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil
Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar

DA SUCURSAL DO RIO
A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto".
Internamente, foi editada junto com entrevista da ministra sobre sua militância na juventude. Sob a imagem, uma legenda ressaltou a incorreção dos crimes relacionados: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".
O foco da reportagem não era a ficha, mas o plano de sequestro em 1969 do então ministro Delfim Netto (Fazenda) pela organização guerrilheira à qual a ministra pertencia, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Ela afirma que desconhecia o plano.
Em carta enviada ao ombudsman da Folha anteontem, Dilma escreve: "Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (...) a matéria publicada tinha como título de capa "Grupo de Dilma planejou sequestro do Delfim". O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de "factóide", uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu. Tal procedimento não parece ser o padrão da Folha."
A reportagem da Folha se baseou em entrevista gravada de Antonio Roberto Espinosa, ex-dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares, que assumiu ter coordenado o plano do sequestro do ex-ministro e dito que a direção da organização tinha conhecimento dele.
Três dias depois da publicação da reportagem, Dilma telefonou à Folha pedindo detalhes da ficha. Dizia desconfiar de que os arquivos oficiais da ditadura poderiam estar sendo manipulados ou falsificados.
O jornal imediatamente destacou repórteres para esclarecer o caso. A reportagem voltou ao Arquivo Público do Estado de São Paulo, que guarda os documentos do Dops. O acervo, porém, foi fechado para consulta porque a Casa Civil havia encomendado uma varredura nas pastas. A Folha só teve acesso de novo aos papéis cinco dias depois.
No dia 17, a ministra afirmou à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, que a ficha é uma "manipulação recente".
Na carta que enviou ao ombudsman, Dilma escreveu: "Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos."
A ministra escreveu ainda: "O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa."
Fontes
Dilma integrou organizações de oposição aos governos militares, entre as quais a VAR-Palmares, um dos principais grupos da luta armada. A ministra não participou, no entanto, das ações descritas na ficha. "Nunca fiz uma ação armada", disse na entrevista à Folha de 5 de abril. Devido à militância, foi presa e torturada.
Na apuração da reportagem do dia 5, o jornal obteve centenas de documentos com fontes diversas: Superior Tribunal Militar, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Público Mineiro, ex-militantes da luta armada e ex-funcionários de órgãos de segurança que combateram a guerrilha.
Ao classificar a origem de cada documento, o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome "Arquivo de SP", quando era originária de e-mail enviado à repórter por uma fonte.
No arquivo paulista está o acervo do antigo Dops, sigla que teve vários significados, dos quais o mais marcante foi Departamento de Ordem Política e Social. Na ditadura, era a polícia política estadual.
Entre as imagens reproduzidas pelo arquivo, a pedido da Folha, não estava a ficha. "Essa ficha não existe no acervo", diz o coordenador do arquivo, Carlos de Almeida Prado Bacellar. "Nem essa ficha nem nenhuma outra ficha de outra pessoa com esse modelo. Esse modelo de ficha a gente não conhece."

Definitivamente, tanto erro assim não pode ser casual, você não acha?

Registro aqui que se a Folha tivesse lido o blog do jornalista Celso Lungaretti, poderia ter evitado esses erros (se é que os pretendia evitar). Pois assim que o spam infame começou a circular, Lungaretti registrou em seu blog, ainda em novembro, em título premonitório:Ficha da ditadura é munição para ataque virtual a Dilma Rousseff.

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Dilma: ‘A ficha [publicada na Folha] é falsa, é uma montagem’

Ficha de Dilma reproduzida na Folha

A ministra Dilma Rousseff afirmou ontem em entrevista a uma rádio de Belo Horizonte que a ficha reproduzida (veja imagem acima) na reportagem da Folha sobre ela (criticada aqui em Folha reconhece erro em reporcagem sobre Dilma) “é falsa, é uma montagem”. A informação está na própria Folha de hoje, em reportagem de Paulo Peixoto, da Agência Folha, em Belo Horizonte.

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) questionou a autenticidade de um dos documentos referentes à sua prisão pelo regime militar publicado, com outros quatro, em reportagem da Folha no último dia 5. Segundo a ministra, a ficha em que ela aparece qualificada como "terrorista/assaltante de bancos" e da qual consta o carimbo "capturado" sobre a sua foto é uma "manipulação recente". Dilma disse que o documento não consta dos arquivos em que ela mandou pesquisar. "A ficha é falsa, é uma montagem. (...) Estou, atualmente, numa discussão, tentando ver com a Folha de S.Paulo de onde eles tiraram aquela ficha, porque até agora ela não está em nenhum dos arquivos que pelo menos nós olhamos. Então, ela não é produto nem daquela época, ela é produto recente, manipulado, de órgãos ou de interesses escusos daqueles que praticaram esses atos no passado", disse a ministra em entrevista à radio Itatiaia, de Belo Horizonte. Ex-integrante do movimento VAR-Palmares, adepto da luta armada contra a ditadura, Dilma negou participação em ações criminosas realizadas em São Paulo e atribuídas a ela na ficha. "Eu nunca militei em São Paulo nesse período que eles relatam na ficha. Eu morava em Minas. Tem datas aí [na ficha], de 1968, que eu não só morava aí [em BH] como estudava na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Tinha endereço certo e sabido." Na sua reportagem, a Folha informava, na legenda sob a reprodução do documento, que a ministra não havia cometido crimes a ela imputados. Dilma disse ainda que, embora tenha ficado presa por seis anos, "infelizmente ou felizmente", nunca foi julgada por participação em ações armadas. "Nunca fui julgada por nenhuma ação armada ou por um assalto a banco, porque as minhas circunstâncias foram essas, não os cometi." A ministra disse que a ficha "cumpre uma função similar àquela da pergunta que me foi feita no Senado", referindo-se ao questionamento que lhe fizera o senador Agripino Maia (DEM-RN), em maio de 2008, sobre ela ter mentido em seus depoimentos durante os interrogatórios no regime militar. Na ocasião, Dilma respondeu: "Não é possível supor que se dialogue no choque elétrico, no pau-de-arara. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia".
Senado
Ontem, após recordar o episódio do Senado, ela disse: "A minha situação fica bastante desagradável para aqueles que defendem ou que houve ditadura branda no Brasil ou que no Brasil havia uma regularidade, naquele período, democrática. Nem uma coisa nem outra. Naquela época se torturava, se matou, se prendeu". Ao falar em "ditadura branda", Dilma fazia alusão também ao termo "ditabranda", empregado recentemente em editorial da Folha, que o jornal reconheceu ter sido inapropriado, reafirmando seu repúdio a qualquer ditadura, de direita ou de esquerda. Dilma completou: "Muitas vezes as pessoas eram perseguidas e mortas... E presas por crime de opinião e de organização, não necessariamente por ações armadas. O meu caso não é de ação armada. O meu caso foi de crime de organização e de opinião, que é, vamos dizer assim, a excrescência das excrescências da ditadura".
Nota da Redação - Tão logo a ministra colocou em dúvida a autenticidade de uma das reproduções publicadas, a Folha escalou repórteres para esclarecer o caso e publicará o resultado dessa apuração numa próxima edição.

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