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O caso da menina Isabella

O caso do brutal assassinato da menina Isabella atrai as atenções do Brasil. E uma coisa que salta aos olhos é a incompetência com que a investigação vem sendo conduzida. Logo de cara saíram afirmando que o pai era o culpado, no outro dia já afirmavam que havia manchas de sangue no carro, no elevador do prédio, no corredor, na maçaneta, nas roupas do pai que estariam no apartamento da irmã, que fica no mesmo andar. Tudo furado. As manchas não eram de sangue e as roupas não eram do pai de Isabella, mas de pedreiros que faziam trabalho no apartamento vazio da irmã.

Eu, como não sou policial, penso o seguinte: matar, esganar uma criança de cinco anos é terrível. Mas, por que a essa barbaridade o assassino resolveu somar a crueldade de atirar o corpo da menina pela janela, tendo que se dar ao trabalho de cortar a rede de proteção etc? É coisa de quem definitivamente não bate bem de bola.

Paralela à investigação do presente, a polícia deveria requisitar um psiquiatra forense, e dar uma investigada no passado dos envolvidos...

Outra coisa que salta aos olhos é, mais uma vez, a cobertura mórbida da imprensa. Descem a detalhes na especulação do que teria acontecido, esganadura, menina lançada de cabeça para baixo, língua de fora... um horror! Em tudo semelhante ao que já fizeram anteriormente com a morte do pequeno João Hélio, que teve seu corpo arrastado por quilômetros, e a Veja se deu ao descaramento de ir contando, detalhe por detalhe, onde a cabeça do garoto teria batido, onde ele teria perdido massa encefálica etc.

Observação: Não sei por que, mas desde que comecei a ler sobre o caso da Isabella me vem à cabeça o do assassinato de Daniela Perez... Será que minha memória juntou os dois casos por causa da rima dos nomes? Sei lá. É uma intuição que divido com vocês.

E vocês, estão acompanhando o caso? O que estão achando?

Leia também:

» A morte e a outra morte do menino João (o caso Veja )

» A morte e a outra morte do pequeno João (2)

» TV Globo, Folha e a violência

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TV Globo, Folha e a violência

Ontem, em artigo publicado na Folha, Fernando de Barros e Silva apontou as edições do Jornal Nacional como uma das causas do aumento da sensação de insegurança na população, revelado em pesquisa do Datafolha.

Parece claro, para dar logo nome aos bois, que a Rede Globo capitaneia, pelo menos desde a morte de João Hélio, uma campanha por "justiça já" que só tende a reforçar, ainda que involuntariamente, o caldo de cultura a favor do aprofundamento das injustiças do país.
Há no ar (e na TV) um clima de "justiça justiceira", uma mistura de clamor punitivo com alarmismo social cultivado pela mídia. Serve como exemplo o reality show macabro protagonizado diariamente em horário nobre pelos pais do menino brutalmente assassinado. O "JN" os transformou em celebridades.

Em carta à Folha, publicada hoje, o diretor-executivo de jornalismo da Globo, Ali Kamel, rebate as críticas, afirma que Fernando foi grosseiro ao chamar os pais do menino João Hélio de “celebridades”. Afirma que a Folha também dá cobertura ao tema violência, e termina:

O leitor da Folha que assiste ao "Jornal Nacional" é testemunha de que a ênfase dos dois veículos, quando o assunto é violência, é bem parecida: ambos cumprem com sua obrigação de informar.

Mas, Kamel, nunca li uma reportagem da Folha sobre o caso do menino assassinado, em que um repórter perguntasse a outro como ele se sentiu ao entrevistar os pais do menino, como William Bonner fez com a esposa Fátima Bernardes no Jornal Nacional.

Informar sobre a violência é uma coisa, espetacularizá-la, é outra, e bem diferente.

Cuidado: a exploração da morte do pequeno João Hélio chega via spam



Não é só boa parte da imprensa quem busca faturar em cima do trágico assassinato do pequeno João Hélio. Recebi este e-mail com três links para arquivo executável. Certamente um vírus, ou worm, ou trojan.

O oportunismo mais cafajeste se apropria da dor de uma família, de um país, para produzir mais lucro – no caso da imprensa – ou mais prejuízo, no do spam.

Portanto, nos dois casos, cuidado: não se deixe enganar por esses que apenas fingem “a dor que [você] deveras sente”. É truque.