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Pela 1ª vez na história, um diretor de jornalismo (Kamel) parabeniza equipe por barriga


Assim como Bolsonaro, Kamel cria fake news e "parabeniza editoria Rio" pela bola nas costas


Não é só o presidente (eleito mediante fraude) Bolsonaro que cria fake news para iludir seu público alimentado a mamadeira de piroca.

O diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, também é chegado a uma notícia falsa, até para sua equipe.

Depois da inacreditável barriga da Globo sobre o porteiro do "seu Jair" (que comentei aqui), Kamel, em vez de reconhecer o erro e dar a volta por cima, fazendo uma reportagem de fundo sobre o condomínio Vivendas da Barra, escreve uma carta à equipe do Rio [que reproduzo ao final], elogiando-os pela barriga cujo maior culpado, evidente, é Kamel.
No texto, Kamel diz que a Globo (que ele imperial confunde consigo mesmo, "jornalismo que pratico") fez tudo certo, estavam errados os fatos — no caso, os áudios que Carlos Bolsonaro mostrou no dia seguinte à reportagem pelo Twitter e que o advogado de Bolsonaro não lhe informara, quando ouvido sobre a reportagem.

Faltou apuração, embora Kamel tenha escrito certa vez aqui para o blog em 2006, que a Globo não põe nada no ar sem checar autenticidade. Mesmo recebendo de uma fonte credenciada. É zelo. É cuidado.

Como fica claro na carta à equipe que Kamel coordenou pessoalmente a reportagem, fica evidente que ele focou sua preocupação com o andar de cima, seus superiores, os Marinho, políticos amigos etc, em vez de botar a equipe para ir atrás de sua majestade os fatos.

Se o porteiro disse que falou duas vezes com "seu Jair" e ele estava (ao que tudo indica) em Brasília, por que não entrevistarem o porteiro? Por que não viram como funciona o serviço de comunicação da portaria com os condôminos? Há transferência pelo celular?

Porque até hoje há uma questão (além da possível manipulação dos dados da portaria por Bolsonaro): será que o interfone é a única forma de comunicação ou algum condômino, como Bolsonaro, pede para que seja informado por celular, caso não esteja no condomínio (já sugeri aqui que Bolsonaro abrisse mão do sigilo do seu para comprovar que não recebeu ligação do condomínio naquele dia), por exemplo?

Em vez de buscar corrigir a barriga, enviando equipe (a Globo tem centenas de repórteres)  e fazendo uma varredura investigativa no condomínio, Kamel passou a edição do dia seguinte do Jornal Nacional ajoelhado no milho, e hoje a imagem do jornalismo da Globo está ainda mais no chão do que antes.

Mas Kamel preferiu enviar uma carta à equipe, parabenizando-os, mimetizando Bolsonaro, que se jacta das merdas que faz.

"Fomos brilhantes, fizemos tudo certo, só estávamos errados e a matéria sobre o presidente deveria ter caído ou, o certo, mais bem apurada e aprofundada, antes de ir ao ar" (Terá sido por que a fonte tinha pressa, como Kamel diz na carta?).

Eis a carta de Kamel:
Há momentos em nossa vida de jornalistas em que devemos parar para celebrar nossos êxitos.
Eu me refiro à semana passada, quando um cuidadoso trabalho da editoria Rio levou ao ar no Jornal Nacional uma reportagem sobre o Caso Marielle que gerou grande repercussão. A origem da reportagem remonta ao dia 1° de outubro, quando a editoria teve acesso a uma página do livro de ocorrências do condomínio em que mora Ronnie Lessa, o acusado de matar Marielle. Ali, estava anotado que, para entrar no condomínio, o comparsa dele, Elcio Queiroz, dissera estar indo para a casa 58, residência do então deputado Jair Bolsonaro, hoje presidente da República. Isso era tudo, o ponto de partida.
Um meticuloso trabalho de investigação teve início: aquela página do livro existiu, constava de algum inquérito? No curso da investigação, a editoria confirmou que o documento existia e mais: comprovou que o porteiro que fez a anotação prestara dois depoimentos em que afirmou que ligara duas vezes para a casa 58,  tendo sido atendido, nas palavras dele, pelo “seu Jair”. A investigação não parou. Onde estava o então deputado Jair Bolsonaro naquele dia? A editoria pesquisou os registros da Câmara e confirmou que o então deputado estava em Brasilia e participara de duas votações, em horários que tornavam impossível a sua presença no Rio. Pesquisou mais, e descobriu vídeos que o então deputado gravara na Câmara naquele dia e publicara em suas redes sociais. A realidade não batia com o depoimento do porteiro.
Em meio a essa apuração da Rio (que era feita de maneira sigilosa, com o conhecimento apenas de Bonner, Vinicius, as lideranças da Rio e os autores envolvidos, tudo para que a informação não vazasse para outros órgãos de imprensa), uma fonte absolutamente próxima da família do presidente Jair Bolsonaro (e que em respeito ao sigilo da fonte tem seu nome preservado), procurou nossa emissora em Brasilia para dizer que ia estourar uma grande bomba, pois a investigação do Caso Marielle esbarrara num personagem com foro privilegiado e que, por esse motivo, o caso tinha sido levado ao STF para que se decidisse se a investigação poderia ou não prosseguir. A editoria em Brasilia, àquela altura, não sabia das apurações da editoria Rio. Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?
Isso nos fez redobrar os cuidados. Mandei voltar a apuração quase à estaca zero e checar tudo novamente, ao mesmo tempo em que a Editoria Rio foi informada sobre o STF. Confirmar se o caso realmente tinha ido parar no Supremo tornava tudo mais importante, pois o conturbado Caso Marielle poderia ser paralisado. Tudo foi novamente rechecado, a editoria tratou de se cercar de ainda mais cuidados sobre a existência do documento da portaria e dos depoimentos do porteiro. Na terça-feira, dia 29 de outubro, às 19 horas, a editoria Rio confirmou, sem chance de erro, que de fato o MP estadual consultara o STF.
De posse de todas esses fatos, informamos às autoridades envolvidas nas investigações que a reportagem seria publicada naquele dia, nos termos em que foi publicada. Elas apenas ouviram e soltaram notas que diziam que a investigação estava sob sigilo. Informamos, então, ao advogado do presidente Bolsonaro, Frederick Wassef, sobre o conteúdo da reportagem e pedimos uma entrevista, que prontamente aceitou dar em São Paulo. Nela, ele desmentiu o porteiro e, confirmando o que nós já sabíamos, disse que o presidente estava em Brasília no dia do crime. Era madrugada na Arábia Saudita e em nenhum momento o advogado ofereceu entrevista com o presidente. 
A reportagem estava pronta para ir ao ar. Tudo nela era verdadeiro: o livro da portaria, a existência dos depoimentos do porteiro, a impossibilidade de Bolsonaro ter atendido o interfone (pois ele estava em Brasilia) e, mais importante, a possibilidade de o STF paralisar as investigações de um caso tão rumoroso. É importante frisar que nenhuma de nossas fontes vislumbrava a hipótese de o telefonema não ter sido dado para a casa 58. A dúvida era somente sobre quem atendeu e só seria solucionada após a decisão do STF e depois de uma perícia longa e demorada em um arquivo com mais de um ano de registros. E isso foi dito na reportagem. Quem, de posse de informações tão relevantes, não publica uma reportagem, com todas as cautelas devidas, não faz jornalismo profissional.
Hoje sabemos que o advogado do presidente, no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa. No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano".
Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação? A resposta pode estar no que aconteceu nos minutos subsequentes à publicação da reportagem do Jornal Nacional.
Patifes, canalhas e porcos foram alguns dos insultos, acompanhados de ameaças à cassação da concessão da Globo em 2022, dirigidos pelo presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, que só cumpriu a sua missão, oferecendo todas as chances aos interessados para desacreditar com mais elementos o porteiro do condomínio (já que sabiam do áudio).
Diante de uma estratégia assim, o nosso jornalismo não se vitimiza nem se intimida: segue fazendo jornalismo. É certo que em 37 anos de profissão, nunca imaginei que o jornalismo que pratico fosse usado de forma tão esquisita, mas sou daqueles que se empolgam diante de aprendizados. No dia seguinte, já não valia o sigilo em torno do assunto, alegado na véspera para não comentar a reportagem do JN antes de ela ir ao ar. Houve uma elucidativa entrevista das promotoras do caso, que divulgamos com o destaque merecido: o telefonema foi feito para a casa 65, quem o atendeu foi Ronnie Lessa, tudo isso levando as promotoras a afirmarem que o depoimento do porteiro e o registro que fez em livro não condizem com a realidade. O Jornal Nacional de quarta exibiu tudo, inclusive os ataques do presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, respondidos de forma eloquente e firme, mas também serena, pela própria Globo, que honra a sua tradição de prestigiar seus jornalistas. Estranhamente, nenhuma outra indagação da imprensa motivada por atitudes e declarações subsequentes do presidente foi respondida. O alegado sigilo voltou a prevalecer.
Mas continuamos a fazer jornalismo. Revelamos que a perícia no sistema de interfone foi feita apenas um dia depois da exibição da reportagem e num procedimento que durou somente duas horas e meia, o que tem sido alvo de críticas de diversas associações de peritos.
Conto tudo isso para dar os parabéns mais efusivos à editoria Rio. Seguiremos fazendo jornalismo, em busca da verdade. É a nossa missão. Para nós, é motivo de orgulho. Para outros, de irritação e medo.
Ali Kamel


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Habituada a atacar Lula e Dilma quando presidentes sem resposta, Globo erra com Bolsonaro como errou com Temer

Irmãos Marinho com frase que diz que Kamel está prestigiado

Dois erros grosseiros do jornalismo da Globo contra presidentes desmascarados em menos de 24 horas


Diz o ditado que o hábito do cachimbo deixa a boca torta.

A Globo cansou de publicar vazamentos, desde o chamado mensalão, com ataques a Lula e sua família, e depois à presidenta Dilma, recebendo de volta "respostas republicanas".

Contava também com o apoio dos outros veículos da mídia corporativa, todos contrários aos governos petistas.

A coisa mudou com Temer e Bolsonaro.
Quando o Jornal Nacional publicou o áudio vazado de uma conversa de Temer com o empresário Joesley, da JBS, a aposta geral era sobre quanto tempo Temer duraria no poder.

Só que no outro dia a Folha fez o que a Globo não teve o cuidado de fazer: submeteu o áudio a uma peritagem, que mostrou inconsistências e brechas no arquivo.

Com o recente caso do porteiro e o crime do assassinato de Marielle e Anderson, quem fez o trabalho que a Globo não fez foi um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro, o Carlucho.

Carlos foi ao arquivo do condomínio e pegou os áudios da portaria do dia do crime, mostrando que o porteiro se enganou e, portanto, a matéria da Globo estava totalmente equivocada, não parava de pé.

Dois vexames mastodônticos para a equipe de Kamel, que deve a essa altura estar "prestigiado" entre os Marinho.

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Barriga da Globo cai como uma 'uva' nas pretensões ditatoriais de Bolsonaro

Barriga da Globo

Há 13 anos, Kamel escreveu ao Blog do Mello dizendo que a Globo 'não põe nada no ar sem checar autenticidade'


A imensa barriga do Jornal Nacional de anteontem, que afirmou que motorista envolvido no assassinato de Marielle pediu para ir à casa de Bolsonaro no dia do crime, o que se provou erro colossal em menos de 12 horas, custa mais caro à empresa do que perda de credibilidade — ajuda Bolsonaro em sua luta pelo obscurantismo e controle da imprensa.

O Jornal Nacional teve que gastar grande parte de sua edição de ontem na tentativa de limpar a barrigada e tentar justificar o injustificável: como a maior emissora de TV do país em seu principal produto informativo comete um erro crasso desses envolvendo o presidente da República, ainda que esse presidente seja Jair Bolsonaro (eleito mediante fraude)?
Curioso que, em 2006, quando do acidente da Gol, abalroado em pleno voo pelos estadunidenses do Legacy, o diretor de Jornalismo da Globo Ali Kamel escreveu ao Blog do Mello criticando uma postagem feita aqui que afirmava que o Jornal Nacional não dera a notícia do acidente porque não queria ofuscar a montanha de dinheiro vazada pelo delegado Bruno ao JN e que acabou levando a disputa entre Lula e Alckmin a um segundo turno improvável.
"Porque a Globo não põe nada no ar sem checar autenticidade. Mesmo recebendo de uma fonte credenciada. É zelo. É cuidado" escreveu Kamel.
Parece que o zelo e o cuidado não foram levados em conta na hora da produção da reportagem sobre o presidente, e a Globo está pagando por isso, mas, pior, o país inteiro paga junto, pois vai aumentar ainda mais o ataque de Bolsonaro a qualquer notícia que o desagrade, como sendo fake news para derrubá-lo.

Lamentável.

* Por que a "uva" no título você confere nas palavras do Queiroz aqui.

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Ali Kamel, se 'não somos racistas', por que Roberto Marinho usava pó de arroz para disfarçar sua tez mulata?

Ali Kamel, diretor de jornalisno da Rede Globo, escreveu um livro cuja tese principal se apresenta no título: "Não somos racistas".

No entanto, pelas palavras do jornalista Paulo Nogueira, que foi diretor editorial da Editora Globo, Ali Kamel teria todos os elementos para pensar justamente o oposto. Afinal, ele - como Paulo Nogueira - conviveu com Roberto Marinho, que, segundo Paulo Nogueira, "não se orgulhava de sua estatura, ampliada por saltos, e de sua tez mulata, na qual passava pó de arroz".

Será que Kamel imaginava que o pó de arroz não era fruto de um racismo introjetado por Roberto Marinho, mas, antes, nem complexo de inferioridade, nem pó de arroz era, e sim farinha de trigo, como passavam na tez os homens da corte do Rei Sol em França, pois era assim que Kamel via Roberto Marinho?

Mistérios...

O que sei, ainda segundo Paulo Nogueira, é que nas reuniões de que participou ele reparou que Kamel e Merval, o Imortal, Pereira "pareciam disputar entre si quem era campeão em pensar como a família Marinho pensa".

Gilmar Mendes ameaçou jornalista e ficou por isso mesmo

Até o momento, nenhum órgão da nossa grande imprensa, aquela que o Kamel diz que é independente e que sempre defende a liberdade de imprensa, manifestou sua indignação com a ameaça que o presidente do STF fez ao jornalista Altino Machado. Nem ABI, OAB, Sindicatos e órgão de classe. Ninguém deu um pio.

Repito: Já imaginaram se fosse o presidente Lula que houvesse dito a um jornalista o que Gilmar disse?

- O senhor tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta.

Era chamada em todos os jornais, inclusive no JN:

Bonner: - Presidente Lula atenta contra a liberdade de imprensa...
Fátima: - Usando o poder de seu cargo, o presidente ameaçou um jornalista.

Será que vamos continuar aqui como Diógenes com sua lanterna à procura de um jornal, um órgão de classe qualquer que se manifeste contra a atitude do ministro, assim como já estamos à procura de um jornalista que pergunte a Serra o que ele acha do termo ditabranda?

Felizmente – podem anotar aí – o destino de Gilmar Mendes, que se acha a legalidade em pessoa, vai ser o mesmo de Simão Bacamarte, do Alienista de Machado de Assis.

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Kamel descobriu qual é o grande problema do Brasil hoje

O diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali, Lá ou Acolá (estou testando hipóteses) Kamel é um sabichão. Hoje, ele publicou em O Globo um artigo luminoso, que lança luz sobre as raízes dos problemas brasileiros.

Não, a origem de nossos problemas não está nos bilhões que despendemos com o serviço da dívida. Nem nos bilhões de reais (mais de 70) em dívidas que produtores rurais não pagam, de calote em calote. Nem nos vários incentivos fiscais que oferecemos às grandes empresas e aos mega-especuladores, para que passeiem suas fortunas por nossa disneylândia financeira, e saiam daqui com o lucro gordo e livre de impostos. A origem de nossos problemas também não está na venda a preço vil de uma Vale do Rio Doce, nem nas privatizações feitas “no limite da irresponsabilidade”. Também não está no Proer, que salvou banqueiros pilantras e falidos, nem no bilhão distribuído, na época do Cacciola. Também não está nos incentivos que o governo dá a fundações de bancos, para que façam mecenato às custas do imposto abatido, sendo que algumas dessas fundações, como a Fundação Roberto Marinho, com sérias acusações pesando sobre elas.

Nada disso. O grande problema brasileiro, segundo Kamel, é que muitos dos beneficiados do Bolsa Família não estão gastando dinheiro com comida, mas com eletrodomésticos.

Isso mesmo, nada de arroz, feijão e carne...(...) o que tem sido comprado é geladeira, microondas, máquina de lavar, fogão, liquidificador, forno elétrico, televisão e DVD.

Vou fazer uma revelação aqui, que deve deixar o diretor da Globo ainda mais espantado: eles devem ter comprado também panelas, pratos, garfos, facas, colheres, colheres de pau, escorredores de macarrão, chaleiras... Mas, pelo visto, Kamel preferiria que essas pessoas preparassem a comida numa panela velha, em cima da lenha, numa fenda no chão.

É o que demonstra o exemplo que ele cita em seu artigo, de uma catadora de lixo, Rosineide dos Santos, mãe de três filhos. Ela diz que já tem geladeira, fogão, liquidificador, cafeteira e forno elétrico, e que, assim que saldar a dívida, vai comprar uma televisão.

Para Kamel, isso é um absurdo. Um desvirtuamento do Bolsa Família. Mas o problema não é esse não. É que Kamel está desinformado. Ele não sabe nem o que é o Bolsa Família. Tanto que começa o artigo afirmando que o objetivo do programa é matar a fome de 54 milhões de brasileiros. Está errado. Isso é o Fome Zero, Kamel. O Bolsa Família está explicado aqui.

Os dois programas já existem há um bom tempo e até hoje o diretor de jornalismo da maior rede de televisão do país ainda não aprendeu a diferença entre eles...

Mas não é só aí que Kamel desinforma. Indo à página do MDS onde ele leu o relatório (confira, vale a pena) você vai ver por que Rosineide comprou sua geladeira e, de quebra, como Kamel distorce o relatório para fazê-lo caber na sua tese.

Por isso, vou dar um conselho a dona Rosineide, a catadora de lixo. Ao liquidar a dívida, não compre televisão não, dona Rosineide. Compre um computador. Seus filhos encontrarão diversão a valer na rede e serão muito mais bem informados.

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Reportagem de Nassif sobre a Veja e uma pergunta: - Quem será o Rodrigo Vianna de Veja?

Prossegue a reportagem onde Luis Nassif está destrinchando a revista Veja. Já são oito capítulos, que merecem ser lidos. Assim como o artigo da jornalista Marina Amaral, Como se constroem as notícias, que já indiquei aqui e serve de complemento – ou introdução.

A história começou a esquentar, com a entrada em cena de Daniel Dantas. Logo, vêm mais novidades nos próximos capítulos. Se a exposição ao sol do quem é quem na redação de Veja já é um tremendo serviço que Nassif presta a seus leitores, quando ele chegar à cúpula de Veja e da Abril – o que espero que venha a ocorrer – é que o assunto ficará ainda mais interessante.

Porque, por mais que sejam poderosos, diretor de redação, editores, colunistas, todos são empregados da revista, estão ali porque o patrão permite. Na hora em que deixarem de ser interessantes, rodam pela louça branca abaixo.

Para completar a série do Nassif só falta aparecer o Rodrigo Vianna da Veja. Você, meu leitor arguto, minha leitora perspicaz, que além do mais têm memória prodigiosa, recordam-se de Rodrigo Vianna. Aquele repórter que trabalhou durante 12 anos na Rede Globo (hoje está na Record) e que, ao não ter seu contrato renovado, enviou uma carta a seus companheiros, que foi veiculada na imprensa. Ali, contava tudo o que Kamel queria negar a respeito da eleição passada.

É uma carta longa, mas a íntegra da carta de Rodrigo Vianna pode ser lida aqui. Abaixo, dois trechos que escolhi.

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
(...)
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

Quem será o Rodrigo Vianna de Veja?

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Lino Rossi, quando montou o esquema dos sanguessugas, era do PSDB

O Globo, Estadão, Folha, os três jornalões do eixo Rio-SP anunciaram hoje a prisão do ex-deputado sanguessuga Lino Rossi assim: “ex-deputado Lino Rossi (PP-MT)”. Omitem que na época do nascimento do esquema dos sanguessugas, de que Lino foi o principal operador no Mato Grosso, ele era do PSDB. E Lino foi preso por causa desse esquema, que foi chocado e nasceu em ninho tucano. Isso, mais uma vez, a “grande imprensa” de Kamel – aquela que é “independente” – esconde, omite. Como também aconteceu ontem à noite no Jornal Nacional.

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O Globo continua com seus classificados de ‘Encontros Pessoais’

Outro dia o diretor de jornalismo da rede Globo, Ali Kamel, escreveu um artigo elogiando a independência da “grande imprensa”. Criou até um axioma que pode ser enunciado assim: quanto mais anunciantes, mais independente é a empresa de comunicação.

Não se pode acusar O Globo de não diversificar sua carteira de anunciantes. Na parte dos Classificados, eles têm uma seção chamada “Encontros Pessoais”.

Selecionei dois desses anunciantes, que ajudam a garantir a independência de O Globo (página 9):

ÂNGELO & Brayan (lindíssimos, rosto, corpo perfeitos) prestigiadíssimos, sedutores, realizando inesquecíveis fantasias p/ cavalheiros/casais (juntos/separados), altíssimo nível/discreto.Tel:
BEATRIZ 27a (Recreio) Que tal? Você homem verdadeiro, deixar-se conduzir p/ bela mulher, provida d/todo conteúdo p/fazer fluir seus +íntimos instintos. Tel:

Repito: Esses são alguns dos classificados, selecionados entre dezenas deles, publicados no Globo diariamente.

Não sou advogado. Não sei nem se a lei e os artigos em que baseio esta postagem estão caducos. Por isso, gostaria de saber, caso ainda estejam em vigor:

. Os anúncios não estão facilitando a prostituição, infringindo, portanto, o Art 228 ("Induzir ou atrair alguém para a prostituição, facilitá-la ou impedir que alguém a abandone")?
. Os anúncios não estão tirando proveito da prostituição alheia (já que são pagos), infringindo o Art 230 ("Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente dos seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça")?
. O Globo, ao publicar os anúncios, não está "fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a [prostituição] exerça", infringindo o mesmo Art 230?

Ainda que tudo isso seja legal, que o jornal alegue que não pode garantir que se trata de prostituição (embora todos saibamos que é disso que se trata), é moral, é ético faturar em cima da prostituição?

O que o jornal escravo dos fatos tem a dizer?

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TV Globo, Folha e a violência

Ontem, em artigo publicado na Folha, Fernando de Barros e Silva apontou as edições do Jornal Nacional como uma das causas do aumento da sensação de insegurança na população, revelado em pesquisa do Datafolha.

Parece claro, para dar logo nome aos bois, que a Rede Globo capitaneia, pelo menos desde a morte de João Hélio, uma campanha por "justiça já" que só tende a reforçar, ainda que involuntariamente, o caldo de cultura a favor do aprofundamento das injustiças do país.
Há no ar (e na TV) um clima de "justiça justiceira", uma mistura de clamor punitivo com alarmismo social cultivado pela mídia. Serve como exemplo o reality show macabro protagonizado diariamente em horário nobre pelos pais do menino brutalmente assassinado. O "JN" os transformou em celebridades.

Em carta à Folha, publicada hoje, o diretor-executivo de jornalismo da Globo, Ali Kamel, rebate as críticas, afirma que Fernando foi grosseiro ao chamar os pais do menino João Hélio de “celebridades”. Afirma que a Folha também dá cobertura ao tema violência, e termina:

O leitor da Folha que assiste ao "Jornal Nacional" é testemunha de que a ênfase dos dois veículos, quando o assunto é violência, é bem parecida: ambos cumprem com sua obrigação de informar.

Mas, Kamel, nunca li uma reportagem da Folha sobre o caso do menino assassinado, em que um repórter perguntasse a outro como ele se sentiu ao entrevistar os pais do menino, como William Bonner fez com a esposa Fátima Bernardes no Jornal Nacional.

Informar sobre a violência é uma coisa, espetacularizá-la, é outra, e bem diferente.

Resposta de Lula à campanha que a Rede Globo fez contra ele

Franklin Martins à frente da Secom.

Agora o Camelo vai ter que passar pelo buraco da agulha.