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PCC e CV: As ligações do governo Tarcísio com o crime organizado


Comentário de Antonio Mello no Fórum Mídias, da TV Fórum.



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Caso Orelha. Tortura de animais acontece todas as noites nas redes, diz delegada

Orelha e a rotina de tortura a animais

O caso da tortura do cão comunitário Orelha, no mês passado, em Praia Brava, Santa Catarina, chocou o país. Especialmente por ter sido cometido por jovens de famílias abastadas, que tiveram acesso à melhor educação que o dinheiro pode comprar. 

A tortura foi tão devastadora que não houve alternativa a não ser o sacrifício do animal. O fato provocou verdadeira comoção, a ponto de acontecerem manifestações por todo o país exigindo Justiça para Orelha.

No entanto, o fato que chocou o Brasil não é novidade, aliás, faz parte da rotina diária da delegada Lisandrea Salvariego. O trabalho dela é investigar e monitorar as redes sociais e a agressão e tortura a animais acontecem diariamente, segundo ela conta numa reportagem da BBC Brasil.

Seu trabalho é varar as madrugadas vasculhando jogos, chats e redes sociais onde crianças e adolescentes participam de desafios violentos.

Salvariego faz parte do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo. O grupo começou como uma resposta aos ataques a escolas em 2023, ano em que o país registrou 12 casos. Mas a investigação revelou um ecossistema maior e aterrorizador.

Nas telas monitoradas por Salvariego, sessões de abuso sexual, automutilação e, principalmente, a tortura e assassinato de animais acontecem diariamente e são transmitidos ao vivo, compartilhadas em grupos.

"A gente tem inúmeros Orelhas sendo mortos todos os dias. Para a gente, infelizmente, é uma rotina. Tem madrugadas em que vou dormir e escuto o gatinho e o cachorrinho gritando... É tão revoltante, tão desumano, que não tem como a gente não ir atrás", desabafa a delegada.

A partir das observações da delegada, a policia se infiltra nos grupos para agir.

O número de episódios observados por Salvariego nas comunidades de zoossadismo pode variar. Há noites com "apenas" dois ou três, mas ela relata ter chegado a ver até 20, principalmente cães e gatos, torturados e mortos.

"O que motiva tudo isso é a violência pela violência. Não tem nenhum objetivo, além de ficar famoso, conhecido e ter status dentro daquele grupo. Tanto que é muito comum eles matarem o animalzinho com perversidade mesmo e depois escreverem com o sangue o nome deles", diz Salvariego. "E, hoje, a violência escalou muito, principalmente com relação aos animais. Muito. Só vale se o animal sofrer muito para morrer."

 

Rotina de violência entre jovens

A BBC Brasil também entrevistou a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, que confirma a explosão de atos de violência cometido entre jovens.

"Pessoas que começam a olhar para a violência com muita frequência, depois de um tempo de exposição rotineira, perdem a sensibilidade. Começam a não achar aquilo tão asqueroso, tão revoltante; já não causa a mesma repulsa", diz. "Primeiro se assiste e fica insensível; depois, se começa a fazer."

 

O Delegado-geral e o caso Orelha

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, reagiu publicamente às críticas dirigidas à atuação da corporação no caso da morte do cão Orelha e atribuiu os ataques, sem apresentar provas, a setores da esquerda. Segundo ele, as críticas ocorrem porque Santa Catarina seria “um estado de direita”.

Em publicação nas redes sociais, o delegado-geral divulgou um print de uma mensagem ofensiva que disse ter recebido. “Você não vai resolver. O POVO vai. Bolsonarista acéfalo do krl”, diz o conteúdo. Ao responder, Ulisses afirmou que a Polícia Civil atua de forma técnica e imparcial na apuração dos fatos.

Na mesma postagem, o delegado declarou que, em Santa Catarina, “a polícia, o Ministério Público e a Justiça não passam a mão na cabeça de bandido, seja ele mirim ou sênior”. Três adolescentes são investigados por participação nas agressões que levaram à morte do animal.

Ulisses também fez críticas diretas à esquerda e defendeu o endurecimento das leis penais. “Ao invés de nos atacar, cobrem de seus deputados a redução da maioridade penal, a melhoria das polícias e o recrudescimento das leis penais”, escreveu. Em outro trecho, afirmou que Santa Catarina seria “o estado mais seguro, o que mais cresce, com o menor índice de desemprego do mundo e o que menos tem beneficiados do Bolsa Família”.

As declarações ocorreram em meio a questionamentos nas redes sociais sobre a imparcialidade da investigação.


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Bolsonaro: 'Agora tá todo mundo reunido ao lado do 'Nine' (Lula). É bom que 1 tiro só mata todo mundo ou uma granadinha só mata todo mundo'. Ouça

No dia 16 de maio, na abertura de um evento do setor de supermercados, Bolsonaro discursou e, em trecho, fez ameaças à campanha de Lula, incitando a violência, que vem dando seus frutos, como provam acontecimentos recentes: drone com fezes em Minas, fezes no carro do juiz que mandou prender o ex-ministro do MEC por corrupção, bomba no evento de Lula do dia 7 de julho, na Cinelândia, e agora com o assassinato a sangue frio do tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu Marcelo Arruda, no sábado [leia aqui: 'Aqui é Bolsonaro!', diz assassino, antes de matar aniversariante petista em festa que tinha Lula e PT como tema]. 

Aqui, a transcrição do trecho do discurso e, a seguir, o áudio:

“Agora tá todo mundo reunido ao lado do ‘Nine’ para organizar a campanha do cara, pô. A vantagem disso tudo é que tudo que não presta está se juntando. Igual Paulo Guedes, em 2018, quando juntou aquele montão de candidato, eu falei: é bom que 1 tiro só mata todo mundo ou uma granadinha só mata todo mundo. Agora tá tudo unido. [Poder 360] 



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Bolsonaro e homicídios em alta no país. Simples coincidência?


Há poucos dias, a notícia foi a subida da aprovação de Bolsonaro na pesquisa Datafolha, graças ao auxílio emergencial e a sua eficiente comunicação, que consegue fazer com que ele fature o que é bom (mesmo que não tenha sido feito por ele, como o próprio auxílio, que ele não queria e depois quis com o valor de R$ 200 e não de R$ 600) e jogue nas costas do Congresso, do STF, dos comunistas, do PT, de qualquer um, o que "deu ruim".

Agora, vem a notícia de que, mesmo sob a pandemia, com a diminuição de pessoas nas ruas, aumentou em 6% o número de homicídios no país.
O Brasil teve uma alta de 6% nos assassinatos no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.
Em seis meses, foram registradas 22.680 mortes violentas, contra 21.357 no mesmo período do ano passado. Ou seja, 1.323 mortes a mais.
O aumento de mortes acontece mesmo durante a pandemia do novo coronavírus, que fez com que estados adotassem diversas medidas de isolamento social. Ou seja, houve alta na violência mesmo com menos pessoas nas ruas.[G1]
Embora uma coisa não seja função da outra, ambas estão relacionadas a Bolsonaro. Não é coincidência que sua aprovação tenha subido e, com ela, o número de assassinatos.

Bolsonaro defende a morte como outros defendem a vida. Já disse que a ditadura matou pouco. Defendeu a morte de Dilma. De FHC. Que a ditadura deveria ter matado uns 30 mil.

Em relação aos mortos da pandemia, repete que todos vamos morrer, já disse que não era coveiro e chegou a perguntar: e daí?

Bolsonaro sempre defendeu policiais, mais apropriadamente a violência policial, e milicianos.

É defensor do uso de arma de fogo pela população, liberou a venda de uma grande quantidade de munição, facilitou sua aquisição, e dificultou o rastreamento tanto de armas como de munição.

Portanto, a subida dos números de Bolsonaro e dos de assassinatos é questão de coincidência tanto quanto são coincidências:
  • o acusado de assassinar Marielle e Anderson ser vizinho de Bolsonaro
  • o principal assassino do chamado Escritório do Crime ter sido funcionário de Flávio Bolsonaro e homenageado por ele e ter sido, coincidentemente, assassinado num cerco de polícia visto como queima de arquivo
  • vários milicianos serem defendidos publicamente por Bolsonaro e homenageados com medalhas por seu filho Flávio
  • o tio de sua atual mulher, Michelle, ser miliciano e a avó dela acusada de ser traficante
  • também é simples coincidência o motorista do carro do assassinato de Marielle ter ido ao condomínio onde mora Bolsonaro para se encontrar com o acusado de matador e na portaria ter informado que iria à casa de Bolsonaro
  • também coincidentemente, o porteiro, que trabalhava há anos no condomínio, afirmou por duas vezes em depoimentos em dias diferentes que fora Bolsonaro quem autorizara a entrada do motorista no condomínio
  • também coincidentemente, após ter a PF de Moro em seus pés, o porteiro voltou atrás e disse que se enganou
  • também coincidentemente o desaparecido Queiroz estava acoitado no sítio do advogado de Flávio e do próprio Jair, o excêntrico Wassef, que se encontra no momento coincidentemente desaparecido
  • e foi com Bolsonaro, coincidentemente, que um sargento da Aeronáutica se atreveu a utilizar avião da comitiva presidencial para traficar 39 kg de cocaína
É coincidência demais, não?



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Dilma: 'O mandante do assassinato de Agatha é o neofascismo que está no poder'


Dilma

Em seu site, a ex-presidenta Dilma aponta a responsabilidade do neofascismo pela violência no país



O assassinato de Agatha Vitória Sales Felix, uma menina de oito anos que vivia na Favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão, RJ, não foi cometido apenas pelo PM que puxou o gatilho. Esta morte chocante tem vários autores, tão ou mais culpados do que o policial que executou o disparo de fuzil. São as autoridades estaduais e federais que apoiam e incentivam ações violentas das forças de segurança e das milícias contra a população pobre moradora das favelas.

Agatha é uma das cinco crianças assassinadas covardemente este ano pela polícia do Rio. É uma das 16 crianças baleadas em operações policiais. Portanto, não foi a primeira e infelizmente está longe de ser a última das vítimas infantis da política de extermínio praticada por determinação, incentivo ou leniência das autoridades.

A população grita nas redes sociais que “a culpa é do Witzel”, e sem dúvida o governador deve ser responsabilizado, porque é um homem de atitudes sociopatas, que estimula, defende e comemora ataques indiscriminados da polícia contra a população. Que já celebrou a morte aos pulos e com punhos cerrados. Mas há outros culpados que não podem ser esquecidos: a impunidade do poder paralelo das milícias, que assassinou Marielle Franco; a impunidade dos policiais violentos que atiram a esmo e acertam crianças e adultos nos bairros pobres; e a responsabilidade de todas as autoridades federais incentivadoras da violência policial e que difundem preconceito, desprezo e ódio contra pobres e negros.

São essas autoridades que propõem leis que inocentam agentes da polícia que matarem civis, desde que aleguem que estavam movidos por forte emoção. O mandante do assassinato de Agatha é o neofascismo que está no poder.

Espero que a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que recebeu do Movimento das Favelas uma denúncia formal contra o governador e contra o estado brasileiro pela morte de Agatha, cobre providências e denuncie ao mundo, energicamente, a política de extermínio adotada no Brasil, seja por orientação seja por leniência das autoridades.

Expresso aqui minha solidariedade à família de Agatha, aos pais e parentes de dos homens e mulheres vítimas da violência do estado contra os moradores dos bairros pobres do Rio e de todo o país.

DILMA ROUSSEFF


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PM na USP: O jeito moto-Serra de governar

Para quem quer ver um replay da ditadura (ditabranda, para a Folha e serristas) eis aí a invasão da PM de Serra na USP, na tarde desta terça-feira. São imagens daquele passado de trevas e violência, mas que estão presentes no governo deste candidato que já defini aqui como o político mais perigoso do Brasil.


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Fotos de O Globo contradizem Gilmar Mendes

Na sabatina da Folha, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, afirmou que não sabia de alguma desobediência à súmula das algemas. E que se orgulha muito dela. Como, na mesma sabatina, ele disse que acorda cedo, lê e responde a e-mails, e lê jornais, fica uma pergunta: O ministro não lê O Globo?

Pois na página 11 da edição de hoje do jornalão dos Marinho (com quem Gilmar teria almoçado ontem) temos estas duas fotos a seguir, que mostram claramente que a súmula das algemas só está valendo para os de sempre, os ricos. Os pobres continuam tratados assim, algemados, cabeça para baixo, e até com a botina do milico sobre a cabeça, como na foto maior.

PMs do Rio algemam e pisam na cabeça de presos

As fotos são de André Teixeira e Domingos Peixoto

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Golpistas bolivianos plagiam projeto de Estatuto da Catalunha

Não basta que seja golpista, preconceituosa, racista e violenta. A direita boliviana é preguiçosa. Para dar o golpe e declarar a independência da província de Santa Cruz, eles simplesmente plagiaram descaradamente (em vários trechos simplesmente copiaram) o “Estatuto de Autonomia da Catalunha [Espanha]”, de 1979.

Repare nas coincidências. Trecho do Estatuto da Catalunha:

En el proceso de recuperación de las libertades democráticas, el pueblo de Cataluña recobra sus instituciones de autogobierno.

Cataluña, ejerciendo el derecho a la autonomía que la Constitución reconoce y garantiza a las nacionalidades y regiones que integran España, manifiesta su voluntad de constituirse en comunidad autónoma.

En esta hora solemne en que Cataluña recupera su libertad, es necesario rendir homenaje a todos los hombres y mujeres que han contribuido a hacerlo posible.

El presente Estatuto es la expresión de la identidad colectiva de Cataluña y define sus instituciones y sus relaciones con el Estado en un marco de libre solidaridad con las restantes nacionalidades y regiones. Esta solidaridad es la garantía de la auténtica unidad de todos los pueblos de España.

Agora o Estatuto de Santa Cruz:

En el proceso de recuperación de las libertades democráticas, el pueblo cruceño recobra sus instituciones de autogobierno.

Santa Cruz, ejerciendo el derecho a la autogestión, que eligió a través del voto, con un Si rotundo a la pregunta del Referéndum vinculante sobre Autonomías Departamentales, de manera soberana ha determinado constituirse en Departamento Autónomo.

En esta hora solemne en que Santa Cruz recupera su Libertad, es necesario rendir homenaje a todos los hombres y mujeres que han contribuido para hacerlo posible, pues la Libertad, la Democracia y la Justicia, son fundamentos de la forma de vida que nos enseñaron nuestros próceres.

El presente Estatuto es la expresión de la identidad colectiva de Santa Cruz y define sus instituciones, así como las relaciones con el Estado, en un marco de libre solidaridad con todos los departamentos de la República. Esta solidaridad es la garantía de la auténtica unidad de todos los pueblos de Bolivia. [leia mais sobre as coincidências aqui]

Aos racistas bolivianos, como já mostrei aqui, só interessa a violência. E são apoiados pelos EUA e pela Espanha, via PRISA, logo, Opus Dei.

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Polícia de São Paulo usa spray de pimenta contra crianças e grávida

Reportagem de José Roberto Burnier no Jornal Nacional desta terça-feira mostrou a Polícia Militar de São Paulo usando spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha para desocupar casas construídas na região da Favela Real Parque, na capital de São Paulo.

Entre os atingidos pela ação da PM, uma criança de colo, um bebê de apenas um mês de vida e uma mulher grávida, que entrou em trabalho de parto.

No entanto, o foco da matéria foi o imenso congestionamento que a ação de reintegração de posse causou ao trânsito na manhã paulistana.

Como o governador de São Paulo é o tucano José Serra e o prefeito da capital, o demo Kassab, o JN não fez comentário algum sobre o uso de violência pela PM.

Editei o trecho da reportagem que mostra a ação policial. Repare no spray sendo lançado contra uma senhora com uma criança pequena no colo. Em seguida, há o depoimento da mãe de um bebê de pouco mais de um mês de vida. Mais adiante, uma grávida sendo levada numa maca.

Spray de pimenta pode matar

O spray de pimenta, segundo informação da Folha Online, “causa irritação à pele, olhos e à mucosa do trato respiratório superior, gerando dor e desconforto. Pode inclusive gerar inflamações e edemas nas áreas em que entra em contato. Esses efeitos podem durar de 30 a 60 minutos”.

O médico toxologista Sérgio Graff, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), entrevistado pela reportagem da Folha, afirmou que a substância liberada pelo spray não é letal, mas pode causar sérios problemas – inclusive a morte – em pessoas menos resistentes, como idosos e crianças.

"Nestes casos, a morte é causada por complicações em decorrência da inflamação das vias aéreas, em que desencadearia uma crise de bronquite e o motivo seria insuficiência respiratória ou insuficiência cardíaca."

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De onde parte a violência na Venezuela

Manchete de O Globo hoje:

"Cinco baleados em manifestação na Venezuela"

Lê-se a matéria e fica-se sabendo que, dos cinco baleados, quatro eram policiais. O quinto, um adolescente de 17 anos que passava pelo local.

E depois ainda querem vender o peixe de que a violência parte do governo...

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Tropa de Elite ou Tropa da elite?

Os comentários que tenho lido e, especialmente, ouvido a respeito do filme Tropa de Elite, de José Padilha, me levam a crer que seu título correto deveria ser Tropa da elite, aquela elite branca tão bem definida pelo ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo.

Ontem, em sua coluna no Globo, o jornalista Arnaldo Bloch escreveu que “ao optar pelo capitão Nascimento como narrador do filme, Padilha assumiu, de maneira sistemática, acrítica e quase pedagógica – e justificou para a média reacionária da sofrida sociedade espectadora – o discurso e o ponto de vista do que há de pior na corporação, o discurso da pseudo-razão enlouquecida dentro da loucura institucional, o discurso do ‘não há saída, tem mesmo é que matar’”.

E ao final, quando o aspirante Matias se transformou num “policial de verdade” (leia-se: quando abandona seus princípios e aceita a tortura a crianças como método válido para seus nobres fins de vingança contra el capo) uma ovação aliviada consagrou “Tropa de elite” como porta-voz de nossas inquietações. E dá-lhe “caveira”!

Pelo visto, o filme vai fazer sucesso entre os que acham que a solução para a insegurança pública é uma polícia mais dura, mais atuante, mais firme (eufemismos para violenta, torturadora, assassina). São aqueles que defendem que essa polícia violenta seja utilizada inclusive contra os menores, como no filme.

Dados do Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase), que cuida dos menores infratores no Rio de Janeiro, mostram que 70% dos adolescentes atendidos vêm de famílias com renda familiar mensal de menos de um salário mínimo. Mais 15% de até dois salários.

80% deles têm o ensino fundamental incompleto. 5% deles são analfabetos.

85% são negros (43%) e pardos (42%). Os brancos são 15%.

81% não estudavam, e apenas 20% trabalhavam (17% no mercado informal), quando foram presos. A maioria, subnutrida ou desnutrida.

Esse é o perfil do jovem infrator, pelos dados do estado do Rio de Janeiro. O que lhes deve ser oferecido é tortura, bala perdida e Tropa da elite?

Se o uso da força resolvesse todos os conflitos, os Estados Unidos não teriam saído correndo do Vietnam, nem estariam agora à procura de uma saída menos desastrosa do Iraque.

Por isso, não importa o trabalho dos atores ou a qualidade da criação cinematográfica. Quando um filme glamouriza a tortura, ele é indefensável, asqueroso, nocivo. A tortura é uma ignomínia. Pior ainda quando praticada pelo Estado ou seus agentes, que aí estão, exatamente, para não permitir que a barbárie (atenção, dondocas, não é Barbie, é barbárie) impere.

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Tropa de choque invade a PUC/SP e desaloja estudantes com violência

Estava sendo lida em coro uma Carta Aberta denunciando as medidas policiais tomadas no dia 21, quando nas esquinas das ruas Monte Alegre e Bartira, pararam várias viaturas policiais comandadas pelo Secretário de Segurança Pública do Estado.

Investigadores civis e tropas de choque desceram das viaturas, bateram as portas com violência e começaram a dar cacetadas e a jogar bombas nos manifestantes que se encontravam sentados.

Devido à violência da investida, os estudantes se levantaram e correram para a entrada da PUC, vários em pânico. Os policiais os perseguiram, histéricos, dando cacetadas e jogando bombas que expeliam gás, outras que soltavam chamas e outras ainda que espirravam líquidos que queimavam a pele. Os estudantes que entraram na PUC se chocaram com outros que estavam saindo das classes e indo embora para a casa. Tudo isso contribuiu para aumentar o pânico, fazendo que vários estudantes caíssem na rampa e fossem pisoteados e queimados.

Do DCE-LIVRE da PUC/SP:
(...)Reafirmamos também que as intimidações policiais não diminuirão as nossas lutas por Liberdades Democráticas. Acreditamos que invasões como a que sofreu a PUC só deixarão de ocorrer quando o povo, através de uma Assembléia Constituinte Livre, Democrática e Soberana, substituir o regime policial em que vivemos, por um regime que atenda aos interesses da maioria da população.
- São Paulo, 22 de setembro de 1977

Pois é, foi há 30 anos. Mas não parece terrivelmente atual? Clique e leia reportagem completa.

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Após o PAN, violência volta às primeiras páginas dos jornais

Reprodução capa de O Globo

Como mostrei ontem, no primeiro dia útil após o PAN houve tiroteio entre polícia e traficantes. Um morto. Hoje está aí a primeira página de O Globo novamente: Moradores da Favela da Cotia (no segundo dia após o PAN) incendiaram dois ônibus e quatro carros particulares, em protesto contra a morte de um homem, que teria sido assassinado por quatro policiais à paisana, segundo os moradores.

Na primeira página de O Dia, a manchete é “Depois do PAN, Rio volta à crueldade da guerra urbana”.

No Extra: Violência explode na Grajaú-Jacarepaguá”.

Estou intrigado. Você que me lê, não? Onde estavam esses assassinos, esses que são assassinados e também esses que protestam, fecham ruas, incendeiam ônibus (às vezes com passageiros dentro), durante o PAN? Em casa, assistindo as piruetas do Diego Hipólito, as braçadas de Tiago Pereira, vibrando com a seleção masculina de vôlei e a feminina de futebol?

Que eu me lembre, durante o PAN a única vez em que a violência chegou à primeira página de O Globo foi quando policiais extorquiram turistas americanos. O que me leva a pensar que talvez a explicação seja essa: sem os turistas, sem os atletas, sem o “clima” do PAN, os policiais voltaram à rotina. E o crime às primeiras páginas dos jornais.

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Violência: A próxima atração das Organizações Globo

Manchete do Extra

Com a manchete “Não é ouro, prata ou bronze: é chumbo” o jornal Extra - o mais popular das Organizações Globo aqui no Rio – anuncia a próxima atração do grupo: Sai o PAN, volta a violência às primeiras páginas.

Aí fica a questão: A violência está sempre nas primeiras páginas dos jornais porque é muito grande, ou é muito grande porque está sempre nas primeiras páginas dos jornais?

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Acabou o PAN, começou o tiroteio

reprodução de chamada de O Globo

Chamada de primeira página de O Globo de hoje (reproduzida aqui ao lado) mostra que nem bem terminou o PAN e já recomeçaram os confrontos entre PMs e traficantes, e com um morto.

O recomeço tão imediato do tiroteio me deixou com várias pulgas atrás da orelha, e as divido com você, leitor:

Os dados divulgados pela policia sobre a segurança durante o período do PAN não mostram uma queda tão significativa assim dos índices, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando não havia PAN nem todo o aparato de segurança que o acompanhou.

O índice de homicídios foi apenas 5% inferior. O de assaltos, 16%. O de roubo de carros, sim, 32% menor, o que mostra que a simples presença da polícia inibe esse tipo de delito.

Mas isso é muito pouco frente à tranqüilidade, à sensação de segurança que tomou conta da cidade. Apenas a diminuição desses índices justificaria essa sensação?

Não é crível que durante todo o período do PAN, imbuída pelo espírito saudável da competição dos Jogos, a galera tenha deixado de cheirar seus papelotes ou de fumar seus baseados. E, evidentemente, os traficantes estavam ali para atender à demanda.

O que teria havido então? Uma trégua da polícia, um liberou geral? Ou durante o PAN – e apenas durante ele – a polícia efetuou as prisões com o uso da inteligência, sem que fosse necessário disparar um único tiro, sem que houvesse um morto sequer? Ou, ainda, será que aconteceram confrontos, sim, e muitos morreram, sim, e isso apenas não foi divulgado para manter aceso o “espírito do PAN”?

Todas as hipóteses merecem comentários.

1. Se a polícia usou a inteligência e assim conseguiu prender traficantes e coibir o tráfico, sem a perda de vidas, por que a volta dos confrontos agora?

2. Se a polícia deixou o tráfico correr solto e isso evitou os confrontos e as mortes, e ainda de quebra nos deu a sensação de vivermos em uma cidade segura, não seria a hora de discutirmos seriamente um assunto já levantado até pelo governador do estado, Sérgio Cabral, a descriminalização das drogas?

3. Mas, se, ao contrário, tudo estava acontecendo exatamente como dantes no quartel de Abrantes, os crimes, os confrontos e os mortos continuaram durante o PAN, isso nos leva a outras perguntas:

. Por que a imprensa ficou caladinha? Ela tem o direito de nos omitir informação em benefício da boa imagem da cidade durante os Jogos?

. Não será a divulgação sensacionalista dos crimes um fator decisivo para o aumento da sensação de insegurança?

. Nossa sensação de insegurança não alimenta ainda mais a violência?

O que você acha?

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Os pitboys e os pitblogs

Os cinco pitboys que agrediram barbaramente a empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto chocaram e indignaram o país. Da mesma maneira que chocaram e indignaram o país os jovens que há 10 anos incendiaram o índio Galdino, em Brasília.

São semelhantes até nas justificativas. Os de hoje, alegam que pensavam que Sirley fosse uma prostituta. Os de Brasília alegaram que pensavam que o índio fosse um mendigo. Como se agredir – ou mesmo matar – um mendigo ou uma prostituta não fosse igualmente crime.

Na internet Brasil também temos a contrapartida dos pitboys: são os pitblogs. Em comum, a violência gratuita dos ressentidos. Eles têm absoluto desprezo pelos que lhes são diferentes. Se uns socam e chutam, os outros agridem verbalmente.

É fácil identificar os pitblogs. Seus responsáveis se acham donos da verdade. Não abrem espaço para o contraditório, e cultivam nos comentários uma legião de seguidores (em geral, indignados úteis) que aplaudem e imploram por sua agressividade, numa relação sadomasoquista.

Os mendigos e prostitutas dos pitblogs são os petistas, os lulistas e agora também os chavistas.

O que os ataca é uma doença infantil, o sentimento de onipotência de uma criança de cinco anos. Quando acontece um crime como o de agora, contra a empregada Sirley, os pitboys se dão conta de que não podem tudo, e se apavoram.

Já os pitblogs se escandalizam com a violência dos pitboys (embora seus blogs preguem a violência e sejam tão violentos quanto) e acham que os pitboys só agiram assim, porque não levaram umas boas porradas dos pais...

Pitblogs e pitboys podem até não freqüentar os mesmos ambientes. Mas agem na mesma freqüência. São como a Inquisição e a fogueira.

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TV Globo, Folha e a violência

Ontem, em artigo publicado na Folha, Fernando de Barros e Silva apontou as edições do Jornal Nacional como uma das causas do aumento da sensação de insegurança na população, revelado em pesquisa do Datafolha.

Parece claro, para dar logo nome aos bois, que a Rede Globo capitaneia, pelo menos desde a morte de João Hélio, uma campanha por "justiça já" que só tende a reforçar, ainda que involuntariamente, o caldo de cultura a favor do aprofundamento das injustiças do país.
Há no ar (e na TV) um clima de "justiça justiceira", uma mistura de clamor punitivo com alarmismo social cultivado pela mídia. Serve como exemplo o reality show macabro protagonizado diariamente em horário nobre pelos pais do menino brutalmente assassinado. O "JN" os transformou em celebridades.

Em carta à Folha, publicada hoje, o diretor-executivo de jornalismo da Globo, Ali Kamel, rebate as críticas, afirma que Fernando foi grosseiro ao chamar os pais do menino João Hélio de “celebridades”. Afirma que a Folha também dá cobertura ao tema violência, e termina:

O leitor da Folha que assiste ao "Jornal Nacional" é testemunha de que a ênfase dos dois veículos, quando o assunto é violência, é bem parecida: ambos cumprem com sua obrigação de informar.

Mas, Kamel, nunca li uma reportagem da Folha sobre o caso do menino assassinado, em que um repórter perguntasse a outro como ele se sentiu ao entrevistar os pais do menino, como William Bonner fez com a esposa Fátima Bernardes no Jornal Nacional.

Informar sobre a violência é uma coisa, espetacularizá-la, é outra, e bem diferente.

A polícia vingadora não perdoa, mata

Aconteceu no Maranhão, mas poderia ter acontecido em qualquer outro estado brasileiro. Dois PMs espancaram até a morte um “negro, ladrão, safado”.

O delegado de Costumes, Francisco Castelo Branco, que chegava à delegacia, presenciou quando os policiais tentavam, à base de estocadas de cassetetes, colocar Gerô dentro de um porta-mala do carro da PM:
- Vi e fiquei impressionado. Pedi que parassem, mas não fui atendido. O rapaz estava desacordado, parecia morto, e mesmo assim continuava a ser espancado pelos policiais. Ele estava algemado, com as mãos para trás. Foi quando gritei e chegou uma viatura da Policia Civil e o levamos para o hospital.
Gerô já chegou ao hospital sem vida. O laudo do IML constatou que ele teve quatro costelas quebradas, os rins dilacerados, e vários hematomas na cabeça e braços, inclusive com as marcas das algemas.

Seria uma vitória para essa classe média raivosa e ressentida que preconiza a truculência policial, que acha que o bandido tem que sofrer, tem que apanhar, tem que sentir na pele etc., mas um detalhe estragou tudo. Gerô era negro, mas não era ladrão nem safado. Gerô era o repentista e compositor Geremias Pereira da Silva, casado e com um filho.

Pagou o pato de uma polícia despreparada, insuflada por uma mídia sensacionalista e pelo silêncio cúmplice – muitas vezes o apoio (re)velado - de boa parte da população. Para essas pessoas, o erro dos policiais foi apenas este: Gerô não era bandido. Se fosse, tudo bem. O problema foi esse “detalhe” – exatamente como para o Parreira o gol é um “detalhe” no futebol.

Para esses, parodiando um antigo comercial, a morte de Gerô serve como alerta:

Não faça da sua polícia uma arma, a vítima pode ser você.

Diminuição da maioridade penal, prisão perpétua, pena de morte e outros ingredientes da salsicha

É a tal história: o sujeito quer comer salsicha, mas não quer saber como ela é produzida.

O mesmo acontece com certo tipo de imprensa – simbolizado pela revista Veja – e de boa parte da população brasileira. Eles querem que os problemas da violência, dos menores na rua, dos mendigos e das mulheres pobres que engravidam sem parar sejam resolvidos. O meio não importa. Pode ser pela diminuição da maioridade penal, prisão perpétua, pena de morte, construção de milhares de presídios de segurança máxima com RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), esterilização das mulheres pobres, internação dos menores de rua...

Se um político lograr êxito nessa empreitada terá sua eterna gratidão. Mais ainda se poupá-los de saber dos indigestos ingredientes dessa salsicha.

A morte e a outra morte do menino João (o caso Veja)

Em sua busca por satanizar o problema da violência no Brasil e na busca mais pragmática por faturar a indignação e o sofrimento dos outros, a revista Veja da semana passada produziu uma das mais abjetas páginas do jornalismo, com a descrição minuciosa do padecimento do pequeno João.

Detalhes escabrosos, sentimentos mórbidos, escondidos numa pretensa descrição imparcial dos fatos. Sim, porque a Veja foi além de qualquer tablóide mais vagabundo, desses que se dizia antigamente que quando se espreme sai sangue, narrando os pormenores do que teria acontecido ao corpo do pequeno João, enquanto era arrastado pelo carro dos criminosos por vários quilômetros.

Qual o interesse de tal narrativa? Qualquer um que tenha ao menos dois neurônios, o Tico e o Teco, em funcionamento e se comunicando é capaz de imaginar o que aconteceu ao corpo do garoto. Em que a descrição do que de fato teria acontecido ajuda?

É apenas carniça para alimentar os abutres de plantão, aqueles que querem o estado vingador, um estado “prende e arrebenta” ao estilo da ditadura para não ter que falar no escândalo maior desse país, que é a causa primeira da imensa maioria dos conflitos que estão aí: 91% das riquezas do Brasil estão nas mãos de apenas 4% da população.

Quem é o menor infrator

Dados do Degase, que cuida dos menores infratores no Rio de Janeiro, mostram que 70% dos adolescentes atendidos têm renda familiar de menos de um salário mínimo. Mais 15% de até dois salários.

80% deles têm o ensino fundamental (o antigo primário) incompleto. 5% deles são analfabetos.

85% são negros (43%) e pardos (42%). Os brancos são 15%.

Esse é o perfil do jovem infrator: preto ou pardo, com renda familiar de até um salário-mínimo e com o ensino fundamental incompleto.

Esses jovens são os atuais inimigos dos abutres, que se alimentam em reportagens como a da Veja, e se amparam na desculpa de que a injustiça social não justifica o crime. Concordo. Mas, na maioria das vezes, explica.