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O Globo ataca Bolsonaro com fake news e acaba fazendo o jogo dele


O perfil de O Globo no Twitter publicou uma chamada para uma reportagem com uma informação falsa sobre Bolsonaro, que está bombando na rede [imagem acima].
'Não posso tomar providência de tudo que chega a mim', diz @jairbolsonaro sobre encontro com Luiz Miranda. glo.bo/3AMPF15
A matéria diz que a afirmação de Bolsonaro foi feita numa entrevista à Rádio Gaúcha, hoje pela manhã. A leitura geral é de que Bolsonaro teria confessado crime de prevaricação. A hashtag #confessou passou a ser uma das mais sinalizadas no Twitter.
 
Fui ao Twitter do repórter da rádio e lá encontrei o vídeo a seguir com uma informação crucial, que desmente a manchete de O Globo.
 
No vídeo, que reproduz o áudio da entrevista, Bolsonaro realmente diz que não pode tomar providências sobre tudo. Mas, ao final diz: "Tomei providência nesse caso". 
 
A simples frase anula a suspeita que a manchete lança sobre Bolsonaro e que está bombando na rede, da suposta confissão de Bolsonaro do crime de prevaricação ao não tomar providência sobre a denúncia do deputado Luis [com S, viu, O Globo, e não com Z) Miranda.

Além de sua outra pensa de defeitos muitíssimo mais graves, Bolsonaro é um mentiroso compulsivo. Por isso ele deve sempre ser confrontado com a verdade. Toda a verdade.

Confira o vídeo, em meu Retweet:







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Se Folha lesse a Folha não teria caído na mal contada história da propina de US$1 por cada uma de 400 milhões de vacinas


Na noite do dia 29 de junho, a Folha publicou reportagem de Constança Rezende com denúncia de que funcionário do ministério da Saúde teria pedido US$1 de propina por cada uma das 400 milhões de vacinas AstraZeneca que um intermediário tinha a oferecer, via empresa Davati Medical Supply. A proposta teria acontecido no dia 25 de fevereiro. 
 
O esquema foi revelado à repórter pelo funcionário Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que a teria procurado para fazer a denúncia.
 
Com a publicação da matéria, um verdadeiro barata voa correu as redes e o mundo político. A CPI da COVID convocou o funcionário para depor à Comissão - o que ele fez hoje, dia 1.
 
Em seu depoimento, Dominguetti Pereira lançou outra bomba, um arquivo de áudio onde o deputado Luis Miranda, que denunciou corrupção na compra da vacina Covaxin, supostamente negociava vacina. O deputado imediatamente deu declarações  afirmando que o áudio era fruto de montagem e a conversa teria ocorrido no ano passado tratando da aquisição de luvas e não de vacinas.
 
Começaram as especulações de que a tal propina de US$1 teria sido uma ação de contrainformação do governo para desacreditar o deputado e livrar a cara do governo Bolsonaro no caso da Covaxin.
 
Todo esse sururu poderia ser evitado, caso a Folha tivesse consultado seus arquivos sobre venda de vacinas da AstraZenica. Encontraria uma reportagem de 21 de janeiro (um mês antes do tal encontro da propina, que teria ocorrido em 25 de fevereiro), de Julia Chaib e Ricardo Della Coletta, que tratava de uma nota da AstraZenica, onde a farmacêutica negava a possibilidade de venda por intermediários, como a empresa Davati Medical Supply. 
A AstraZeneca, porém, divulgou comunicado na qual informa não ser possível "disponibilizar vacinas para o setor privado".
"Nos últimos sete meses, trabalhamos incansavelmente para cumprir o nosso compromisso de acesso amplo e equitativo no fornecimento da vacina para o maior número possível de países ao redor do mundo", diz a nota.
"No momento, todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, incluindo da Covax Facility, não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado". [Folha e imagem reproduzida aqui, que é um print da página da AstraZeneca]
Se a AstraZeneca afirmou só negociar diretamente com países, por que funcionários do ministério da Saúde caíram na conversa do vendedor da Davati?

Por que a mesma pergunta não foi feita pela Folha ao denunciante?
 
Alheio ao desmentido do deputado Luis Miranda sobre o conteúdo do áudio divulgado hoje, Bolsonaro, em sua live de hoje à noite, já disse que sua equipe está produzindo vídeos para aproveitar o fato.
 
E tudo começou com a reportagem da Folha...




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Na CPI, deputado confirma que Bolsonaro soube da irregularidade e nada fez porque esquema seria do líder do governo Ricardo Barros


Na CPI da COVID, o deputado Luis Miranda declarou que foi, junto com o irmão, que é funcionário do ministério da Saúde, ao Palácio do Planalto para um encontro com o presidente Bolsonaro. Nesse encontro, os irmãos teriam relatado a Bolsonaro as irregularidades que estavam em ação no ministério da Saúde. 
 
A reação de Bolsonaro teria sido a de afirmar que aquilo era esquema de um deputado.
 
Em principio, não se revelou quem era o tal deputado. Até que, em determinado momento, sob pressão, o deputado Luis Miranda não resistiu e declarou o nome do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, como sendo o nome revelado por Bolsonaro.
 
Barros foi quem botou a Precisa (intermediária da compra da Covaxin) no esquema. Foi também quem indicou a funcionária que assinou a papelada para um pagamento fora do contrato no valor de 25 milhões de dólares. Foi também quem indicou a Precisa a Flávio Bolsonaro, que conseguiu um empréstimo para a empresa no BNDES.
 
Barros já responde a inquérito por irregulariades relacionadas à empresa-mãe da Precisa, Global:

O MPF acusa Barros de ter beneficiado a empresa Global Gestão em Saúde quando foi ministro da Saúde, entre 2016 e 2018. A Global é sócia da Precisa, empresa que agora é alvo da CPI da Covid em razão das negociações para vender a vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech.

A ação foi apresentada em dezembro de 2018. Entre outros pontos, a procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira entendeu que a pasta descumpriu decisões judiciais que determinavam o fornecimento de remédios a pacientes com doenças raras, demorou na aquisição de alguns itens, e ainda causou um prejuízo de R$ 19,9 milhões ao pagar antecipadamente à Global, que mesmo assim não foi capaz de entregar o encomendado. De acordo com o MPF, a empresa ofereceu o menor preço, mas não tinha os produtos para entregar. A solução seria chamar a segunda colocada, mas Barros teria insistido na Global e pressionado servidores do Ministério da Saúde para isso. [O Globo]

O deputado Luis Miranda, bolsonarista (ainda será?),  disse que sabe das pressões por que vai passar, mas resolveu contar tudo. Confira no vídeo, onde ele afirma que se decepcionou com Bolsonaro, porque o presidente sabia das irregularidades, sabia quais eram e quem era o mandante, mas nada fez.

Como venho afirmando desde o início do caso Covaxin aqui, vai ser necessário um contorcionismo de dar torcicolo em girafa para livrar Bolsonaro do impeachment.
 
O vídeo do deputado Luis Miranda confirmando o esquema para a senadora Simone Tebet:






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