Mostrando postagens com marcador MST. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MST. Mostrar todas as postagens

Bolsonaro corre para dizer que respeita Teto. Mas desrespeita Sem Teto


Bastou Paulo '1 bilhão dos Fundos' Guedes falar nas renúncias na Economia para Bolsonaro correr com Botafogo Maia e Alcolumbre para tranquilizarem o Mercado.

Bolsonaro prometeu respeitar o Teto de Gastos. É mentira, todo mundo sabe disso. Ele é um mentiroso contumaz. Mas pelo menos fez questão de vir a público dizer que respeita o Teto.

Já os Sem Teto ele desrespeita e continua desrespeitando.

Em plena pandemia, a Justiça de Minas mandou despejar 450 famílias do Quilombo Campo Grande. Mais de 2400 pessoas, entre idosos, jovens, adultos e crianças, que ocupam uma área de uma Usina falida, que não pagou seus funcionários, há 20 anos.

O governador Zema (outro mentiroso, que garantia que em Minas a COVID estava sob controle, mas era só máscara, e os índices estão explodindo agora) disse que iria interceder em favor do adiamento da ação da Justiça. Mas a PM continua lá, como mostra a imagem acima.

O que fazem os Sem Terra nas terras ocupadas da Usina falida?
Os agricultores organizados pelo MST há mais de duas décadas produzem no local hortaliças, frutas, aves, leite e café de forma sustentável. Na última safra, as famílias produziram mais de 9 mil sacas de café, 60 mil sacas de milho e 500 toneladas de feijão. Além de uma diversificada produção de hortaliças, verduras, legumes, galinhas, gado e leite. Ao longo desses anos também foram construídas parcerias com organizações e instituições da região que incentivaram a produção, o fomento da educação popular e a melhoria de infraestrutura para as famílias. [Fonte]


Por que correr para sinalizar ao Mercado o respeito ao Teto e não mandar seu ministro da Justiça "ver esse negocio daí, essa cuestão das 450 famílias de Sem Teto ameaçadas em plena pandemia"?

A resposta é simples: o projeto de Bolsonaro não incluiu, porque, como ele mesmo afirmou, não veio para construir, mas para desconstruir.

É fazer do Brasil terra arrasada para o capital.



Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos




Recentes:


Assine a newsletter do Blog do Mello.
É grátis.

Mesma Justiça que mandou pra casa Queiroz e mulher foragida expulsa de casa 450 famílias de Quilombo em Minas


A desigualdade do Brasil se reflete na Justiça do Brasil.

Isso fica claro nos dois casos citados no título: o ministro do STJ, Otávio de Noronha (aparentemente para agradar Bolsonaro, de olho na vaga do STF) mandou para casa Fabrício Queiroz em prisão domiciliar e também sua esposa, a foragida da Justiça Márcia, preocupado com a saúde de Queiroz (o gerente da rachadinha da famiglia Bolsonaro) durante a pandemia.

Essa mesma Justiça, em meio à mesma pandemia, manda expulsar 450 famílias com grande número de idosos e crianças do Acampamento Quilombo Campo Grande em Minas.
O acampamento Quilombo Campo Grande, que reúne 450 famílias sem-terra no município de Campo do Meio, localizado no sul de Minas Gerais, é alvo de despejo iniciado na madrugada desta quarta-feira (12). A ação conta com dezenas de viaturas e policiais de outras cidades.
A reintegração de posse, que prevê a retirada da vila de moradores e da estrutura da Escola Popular Eduardo Galeano, foi emitida pela Justiça estadual mesmo sob decreto de calamidade pública em Minas Gerais devido à pandemia do novo coronavírus. As famílias seguem no local e tentam negociar a permanência na área. Até o momento, apenas a área da Escola foi reintegrada.
Integrantes da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) denunciam que a responsabilidade por feridos ou mortes em decorrência de um conflito direto com as forças policiais são de responsabilidade do governador Romeu Zema (Novo), que permitiu o despejo em meio à crise de saúde pública sem precedentes no país.
Segundo o MST, a decisão descumpre acordo firmado em mesa de diálogo sobre o conflito, para que as famílias permanecessem no local ao menos enquanto houvesse necessidade de isolamento social.
Ainda de acordo com o movimento, a ostensividade policial é frequente contra os acampados. Em 30 de julho, por exemplo, mais de 20 policiais invadiram casas no acampamento e prenderam o sem-terra Celso Augusto, conhecido como Celsão, que foi liberado no mesmo dia.
Conforme relataram os acampados, os agentes entraram nos imóveis armados de fuzis e pistolas, quebrando portas e janelas. O MST denuncia ainda que, no dia anterior ao despejo, a polícia rondou o acampamento com viaturas e drones, intimidando as famílias. [Leia reportagem completa no Brasil de Fato]
Nem o estado de calamidade pública decretado em Minas comoveu a Justiça.

Que as famílias resistam e a sociedade organizada consiga uma liminar que pare com a ação de despejo, a essa altura simplesmente criminosa.




Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos




Recentes:


Assine a newsletter do Blog do Mello.
É grátis.

O mundo ideal, o mundo real e o Blog do Mello

Banner do blog do Mello

No mundo ideal não teríamos quase 40 milhões de desempregados como temos hoje, se somarmos os que procuram emprego e não encontram aos que já nem se dão ao trabalho de procurar porque sabem que não há.

No mundo ideal, todos seríamos solidários e viveríamos numa sociedade fraterna, sorvendo do maná da goiabeira e dividindo nossas alegrias e tristezas com os demais brasileiros.

No mundo ideal, Bolsonaro não seria presidente, mas há muito tempo estaria preso por sua apologia ao assassinato de opositores ("matava pelo menos uns 30 mil"), por sua defesa do crime hediondo da tortura e dos torturadores, como seu ídolo e de seu clã, o torturador cruel, repulsivo e condenado pela Justiça como torturador, Brilhante Ustra.

Mas o mundo real é o que temos, o enfrentamento diário da barbárie que se acerca de nosso país, com uma tropa de milicianos chegando ao poder.

Nossa corrente de solidariedade tem que se alargar e, usando uma frase que se tornou muito popular ao final da campanha, "ninguém solta a mão de ninguém" tem que ser nosso mantra.

O Blog do Mello, a partir de hoje, vai ter no centro de suas postagens um banner em apoio aos movimentos populares e de divulgação das causas humanitárias.

Inauguro com este do MST, que ficará aqui sem qualquer contrapartida do movimento, ou seja, de forma gratuita, como me disponho a colocar outros, na medida das demandas e das possibilidades do blog.

O Blog do Mello conta também com a solidariedade de seus leitores para que divulguem o blog entre seus contatos e colaborem com sua manutenção, fazendo uma assinatura ou doação, clicando nos botões respectivos: Assinar com e Mais formas de apoiar, a seguir.

O Blog do Mello existe há 14 anos e é um dos poucos que ainda é aberto a todos e de leitura absolutamente livre de paywall e popups e tocado exclusivamente pelo blogueiro.

Aproveite enquanto ainda há salário e pensão no seu mês e faça isto agora. O blogueiro agradece.



Siga o Blog do Mello no Twitter: @blogdomello  No Instagram: @blogdomello


Com seu apoio o Blog do Mello é e vai continuar a ser de livre acesso a todos, e sem popups de propaganda




Leia também:
Para receber notificações do Blog do Mello no seu WhatsApp clique aqui
Você vai ser direcionado ao seu aplicativo e aí é só enviar e adicionar o número a seus contatos


Assine a newsletter do Blog do Mello

Brasil é campeão mundial no consumo de venenos agrícolas

A afirmação é do economista e dirigente do MST João Pedro Stédile em artigo, estranhamente, publicado no Globo de ontem. São 713 milhões de toneladas, o que dá 3700 quilos para cada um de nós. Haja estômago...

Leia a íntegra do artigo, que copiei do site do MST.

Agrotóxicos no seu estômago

24 de setembro de 2009

Por João Pedro Stédile

Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será? Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.

Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do modelo agrícola do agronegócio.

O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas.

Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.

Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.

As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo, tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.

E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.

Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.

Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.

Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.

Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.

Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.

E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento.

Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade.

Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto.

Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.

E você precisa se decidir. De que lado você está?

Ah, hoje estreia às 22 horas o Programa Nova África, na TV Brasil. Não podemos perder.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

Por que Jornal Nacional não diz que Dantas é o do dono da fazenda em conflito no Pará?

Todos os dias desta semana o Jornal Nacional tem falado sobre o conflito entre jagunços da fazenda Espírito Santo, membros do MST e o governo do Pará. Sempre com críticas ao MST, ao governo do Pará (da petista Júlia Carepa) e ao governo federal. Mas, em nenhuma dessas reporcagens é citado o nome do proprietário da fazenda (que tem a legalidade de sua escritura questionada na Justiça, pois seriam terras do estado, segundo uma decisão de janeiro deste ano do juiz da vara Agrária de Santa Maria dos Barreiras, no Pará, Líbio de Moura).

A fazenda Espírito Santo pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Grupo Opportunity, do banqueiro condenado Daniel Dantas.

Confira as reporcagens aqui e tire suas próprias conclusões: segunda, terça, quarta, quinta.

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

13 anos do massacre de Eldorado dos Carajás


Foi ontem. E esta postagem é do ano passado, mas continua atual. Como a impunidade. Até hoje, ninguém cumpre pena pelo massacre. Foram 22 mortos e 70 feridos e mutilados.

No dia de hoje [ontem], 17 de abril, cumprem-se 13 anos do massacre praticado pela polícia militar do Estado do Pará, em Eldorado dos Carajás, que resultou na morte de 22 agricultores sem-terra, mais 70, entre mutilados e feridos. Condenados judicialmente, como responsáveis pela chacina, o Coronel José Mario Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, às penas de 228 anos e 154 anos de prisão, respectivamente, os dois continuam livres, por força de recursos que impetraram junto ao Superior Tribunal de Justiça em Brasília. [Para saber mais leia reportagem de Antonio Cechin e Jacques Távora Alfonsin no Adital.]

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

Requião diz que MST é dádiva de Deus, defende Protógenes e prisão de Dantas

O governador do Paraná, Roberto Requião, é uma figuraça. Já apareceu várias vezes aqui no blog, principalmente por suas posições de independência e confronto com a mídia corporativa, especialmente com a Rede Globo.

Requião pega pesado e diz o que acha que deve dizer, especialmente contra a mais poderosa rede de TV do país. Como aqui, quando Requião diz que Rede Globo é insaciável e denuncia chantagem da mídia.

Hoje, li no blog do PHA que ele defendeu o MST, que tem sido alvo de ataque dos jornalões e até do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes. Mas não apenas isso. Requião foi além e defendeu a quebra de sigilo total para o homem público, que só deve ter preservada sua vida íntima:

Numa solenidade de formatura de delegados de policia do Paraná, o governador Roberto Requião, ontem, disse, para espanto de todos, que o MST é uma dádiva de Deus.
. E explicou: o MST encaminha uma juventude excluída para um trabalho de militância social e arar um pedaço de terra.
. Com o MST eu converso, disse Requião.
. Eu encaminho reivindicações ao Governo Federal; eu faço uma escola.
. Com o crime organizado – que seria a alternativa para a juventude excluída – eu faço o que ?, perguntou Requião?
. No MST, alguns querem o socialismo e eles têm direito a isso.
. Outros querem um pedaço de terra.
. E outros querem vender a terra – e são esses que empurram o MST adiante.
. Eu conversei com o Governador Requião sobre a Sanepar.
. Uma empresa de saneamento que Daniel Dantas privatizou e Requião tomou de volta.
. Requião, ao contrário do Presidente Lula, enfrentou Dantas.
. Requião disse que gostaria muito de ver Dantas na cadeia.
. E disse mais, sobre a batalha do Presidente do Supremo e o delegado Protogenes: Requião acha que autoridade não deveria ter direito a sigilo.
. A nenhum sigilo, muito menos o telefônico.
. Só não pode divulgar conversas íntimas, privadas.
. O resto, todo mundo tem o direito de saber.
. O homem público é público, diz Requião.

Com seu estilo xerifão, o governador enfrentou manifestantes que defendiam produtos da Monsanto, como eu já publiquei aqui. Ele mandou que manifestantes com faixas em defesa da soja transgênica enfiassem a faixa no... Veja onde:



Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

O que há por trás das invasões e ondas de protesto que aconteceram ontem pelo Brasil e que a mídia corporativa não diz

Rádios, jornais, TVs, desde ontem a mídia corporativa deita e rola com uma crítica virulenta ao que chamam genericamente de ocupações e atos violentos do MST, que aconteceram pelo Brasil.

Como o objetivo deste blog é buscar informação alternativa, fui direto à fonte, o site do MST, para ler a versão deles:

A Via Campesina e trabalhadores urbanos integrantes da Assembléia Popular realizam uma jornada de lutas para denunciar os problemas causados pela atuação das grandes empresas no país, especialmente as estrangeiras, que são beneficiadas pelo modelo do agronegócio e pela política econômica neoliberal, nesta terça-feira. A Assembléia Popular é um espaço de organização de comunidades e articulação dos movimentos populares da cidade.

Já aconteceram protestos em Pernambuco, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Santa Catarina, Alagoas, Paraná, Tocantins e Rondônia. O modelo econômico baseado no capital financeiro e no oligopólio de empresas transnacionais, principalmente do setor do agronegócio e da energia, sacrifica a renda da população com o aumento do preço dos alimentos e da conta de luz.

As ações denunciam que a especulação das empresas transnacionais e do capital financeiro, que impõem a monocultura de cana e eucalipto, causam a crise do preço dos alimentos. O mercado agrícola mundial é controlado pelo oligopólio de menos de 40 empresas que controlam toda produção, insumos, processamentos até a agroindústria.

No nordeste, organizações populares denunciam que a transposição do Rio São Francisco beneficiará apenas os latifundiários do agronegócio. O projeto do governo mostra que a destinação da água é de 4% para a população rural, 26% para o meio urbano e 70% para o agronegócio.

Em Rondônia, 300 trabalhadores do MAB e Via Campesina trancaram, nesta manhã [o texto sempre se refere ao dia 10 de junho], a BR 364, em Candeias do Jamari, a 20 Km de Porto Velho, no trecho que liga Porto Velho a Cuiabá. A rodovia é o principal caminho para o escoamento da soja produzida no Mato Grosso. A mobilização visa denunciar o desmatamento da Amazônia, a ocupação ilegal de enormes extensões de terra para plantação de soja e protesta contra a construção dos usinas do Complexo Madeira. Em Ouro Preto, 200 pessoas fizeram uma mobilização por redução no preço da energia.

Em Tocantins, atingidos pela usina hidrelétrica de Estreito trancam a estrada de ferro da Vale do Rio Doce, no município de Darcinópolis, em Tocantins. Cerca de 400 pessoas paralisam o tráfego do trem que abastece as obras da ferrovia que ligará o Porto de Itaqui, no Maranhão, ao município de Senador Canedo, em Goiás.

Depois de construída, a ferrovia fará o transporte da soja produzida na região amazônica e de minério de ferro da Vale. Além de denunciar o corte ilegal da floresta amazônica e do cerrado para grandes extensões de lavoura, os manifestantes reivindicam o cumprimento dos acordos feitos entre eles e a empresa Valec, construtora da ferrovia.

No Paraná, cerca de 300 agricultores do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e da Via Campesina estão acampados na hidrelétrica de Salto Santiago, no Paraná, em protesto contra a transnacional franco-belga Suez-Tractebel, dona da barragem. É a segunda vez no ano que a UHE de Salto Santiago é ocupada por trabalhadores rurais. Eles também protestam contra lei que impede agricultores de viverem a menos de cem metros da mata ciliar no entorno do lago da barragem. Os manifestantes exigem uma rodada de negociações com o governo para resolver os problemas dos atingidos pela barragem.

Em Pernambuco, cerca de 200 trabalhadores rurais da Via Campesina ocuparam a Estação Experimental de Cana-de-Açúcar (EECAC), no município de Carpina, Zona da Mata Norte de Pernambuco, nesta manhã, em protesto contra o avanço da monocultura de cana-de-açúcar na região, que contribui para a elevação da crise dos alimentos no país. Durante a ocupação, os agricultores destruíram mudas de variedades de cana, inclusive espécies transgênicas, e cortaram cerca de dois dos 100 hectares de cana-de-açúcar plantadas na Estação.

A Estação Experimental é uma Parceria Público-Privada entre o Sindaçúcar (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool), que reúne as 20 maiores usinas estaduais, e a Universidade Federal Rural de Pernambuco. Com 250 hectares, a área poderia assentar cerca de 50 famílias Sem Terra e produzir alimentos para abastecer as feiras da região.

No Espírito Santo, cerca de 500 trabalhadores da Via Campesina realizam um protesto contra a expansão do monocultura da cana-de-açúcar. A mobilização está ocorrendo no município de Montanha, onde será instalada uma nova usina, pertencente à empresa estrangeira Infinity Bio-Energy, companhia criada em 2006 e sediada na Ilha das Bermudas, e que já comprou todas as usinas de cana do norte do ES.

A região norte do Espírito Santo conta com 40 mil hectares de cana plantados e deve ser dobrada a área de plantio nos próximos anos. Isso está sendo estimulado tanto pela instalação da empresa Infinity Bio-Energy, que pretende tornar-se líder mundial na produção e distribuição de álcool e outros biocombustíveis, e pelo governo do estado, que apontou a meta de ampliação em 133% da produção de álcool, conforme o Plano Estratégico de Agricultura Capixaba (PEDEAG).

Em São Paulo, 450 trabalhadores da Via Campesina ocuparam uma fazenda no município de Mirante do Paranapanema, da Organização Odebrecht, que está construindo a usina Conquista do Pontal para a produção de etanol. A Odebrecht, entre outras empresas, estão se utilizando irregularmente de terras públicas para a instalação de usinas e plantio de cana-de-açúcar.

O projeto de expansão da Odebrecht prevê a utilização de 160 mil hectares de terras para a produção de matéria-prima (cana-de-açúcar). Essas terras estão dentro do 11° perímetro do Pontal do Paranapanema, uma região de terras públicas.

Na cidade de São Paulo, cerca de 600 trabalhadores rurais da Via Campesina e integrantes da Assembléia Popular ocuparam prédio da Votorantim e CPFL para denunciar os impactos ambientais da construção da barragem de Tijuco Alto, no Rio Ribeira de Iguape, que corta os estados de São Paulo e Paraná. O protesto também denuncia os altos preços da energia elétrica.

A Polícia Militar invadiu o prédio com soldados e reprimiu com violência a manifestação pacífica, com bombas de gás de pimenta e tiros. Foram presos cinco manifestantes da Via Campesina e Assembléia Popular, liberados no final da tarde.

O Ibama reprovou duas vezes os Estudos de Impacto Ambiental (EIA/Rima) apresentados pela companhia. A empresa enviou um novo relatório em 2005 e ainda não recebeu parecer conclusivo do Ibama. Ainda existem duas pendências: uma referente ao dispositivo legal que permite a inundação de cavernas (há duas na área a ser alagada), e outra relativa à revalidação do direito de uso dos recursos hídricos do rio Ribeira, a cargo da Agência Nacional de Águas (ANA).

Na Paraíba, mais de 200 trabalhadores rurais da Via Campesina ocuparam o latifúndio Nossa Senhora de Lourdes, localizado a 5 km da cidade de Mari, que possui 1.100 hectares com a monocultura da cana. A propriedade de Carlos Ribeiro Coutinho foi arrendada para a Usina Jacungu.

Os lavradores estão recebendo ameaças de pistoleiros, que começam a rondar o acampamento, com homens armados vestidos de preto preparados agirem à noite contra os trabalhadores rurais acampados.

“Os integrantes da Via Campesina denunciam o modelo agroexportador, e a opção do governo por ele. Expandido a monocultura da cana de açúcar, cada vez menos terra sobra para ser feito a Reforma Agrária e para a produção de alimentos”, denuncia Dilei Aparecida, da coordenação estadual da Via Campesina.

No domingo, 150 famílias ocuparam um latifúndio nas Várzeas de Sousa e ainda permanecem acampadas no local para denunciar a opção do governo de expandir o agronegócio na região, beneficiando o Grupo Santana Sementes. Desde domingo, os fiscais da área estão fazendo varias ameaças às famílias acampadas, mas elas permaneceram resistindo no local.

No Ceará, cerca de mil trabalhadores rurais da ocuparam o Porto do Pecém, situado em São Gonçalo do Amarante (região metropolitana). Foram fechadas as áreas de carga e descarga do terminal em protesto contra o projeto de instalação de cinco termoelétricas, uma refinaria e uma siderúrgica no complexo, que vão causar danos ambientais e sociais.

Além disso, os trabalhadores protestam contra a alta dos preços dos alimentos, transposição do Rio São Francisco e instalação de uma refinaria da Petrobrás, que será construída em cima da bacia hidrográfica e o consumo de água será equivalente a uma cidade de 30 mil habitantes.

Na Bahia, agricultores da Via Campesina ocuparam a barragem da usina de Sobradinho para denunciar que os grandes projetos de irrigação beneficiam apenas os latifundiários do agronegócio, especialmente o projeto de transposição do Rio São Francisco, o Pontal Sul, em Petrolina, e o Projeto Salitre, na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia.

Depois de investimento publico em infra-estrutura de irrigação (no caso do Pontal Sul já foram investidos cerca de 250 milhões de reais), essa estrutura é privatizada nos acordos de Parceria Publica Privada (PPP).

Em Alagoas, 1.000 pessoas de diversas organizações populares, Via Campesina, grupos, pastorais, povos e comunidades tradicionais (Indígenas, Quilombolas e Pescadores Artesanais) fazem protesto na hidrelétrica de Xingó contra a transposição do Rio São Francisco, construção das novas barragens e a baixa vazão do rio, que causa fortes impactos na Foz do Rio São Francisco. Os manifestantes denunciam que a transposição e as novas barragens beneficiam apenas os latifundiários do agronegócio.

No Rio Grande do Sul, trabalhadores do campo e da cidade ocuparam cedo da manhã desta terça-feira a transnacional de alimentos Bunge, na cidade de Passo Fundo (região Norte gaúcha). Os camponeses e trabalhadores denunciam o monopólio que as empresas de alimentos, como a Bunge, implementam no mercado, definindo os preços pagos pelo trabalhador nos supermercados, que estão cada vez mais caros.

O Ministério da Agricultura concluiu em estudo que a Bunge, no Brasil desde 1938, montou um oligopólio no setor brasileiro de fertilizantes e vem sendo responsável pela alta do preço dos alimentos, com os altos custos de produção de lavouras. Além disso, a Bunge precisou ser intimada pela Justiça em 2007 para rotular como produto que contém transgênico o seu azeite Soya, pois escondia essa informação da população.

Na divisa dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, cerca de 300 trabalhadores rurais ocuparam as instalações da Usina Hidrelétrica de Itá, que pertence à transnacional franco-belga Suez-Tractebel e a ação faz parte da jornada nacional de lutas da Via Campesina contra o modelo energético e econômico e contra as transnacionais.

A Suez-Tractebel é a maior empresa estrangeira de geração de energia no Brasil, com 13 usinas (6 hidrelétricas e 7 termelétricas). Segundo dados da própria empresa, em 2007, o lucro líquido foi de R$ 1,05 bilhão, 6,8% acima do lucro obtido em 2006.

Em Santa Catarina, foram realizadas mobilizações em duas regiões do Estado. Cerca de 700 trabalhadores estão em frente à Klabin, empresa de papel e celulose, que detém 160 mil hectares de pinho e eucalipto no estado.

Além disso, os manifestantes distribuem 500 mudas de árvores nativas e 15 toneladas em cestas de alimentos para a população da cidade de Otacílio Costa, que inclui morangas produzidas em um assentamento da Reforma Agrária no município de Ponte Alta. Os manifestantes também irão plantar centenas de mudas de árvores nativas, em protesto contra o "deserto verde", provocado pelo plantio em grande escala de pinus e eucalipto.

No município de Maravilha, 1200 trabalhadores da Via Campesina estão concentrados no trevo da BR 282 e trancaram a rodovia, que dá acesso à cidade, onde farão protestos contra a Aurora, que representa o modelo de produção do agronegócio.

Em Minas Gerais, 500 pessoas participantes da Assembléia Popular bloquearam a linha férrea da mineradora Vale, na altura do bairro São Geraldo, em Belo Horizonte, para denunciar os problemas causados pela passagem do trem. O trem bloqueia a passagem de veículos por até 2 horas e, desde o ano passado, já morreram 04 pessoas dentro de ambulâncias, inviabiliza as aulas da Escola Municipal Pe. Francisco Carvalho Moreira por causa do barulho e abala a estrutura das casas.

Os integrantes da Assembléia Popular de Belo Horizonte, nos bairros de São Geraldo, Caetano Furkim, Boa Vista, Casa Branca e Vila Mariana de Abreu pedem a transposição da linha há 25 anos e a indenização das famílias que perderam parentes. Em 2007, paralisaram a passagem do trem por duas ocasiões e nenhuma das promessas foram cumpridas.

Uma comissão apresentou como pauta a exigência da transposição dos trilhos. Os representantes da FCA e da Vale garantiram o início das obras no prazo de 40 dias. O mesmo acordo foi firmado também com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Como se vê, uma infinidade de reivindicações, mas a mídia corporativa não nos informa sobre nenhuma delas. Apenas nos diz que as ações são violentas, sem nenhuma explicação sobre o que as teria motivado.

Ou, nas palavras de Brecht:

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem"

Clique aqui para ler as notícias de hoje do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

O que é agenda-setting?

Do Palanque do Blackão:

O verbete da Wikipedia (em inglês) começa com a seguinte citação dos autores Shaw & McCombs, de 1977:

“Pode estar aqui o efeito mais importante da comunicação de massa: sua habilidade de ordenar e organizar o ‘nosso mundo’ para nós. Em suma, a mídia de massa pode até não obter sucesso em nos contar o que pensar, mas ela é incrivelmente bem-sucedida em nos contar sobre o que pensar.”

Os meios de comunicação de massa seguem uma agenda de temas que eles e seus mantenedores consideram interessantes. A maneira de contar importa muito, pois o que e como ser mostrado e sobretudo o que ser omitido sobre um determinado tema são determinantes na maneira do consumidor-interagente dessa informação pensar.

Poderíamos dizer que o MST serve talvez o melhor churrasco do mundo e de graça para os visitantes dos assentamentos. Que há escolas que ensinam o trabalho agrícola, que reforçam a história e que eles trabalham sempre cooperativados. Os lucros são irmamente repartidos entre todos sem exceção. E eles têm uma noção de lucro, despesa e investimento absurda, mesmo quem não tem 2° grau. Ninguém pode ficar sem comida nunca.

Mas duvido que 90% dos leitores deste blog de esquerda sequer imaginem que o movimento seja tão organizado assim.