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Todo o poder a Gilmar Bacamarte na Casa Verde

Li em algum lugar que estaria sendo levantada a hipótese de o ministro Gilmar Mendes poder votar duas vezes, em caso de empate numa decisão do STF. Funcionaria assim: são onze os ministros. Vamos que um não vá votar por algum motivo. Se o resultado final der cinco a cinco, Gilmar Mendes teria direito de votar novamente para desempatar.

É como já falei aqui, de descalabro em descalabro, ele está se transformando no Simão Bacamarte do STF. E já que é assim, por que não simplificar e deixar logo tudo nas mãos dele?

Habeas corpus para Dantas? Gilmar decide: concedido. Posse de terra para o MST? Gilmar decide: mande a polícia tirá-los de lá. Pergunta de jornalista? Gilmar ameaça: tome cuidado com esse tipo de perguntas.

Depois é só pintar o STF de verde para ficar igual à Casa Verde de Itaguaí de Machado de Assis, e a gente passa a encarar o STF como peça de ficção, como aqueles discursos diários do senador Mão Santa.

Toda vez que ligo na TV Senado o Mão Santa está falando. Tem mais tempo no ar do que qualquer pastor desses que compram (ilegalmente, já que é uma concessão pública) horários nas redes de aluguel.

Mas, o que tanto fala o Mão Santa, se não lemos uma única linha a respeito de seus discursos?

Deveria acontecer o mesmo com Gilmar Bacamarte. Ele decidiria, imperial, e o país o ignoraria completamente, vida que segue, as questões jurídicas resolvidas nas instâncias inferiores, já que o STF Bacamartou de vez.

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Gilmar Bacamarte Mendes, O Alienista na presidência do STF

Eu já havia levantado aqui minha suspeita, mas assistindo à íntegra da sabatina do ministro Gilmar Mendes na Folha, não tenho mais dúvidas: ele é o Simão Bacamarte à frente do STF.

Assim como o personagem do divertidíssimo conto de Machado de Assis, O Alienista, o presidente do Supremo se acha imbuído de uma missão científica. Ambos se julgam porta-vozes da verdade e do conhecimento científico, diante do caos mental (Simão) e jurídico (Mendes).

No conto, Simão Bacamarte funda a Casa Verde e tranca ali todos os que considera loucos na cidade, para estudá-los. Encontra tantos, que percebe que há mais gente dentro da Casa Verde que fora. Inverte então os critérios e passa a trancafiar os que são sinceros, os modestos etc.

Estando os loucos divididos por classes, segundo a perfeição moral que em cada um deles excedia às outras, Simão Bacamarte cuidou em atacar de frente a qualidade predominante. Suponhamos um modesto. Ele aplicava a medicação que pudesse incutir‑lhe o sentimento oposto.

(...)No fim de cinco meses e meio estava vazia a Casa Verde; todos curados!

Foi aí que:

Simão Bacamarte achou em si os característicos do perfeito equilíbrio mental e moral; pareceu‑lhe que possuía a sagacidade, a paciência, a perseverança, a tolerância, a veracidade, o vigor moral, a lealdade, todas as qualidades enfim que podem formar um acabado mentecapto. (...) [Trancou-se então na Casa Verde], entregou‑se ao estudo e à cura de si mesmo.

O que a Casa Verde e Amarela reserva ao ministro Gilmar Bacamarte?

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Uma solução Simão Bacamarte para o Pará

Segundo o G1:

O delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, afirmou em depoimento à Comissão de Direitos Humanos no Senado nesta terça-feira (27) que a adolescente presa com 20 homens em uma cela no município de Abaetetuba (PA) “certamente tem alguma debilidade mental porque em nenhum momento informou ser menor de idade”.

Depois dessa, a governadora petista do Pará, Ana Júlia, só tem uma saída: usar a solução do personagem Simão Bacamarte, de O Alienista, de Machado de Assis. Tem que soltar todas as mulheres presas e trancafiar no xadrez todos os delegados. A começar por esse delegado-geral, que ainda acusa de debilidade mental uma menor que vem sendo violentada (nos sentidos amplo e restrito) há tempos no Pará.

Algema neles, governadora. E bote as meninas na escola.

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