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Mobilização de ‘cansados’ na praça da Sé foi um fiasco

Repararam nas fotos do evento do ‘Cansei’ na praça da Sé? Todas “fechadinhas”. Por que não bateram uma foto lá do alto, de um helicóptero, por exemplo, mostrando o público?

Porque foi um fiasco, respondo eu. Centro da cidade, horário do almoço de sexta, presença anunciada de artistas - especialmente de Ivete Sangalo – e só compareceram 1500 pessoas, segundo a PM do governador Serra. Ivete costuma botar muito mais gente que isso em seus shows, e cobrando mais de R$ 100 por cabeça.

Vexame maior foi o que fizeram com familiares das vítimas do Airbus da TAM. Simplesmente eles foram proibidos de subir ao palco, embora tenham sido usados como isca ou estopim do movimento.

Quando é que vão parar de se apoderar da dor dos outros?

E, pra não ficar apenas na crítica, mostro a seguir a foto de um movimento de verdadeiros cansados. É de 1984, e flagrei-a na internet, numa página do Jornal do Senado. Reparem no título da reportagem (clique na imagem para ampliá-la): Diretas Já: o povo já cansou de esperar. Foram 300 mil pessoas, segundo a PM da época.

Quando a mobilização vai ao encontro de um sentimento verdadeiro da população, ela é um sucesso. Quando não, como ontem, fracassa.


Reprodução de reportagem do Jornal do senado, com foto de uma multidão na praça da Sé

Organizadores do ‘Cansei’ usam e descartam familiares das vítimas do acidente com Airbus da TAM

Reportagem de Anne Warth no Estadão:

SÃO PAULO - O ato do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como "Cansei", foi marcado por desorganização por parte das lideranças e revolta dos familiares das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, que completa nesta sexta-feira, 17, um mês. Cerca de 40 parentes, vindos de todas as partes do País, compareceram à Praça da Sé, mas não puderam subir ao palco que foi montado no local para os organizadores e artistas que aderiram ao ato.

Enquanto a manifestação acontecia, os familiares ficaram represados na rampa de acesso ao palco. Nem sequer a presença do grupo foi citada pela organização. "Disseram que o palco estava cheio e que poderia cair se subíssemos. Estava cheio de artistas e seguranças. Nós éramos quem deveria estar lá em cima", disse Luciana Haensel, filha de Ângela Haensel, que veio de Porto Alegre para participar do ato em memória de sua mãe, que era passageira do vôo 3054 da TAM.

"Isso não nos abala. Vamos fazer a nossa homenagem logo mais, à tarde. Fomos usados por este movimento", disse Ana Queiroz, que veio do Recife, mãe de Arthur Queiroz, vítima do acidente aéreo.

Familiares das vítimas farão, às 17h30, uma passeata do saguão do Aeroporto de Congonhas, zona sul da capital paulista, até o local do acidente, onde depositarão flores sobre os escombros.

O empresário João Dória Jr, presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), pediu desculpas aos familiares. "Fizemos uma coisa indelicada e injusta com vocês", admitiu. Ele explicou que dois familiares subiriam ao palco para representar todo o grupo, mas o ato foi encerrado antes que eles pudessem se manifestar.

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Dissidência no ‘Cansei’

Dizem as más línguas, que mal começou e o ‘Cansei’ já tem sua dissidência. Ontem, por exemplo, Regina Duarte e Ana Maria Braga, que prometeram presença no evento da praça da Sé, simplesmente não apareceram. Estariam ‘exaustas’.

Os ‘exaustos’ seriam a versão hardcore do movimento, que levam o ‘cansaço’ às suas últimas conseqüências. Eles simplesmente deitam e puxam uma soneca.

A conferir.

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