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'Choque de gestão' em SP libera R$ 752 milhões sem licitação

Não saiu na primeira página, nem na home da versão online, mas pelo menos a Folha deu a notícia de que a Nossa Caixa se meteu num negócio pra lá de escabroso, durante o choque de gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, com reflexos até os dias de hoje. O banco paulista, que tem o governo de São Paulo (leia-se o povo de São Paulo) como seu principal acionista, fechou contratos num valor total de R$ 752 milhões, sem licitação, com uma empresa chamada Asbace.

Para justificar a contratação direta num valor tão alto, a Nossa Caixa se baseou no inciso XIII, do artigo 24 da lei nº 8.666/93, que prevê a dispensa de licitação se a contratada não tiver fins lucrativos, gozar de inquestionável reputação ético-profissional e for voltada ao ensino, à pesquisa ou ao desenvolvimento institucional.

Só que, em seguida, a Asbace, “sem infra-estrutura para a execução dos serviços”, subcontratou a “ATP Tecnologia e Produtos, que tem fins lucrativos e pertence à própria associação”, para fazer o serviço. Na prática, a Asbace funcionou como fachada para a contratação da ATP, sem concorrência, num negócio de quase R$ 800 milhões. Acha pouco? Tem mais:

A ATP, por sua vez, subcontratou a ONG Caminhar, cujos funcionários relataram à polícia terem prestado serviços fictícios à Nossa Caixa.

R$ 1 bi sem licitação, isso é que é choque de gestão! Eu, por exemplo, estou chocado.

Ainda segundo a reportagem de Lilian Christofoletti:

A Asbace está sob suspeição desde junho, quando a polícia e a Promotoria do Distrito Federal deflagraram a Operação Aquarela, que prendeu o ex-presidente da associação e do BRB (banco estatal de Brasília) Tarcísio Moura e o ex-secretário-geral e principal homem da entidade, Juarez Cançado.

Juarez Cançado?! Estará aí a origem do movimento Cansei?

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Mobilização de ‘cansados’ na praça da Sé foi um fiasco

Repararam nas fotos do evento do ‘Cansei’ na praça da Sé? Todas “fechadinhas”. Por que não bateram uma foto lá do alto, de um helicóptero, por exemplo, mostrando o público?

Porque foi um fiasco, respondo eu. Centro da cidade, horário do almoço de sexta, presença anunciada de artistas - especialmente de Ivete Sangalo – e só compareceram 1500 pessoas, segundo a PM do governador Serra. Ivete costuma botar muito mais gente que isso em seus shows, e cobrando mais de R$ 100 por cabeça.

Vexame maior foi o que fizeram com familiares das vítimas do Airbus da TAM. Simplesmente eles foram proibidos de subir ao palco, embora tenham sido usados como isca ou estopim do movimento.

Quando é que vão parar de se apoderar da dor dos outros?

E, pra não ficar apenas na crítica, mostro a seguir a foto de um movimento de verdadeiros cansados. É de 1984, e flagrei-a na internet, numa página do Jornal do Senado. Reparem no título da reportagem (clique na imagem para ampliá-la): Diretas Já: o povo já cansou de esperar. Foram 300 mil pessoas, segundo a PM da época.

Quando a mobilização vai ao encontro de um sentimento verdadeiro da população, ela é um sucesso. Quando não, como ontem, fracassa.


Reprodução de reportagem do Jornal do senado, com foto de uma multidão na praça da Sé

Organizadores do ‘Cansei’ usam e descartam familiares das vítimas do acidente com Airbus da TAM

Reportagem de Anne Warth no Estadão:

SÃO PAULO - O ato do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como "Cansei", foi marcado por desorganização por parte das lideranças e revolta dos familiares das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, que completa nesta sexta-feira, 17, um mês. Cerca de 40 parentes, vindos de todas as partes do País, compareceram à Praça da Sé, mas não puderam subir ao palco que foi montado no local para os organizadores e artistas que aderiram ao ato.

Enquanto a manifestação acontecia, os familiares ficaram represados na rampa de acesso ao palco. Nem sequer a presença do grupo foi citada pela organização. "Disseram que o palco estava cheio e que poderia cair se subíssemos. Estava cheio de artistas e seguranças. Nós éramos quem deveria estar lá em cima", disse Luciana Haensel, filha de Ângela Haensel, que veio de Porto Alegre para participar do ato em memória de sua mãe, que era passageira do vôo 3054 da TAM.

"Isso não nos abala. Vamos fazer a nossa homenagem logo mais, à tarde. Fomos usados por este movimento", disse Ana Queiroz, que veio do Recife, mãe de Arthur Queiroz, vítima do acidente aéreo.

Familiares das vítimas farão, às 17h30, uma passeata do saguão do Aeroporto de Congonhas, zona sul da capital paulista, até o local do acidente, onde depositarão flores sobre os escombros.

O empresário João Dória Jr, presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), pediu desculpas aos familiares. "Fizemos uma coisa indelicada e injusta com vocês", admitiu. Ele explicou que dois familiares subiriam ao palco para representar todo o grupo, mas o ato foi encerrado antes que eles pudessem se manifestar.

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Dissidência no ‘Cansei’

Dizem as más línguas, que mal começou e o ‘Cansei’ já tem sua dissidência. Ontem, por exemplo, Regina Duarte e Ana Maria Braga, que prometeram presença no evento da praça da Sé, simplesmente não apareceram. Estariam ‘exaustas’.

Os ‘exaustos’ seriam a versão hardcore do movimento, que levam o ‘cansaço’ às suas últimas conseqüências. Eles simplesmente deitam e puxam uma soneca.

A conferir.

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Parem as máquinas! 'Aumenta o número dos que vaiam Lula. Agora são 12'

A coisa pode ficar fora de controle. Veja bem, no dia 26 de julho fiz uma postagem aqui, Parem as máquinas! ‘Servidores em greve vaiam Lula em cerimônia em Sergipe’, onde mostrava o assanhamento da “grande imprensa” com uma vaia que o presidente Lula recebeu naquele estado. Aplaudido por mais de cinco mil pessoas, o presidente foi vaiado por 11. Não 11 mil ou milhões, mas 11 unidades. Um time de futebol.

Agora, quase um mês depois, leio esta verdadeira bomba na Folha de S. Paulo de hoje. Cresceu o número dos que vaiam Lula. Agora são 12. Foi em Campos - terra do casal Garotinho, que hoje joga na oposição ao presidente.

Lula que se cuide. Nesse ritmo, em 60 milhões de meses ele perde a maioria.

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Cláudio Lembo ironiza os 'cansados'

Em entrevista ao Terra Magazine, o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo fulminou o movimento das elites paulistas “Cansei”.

"Cansei" é um termo muito usado por dondocas enfadadas em algum momento das vidas enfadonhas que vivem.
[Sei disso] Pela figura de um dos organizadores centrais, senão o principal, ao menos no início.(...) O empresário João Doria Jr., ao que li e acompanhei nas últimas semanas, há pouco dedicava-se a um desfile de cãezinhos de madames em Campos do Jordão.

Perguntado se não sabia que, entre os participantes do movimento, há familiares de vítimas dos acidentes aéreos, Lembo respondeu:

Tenho consciência e isso me deixa mais triste ainda... Porque é a utilização de um movimento natural e de motivos nobres por movimentos e atividades com claro objetivo político ainda que tentem escondê-lo ou apesar de o negarem, e isso não é bom.

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista com o ex-governador Cláudio Lembo.

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