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Plano Moro de segurança é um blefe. Mesmo se der 100% certo só reduz crimes violentos no país em 1,9%

Moro

Lançado com o objetivo de tirar Moro das cordas da Vaza Jato, programa anticrime é um balão de ensaio destinado ao fiasco, ainda que dê 100% certo


O ministro da Justiça Sergio Moro anunciou seu plano de segurança pública, depois de oito meses de governo.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, anunciou as cinco primeiras cidades que integrarão o projeto-piloto do Programa Nacional de Enfrentamento à Criminalidade Violenta. O projeto, que pretende reduzir os crimes violentos nas cidades com maiores índices de homicídios, será implementado em Ananindeua (PA), Goiânia (GO), Paulista (PE), Cariacica (ES) e São José dos Pinhais (PR).
O anúncio foi feito, hoje (15), após o ministro se reunir com representantes dos estados, dos municípios e com integrantes da força tarefa que atuaram no projeto.
“Foram escolhidos cinco municípios. O critério principal adotado foram os altos índices de crimes violentos, no caso, assassinatos nesses municípios, aliados a outros fatores específicos relacionados especialmente à questão de ser um projeto-piloto. Portanto, trata-se ainda de uma experiência em desenvolvimento. Se bem-sucedido, o projeto será expandido a outros municípios”, explicou o ministro.
Ananindeua apresentou, em 2017, uma taxa de homicídio de 68,20 mortes por 100 mil habitantes. Em Goiânia, no mesmo ano, esse índice estava em 33,62, enquanto em Paulista, estava em 47,40 homicídios por 100 mil pessoas. Em São José dos Pinhais, estava em 40,18; e em Cariacica, 42,35. [Fonte: Agência Brasil]
Fiz umas continhas básicas com as cinco cidades escolhidas.
  1. Ananindeua tem 525 mil habitantes e índice de 68,2 mortes violentas por 100 mil, o que dá aproximadamente 360 por ano.
  2. Goiânia tem 1,3 milhão de habitantes, índice 33,62 por 100 mil, o que dá aproximadamente 430 por ano.
  3. Paulista tem 300 mil, índice 47,4 por 100 mil, o que dá aproximadamente 140.
  4. São José dos Pinhais tem 323 mil, índice 40,18 por 100 mil, aproximadamente 130 por ano.
  5. Cariacica tem 387 mil habitantes, índice de 42,35 por 100 mil, o que dá aproximadamente 160 mortes por crimes violentos por ano.
Somando as mortes nas cinco cidades temos um número aproximado de 1220 mortes.

Para termos de comparação: Os mesmos dados usados para a definição das cinco cidades escolhidas, que são de 2017, mostram que houve 63.880 mortes por crimes violentos no Brasil naquele ano.

Portanto, se o plano Moro der 100% certo e não houver um crime violento sequer nas cinco cidades do programa durante um ano (alguém acredita nisso?) a violência no país cai apenas 1,9%.
Na verdade, um governo que foi eleito prometendo combater a corrupção e dar um jeito na segurança pública tem se revelado um fiasco também nessas duas áreas.

Reportagens da Vaza Jato mostram que a corrupção estava dentro da Operação Lava Jato, com vazamentos ilegais, direcionamento de investigações, suspeitos que "não vieram ao caso" (como FHC e Silvio Santos, por exemplo).

Na segurança pública a única mudança efetiva tomada foi a liberação das armas, contra a vontade de mais de 60% dos brasileiros, e que só tende a agravar a violência.

Agora, com o plano de Moro temos uma transposição do fracassado plano das UPPs do Rio de Janeiro para as cinco cidades.

A primeira consequência disse será a migração dos crimes e criminosos para as cidades vizinhas, como aconteceu no Rio com as UPPs, que aumentaram a violência nas comunidades e cidades ao redor do Rio.

Quem não se recorda dos criminosos fugindo com seus fuzis, quando da ocupação da Vila Cruzeiro?




Mais um número para comparar com a redução de mortes por crimes violentos do programa Moro. Se ninguém for morto nas cinco cidades por um ano são 1220 mortes a menos. Só este ano, a polícia do Rio matou 1075 pessoas, até julho, média de cinco por dia [Estadão], o que deve dar um número maior que o de Moro ao final de um ano (153 dias vezes 5 mortos = 765 a mais, o que dá, no total, 1840 mortes pela polícia).

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Caso Amarildo: Relatório da Polícia mostra por que 96% das investigações são encerradas sem descoberta do criminoso


Pedreiro Amarildo de Souza - morto ou desaparecido


O Estado do Rio é o estado campeão em inquéritos arquivados no Brasil [Fonte]. A divulgação do relatório final da Delegacia de Homicídios sobre o caso do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido (até hoje) desde o dia14 de julho passado, mostra o porquê.

Segundo o relatório, Amarildo teria sido levado por policiais da UPP da Rocinha (há imagens e depoimentos sobre isso) até a sede da unidade. A partir daí, sumiu. Ninguém o viu entrar ou sair de lá, e a informação de que lá esteve foi fornecida pelos policiais, em especial o comandante à época, major da Polícia Militar Edson Santos, homem do famigerado Bope.

Mesmo assim, sem que qualquer dos PMs da UPP tenha confessado o crime, sem que qualquer pessoa tenha presenciado ou ouvido falar do que lá dentro teria acontecido, mesmo assim o relatório diz que Amarildo foi torturado, sofreu choques elétricos e morreu ao ser mandado para o saco (a cabeça do torturado é enfiada em um saco plástico provocando sufocamento), por sofrer de epilepsia. Depois, os PMs sumiram com seu corpo.

Mas, se Amarildo (ou seu corpo) até o momento não foi encontrado, como é possível garantir todas essas informações?

Estou vendo muita gente boa repetir o relatório como uma expressão da verdade. No entanto, é achismo puro. E, se é assim, eu também acho: Para mim (e quem lê meu blog sabe que eu defendo não é de hoje o fim da PM, porque não há crime em que não haja um envolvido, na operação, no planejamento ou no ocultamento - e que Impunidade dos torturadores da ditadura está na raiz dos crimes das PMs brasileiras), para mim, dizia, é quase certo que Amarildo tenha sido morto pelos PMs, mas não vou aplicar o "domínio do fato" tão usado no julgamento da AP 470, porque rabo, orelha, lombo, costela, pé de porco podem indicar que é porco, mas pode ser apenas uma feijoada.

Como o governo Cabral é cheio de piroctenia, de anunciar medidas em casos onde haja clamor da opinião pública, que depois não dão em nada (casas que seriam construídas nas enchentes da Região Serrana, código de ética para alto escalão do governo etc), não estranharia nada que o anúncio da relatório seja apenas isso, nuvem de poeira para que paremos de perguntar "onde está o Amarildo".

Por falar nisso: - Cadê o Amarildo?


Madame Flaubert, de Antonio Mello