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Moro vira réu por 5 a 0 e preocupa 'conja': 'Pena maior que 4 anos?'

Após comemorar o 7 a 0 de sua absolvição no TSE, onde era acusado de abuso de poder econômico, caixa 2, uso indevido dos meios de comunicação e irregularidade em contratos, o senador e ex-juiz Sergio Moro viu o jogo mudar e agora acaba de virar réu por unanimidade na 1ª Turma do STF: 5 a 0. A acusação: ter cometido calúnia contra o ministro do STF Gilmar Mendes.

Moro considerou a decisão "uma piada"

"A Primeira Turma do STF recebeu denúncia por suposto crime de calúnia contra mim por ter feito, antes do exercício do mandato de Senador, uma piada em festa junina na brincadeira conhecida como ‘cadeia’. Um vídeo gravado e editado por terceiros desconhecidos foi feito e divulgado sem meu conhecimento e autorização."

Piada ou não, se vier a ser condenado Moro pode não apenas perder o mandato como ser preso. E isso preocupou sua esposa, a deputada Rosangela Moro, a quem ele se refere como "minha conja".

Foi o que flagrou o repórter fotográfico Lula Marques, que conseguiu fotografar a tela do celular de Moro no Congresso.

A fotografia foi divulgada nas redes sociais e viralizou. 

 

Rosangela: "Qual crime? Calúnia?"

Moro: "Calúnia"

Rosangela: "Pena maior que 4 anos?"

Moro: "Em tese pode ser em decorrência das causas de aumento, mas altamente improvável."

Rosangela: "Ish. Aonde você está?"

Moro: "Plenário. Não se preocupa tanto."


 

A preocupação da "conja" é porque com pena maior do que quatro anos o senador perde até o mandato. 

 

Gilmar Mendes não perdoa Moro

 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, cassou a nomeação de Lula como chefe da Casa Civil em março de 2016. Mendes entendeu que houve desvio de finalidade na nomeação do ex-presidente para o cargo de ministro, já que, segundo ele, a presidenta Dilma apenas fez isso para que eventual denúncia contra Lula seja julgada pelo STF, onde é o foro por prerrogativa de função dos ministros de Estado.

Ocorre que Gilmar Mendes fora enganado pelo à época juiz Moro e pela edição bombástica do Jornal Nacional, que deram como certa que a nomeação de Lula era uma tramoia jurídica para tirá-lo das mãos de Moro e levá-lo a julgamento no Supremo.

Mendes cometeu esse erro, que pode ter custado o impeachment de Dilma, segundo análise do homem que se beneficiou com o golpe, golpista Michel Temer, numa entrevista ao Roda Viva:

 

 

Com cinco ministros se manifestando por torná-lo réu, Moro sai atrás no placar perdendo de goleada. Terá de desfazer a convicção que levou os cinco ministros a transformá-lo em réu e lutar pela absolvição entre os demais.Como são onze os ministros, bastará mais um voto para que ele seja considerado culpado e, dependendo da pena, tenha também seu mandato cassado.



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Como JN e Moro induziram Gilmar Mendes a erro contra Lula e Dilma

Ontem o juiz Sergio Moro se tornou réu numa ação de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Mas os desentendimentos entre Moro e Mendes não são de agora nem recentes ou poucos. Talvez tudo tenha se originado em março de 2016, com uma ilegalidade cometida por Moro  e sua repercussão no Jornal Nacional. 

A ilegalidade de Moro e sua amplificação em horário nobre no telejornal de maior audiência do país induziram o ministro Gilmar Mendes a cometer um erro que ele reluta em chamar de erro — o que seria demais para seu ego —, mas o faz de outras formas, como nessas declarações retiradas de uma reportagem da Folha de 9 de setembro de 2019:

"Hoje temos uma visão mais completa do que estava se passando. Mas as informações disponíveis na época permitiam concluir que havia um viés de fraude na nomeação, um desvio de finalidade, e foi esse o sentido da decisão. Seria preciso ter todas as informações disponíveis e analisá-las em seu devido contexto, mas é muito estranho que somente um pedaço do fato e não sua inteireza tenha sido divulgado à época." [Folha]

 

O erro que Gilmar evita falar o nome

 

Em 17 de março de 2016, Gilmar Mendes suspendeu em caráter liminar a posse de Lula como ministro de Dilma. 

A decisão do ministro foi tomada no calor da reportagem publicada no dia anterior no Jornal Nacional com os grampos e trechos vazados da investigação da república de Curitiba, com o procurador de deus Deltan Dallagnol à frente, que, segundo afirmavam, mostrava que Lula estaria tentando atrapalhar as investigações.

Mais, pelo encadeamento dos áudios e textos, a conclusão a que se chegava era de que a nomeação de Lula como ministro tinha o objetivo de lhe dar prerrogativa de foro com o status de ministro e tirá-lo das garras de Sergio Moro.

Ouvidos sem o calor e a onda antiLula e em favor da Lava Jato e do "herói" Sergio Moro daquela época, os áudios não mostram nenhuma tentativa de atrapalhar ou barrar as investigações, apenas protesto e indignação de Lula.

Fato é que a decisão do ministro Gilmar Mendes pode ter custado o impeachment de Dilma, segundo análise do homem que se beneficiou com o golpe, o golpista Michel Temer, numa entrevista ao Roda Viva:

E com o impeachment de Dilma tudo de ruim que veio em seguida: o governo destruidor de Temer, a prisão de Lula, a proibição de sua candidatura, a eleição do pior presidente da história.


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Cláudio Castro, Moro e Bolsonaro provam que fraude nas eleições vale a pena

Ontem, o TRE-RJ livrou o governador Cláudio Castro, seu vice Thiago Pampolha e o presidente da Alerj Rodrigo Bacellar da cassação de seus mandatos, porque, embora reconhecessem irregularidades gritantes cometidas pelos três, não consideraram as provas suficientes para alterar o resultado das eleições.

Uma das juízas chegou a dizer que os 30 mil contratados irregularmente pelo Ceperj e pela UERJ eram um número pequeno diante da magnitude dos mais de dois milhões de votos de diferença que elegeram Cláudio Castro.

É de espantar que uma juíza à frente de um Tribunal Eleitoral cometa tamanha "ingenuidade". Não são 30 mil pessoas = 30 mil votos. Essas pessoas são líderes comunitários, cabos eleitorais, influenciadores digitais com milhões de seguidores, que bem remunerados, na boca do caixa, expandiram, divulgaram e influenciaram eleitores. 

Alguns cabos eleitorais, como líderes religiosos, comunitários ou milicianos, têm controle direto sobre seus eleitores e costumam ofertar porteira fechada de gado eleitoral aos políticos. Qualquer um que tenha participado de campanhas políticas sabe disso.

Mas Castro se livrou.

Moro também se livrou no TSE esta semana, porque não encontraram prova robusta que ligasse as irregularidades de sua campanha à eleição:

Segundo o relator, os gastos de campanha de Moro "se mostram censuráveis, mormente por candidatos que empenharam a bandeira da moralidade na política". 

Porém, ponderou que para caracterizar uma conduta fraudulenta seria preciso mais do que o estranhamento, indícios, suspeitas ou convicção. "É preciso haver prova, e prova robusta", afirmou.

O mesmo aconteceu com Jair Bolsonaro em 2018, com os disparos ilegais de milhões de mensagens pelo WhatsApp pagas por empresários, o que é ilegal e foi denunciado pela repórter Patrícia Campos Mello na Folha:

Empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparam uma grande operação na semana anterior ao segundo turno.

A prática é ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada.

A Folha apurou que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. Os contratos são para disparos de centenas de milhões de mensagens.


As empresas apoiando o candidato Jair Bolsonaro (PSL) compram um serviço chamado "disparo em massa", usando a base de usuários do próprio candidato ou bases vendidas por agências de estratégia digital. Isso também é ilegal, pois a legislação eleitoral proíbe compra de base de terceiros, só permitindo o uso das listas de apoiadores do próprio candidato (números cedidos de forma voluntária).

Quando usam bases de terceiros, essas agências oferecem segmentação por região geográfica e, às vezes, por renda. Enviam ao cliente relatórios de entrega contendo data, hora e conteúdo disparado.

Entre as agências prestando esse tipo de serviços estão a Quickmobile, a Yacows, Croc Services e SMS Market.

Os preços variam de R$ 0,08 a R$ 0,12 por disparo de mensagem para a base própria do candidato e de R$ 0,30 a R$ 0,40 quando a base é fornecida pela agência.

As bases de usuários muitas vezes são fornecidas ilegalmente por empresas de cobrança ou por funcionários de empresas telefônicas.

Empresas investigadas pela reportagem afirmaram não poder aceitar pedidos antes do dia 28 de outubro, data da eleição, afirmando ter serviços enormes de disparos de WhatsApp na semana anterior ao segundo turno comprados por empresas privadas.


Houve também a confissão de empresários, como o conhecido Véio da Havan, que "candidamente" defendem em vídeo que Bolsonaro deve vencer no primeiro turno para que eles economizem dinheiro, quando o financiamento por empresários é ilegal.

E Bolsonaro nem pode alegar que não sabia, pois publicou o vídeo em seu perfil no antigo Twitter:

 


 

A lentidão e a visão permissiva sobre o que pode ou não ser considerado fraude eleitoral pelos Tribunais Eleitorais são incentivos ao cometimento de novas fraudes.


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MP envia parecer sobre cassação de Moro ao TSE e surpreende

Finalmente o Ministério Público Eleitoral enviou ao TSE seu parecer sobre o pedido de revisão da decisão do TRE do Paraná que absolveu Moro das acusações de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, compra de apoio político e captação ilícita de recursos (caixa dois) na pré-campanha de 2022.

A cassação de Moro era dada como incerta no TRE do Paraná (ele acabou sendo absolvido por 5 votos  2), onde o ex-juiz ainda goza de muito prestígio e também muito conhecimento sobre seus antigos pares, mas dada como certa na instância superior, o Tribunal Superior Eleitoral. 

No entanto, as análises pareceram não levar em conta um fator de muito peso, que vem sendo chamado de magistrocracia. A casta que até se critica mas sempre se une na hora em que tentam punir qualquer um deles. 

Pelo parecer do MP Eleitoral, é o que pode acontecer mais uma vez.

Em parecer enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nessa terça-feira (7), o Ministério Público Eleitoral defende que sejam negados os recursos em trâmite na Corte que pedem a cassação do senador pelo Paraná Sérgio Moro (União Brasil). O Partido Liberal (PL) e a Federação “Brasil Da Esperança” acusam o político de abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, compra de apoio político e captação ilícita de recursos (caixa dois) na pré-campanha de 2022. Na avaliação do MP Eleitoral, não há nas ações elementos que comprovem as irregularidades apontadas.

Na manifestação, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, defende que seja mantida a decisão do Tribunal Regional do Paraná (TRE/PR), que absolveu o político.

O Partido Liberal (PL) e a Federação “Brasil Da Esperança” (PT, PC do B e PV) recorreram da decisão do Paraná porque consideram que Sérgio Moro usou de artifícios nas eleições de 2022 que o beneficiaram em detrimento dos adversários.

Em 2022, Moro saiu primeiro candidato a presidente da República por um partido, depois candidato a deputado federal por outro, sempre sob os holofotes da mídia, até que, por não poder se candidatar por São Paulo, decidiu concorrer ao Senado pelo Paraná. Durante todo esse tempo utilizando-se do fundo partidário dos Partidos nas duas pré-campanhas frustradas.

Nas ações, os autores alegam, entre outras coisas, que Moro teria simulado a intenção de disputar o cargo de presidente da República pelo Podemos e de deputado federal por São Paulo pelo União Brasil, como forma de ampliar o limite de gastos na pré-campanha e alavancar sua candidatura para o Senado pelo Paraná.

Em seu parecer pela negação da revisão e manutenção da absolvição do senador pelo TRE-PR, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, não viu "prova robusta, clara e convincente do ato abusivo".

O julgamento no TSE ainda não tem data marcada.

Fonte: MPF.

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Nebulosas ligações entre assassino de Marielle e Bolsonaro

São pelo menos duas as nebulosas ligações entre Ronnie Lessa, o assassino agora confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes, e Jair Bolsonaro.

Uma é com relação à autorização da entrada do motorista do carro do assassinato, Élcio Queiroz, ao condomínio Vivendas da Barra, onde moram Lessa e Bolsonaro.

Segundo as informações iniciais, Élcio foi autorizado a entrar no condomínio por Jair Bolsonaro. Foi o que informou por escrito nas anotações da portaria o porteiro, que trabalhava há bastante tempo no condomínio. A autorização teria sido dada por Bolsonaro via telefone.

A desculpa de Bolsonaro é de que estava em Brasília, por isso não poderia ter dado a autorização. No entanto, no condomínio há a possibilidade do porteiro se comunicar com o telefone do morador, o que neutraliza a resposta de Bolsonaro.

Foi investigado o celular ou qualquer outro aparelho de posse do à época deputado federal Jair Bolsonaro para averiguar se ele recebeu ou não a ligação do condomínio?

A investigação do caso ficou nublada a partir do momento em que Bolsonaro, como presidente, ordenou ao ex-juiz Sergio Moro, à época seu ministro da Justiça, que investigasse o caso.

O porteiro, que, repito, trabalhava no prédio há bastante tempo, de repente, após visita da PF, voltou atrás e desdisse o que havia afirmado. Nunca foi divulgado o depoimento oficial. Apenas houve a informação de que ele disse que havia se enganado. Nunca mais se tocou no assunto.

A outra ligação nebulosa se refere a várias ligações telefônicas entre o aparelho da casa de Ronnie Lessa e o de Bolsonaro no condomínio.

Por que aquelas ligações, se Bolsonaro afirmou várias vezes que nem conhecia Lessa?

A resposta veio do delegado que "investigava" o caso, Giniton Lages: as ligações não eram entre Lessa e Bolsonaro, mas entre a filha de Lessa, Mohana, e o filho Jair Renan de Bolsonaro, que teriam sido namorados.

Sabe-se agora que o delegado Giniton, que até escreveu livro sobre o assunto, estava envolvido no acobertamento do caso; portanto, sua declaração é no mínimo suspeita.

Curiosamente, nunca se ouviu declaração de Mohana sobre o tal namoro. Mais: durante muito tempo Mohana viveu nos Estados Unidos. Bateram as datas de ligações com o paradeiro dela? Mais: onde se viu dois jovens namorados em pleno século 21 se comunicarem por telefones fixos e não por celulares?

E se as ligações não fossem entre Mohana e Jair Renan, nem entre Lessa e Jair Bolsonaro, mas entre Lessa e Carluxo, o filho de Bolsonaro que disse que estava na Câmara do Rio na hora da entrada de Élcio Queiroz no condomínio, mas depois se desdisse, quando teria atendido para receber uma pizza?

Longe de estar encerrado, o caso dos assassinatos de Marielle e Anderson ainda tem muitas pontas soltas à espera de investigação e esclarecimento.


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10/03/2010. Há 14 anos, matéria fake do Globo dava início à Lava Jato

Matéria da repórter Tatiana Farah, publicada na edição de 10 de março de 2010, no jornal O Globo, começava errada desde o título "Caso Bancoop: triplex do casal Lula está atrasado", porque Lula nunca foi dono do triplex que lhe é atribuído no título.

Essa matéria foi o ponto de partida e de chegada da Lava Jato, que resultou na condenação e prisão do presidente Lula, sem provas, mas cheia de convicções. Ela foi citada até na sentença de Moro, que condenou Lula:

"A matéria em questão é bastante relevante do ponto de vista probatório, pois foi feita em 10/03/2010, com atualização em 01/11/2011, ou seja, quando não havia qualquer investigação ou sequer intenção de investigação envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva ou o referido apartamento tríplex. Não havia, por evidente, como a jornalista em 2010 ou 2011 antever que, no final de 2014, ou seja, três anos depois, a questão envolvendo o ex-presidente e o apartamento tríplex seria revestida de polêmica e daria causa à uma investigação criminal."

No entanto, na tal matéria (que pode ser lida na íntegra aqui), em momento algum há a informação de que Lula confirmou ser dono do triplex. Há a informação de que "Procurada, a Presidência confirmou que Lula continua proprietário do imóvel", como se a pergunta feita à presidência fosse sobre o triplex e não sobre um apartamento no condomínio. O uso do artigo definido "o" se repete adiante.

Na declaração de bens feita para a candidatura à reeleição, em 2006, o presidente informou sobre o imóvel, afirmando ter participação na cooperativa habitacional para o apartamento em construção.

A repórter quando usa o artigo definido "o", dá a entender que Lula havia declarado o triplex na declaração de renda, quando Lula havia declarado "um" (artigo indefinido) imóvel no prédio que fora adquirido em cotas pela primeira-dama Marisa Letícia.

Estranhamente, a matéria de O Globo, publicada em março de 2010, sofre uma atualização um ano e oito meses depois [imagem abaixo], sem que tenha ficado claro o que foi atualizado nela e se foram feitos acréscimos ou retiradas e ou substituições no texto original, nem quais.

Quando das publicações da Vaza Jato, conjunto de emails trocados entre os procuradores da Lava Jato, o procurador Januário Paludo escreveu [o texto está como no original]:

“Conversei com a TATIANA FARAH DE MELLO, que fez a reportagem em 2010 sobre o TRIPLEX. Ela realmente confirmou que foi para GUARUJA e lá colheu diversas informações sobre os empreendimentos da BANCOOP. A matéria era para ser sobre a BANCOOP e o calote dado nos mutuários. Em guaruja conversando com funcionários da obra – que ainda estava no esqueleto, é que ela descobriu que o triplex seria do Lula. Ela manteve contato com a Assessoria de comunicação do Palácio do Planalto que confirmou a informação. Toda parte documental, como e-mail e outros dados foram inutilizados quando ela saiu do ‘o Globo’. Acho que podemos tomar por termo o depoimento. Marco uma video e pronto”, escreveu o procurador às 17h40.

A partir dessa matéria construiu-se um processo que quase destruiu o país, enriqueceu procuradores, advogados e juízes, prendeu o candidato que liderava disparado todas as pesquisas para as eleições presidenciais de 2018 e se elegeu um energúmeno à beira da psicopatia, com os resultados catastróficos que todos testemunhamos e que custaram as vidas de centenas de milhares de brasileiros na pandemia.

Tudo isso a partir de uma matéria que foi editada quase dois anos após ser escrita, sem que se saiba por quê, nem no quê. Com todas as provas destruídas. Escrita num 10 de março como hoje, há exatos 14 anos.


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Pivô da condenação de Lula, dono do triplex pede ao STF suspensão de sua delação

Pivô da condenação de Lula, verdadeiro proprietário do famoso triplex do Guarujá, o empresário Leo Pinheiro, da OAS, foi mudando seu depoimento à medida em que era pressionado pela turma da Lava Jato: Moro e os procuradores.

No início, Pinheiro negava que Lula fosse o dono do imóvel. No fim, mentiu que era, que pagou por obras no sítio, o que fosse necessário para abrandar sua pena.

Agora, Leo Pinheiro, aproveitando que o ministro Toffoli suspendeu duas sentenças da Lava Jato — uma da JBS e outra da Odebrecht — quer também a suspensão da sua e deve fazer uma retificação de sua delação premiada. 

O ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro pediu, nesta quinta-feira (1º), ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão de todas as obrigações fechadas em seu acordo de colaboração premiada, incluindo multas e a sua prisão domiciliar. [CNN]

 

A farsa do triplex


Toda a condenação ilegal e injusta do presidente Lula na Lava Jato teve origem num apartamento do Guarujá, o famoso triplex, que nunca foi do presidente.

Tudo começou com uma reportagem de O Globo em 2010, que afirmava que o presidente Lula tinha um imóvel no prédio do Guarujá. A repórter pediu confirmação ao Planalto e recebeu a informação de que, sim, a família tinha um imóvel no local, mas nunca falou em triplex.

A partir daí, é história. O presidente e dona Marisa (sua esposa na ocasião e real proprietária) tinham direito a um imóvel, fruto de uma cooperativa que quebrou, mas não o triplex, que lhes foi simplesmente oferecido pela OAS, verdadeira proprietária do imóvel.

Agora, atendido o pedido de Leo Pinheiro pelo STF, a Justiça vai sepultar o último defunto da verdadeira organização criminosa que tomou conta do Brasil: a Lava Jato de Moro e seus procuradores, que trabalhavam em conluio, a serviço dos interesses do capital e dos Estados Unidos.


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Lava Jato é estruturada como uma máfia, com relações de compadrio, parentesco e sociedade

O horror que o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador de deus Deltan Dallagnol têm de Tacla Duran é que o advogado põe o dedo na ferida e denuncia as relações de compadrio da Lava Jato de Curitiba, organizada como uma típica famiglia da máfia italiana.

Em 2018, publiquei aqui que Moro usou em sua sentença contra Lula sete vezes citações do desembargador que iria julgá-la em segunda instância, seu colega de faculdade e amigo João Pedro Gebran Neto. Como poderia Gebran votar contra um sentença em que ele era um dos fundamentos?

Tacla denuncia o padrinho de casamento de Moro, advogado Carlos Zucolotto, de extorqui-lo, em nome de Moro e Dallagnol.

O jornalista Jeferson Miola, em seu blog, une as pontas que formam a teia mafiosa da operação no Paraná, mostrando como agem em conjunto para se favorecerem ou, quando atacados, se defenderem.

Ainda que mais lentamente que rapidamente, a verdade sobre o gangsterismo de integrantes da Lava Jato está vindo à tona.

Pouco a pouco vão sendo descobertas novas camadas da promiscuidade obscena entre juízes, desembargadores, procuradores e policiais federais que integraram a operação chefiada pelo ex-juiz suspeito e hoje senador de extrema-direita Sérgio Moro – que o ministro Gilmar Mendes, do STF, considerou uma organização criminosa.

Além do conluio de funcionários públicos da alta aristocracia estatal com a mídia hegemônica, a operação também foi impulsionada em função de laços societários, de amizade, compadrio e parentesco de autoridades públicas entre si e com agentes privados.

São notórios os casos de amizade íntima, vínculos familiares e identidade política entre procuradores, policiais federais, juízes e advogados.

O ex-procurador da República e hoje deputado federal ultradireitista Deltan Dallagnol, por exemplo, idealizou uma fundação privada controlada pelos integrantes da Lava Jato para receber seis bilhões de reais desviados da Petrobrás.

Com o faro empreendedor de quem já havia investido exitosamente em imóveis do programa social Minha Casa Minha Vida, Deltan também planejou criar uma empresa de palestras sobre combate à corrupção com seu colega de PGR Roberson Pozzobon. Típicos exemplares de cidadãos de bem e pregadores da falsa moral, eles naturalmente pensaram em colocar as respectivas esposas como “laranjas” no negócio.

O advogado Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador Diogo Castor de Mattos, advogava para réu da Lava Jato denunciado pelo próprio irmão!

Cabe recordar que o procurador Diogo foi demitido do MPF em 2021 por ter contratado a instalação de um outdoor próximo ao aeroporto de Curitiba com os dizeres: “Bem-vindo à República de Curitiba – terra da Operação Lava Jato – a investigação que mudou o país. Aqui a lei se cumpre” [sic].

Apesar disso, Diogo continua recebendo polpudo salário, porque ele se beneficia justamente daquele princípio que tanto combateu em relação aos “inimigos”: o trânsito em julgado.

Os irmãos Castor de Mattos são primos do sub-procurador da República no TRF4 Maurício Gotardo Gerum, que não teve nenhum escrúpulo e atuou no caso para aumentar a pena do presidente Lula nos casos fabricados pela Lava Jato.

O advogado Carlos Zucolotto Júnior, sócio de Rosângela Moro em escritório de advocacia e padrinho de casamento do casal Moro, cobrou 5 milhões de dólares em propina de Rodrigo Tacla Duran para facilitar um acordo de delação premiada que seria confirmado com uma pessoa identificada por “DD” – iniciais de Deltan Dallagnol.

Moro e Deltan fogem do depoimento de Tacla Duran como o diabo foge da cruz. Para evitar que Tacla Duran se apresente em juízo e deponha na PF para entregar as provas da proposta de propina oferecida a ele por Carlos Zucolotto, o ex-juiz suspeito Sérgio Moro foi salvo pelo desembargador do TRF4 Marcelo Malucelli, que forjou um pedido de prisão de Tacla Duran.

Ocorre, no entanto, que o desembargador jamais poderia ter assumido o caso, pois o filho dele, o advogado João Eduardo Barreto Malucelli, além de sócio do casal Moro em escritório de advocacia, também é genro de Sérgio e Rosângela Moro. Tudo em casa, portanto.

Com o afastamento do desembargador Malucelli, não sem antes tumultuar o processo e retardar o depoimento de Tacla Duran, assumiu a relatoria da Lava Jato no TRF4 o desembargador Loraci Flores.

Para não fugir à regra da promiscuidade obscena na Lava Jato, o desembargador Loraci é irmão do delegado da PF Luciano Flores, responsável pela absurda condução coercitiva de Lula em março de 2016 e pelas gravações ilegais de Dona Marisa.

Loraci, além disso, lotou no seu gabinete do TRF4 ex-assessores de confiança de Sérgio Moro, que trabalhavam com o ex-juiz suspeito quando ele era o responsável pela 13ª Vara federal de Curitiba.

Em comparação com a conduta escancaradamente ilegal dos dois desembargadores do TRF4, a juíza Gabriela Hardt até fica parecendo uma santinha.

Não por acaso a chamada operação Lava Jato é considerada pela imprensa internacional como o maior esquema de corrupção judicial da história.

 

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Comitê da ONU conclui o que todos já sabíamos: julgamento e prisão de Lula foram ilegais. Mas Moro não é o único juiz ladrão. Tem mais


Após seis anos de análise, o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas decidiu que foram ilegais o julgamento de Lula pelo juiz Serio Moro (como já o fizera há pouco tempo o STF), sua prisão e a proibição de que concorresse ao cargo de presidente em 2018. 

O prejuízo ao país já foi causado, com milhões de empregos fechados, milhares de obras paralisadas. E, no meio, a eleição ilegal de Jair Bolsonaro, já que o líder de todas as pesquisas na época (como hoje), Lula, não pôde concorrer, também em decisão ilegal.

Há notícia hoje de que o PT vai entrar na Justiça contra o ex-juiz Sergio Moro, que deve perder todo o dinheiro que ganhou com a Lava Jato (assim como o procurador de deus Dallagnol) e muito mais.

Moro foi peça fundamental no golpe que nos trouxe à tragédia de Bolsonaro. Mas ele não está sozinho nisso.

Tem Gilmar Mendes, que proibiu Lula de ser ministro de Dilma, em insólita decisão, porque é prerrogativa do presidente eleito nomear o ministro que quiser, e Lula foi proibido (ilegalmente, repito) de ser ministro, porque supostamente usaria o cargo para se blindar das ações de Moro contra ele. Anos depois, o próprio Gilmar reconheceu que errou, ao saber que a Lava Jato era um jogo de cartas marcadas, mas nunca assumiu que sua decisão foi ilegal.

Também errou o STF quando permitiu a prisão de Lula sem que todas as instâncias tivessem se esgotado, conforme determina a Constituição, ainda vigente.

Facchin sentou em cima do processo em que a defesa de Lula questionava a jurisdição do caso, em 2016, e só deu sua decisão no ano passado, como todas as outras, tarde demais.

Barroso e Fux proibiram Lula de dar entrevistas e o proibiram de pedir votos para Haddad em 2018, violando direitos constitucionais de Lula.

Lula também foi proibido de concorrer à presidência, quando não havia lei que o impedisse, mas apenas a vontade de uma maioria do STF.

Agora, com o caos formado, o país na lata de lixo e fedendo, ameaçados pela famiglia, milicianos e militares com milhares de cargos no governo, as Excelências veem o jogo virar contra o Supremo e a ameaça de um novo golpe dentro do golpe de 2016 ser anunciada diariamente pelo presidente e seus acólitos.

Sem falar na mídia corporativa, Rede Globo e seu Jornal Nacional à frente, responsáveis diretos pelo caos de hoje no país.

Como ironia, ontem, após nova condenação de Moro na Justiça, Bonner disse no Jornal Nacional que tentaram falar com o ex-juiz, mas não conseguiram. Logo ele, que vazava documentos e até o grampo ilegal de Dilma para o JN...

Com Rede Globo, Sergio Moro, o Supremo, com tudo, chegamos até aqui. Só a eleição de Lula no primeiro turno e uma grande bancada de esquerda e democrática, que permita a Lula uma maioria para governar, podem nos tirar da situação de anomia em que nos encontramos, com o presidente refém do Centrão, com medo da prisão —que certamente virá por todos os seus crimes e dos filhos— e refém dos militares, que agora não querem largar o osso.

ONU, STF, todos agora atestam o que sempre se soube: a inocência de Lula e o golpe. Pena que com muito atraso. 

"A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta.", Rui Barbosa.

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Recentes:


Em carta aberta, o correspondente internacional Jamil Chade explica a deputado infame o que é ser mulher refugiada

O deputado estadual por São Paulo Arthur do Val, do MBL e apoiador da candidatura Moro, e pré-candidato ao governo daquele estado (até ontem), resolveu pegar uma casquinha na popularidade da guerra da Ucrânia, foco de todo o noticiário nacional e internacional, e rumou para aquele país.

De lá, a milhares de quilômetros do campo de batalha, enviou uma foto junto a engradados com garrafas vazias dizendo estar preparando coquetéis molotov em apoio ao exército ucraniano contra os russos. 

Mas, no privado, enviou áudio a amigos elogiando a beleza das mulheres refugiadas ucranianas e, entre outras coisas, disse que elas são mulheres "fáceis porque são pobres".

Seria (ou será) certamente cassado, se a Assembleia de São Paulo não estivesse há mais de um ano para cassar um deputado que assediou uma colega deputada colocando as mãos acintosamente em seus seios, numa sessão plenária.

O deputado Arthur do Val, conhecido como "Mamãe Falei", faz parte desses seres bolsonaros eleitos na maré de esgoto que colocou na presidência do país talvez o brasileiro mais escroto da história, Jair Bolsonaro.

Mesmo assim, o jornalista Jamil Chade, correspondente internacional há anos, resolveu escrever uma carta aberta ao deputado, que certamente não aprenderá nada com ela, mas que vale como documento histórico de uma época triste e escrita de forma tão simples quanto emocionante.

A carta:

Senhor deputado,

Confesso que não conhecia seu nome, e nem sua denominação de guerra. Mas os áudios indigestos que vazaram com seus comentários sobre a situação na Ucrânia me obrigaram a escrever aqui algumas linhas sobre o que eu vi em campos de refugiados e filas de pessoas desesperadas para escapar da guerra e da pobreza ao longo de duas décadas.

Não estou acusando o senhor e sua comitiva do que estará exposto abaixo. Mas considero que, sem entender essa dimensão do sofrimento humano, fica impossível justificar uma viagem como a que o senhor faz para ajudar a defender um povo.

Ao longo da história, a violência sexual é uma das armas de guerra mais recorrentes para desmoralizar uma sociedade. Ela não tem religião, nem raça. Ela destrói. Demonstra o poder sobre o destino não apenas das vidas, mas também dos corpos e almas.

Percorrendo campos de refugiados em três continentes, o que sempre mais me impressionou foi a vulnerabilidade das mulheres nessa situação.

Mas, antes, vamos ser claros aqui. Não precisamos sair do Brasil para saber que as mulheres, simplesmente por serem mulheres, precisam passar a vida se explicando. Como se necessitassem de chancela ou justificativa para determinar o destino de seu corpo ou coração, se podem trabalhar ou ter tesão. Intolerável, não?

Então, o senhor pode imaginar o que isso significa em tempos de guerra, onde a lei e a moral são suspensas?

Conheci certa vez uma garota yazidi. Ela me contou como, depois de sua cidade ser tomada por islamistas, ela foi transformada em escrava sexual. Aqueles olhos verdes intensos se enchiam de lágrimas quando contava que, num calabouço, ela e as demais meninas se dividiam em dois grupos.

Aquelas que rezavam para sobreviver e aquelas que rezavam para morrer logo.

Ela também me contou que, num ato de solidariedade com as outras mulheres que viriam depois delas, foi iniciado um gesto espontâneo de escrever mensagens nas paredes daqueles quartos imundos, inclusive com dicas de como agir. Escreviam com a única cor que tinham. O vermelho do sangue de suas vaginas estupradas.

O senhor me diria: claro, isso é coisa de terrorista islâmico. Sim, sem dúvida. Mas quero lhe contar o que investigações e auditorias revelaram em um local mais próximo de nós: o Haiti.

Ali e em outros locais onde estão destacadas, as tropas de paz da ONU - repletas de moral, credibilidade e protocolos - foram acusadas de estupro e de abusos com mulheres, meninas e meninos. Alguns, em troca de comida. Num caso específico, um garoto era semanalmente estuprado por oficiais, em troca de bolachas. Há até mesmo uma categoria de crianças hoje nesses países, "os filhos da ONU".

Na Sérvia, num barracão onde eram depositados os refugiados que aguardavam para chegar até a Europa Ocidental, conheci uma mulher que não falava. Sua irmã, depois, veio me explicar que ela ficou muda depois de ter sido estuprada pelo "guia" que seus pais tinham contratado na Turquia para que elas cruzassem as fronteiras. Para pagar pelo guia, os pais venderam as únicas coisas que tinham: uma casinha e dois animais.

Em Dadaab, no Quênia, entendi toda a minha ignorância quando fui perguntar para um grupo de crianças do que elas tinham mais medo. Achei que a resposta seria: as bombas de Mogadíscio. Mas era do escuro do campo de refugiados. Quando pedi para saber o motivo, uma delas sussurrou: "não podemos nem ir ao banheiro pela noite. Um homem pode fazer coisas ruins com nosso corpo".

Anos depois, voltei a viajar para a África. Da janela do avião a hélice em que eu voava, podia ver como um garoto usava um pedaço de galho para tentar dirigir o destino de vacas e outros animais. Enquanto ele conseguia dar direção ao gado, algumas reses escapavam um pouco adiante.

Do assento em que eu estava, quase não consegui ouvir quando o piloto se virou para trás e, competindo com o barulho do motor, gritou que estávamos iniciando a aterrissagem. Jamais imaginaria que, minutos depois, era sobre aquele local de terra de onde o garoto estava retirando os animais que o avião iria pousar. O que de fato eu tinha visto era a preparação da pista de pouso.

Eu tinha viajado para um lugar a oeste da cidade de Bagamoyo, na Tanzânia, para escrever sobre o impacto da Aids numa das regiões mais pobres do planeta. Mas seria naquele local que eu descobriria, de uma maneira inusitada, a dimensão do drama de imigrantes e refugiados. Ao longo dos anos, visitei campos de refugiados na fronteira do Iraque, entre o Quênia e a Somália, em Darfur, na rota entre a Turquia e a Europa. Vi milhares de pessoas sem destino. Mas, nas proximidades de Bagamoyo, aquela história era diferente. Oficialmente, não havia uma guerra. Não havia um acampamento de refugiados. Mas eu logo descobriria que nem por isso o desespero deixava de estar presente naquela população.

Eu fazia uma visita a um hospital e esperava para falar com o diretor. Por falta de médicos, ele fora chamado para fazer um parto. Sabia que aquilo significava que eu passaria horas ali, à espera de minha entrevista. Restava fazer o que eu mais gostava nessas viagens: descobrir quem estava ali, falar com as pessoas, perambular pelo local, ler os cartazes e simplesmente observar. No portão do centro de atendimento, centenas de mulheres com seus véus coloridos aguardavam de forma paciente. Tentavam afastar as moscas, num calor intenso, enquanto o choro de crianças rompia os muros descascados daquela entrada de um galpão transformado em sala de espera.

Ao caminhar para uma das alas, fui barrado. Os enfermeiros me pediram que não entrasse no local. Quando perguntei qual era a especialidade daquela área, disseram que não podiam revelar. Em partes da África, o preconceito e o estigma em relação aos pacientes de Aids obrigam os hospitais a não indicar nem em suas paredes o nome da doença. Decidi sair do prédio em ruínas e, num dos pátios do hospital, vi duas garotas brincando.

Não tinham mais de 10 anos de idade. E o único momento em que olharam para o chão, sem resposta, foi quando perguntei o que faziam ali. Mas a curiosidade delas em saber o que um rapaz branco, com um bloco de notas na mão e uma câmera fotográfica, fazia lá era maior que sua vontade de contar histórias. Desisti de seguir com minhas perguntas. Expliquei que era jornalista brasileiro e, para dizer meu nome, mostrei um cartão de visita, que acabou ficando com elas.

Quando iam responder à minha pergunta sobre os seus nomes, nossa conversa foi interrompida por uma senhora que, da porta do hospital, me avisava que o diretor já estava à disposição para a entrevista. Deixei aquelas crianças depois de menos de cinco minutos de conversa. Já caminhando, virei e disse uma das poucas expressões que tinha aprendido em suaíli: kwaheri - "adeus". Ganhei em troca dois enormes sorrisos.

Terminada a entrevista com o diretor do hospital, confesso que nem sequer notei se as meninas continuavam ou não no pátio. Estava ainda sob o choque de um pedido do gerente da clínica, que, ao terminar de me explicar o que faziam, me perguntou se eu não poderia deixar para eles qualquer comprimido que tivesse na mala. Qualquer um. Até mesmo se o prazo de validade já tivesse expirado.

Alguns meses depois, já na Suíça, abri minha caixa de correio de forma despretensiosa ao chegar em casa. Num envelope surrado e escrito à mão, chegava uma carta de Bagamoyo.

Pensei comigo: deve ser um erro e a carta deve ter sido colocada na minha caixa por engano. Eu não conheço ninguém em Bagamoyo. Mas o envelope deixava muito claro: era para Jamil Chade.

Antes mesmo de entrar em casa, deixei minha sacola no chão e abri o envelope. Uma vez mais, meu nome estava no papel, com uma letra visivelmente infantil. Eu continuava sem entender. Até que comecei a ler. No texto, em inglês, quem escrevia explicava que tinha me conhecido diante do hospital e que tinha meu endereço em Genebra por conta de um cartão que eu lhe havia deixado.

Como num sonho, as imagens daquelas garotas imediatamente apareceram em minha mente. Mas o conteúdo daquela carta era um verdadeiro pesadelo. A garota me escrevia com um apelo comovedor. "Por favor, case-se comigo e me tire daqui. Prometo que vou cuidar de você, limpar sua casa e sou muito boa cozinheira." A carta contava que sua mãe havia morrido de Aids - naquele mesmo hospital - e que seu pai também estava morto.

Cada um dos oito filhos fora buscar formas de sobreviver e ela era a última da família a ter permanecido na empobrecida cidade. "Preciso sair daqui", escrevia a garota. A cada tantas frases, uma promessa se repetia: "Eu vou te amar."

Uma observação no final parecia mais um atestado de morte: "Com as últimas moedas que eu tinha, comprei este envelope, este papel e este selo. Você é minha última esperança."

Deputado, talvez o senhor classificaria essa pessoa no grupo de "meninas fáceis". Eu, porém, chorei de desespero e de impotência diante daquele pedido de resgate.

Eu e o senhor- homens brancos - nascemos como a classe mais privilegiada do planeta. Eu e o senhor não tivemos de fazer nada para adquirir esses privilégios. Existimos.

É nossa obrigação, portanto, desmontar o processo de profunda desumanização de uma guerra e da miséria. Cada um com suas armas.

Não sei qual será o destino que a Assembleia Legislativa em São Paulo, seu partido e seus eleitores darão ao senhor. Qualquer que seja ele, só espero que esse episódio revoltante sirva para que haja alguma insurreição de consciências sobre a condição feminina. Na guerra e na paz.

Grato pela atenção

Jamil

 

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Como Bolsonaro, Moro mente até quando fala a verdade



A conja de Moro, Rosângela, estava certíssima quando disse que via Bolsonaro e Moro como uma coisa só. E são mesmo. Na mentira, por exemplo, são iguaizinhos.

Moro está sendo atacado pela Polícia Federal de Bolsonaro (assim como o Exército é "meu Exército", como diz o Jair), por ter afirmado que "Hoje não tem ninguém no Brasil sendo investigado e preso por grande corrupção".

É verdade, mas é também mentira, porque quando Moro foi ministro da Justiça, a quem a PF é subordinada, também não havia. Pelo contrário, a única grande ação da PF sob Moro foi pressionar o porteiro do Vivendas da Barra, que havia afirmado e relatado na papeleta do condomínio que quem dera autorização para o motorista entrar para pegar o assassino de Marielle fora Jair Bolsonaro.

Após a visita da PF de Moro, o porteiro, que trabalhava (ainda trabalha?) no condomínio há anos, disse que havia se enganado...

Exatamente como faz Bolsonaro quando afirma que fez a transposição do São Francisco, obra que ele pegou com 96,9% pronta, segundo relatório de seu próprio ministério do Desenvolvimento Regional.

Assim como quando Bolsonaro diz que distribuiu centenas de milhões de doses de vacina. É verdade. Mas também é mentira, porque ele sempre foi contra as vacinas, trabalhou contra elas e apenas fatura em cima.

Assim como no caso do primeiro Auxílio Emergencial, quando Bolsonaro infla a boca para dizer que deu o auxílio de R$600, o que é verdade e é mentira, porque esse valor foi apesar dele, como rebateu o relator do projeto, deputado Marcelo Aro:

Presidente, isso não é verdade. Vamos contar a história real? Fui relator do projeto. Seu governo foi contra o meu relatório desde o primeiro momento. Vocês não admitiam um valor acima de R$ 200,00.

Na linha dos dois mentirosos, a PF emite nota hoje em resposta à frase de Moro, em que afirma:

Com o intuito de preservar a imagem de umas das mais respeitadas e confiáveis instituições brasileiras, a Polícia Federal repudia a afirmação feita pelo pré-candidato Moro de que a corporação não tem autonomia.

O Brasil inteiro sabe que a PF bolsonara trabalha para o governo e não para a população, e os exemplos são muitos, sendo o mais recente o caso da delegada  Silvia Amélia, que solicitou à Interpol a prisão do blogueiro bolsonarista foragido Allan dos Santos e foi punida com o afastamento do cargo.

Além dela, há pelo menos mais 17 que foram remanejados por contrariarem Bolsonaro, como mostra esta reportagem do Metrópoles, que dá nomes e motivos do afastamento de cada um deles.

No governo das fake news, tudo é mentira, até quando é verdade. 

De verdade verdadeira mesmo só a dura realidade dos mais de 640 mil mortos por COVID, do desemprego, dos milhões de famílias passando fome no país do gado e do agronegócio, e dos bancos com lucros bilionários.

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Quem diria que Bolsonaro e Moro ainda vão acabar juntinhos


Talvez só a conja de Moro, Rosângela Moro, que disse certa vez que via "Bolsonaro e Moro como uma coisa só", aguarde o desfecho que deve ter a tragicomédia das candidaturas Bolsonaro e Moro.
 
Abertas as urnas, ambos não eleitos, o que os aguarda é o sereno, onde serão abandonados por todos os que hoje ainda os bajulam.
 
Bolsonaro é o bode expiatório perfeito para políticos e militares, seus parceiros na destruição do país, mas que vão tirar o corpo fora e deixar nas costas de Bolsonaro a culpa de tudo de ruim que aconteceu e ainda acontece no país.
 
Já o ex-juiz vai ser o bode expiatório perfeito para todos os membros do Judiciário, cúmplices alegres nas maracutaias da Lava Jato, no golpe de 2016, na prisão de Lula, que lançarão na conta de Moro todos os problemas do Judiciário brasileiro.
 
Aí haverá, enfim, o reencontro da dupla Bolsonaro-Moro. No banco dos réus. E talvez dividindo uma cela na Papuda.





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Janio de Freitas e as pretensões eleitorais de Moro


Usando apenas 50 palavras, 270 caracteres e muita ironia, o jornalista Janio de Freitas expõe ao público a ignorância e a canoa furada das pretensões eleitorais de Moro:

Eleitorado que espera Moro é o do litoral de Minas

Em campanha no Nordeste, Moro falou de sua conversa com um agricultor do agreste cearense, região inexistente no Ceará. Perde tempo em casa de Lula e Ciro. O eleitorado que o espera com ansiedade é o do litoral de Minas.

Agreste cearense, litoral de Minas, candidatura Moro. Nada disso existe.
 
Pano rápido.





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'Moro é uma fraude. Ele e Bolsonaro se igualam na mesma inclinação totalitária'


A jornalista Cristina Serra é cirúrgica na sua análise sobre o farsante que quer se apresentar à plateia como um pavão de coloridas plumas, mas que é na verdade um marreco depenado e condenado pela pior pecha que se pode lançar sobre um juiz, a de ser um juiz suspeito, aquele juiz que o torcedor de futebol conhece bem como juiz ladrão.
Moro, a fraude

Eis que Sérgio Moro reaparece, com o messianismo e o discurso justiceiro de sempre, transbordantes no seu retorno aos holofotes. Moro exercitou as cordas vocais e estudou pausas teatrais, tentando dar alguma credibilidade ao estilo "corvo" moralista, atualizado para o século 21, só que sem a capacidade retórica do modelo original, o udenista Carlos Lacerda.

O erro de Moro é achar que o Brasil ainda está em 2018 e que vai votar em 2022 movido pelo ódio, por ele estimulado quando conduziu a Lava Jato. No processo que levou à condenação do ex-presidente Lula, o então juiz rasgou o devido processo legal e a Constituição. Isso não é versão nem narrativa. É o entendimento consagrado pelo STF, que o considerou um juiz suspeito.

Este é o fato mais importante da biografia do agora candidato e não pode ser naturalizado como página virada. Isso revela a essência de Moro. Ele grampeou advogados de Lula (tendo acesso, portanto, às estratégias de defesa do réu); determinou condução coercitiva espetacularizada; divulgou áudio ilegal e seletivo envolvendo a presidente Dilma, vazou delações.

O vale-tudo processual deu caráter de justiçamento à Lava Jato, feriu o Judiciário, a democracia e o país. Tudo com a complacência da mídia, a mesma que agora parece ver no ex-juiz o nome que procura para a terceira via como quem busca o Santo Graal.

Moro nunca demonstrou o menor constrangimento em servir a um presidente adepto da tortura e com notórias conexões criminosas. Tentou dar a policiais esdrúxula licença para matar sob forte emoção. Como quem fareja carniça, quando deixou o governo, foi ganhar dinheiro no processo de recuperação de uma das empresas que ajudou a esfolar.

Agora, Moro se apresenta como democrata. É uma fraude. Ele e Bolsonaro se igualam na mesma inclinação totalitária. As semelhanças, aliás, foram ressaltadas por pessoa insuspeita. Foi a senhora Moro quem disse, quando este ainda era ministro, que via o marido e o presidente como "uma coisa só".





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