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Um dia após Caetano estacionar seu carro no Leblon o mundo quase acabou

Um carro Meriva branco passeava pelas ruas do Leblon, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, famoso nas novelas do escritor Manoel Carlos, que morreu recentemente. Ao volante, o cantor e compositor Caetano Veloso procurava uma vaga para estacionar.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, o líder espiritual tibetano Dalai Lama anunciou que deixaria de ser o líder político do governo tibetano no exílio, mantendo apenas seu papel espiritual. 

Na Alemanha, dois militares da Força Aérea dos EUA foram mortos em um tiroteio no Aeroporto de Frankfurt.

Na Arábia Saudita a polícia local deu o tratamento costumeiro e abriu fogo contra manifestantes em Qatif.

Era época da Primavera Árabe, revoltas populares que derrubaram regimes na Tunísia e Egito, espalhando-se pela Líbia e Iêmen.

Mas naquele momento Caetano estava preocupado em achar uma vaga para estacionar seu Meriva branco no Leblon.

Do outro lado do planeta, o mesmo planeta Terra para quem Caetano compôs uma de suas mais belas canções, as placas tectônicas começavam a se mover, fazendo com que animais passassem a se comportar de modo estranho, segundo informaram seus proprietários.

Criadores relataram comportamento inusual de seus rebanhos. Vacas, ovelhas procuravam se afastar da costa de modo inusitado. Baleias vieram a encalhar, numa fuga que acabou provocando suas mortes.

Mais ou menos como aconteceu em 2004, no terrível tsunami no Sri Lanka, que matou dezenas de milhares de pessoas. Testemunhas apontaram o estranho comportamento dos elefantes, que se afastaram o mais que puderam da costa, como se soubessem da catástrofe que estava por vir.

Sem saber de nada disso ainda, Caetano avistou uma vaga na esquina da via principal do Leblon, Ataulfo de Paiva, com General Artigas, um dos três generais argentinos que dão nome a ruas no Leblon.

Um fotógrafo de celebridades, do outro lado da rua, estava à procura de uma imagem para enviar às redações. Ainda sem saber que aquele Meriva branco que estava estacionando era pilotado por Caetano Veloso.

O fotógrafo também não sabia das placas tectônicas se movendo no Japão, que provocariam às 14h46 do dia seguinte um terremoto de magnitude 9.0 a 9.1 na costa nordeste do Japão. 

Foi o tremor mais forte já registrado no país e um dos mais poderosos do mundo, que gerou o tsunami com ondas gigantes que alcançaram quase 40 metros de altura e inundaram áreas costeiras, destruindo cidades, infraestruturas e causando milhares de mortes.

O terremoto, que destruiu a área de resfriamento da usina nuclear de Fukushima, deu início ao derretimento de combustível nuclear e o vazamento de radiação, tornando-se o pior incidente nuclear desde Chernobyl.

Naqueles dias, ninguém sabia até onde iriam as consequências do vazamento de Fukushima, que poderia contaminar o planeta. 

Mas já se sabia que o fotógrafo havia feito seu trabalho no Leblon, pois o site Terra publicou imagens com a manchete: Caetano estaciona carro no Leblon nesta quinta-feira.


 

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Retirada de propaganda do carro é só propaganda

Vamos supor que tenha havido mesmo pressão do governo (jornalões, pitblogueiros e seus acólitos dizem que diretamente do presidente Lula) para que fosse retirado do ar o comercial de um carro que fazia referência à frase “relaxa e goza” da ministra Suplicy. Vamos supor.

A diretoria da montadora tinha diante de si duas opções: retirava o comercial, para ficar bem com o “presidente”; mantinha o comercial. Não tem lógica alguma retirar o comercial do ar e “deixar vazar” que isso aconteceu por causa de censura vinda do governo. Porque aí não seriam atendidas nenhuma das alternativas.

Logo, o que está acontecendo não pode ser explicado por essas duas alternativas. Mas por uma terceira. Trata-se de mais um caso de marketing viral. A pista para isso é dada pela própria fonte do vazamento: o presidente da agência responsável pelo comercial.

Toda a campanha é inteligente e joga muito bem com o senso de oportunidade. Primeiro, ao fazer o comercial. Agora, ao retirá-lo do ar e revestir a ação de um conteúdo político, explorando a gosto de sangue dos indignados úteis e seus pitblogs, que reproduzem com satisfação o comercial em suas páginas. Num terceiro momento, quem sabe, o carro vem associado à defesa da liberdade de expressão. Mas é apenas um carro.

O que me diverte é que os antiLula estão fazendo propaganda de carro, quando pensam que estão atacando o governo. E com que alegria eles são manipulados!

Comigo não, violão.

Para quem tem preguiça de navegar, aqui vai a definição de marketing viral da Wikipedia:

O marketing viral e a publicidade viral referem-se a técnicas de marketing que tentam explorar redes sociais pré-existentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca, com processos similares a extensão de uma epidemia. A definição de marketing viral foi cunhada originalmente para descrever a prática de vários serviços livres de email de adicionar sua publicidade ao email que sai de seus usuários. O que se assume é que se tal anúncio alcança um usuário "susceptível", esse usuário "será infectado" (ou seja, se ativará uma conta) e pode então seguir infectando a outros usuários susceptíveis. Enquanto cada usuário infectado envia o email a mais de um usuário susceptível por média (ou seja, a taxa reprodutiva básica é maior que um), Os resultados "standard" em epidemiologia implicam que o número de usuários infectados crescerá segundo uma curva logística, cujo segmento inicial é exponencial.

De forma mais geral, o marketing viral se utiliza às vezes para descrever algumas classes de campanhas de marketing baseadas na internet, incluindo o uso de weblogs, de sites aparentemente amadores, e de outras formas de astroturfing (termo utilizado para designar ações políticas ou publicitárias que tentam criar a impressão de que são movimentos espontâneos e populares) para criar o rumor de um novo produto ou serviço. O termo "publicidade viral" se refere à idéia que as pessoas passarão e compartilharão conteúdos divertidos. Esta técnica muitas vezes está patrocinada por uma marca, que busca construir conhecimento de um produto ou serviço. Os anúncios virais tomam muitas vezes a forma de divertidos videoclipes ou jogos Flash interativos, imagens, e inclusive textos.

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