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Carnavalesco campeão critica o samba do caju ('samba ruim'), e o coro come

O multicampeão Leandro Vieira, bicampeão pela Mangueira e campeão no ano passado com a Imperatriz Leopoldinense, mexeu num vespeiro ao criticar o samba do caju("Pede caju que dou, pede caju que dá"), que caiu no gosto do povo, numa entrevista à revista Piauí.
   

"Em qualquer ano, seria considerado um samba ruim. Talvez os jurados tenham medo de tirar pontos em função do que se tornou consenso antes do desfile" — disse Leandro.
O humorista Marcelo Adnet, um dos autores do samba, rebateu:   
"Acho que isso não é uma questão importante, pois é apenas uma opinião, todos têm direito a ter opinião, opinião é subjetivo, não é nada definitivo, mas, quando se fala em público sobre o trabalho de outras pessoas, principalmente quando se trata de carnaval que é um trabalho coletivo e subjetivo, acho que sempre cabe um cuidado maior. Mas, é isso, sem problemas. O jogo segue."
Leandro Vieira disse que suas palavras estão sendo usadas fora do contexto:   
"Tenho admiração e apreço por muito dos envolvidos com o trabalho da escola e com alguns torcedores. Liguei pessoalmente pra alguns, assim como fiz com o carnavalesco [Marcus Ferreira], o enredista [Fábio Fabato] e um dos compositores do samba. Todos, pessoas com quem mantenho contato e festejo o trabalho", disse Vieira ao G1.
Mas nas redes o carnavalesco está apanhando feio, porque o caju está na boca do povo, e a mesma crítica de que isso pode influenciar a opinião dos jurados pode ser usada contra o carnavalesco. Por ter sido campeão tão jovem em três desfiles nos últimos 7 anos, pode influenciar a opinião dos juízes em favor de sua escola. Afinal, sempre se olha o desfile de um tricampeão com olhos diferentes.


E você, com quem fica? Ouça o samba, no clipe oficial da Mocidade Independente.

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Domingo com Música. Mangueira e o Jesus da Gente: 'Não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão'



Em tempos de ódio, Mangueira vem com Jesus da Gente, em defesa da solidariedade e dos oprimidos



A letra não deixa dúvidas sobre quem é o Jesus da Gente e quem se opõe  ele e a quem ele se opõe. Em dois trechos isso fica claro: Não tem futuro sem partilha nem Messias de arma na mão (crítica direta a Jair Messias Bolsonaro (eleito mediante fraude)) e Procura por mim nas fileiras contra a opressão.





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'Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher, Moleque pelintra do Buraco Quente, Meu nome é Jesus da Gente'. É Mangueira 2020

O casal Luis Carlos Máximo e Malu da Cuíca

Samba-enredo da Mangueira 2020


O casal Luis Carlos Máximo e Malu da Cuíca levou pela segunda vez seguida o samba-enredo da Mangueira.

O samba certamente ainda vai ser ajustado na quadra, nos ensaios com a bateria, os sambistas e os demais compositores da escola. Mas a letra de Malu da Cuíca é espetacular.

Nela, fica claro o desenho do desfile da Escola, uma crítica clara à intolerância religiosa, ao desvirtuamento das palavras do Cristo, ao "Messias de arma na mão", referência direta ao presidente (eleito mediante fraude) Jair Messias Bolsonaro e sua defesa das armas e da violência, ao mesmo tempo em que se diz cristão.

Mangueira
Samba que o samba é uma reza
Se alguém por acaso despreza
Teme a força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra do Buraco Quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque de novo cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais que a escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem Messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E num domingo verde-e-rosa
Ressurgi pro cordão da liberdade




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O Globo: Bala perdida mata menina de 11 anos

Esta é uma das manchetes da primeira página de O Globo hoje. A menina era moradora do Morro do Telégrafo, no Complexo da Mangueira.

Repito postagem de 6 de março deste ano:

O Globo: ‘Bala perdida mata menina’

Esta manchete de O Globo está errada. A bala só estaria perdida se acertasse a loura Ingeborg Holm num campo de golfe. Acertar uma jovem negra na favela é a trajetória normal das balas. Todos os anos no Brasil milhares delas têm esse público como seu alvo preferencial, seu market-share. Esta é que é a notícia: a repetição criminosa que é chamar de perdida uma bala que tem um alvo bem definido.

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Mangueira deixa Nélson Sargento e Beth Carvalho fora do desfile

Ano passado aconteceu com Martinho da Vila. Uma discussão interna na escola de samba Vila Isabel, e Martinho não desfilou. Um escândalo. O pior é que a escola foi campeã e ainda houve quem comemorasse essa vitória sem Martinho.

Também no ano passado a Portela deixou de fora toda a sua Velha Guarda, que não pôde desfilar, porque isso estouraria o tempo determinado para o desfile. Um crime, todo aquele pessoal que construiu a glória da azul e branco barrado em nome do regulamento.

Nelson Sargento e Beth Carvalho


Este ano a bomba estourou na Mangueira. Nelson Sargento não desfilou. Ele que é uma das glórias da verde e rosa, remanescente do grupo de fundadores da escola, como Cartola, Carlos Cachaça e Nelson Cavaquinho. Sargento não desfilou porque a escola não providenciou a fantasia de sua esposa e filho, que o acompanhariam durante o desfile, já que ele tem 82 bem vividos anos.

Mas a Mangueira pisou ainda mais na bola. Beth Carvalho foi proibida de desfilar na escola, porque pediu para sair sobre um carro alegórico, pois não poderia desfilar no chão - como sempre fez - por um problema na coluna. O carnavalesco Max Lopes não acreditou no problema de coluna dela e Beth foi barrada no carro. Um absurdo. Muita gente é Mangueira por causa de Beth. Da divulgação que ela deu à escola e a alguns de seus grandes compositores.

Técnicos, carnavalescos e políticos de gabinete


Os carnavalescos são uma praga, tão endeusada e perniciosa como os tecno-burocratas. Logo me vêm à cabeça as figuras empoladas de Parreira, do ex-prefeito ainda no exercício do cargo César Maia e agora desse Max Lopes, que surge como legítimo representante da classe dos arrogantes carnavalescos. A eles juntam-se os dirigentes, que acham que são mais importantes que o clube, a escola de samba ou a cidade, estado ou país que dirigem. Tristes tempos.

Não vai me causar espanto se um idiota desses vier um dia a proibir o grande Jamelão de desfilar pela Mangueira, já que agora ele se encontra impossibilitado de cantar. A desculpa vai ser uma idiotice qualquer. Porque é só o que produzem os idiotas.

Este blog protesta veementemente contra a indelicadeza feita a Nelson Sargento e a grosseria contra Beth Carvalho. Que esses defensores do futebol sem gol ("O gol é apenas um detalhe" - Parreira), escola de samba sem sambistas e política sem povo saiam da frente, abram alas pro povo passar.

No desfile deste blog Martinho da Vila, a Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento e Beth Carvalho desfilam como, quando e por quanto tempo quiserem. Bumbum-baticundum-prucurundum!