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Raul Seixas e o jingle da campanha do entreguista Flávio Bolsonaro: Aluga-se


Música composta por Raul Seixas na década de 1980, "Aluga-se" parece antecipar em 40 anos a plataforma de campanha do entreguista Flávio Bolsonaro, senador cuja única proposta de governo, além de anistiar o pai criminoso, condenado a 27 anos e três meses de prisão, é entregar o Brasil aos Estados Unidos de Trump. 

 


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No Dia da Independência, nada como assistir ao vídeo em que Bolsonaro diz que quer dividir Amazônia com EUA


Ele se diz patriota. Brasil acima de tudo, abaixo apenas de Deus. Mas o deus dele é o da morte dos adversários, que diz querer dizimar, um deus que aceita e elogia torturadores covardes, que se utilizaram do poder do Estado (que lhes pagou salários, lhes deu uniforme e armas) para submeter e torturar outros brasileiros.

Mas é na hora do vamos ver que a gente vê quem é patriota ou não. Ou é patriota quem entrega a exploração de nosso pré-sal, que garantiria saúde e educação para os futuros brasileiros, à exploração estrangeira, especialmente estadunidense?

É patriota quem quer privatizar tudo, entregar de mão beijada a Petrobras, como antes outro "patriota", FHC, fez com a Vale?

Bolsonaro já bateu continência para a bandeira dos Estados Unidos, diz que ama aquele país, puxa abjetamente o saco de Donald Trump, que o trata com a condescendência que dedica aos animais banguelas.

Mas, neste Dia da Independência, nada como ver a sabujice, o acocoramento presidencial, exposto de forma nua e crua num trecho do documentário alemão "O Fórum", sobre o Fórum Econômico de Davos de 2019.

No trecho, Jair Bolsonaro conversa com o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, e confessa a ele que seu sonho é dividir a exploração da Amazônia com os Estados Unidos. Nossa Amazônia, um rachuncho, como na história da galinha e do porco num negócio de ovos com bacon.

O despropósito da afirmação foi tão grande que Al Gore se espantou e chegou a comentar que achava que não estava entendendo direito o que ele dizia.

Esse é o retrato do que se diz patriota e que nos desgoverna.

Assista ao vídeo.




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Em carta, Lula critica Bolsonaro: 'Bolsonaro entregou nossa política externa aos Estados Unidos'

Boneco Lula gigante, Rio, Foto: Aurélio Rocha

Lula em defesa da soberania popular


Em carta enviada ao Seminário Soberania Nacional e Popular, realizado esta semana na Câmara dos Deputados em Brasília, o ex-presidente Lula criticou o governo entreguista de Bolsonaro e defendeu uma retomada da soberania popular.

Eis a íntegra da carta:
Companheiras e companheiros de todo o Brasil,

Sempre acreditei que o povo brasileiro é capaz de construir uma grande Nação, à altura dos nossos sonhos, das nossas imensas riquezas naturais e humanas, nesse lugar privilegiado em que vivemos. Já provamos, ao longo da história, que é possível enfrentar o atraso, a pobreza e a desigualdade, com soberania e no rumo da justiça social Mas hoje o país está sendo destroçado por um governo de traidores. Estão entregando criminosamente as empresas, os bancos públicos, o petróleo, os minerais e o patrimônio que não lhes pertence, mas ao povo brasileiro. Até Amazônia está ameaçada por um governo que não sabe e não quer defendê-la; que incentiva o desmatamento, não protege a biodiversidade nem a população que depende da floresta viva.

Nenhum país nasce grande, mas nenhum país realizará seu destino se não construir o próprio futuro. O Brasil vai completar 200 anos de independência política, mas nossa libertação social e econômica sempre enfrentou obstáculos dentro e fora do país: a escravidão, o descaso com a saúde, a educação e a cultura, a concentração indecente da terra e da renda, a subserviência dos governantes a outros países e a seus interesses econômicos, militares e políticos.

Apesar de tudo, ao longo da história criamos a Petrobrás, a Eletrobrás, o BNDES e as grandes siderúrgicas hidrelétricas; os bancos públicos que financiam a agricultura, a habitação e o ensino; a rede federal e estadual de universidades, a Embrapa, o Inpe, o Inpa, centros de pesquisa e conhecimento, todo um patrimônio a serviço do país.

O que foi construído com esforço de gerações está ameaçado de desaparecer ou ser privatizado em prejuízo do país, como fizeram com a Telebrás, a Vale, a CSN, a Usiminas, a Rede Ferroviária, a Embraer. E sempre a pretexto de reduzir a presença estado, como se o estado fosse um problema quando, na realidade, ele é imprescindível para o país e o povo.

O mercado não vai proteger um dos maiores territórios do mundo, o subsolo e a plataforma continental; a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal. Não vai oferecer acesso universal à educação, saúde, seguridade social, segurança pública, cultura. O mercado não vai construir um país para todos.

A Petrobrás está sendo vendida aos pedaços a suas concorrentes estrangeiras. Já entregaram dois gasodutos estratégicos, a distribuidora e agora querem as refinarias, para reduzi-la a mera produtora de petróleo bruto e depois vender o que restou. Reduzem a produção de combustíveis aqui para importar em dólar dos Estados Unidos. E por isso disparam os preços dos combustíveis e do gás para o povo.

Se a Petrobrás fosse um problema para o Brasil, como a Rede Globo diz todo dia, por que tanta cobiça pela nossa maior empresa e pelo pré-sal, que os traidores também estão entregando? Agora mesmo querem passar a eles os poços da chamada Cessão Onerosa, onde encontramos jazidas muitas vezes mais valiosas que as ofertas previstas no leilão.

Problema é voltar a comprar lá fora os navios e plataformas que sabemos fazer aqui. É a destruição da cadeia produtiva de óleo e gás, pela ação do governo e pelas consequências do que fez um juiz em Curitiba. Enquanto fechava acordos com corruptos, vendendo a falsa ideia de que combatia a corrupção, 2 milhões de trabalhadores foram condenados ao desemprego, sem apelação.

Os trabalhadores e os mais pobres são os que mais sofrem com essa traição. Cada pedaço do país e das empresas públicas que vendem, a qualquer preço, são milhões de empregos e oportunidades roubadas dos  brasileiros.

É uma traição inominável matar o BNDES, vender o Banco do Brasil e enfraquecer a Caixa Econômica, indispensáveis ao desenvolvimento sustentável, à agricultura e à habitação. O ataque às universidades públicas também é contra a soberania nacional, pois um país que não garante educação pública de qualidade, não se conhece nem produz conhecimento, será sempre submisso e dependente das inovações criadas por outros.

Bolsonaro entregou nossa política externa aos Estados Unidos. Deu a eles, a troco de nada, a Base de Alcântara, uma posição privilegiada em que poderíamos desenvolver um projeto aeroespacial brasileiro. Rebaixou a diplomacia a um assunto de família e de conselheiros que dizem que a terra é plana. Trocou nossas conquistas na OMC pela ilusão da OCDE, o clube dos ricos que o desprezam. Anunciou um acordo com a União Europeia, sem pesar vantagens e prejuízos, e agora  brinca de guerra com os europeus para fazer o jogo de Trump.

Quem vai ocupar o espaço da indústria naval brasileira, da indústria de máquinas e equipamentos, da engenharia e da construção, deliberadamente destroçadas? Quem vai ocupar o espaço dos bancos públicos, da Previdência; quem vai fornecer a Ciência e a Tecnologia que o Brasil pode criar? Serão empresas de outros países, que já estão tomando nosso mercado, escancarado por um governo servil, e levando os lucros e os empregos para fora.

Fiquem alertas os que estão se aproveitando dessa farra de entreguismo e privatização predatória, porque não vai durar para sempre. O povo brasileiro há de encontrar os meios de recuperar aquilo que lhe pertence. E saberá cobrar os crimes dos que estão traindo, entregando e destruindo o país.

É urgente enfrentá-los, porque seu projeto é destruir nossa infraestrutura, o mercado interno e a capacidade de investimento público – para inviabilizar de vez qualquer novo projeto de desenvolvimento nacional com inclusão social. O povo brasileiro terá mais uma vez que tomar seu próprio caminho. Antes que seja tarde demais para salvar o futuro.

Por isso é tão importante reunir amplas forças sociais e políticas, como neste seminário que se realiza hoje em Brasília, junto ao lançamento da Frente Parlamentar Mista da Soberania Nacional. Saúdo a todos pela relevante iniciativa que é o recomeço de uma grande luta pelo Brasil e pelo povo.

Daqui onde me encontro, renovo a fé num Brasil que será novamente de todos, na construção da prosperidade, da igualdade e da justiça, vivendo na democracia e exercendo sua inegociável soberania.

Viva o Brasil livre e soberano!

Viva o povo brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 4 de setembro de 2019

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