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Atuação do 'gabinete da morte' de Bolsonaro configura formação de quadrilha e permite caracterizar com clareza o comando desse genocídio

Da jornalista Cristina Serra, na Folha:
Bolsonaro e o gabinete da morte
Desde o começo da pandemia, Bolsonaro fez o que pôde para que os brasileiros acreditassem na cilada da cloroquina e continuassem saindo às ruas, como gado a caminho do matadouro. A aposta foi na imunidade de rebanho. Nada de parar a economia ou planejar a compra de vacinas. Novas provas desse crime surgiram nos últimos dias em vídeos de conteúdo estarrecedor.

Para que o intento criminoso fosse bem-sucedido, seria preciso arregimentar um bando de vigaristas que desse credibilidade à fraude do "tratamento precoce". É exatamente isso que o vídeo publicado pelo site Metrópoles comprova, ao mostrar uma reunião do tal "gabinete paralelo", que, mais apropriadamente, deveria se chamar "gabinete da morte".

Na reunião, o virologista Paolo Zanotto fez ressalvas às vacinas, recomendando que Bolsonaro tivesse "cuidado enorme" com elas. Foi dele também a sugestão para que os membros do grupo não fossem expostos à "popularidade". Deveriam agir à "sombra". Nessa ocasião, ofertas de vacinas da Pfizer jaziam sem resposta em computadores da Esplanada.

Em outro vídeo que circula em redes sociais, Arthur Weintraub, ex-assessor de Bolsonaro, se vangloria de ter recebido do presidente a missão de formar o gabinete paralelo. Foi assim: "Magrelo, você que é porra louca ("¦) vai lá e estuda isso daí [ a pandemia]". Ele conta, ainda, como informava o chefe: "Mando [artigos] no zap". Outro médico que prestou serviços ao covil do Planalto foi Luciano Azevedo, que, segundo Weintraub, tem uma "networking" da hidroxicloroquina, conforme vídeo divulgado nesta Folha.

Arthur Weintraub é um tipo tão reles quanto o irmão mais famoso, Abraham, ex-ministro da Educação. Delirante, disse em rede social que não gosta de usar máscara porque é um "broche do partido comunista". O "gabinete da morte" reuniu o que há de pior na medicina para conspirar contra o povo brasileiro. Sua atuação configura formação de quadrilha e permite caracterizar com clareza o comando desse genocídio.





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