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Atuação do 'gabinete da morte' de Bolsonaro configura formação de quadrilha e permite caracterizar com clareza o comando desse genocídio

Da jornalista Cristina Serra, na Folha:
Bolsonaro e o gabinete da morte
Desde o começo da pandemia, Bolsonaro fez o que pôde para que os brasileiros acreditassem na cilada da cloroquina e continuassem saindo às ruas, como gado a caminho do matadouro. A aposta foi na imunidade de rebanho. Nada de parar a economia ou planejar a compra de vacinas. Novas provas desse crime surgiram nos últimos dias em vídeos de conteúdo estarrecedor.

Para que o intento criminoso fosse bem-sucedido, seria preciso arregimentar um bando de vigaristas que desse credibilidade à fraude do "tratamento precoce". É exatamente isso que o vídeo publicado pelo site Metrópoles comprova, ao mostrar uma reunião do tal "gabinete paralelo", que, mais apropriadamente, deveria se chamar "gabinete da morte".

Na reunião, o virologista Paolo Zanotto fez ressalvas às vacinas, recomendando que Bolsonaro tivesse "cuidado enorme" com elas. Foi dele também a sugestão para que os membros do grupo não fossem expostos à "popularidade". Deveriam agir à "sombra". Nessa ocasião, ofertas de vacinas da Pfizer jaziam sem resposta em computadores da Esplanada.

Em outro vídeo que circula em redes sociais, Arthur Weintraub, ex-assessor de Bolsonaro, se vangloria de ter recebido do presidente a missão de formar o gabinete paralelo. Foi assim: "Magrelo, você que é porra louca ("¦) vai lá e estuda isso daí [ a pandemia]". Ele conta, ainda, como informava o chefe: "Mando [artigos] no zap". Outro médico que prestou serviços ao covil do Planalto foi Luciano Azevedo, que, segundo Weintraub, tem uma "networking" da hidroxicloroquina, conforme vídeo divulgado nesta Folha.

Arthur Weintraub é um tipo tão reles quanto o irmão mais famoso, Abraham, ex-ministro da Educação. Delirante, disse em rede social que não gosta de usar máscara porque é um "broche do partido comunista". O "gabinete da morte" reuniu o que há de pior na medicina para conspirar contra o povo brasileiro. Sua atuação configura formação de quadrilha e permite caracterizar com clareza o comando desse genocídio.





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CPI mostra que Bolsonaro trocou vacinas por cloroquina e é responsável pela morte de milhares de brasileiros


Em artigo publicado em O Globo, o relator da CPI da Covid, ou da Pandemia, ou do Genocídio, senador Renan Calheiros, antecipa, sem que a CPI tenha chegado a seu final, uma série de crimes cometidos pelo governo Bolsonaro, que pode ser acrescida de novos conforme o avançar dos depoimentos, e que devem levar a um relatório devastador e a um pedido de impeachment de Bolsonaro.
 
A CPI está deixando claro o que se sabia, mas agora se transforma em provas contra o governo: que a política de combate à pandemia de Bolsonaro trocou vacinas por cloroquina e outros medicamentos sem utilidade alguma no combate ao coronavírus, sendo responsável direto por milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.
Em apenas um dia, 18 de agosto de 2020, o governo deixou de comprar 60 milhões da CoronaVac e outros 70 milhões da Pfizer: 130 milhões de doses, mais da metade dos nossos habitantes.
O artigo de Renan:
O eclipse do negacionismo

O trabalho da CPI para iluminar os escombros, resgatar a verdade e inculpar eventuais responsáveis é longo e promissor. Os timoneiros são os fatos. Em respeito ao direito de defesa, ao contraditório, é prematuro apontar os culpados pelo morticínio. Mas já é possível, com dados sujeitos a confirmação, fazer um balanço parcial. O saldo revela quanto a omissão, dolosa ou não, impactou as mortes e perdas irreparáveis. Cada ato deliberado e negacionista, cada equívoco, cada sabotagem à ciência se eternizou em mortes.

Após a primeira etapa de depoimentos, podemos afirmar que milhares de vidas poderiam ter sido preservadas com escolhas sensatas, responsáveis e científicas. Ao fim dos trabalhos, teremos como quantificar o número de óbitos evitáveis, que redundaram em lágrimas e destruição de famílias. A estatística assombrosa poderia ter sido atenuada se maiores tivessem sido a compreensão e o engajamento do governo. As escolhas vão desde a compra tempestiva de vacinas até recomendações elementares, como distanciamento, uso de máscaras, ações orgânicas com estados e renda digna e continuada para quem precisa.

O retrospecto do obscurantismo sugere um método de recusa sistemática das vacinas e prioridade de estratégias anticientíficas. Do Butantan, foram desprezadas, em cinco meses, três ofertas de 60 milhões ou 100 milhões de doses, com disponibilidade de 5,5 milhões já em dezembro de 2020. As seis propostas da Pfizer — 70 milhões — foram ignoradas por seis meses, e 1,5 milhão seriam aplicadas em 2020. Em dezembro de 2020, poderíamos ter vacinado 7 milhões de brasileiros.

Em apenas um dia, 18 de agosto de 2020, o governo deixou de comprar 60 milhões da CoronaVac e outros 70 milhões da Pfizer: 130 milhões de doses, mais da metade dos nossos habitantes. No consórcio Covax, o Brasil recusou doses para 50% da população, optando por inexplicáveis 10%. A matemática é apartidária e reveladora: o Brasil, de maneira contumaz e deliberada, abriu mão de milhões de imunizantes durante o ano de 2020.

O negacionismo nos posicionou como segundo país com maior número de mortes, com a exasperante marca que supera mais de 460 mil vítimas até agora. Em plena pandemia, recursos públicos foram desperdiçados na produção de cloroquina, ineficaz para a Covid-19. Uma receita duplamente mortal, já que retirou recursos das vacinas, e o medicamento acarreta efeitos colaterais graves. A má gestão no desabastecimento de oxigênio de Manaus pode receber qualquer nome, menos gestão. O governo tinha conhecimento de que a calamidade era iminente. Que fez para impedir a tragédia?

Na CPI, vivenciamos a angústia de suportar a pantomima de depoimentos despudorados, apesar do verniz e das formalidades. É como assistir a alguém pisoteando cadáveres, sem nenhuma empatia, como se ali estivesse diante de um embate político. É escárnio, desrespeito e uma aposta mortífera de que tudo não passa de uma “tormenta passageira”. Grave erro de diagnóstico. A pandemia é a mais profunda e incurável cicatriz da nossa história. Os que atuam para bolhas de convertidos carregarão a vergonha e a desonra para o resto dos dias.

Positivo é que a CPI, de forma inédita, gerou uma rede espontânea de colaboradores e reconectou o Parlamento com a sociedade. Nos chegam vídeos, áudios e documentos que contribuem para desmontar farsas maquinadas no gabinete do ódio e no ministério da doença. Temos uma rede de checagem, um gabinete do bem, voluntário, em defesa da luminosidade, da ciência e da vida. Essa interação ganhou um forte impulso depois que abrimos a perguntas dos internautas, todas pertinentes.

O extrato parcial do negacionismo exibe um placar de mortes que não para de subir, um conjunto de inações que não para de se repetir. Atitudes que, antes, durante e ainda agora, causam indignação e perplexidade. Ao final da CPI, haverá um balanço definitivo para o conhecimento da sociedade. A sensação é que assistimos ao fim de prolongado eclipse, quando as sombras vão se dissipando, e a luz vai ressurgindo gradualmente e renovando a vida.





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Número de brasileiros que morreram por culpa de Jair Bolsonaro durante a pandemia já se aproxima de 100 mil


Por Celso Rocha de Barros, na Folha: 
Quem matou 90 mil sem vacina?
Dois fatos apurados pela CPI da pandemia, ambos documentados, mostram, sozinhos, que o número de brasileiros que comprovadamente morreram por culpa de Jair Bolsonaro durante a pandemia já se aproxima de 100 mil. Como calculamos duas colunas atrás, 100 mil mortos é mais do que a soma das vítimas de todos os assassinos brasileiros em 2019 e 2020.

A primeira decisão foi a de não aceitar a oferta de vacinas da Pfizer. Na estimativa do epidemiologista Pedro Hallal, utilizando parâmetros conservadores (isto é, desfavoráveis à hipótese de que a decisão de Bolsonaro custou vidas), 14 mil brasileiros (5.000 no mínimo, 25 mil no máximo) teriam sido salvos se a oferta da Pfizer tivesse sido aceita. Uma única decisão: 14 mil pessoas morreram por ela.

A segunda decisão foi a de não aceitar a proposta do Instituto Butantan para entregar 45 milhões de vacinas da Coronavac ainda em 2020. A mesma conta feita pelo professor Hallal estimou em 81,5 mil (80,3 mil no mínimo, 82,7 mil no máximo) o número de brasileiros que não teriam morrido se a oferta do Butantã tivesse sido aceita. Outra estimativa, feita pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que as vacinas do Butantan teriam sido suficientes para vacinar todos os idosos brasileiros até fevereiro. Entre o meio de março e semana passada, morreram 89.772 idosos brasileiros.

Somando as vítimas das duas decisões, já são, no mínimo, cerca de 90 mil mortes que Jair Bolsonaro, comprovadamente, causou sozinho. Se algum defensor do governo tiver cálculos diferentes, por favor, apresente-os.

Esses 90 mil são só o começo da história. Bolsonaro combateu desde o início a Coronavac, que só existe no Brasil por iniciativa do Governo de São Paulo e é responsável pela esmagadora maioria das vacinas aplicadas no país até agora. Além disso, vacinação é só um dos pilares do combate à pandemia. Bolsonaro não investiu em nenhum dos outros: nem isolamento social nem testagem e rastreamento.

Mesmo depois de verem apresentadas todas as provas citadas acima, os senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Marcos Rogério (DEM-RO) continuam fazendo o possível para esconder esses fatos na CPI da pandemia.

Na última semana, Girão tentou emplacar o boato de que a Coronavac é feita com células de fetos abortados (não é). Marcos Rogério mentiu que outras autoridades defenderam a cloroquina ao mesmo tempo que Bolsonaro, o que só ocorreu no curto período antes de vários estudos médicos (não apenas o de Manaus, Heinze) demonstrarem a ineficácia da cloroquina contra a Covid-19. .

Heinze tenta desviar qualquer conversa para falar de cloroquina, que só é assunto no Brasil. Em 2020, a cloroquina foi utilizada por Bolsonaro para mandar trabalhadores para as ruas com risco de morte. Agora é utilizada por Heinze na CPI para desviar o assunto, dos crimes enormes que a população entende claramente, como boicote à vacinação, para crimes menores e mais difíceis de serem entendidos, como o curandeirismo de cloroquina.

Se o único crime de Bolsonaro na pandemia tivesse sido a defesa da cloroquina, se tivesse feito todo o resto certo, o título desta coluna teria um número muito menor. Heinze não quer que investiguemos todo o resto.

Eu acho que isso é crime, senador.



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'Resta-nos, ao menos, torcer para que a CPI da pandemia faça seu trabalho e mande o presidente da República para a cadeia'


Da coluna de Celso Rocha de Barros, na Folha.
'Consultório do crime' tenta salvar Bolsonaro na CPI da COVID

O Brasil deve atingir meio milhão de mortos por Covid-19 em junho. Supondo que nenhuma grande medida de isolamento social seja adotada de agora em diante, e mantendo-se o ritmo lento da vacinação, é praticamente certo que ultrapassaremos 600 mil mortos nos próximos meses.

Se os casos subnotificados forem 30% dos notificados, como estimou a organização Vital Strategies, é razoavelmente provável que terminemos o ano com um milhão de mortos (entre notificados e subnotificados), sem contar as pessoas que morreram de outras doenças, por falta de hospital etc.

Na estimativa do Institute for Health Metrics and Evaluation, da Universidade de Washington, se contarmos tudo isso já estamos com quase 600 mil mortos agora.

Se houver uma terceira onda de inverno agora que tudo reabriu, é perfeitamente possível que cheguemos ao milhão de mortos notificados antes do fim da pandemia.

Já não é impossível que o pessoal do Imperial College, no final das contas, tenha errado para menos.

Enquanto era possível evitar esse assassinato em massa, as elites brasileiras tinham outras preocupações, como as reformas econômicas, o acordão e o trauma que um impeachment obviamente necessário causaria tão pouco tempo depois de um impeachment sem qualquer justificativa.

Resta-nos, ao menos, torcer para que a CPI da pandemia faça seu trabalho e mande o presidente da República para a cadeia.

As primeiras sessões da CPI da Covid foram razoáveis. O número de crimes de Bolsonaro denunciados por Mandetta e Teich é suficiente para prender Bolsonaro e seus cúmplices diretos. Já Queiroga provou estar mesmo só a duas letras de distância de Fabrício Queiroz.

Falando em Queiroz, se no Rio de Janeiro Bolsonaro era amigo do chefe da milícia “Escritório do Crime”, na CPI é defendido pelo que podemos chamar de “Consultório do Crime”, um grupo de senadores que buscam tumultuar a investigação mentindo sobre medicina. Seus principais representantes são Eduardo Girão (Podemos-CE) e Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

Girão e Heinze mentem sobre a eficácia da cloroquina, mas o curandeirismo presidencial não é o principal crime que tentam acobertar.

Bolsonaro usou a cloroquina como artifício para minimizar os riscos da pandemia e mandar o povo brasileiro morrer na rua.

A cloroquina não é só um remédio ruim, é o remédio ruim que Bolsonaro ofereceu ao Brasil no lugar de isolamento social e vacina. Por isso morreu tanta gente.

Os fatos gritam: Bolsonaro causou uma proporção enorme das mortes brasileiras na pandemia, que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, por exemplo, aconteceram em sua maioria depois da descoberta da vacina.

Desafio Heinze, Girão, Osmar Terra ou qualquer outro cúmplice de Bolsonaro a me mostrar um estudo em que Bolsonaro seja responsável por menos do que 100 mil mortes até o fim da pandemia.

Essa estimativa camarada e favorável a Bolsonaro já lhe torna culpado de mais assassinatos do que os cometidos por todos os assassinos brasileiros em 2019 (41.730) somados aos cometidos por todos os assassinos brasileiros em 2020 (43.892).

Se os bolsonaristas defendem as execuções no Jacarezinho (no Rio de Janeiro) porque alguns dos mortos eram suspeitos de crimes, o que defendem que se faça com o assassino de, na estimativa mais camarada, cem mil brasileiros? Eu só peço cadeia. E cadeia eu exijo.




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Bolsonaro manda enfiar cloroquina goela abaixo de pacientes em Manaus para tentar se livrar de crime de improbidade administrativa


Através de seu pau mandado, o general Cloroquina que ocupa o ministério da Saúde, Bolsonaro mandou enfiar goela abaixo cloroquina em todos os pacientes de COVID de Manaus. Embora o mundo inteiro tenha abandonado o medicamento por não ter eficácia alguma contra a COVID e ainda cause efeitos colaterais que podem levar à morte do paciente.
 
Bolsonaro sabe disso. O general Cloroquina também. Mas eles fizeram a burrada (vamos supor que seja só burrice, não tenha nenhum jabá no negócio) de comprar cloroquina numa quantidade tal que dá para abastecer as necessidades do país (a cloroquina serve para a malária, por exemplo, mas não para a COVID) por 18 anos. É crime.

Então o negócio é enfiar cloroquina nos pacientes de COVID para tentar fugir de um processo por improbidade administrativa, que é motivo elencado na Constituição para seu impeachment.
 
O povo que se... Afinal, "todo mundo vai morrer um dia"...
 
Veja a carta do ministério da Saúde à secretaria de Saúde de Manaus com a mentira de que existe comprovação científica para o uso da cloroquina (é o oposto) e dizendo que é "inadmissível" que a secretaria não ministre o medicamento aos pacientes.
 
Criminosos e mentirosos. Com assinatura. Confira.





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Em plena pandemia, Bolsonaro cortou verbas para saúde indígena. Só em abril foram menos R$ 100 milhões


Não é falta de verbas. Porque elas estão sobrando no ministério da Saúde, que não usou as verbas para combater o coronavírus, mas para fabricar cloroquina e empregar militares e seus amigos, como a amiga do general Cloroquina, ministro interino da Saúde, em Pernambuco.

É projeto. Bolsonaro quer as terras indígenas para a exploração econômica e para isso é preciso que elas sejam invadidas e/ou que eles morram. O que vier primeiro.
O governo diminuiu o gasto com a saúde indígena no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado — mesmo com o coronavírus presente no país desde março.
A conclusão é de um levantamento inédito feito pelo Instituto de Estudos Socioecômicos a pedido do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Aos números:
No período estudado a queda foi de 9% nos valores autorizados para ações de “promoção, proteção e recuperação da saúde indígena”. Já nos meses em que a pandemia já havia se alastrado, os valores liquidados foram menores que os observados em 2019. Em abril e maio, a diferença foi de 100 milhões de reais a menos que no ano passado. [O Globo]
Além do corte de verbas, Bolsonaro vetou trechos de um projeto de Lei que levava benefícios aos indígenas, entre eles, água potável. Isso mesmo, nem água potável Bolsonaro quer levar aos indígenas.

A Câmara vota esta semana e pode derrubar os vetos do presidente.




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Líderes indígenas históricos morrem por COVID e falta de assistência do governo Bolsonaro


Duas reportagens no Amazônia Real mostram o estado de calamidade nas comunidades indígenas atingidas pela pandemia do coronavírus e ao mesmo tempo pela má vontade histórica de Jair Bolsonaro com nossos índios e comunidades quilombolas.

Reportagem de Janaína Souza denuncia a morte de líderes históricos na luta pela demarcação da Raposa Serra do Sol.
Lideranças históricas da demarcação e homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, estão entre as vítimas da Covid-19. Dionito, Bernaldina José Pedro, Alvino Andrade da Silva e Luciano Peres, todos da etnia Macuxi, lutaram desde os anos 50 para que os povos tivessem reconhecidos seus direitos sobre o território. Em questão de dias, perderam suas vidas pela falta de proteção e apoio das autoridades no combate ao novo coronavírus. 
“Nossas lideranças estão partindo. Essa doença braba que ninguém conhece está dizimando nossos povos”, desabafou Jacir José de Souza, irmão de Dionito  José de Souza, do povo Macuxi. Jacir, ex-tuxaua da aldeia Maturuca e ex-coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), é reconhecido internacionalmente pela defesa da demarcação e homologação da TI Raposa Serra do Sol. Em 2008, ele foi recebido pelo Papa João Paulo II no Vaticano, na Itália.
Atualmente ele está em recuperação da Covid-19 em Boa Vista e alerta para a urgência na proteção dos povos indígenas. “Precisamos agir, pois essas lideranças deixaram famílias e muita gente está contaminada. Eu tive que vir para a cidade passando mal e fui tratado no Hospital de Campanha. Faço um apelo às autoridades para olhar o povo indígena com mais atenção. Enviar médicos, enfermeiros que entendam dessa doença para as comunidades, antes de que a situação piore”, disse Jacir.
A pandemia chegou a várias comunidades indígenas de Roraima, onde quase metade do território é indígena e vivem os povos Wapichana, Macuxi, Ingaricó, Wai Wai, Patamona, Sapará e Taurepang.[Leia reportagem completa aqui]
Outra reportagem, de Marcio Camilo, fala da morte de um filho do grande cacique Apöena.
Filho do grande líder dos indígenas Xavante, o cacique Apöena, “uma pessoa iluminada”, “uma enciclopédia viva”, assim é lembrado o ancião Cidaneri Xavante, de 87 anos. Ele morreu no último dia 23 de julho apresentando os sintomas do novo coronavírus. Cidaneri é o segundo ancião que a comunidade de Pimentel Barbosa perde em menos de um mês. Três semanas antes faleceu Luís Ripru Xavante, que testou positivo para Covid-19. [Leia reportagem completa aqui]
Bolsonaro segue em seu intento de aculturar ou exterminar a população indígena, estimulando invasões de suas terras por criadores de gado, plantadores de soja e garimpeiros, e lhes oferecendo cloroquina, que já está provado que não cura e pode matar.



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'A regra Bolsonarista de autoria é: tudo que é ruim não é culpa minha, o que é bom é mérito meu' - Gabriela Priori


A professora e mestre em direito penal pela USP Gabriela Prioli escreveu em sua coluna de hoje na Folha:
O placebo eleitoral
A ciência, como todos vocês sabem, é comunista. Infectado, Bolsonaro se tornou a “prova” de que a cloroquina dá certo. O raciocínio é simples: ele pegou coronavírus, tomou o remédio e melhorou. Logo, a cloroquina funciona. Por essa construção, a solução poderia ser a bicada da ema...
O ponto é que, como estratégia de campanha, a defesa da cloroquina parece ser uma boa ideia. O presidente sem projeto e do “a culpa não é minha” não precisa que a cloroquina funcione, precisa só que as pessoas acreditem que funciona para que ele possa repetir o “mimimi” que engaja, vejam só a ironia, quem reclama que tudo é “mimimi”.
A estratégia para 2022 é dizer que, por culpa dos seus adversários, as pessoas foram impedidas de se salvar. É uma complementação da já manjada, e equivocada, desculpa de que o STF decidiu que o governo federal não podia criar um plano de enfrentamento à Covid-19. Assim, a cura do coronavírus foi inviabilizada pela oposição, e a crise econômica é culpa da oposição.
A regra Bolsonarista de autoria é: tudo que é ruim não é culpa minha, o que é bom é mérito meu. Tipo interessante —e comum— de meritocracia. Muitos se convencem, talvez deliberadamente. A meritocracia oportunista ajuda os pouco talentosos e irresponsáveis.
Embora eleito, Bolsonaro não governa, segue em campanha. No meio do caminho, entretanto, tinha um tribunal de contas, que apura, no processo 022.765/2020-4, a ocorrência de possível superfaturamento na compra, pelo Comando do Exército, de insumo para a fabricação do medicamento e avalia a decisão de aumentar a produção em 84 vezes nos últimos meses. E isso tudo sem prova científica de que o remédio funciona.
Quando administra o orçamento público, o presidente deve prestar contas. Não pode fazer campanha com o dinheiro dos outros.
Dizem que Bolsonaro está buscando adeptos. Precisa de “cloroquiners”, especialmente entre profissionais da saúde, para escapar do dolo ou da culpa. Vejamos.
O fato ou a verdade para Bolsonaro e seus seguidores são irrelevantes. O que importa é a versão deles.

Todo mundo sabe que Bolsonaro foi contra o auxílio emergencial de R$ 600. Mas fatura em cima como se fosse ideia dele. O mesmo com o Fundeb, que foi contra e determinou votação contrária, e agora diz que é mérito seu.

Gabriel Prioli vai no ponto, quando diz que Bolsonaro "não precisa que a cloroquina funcione, precisa só que as pessoas acreditem que funciona".

Bolsonaro é uma fake news presidente.



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Cientista que divulgou cloroquina contra o coronavírus agora diz que 'nunca a recomendou como tratamento'


Pelo visto, apenas Bolsonaro e o general Cloroquina vão seguir indicando cloroquina aos infelizes brasileiros que forem atendidos para o tratamento da pandemia.

Numa audiência a Deputados na França, o cientista Didier Raoult, o homem que divulgou a cloroquina e hidroxicloroquina como tratamento para a COVID-19, disse que nunca o fez e que não recomendaria a ninguém.

Na audiência na  Assembleia Nacional em 24 de junho, ao final do interrogatório, a deputada Josiane Corneloup, farmacêutica de profissão, pede sua opinião sobre as restrições à prescrição de hidroxicloroquina por médicos. Didier Raoult, que é o diretor do IHU em Marselha, respondeu:
"Eu nunca recomendei este tratamento, porque não tenho o direito de recomendar um tratamento que não é indicado. Eu não posso recomendar. Posso dizer o que faço, mas não posso recomendar. E eu nunca o recomendei. Se você ouvir atentamente o que eu digo: digo o que faço, não recomendo. Pode ser uma nuance, mas é uma nuance que importa".
O que mais é necessário para que a PGR ou seja lá quem de direito entre em campo e interrompa a distribuição de um medicamento que o mundo inteiro já provou que não tem efeito benéfico algum contra a COVID-19, pelo contrário, traz efeitos colaterais que podem levar à morte do paciente?

Até o divulgador mundial da cloroquina já pulou fora para fugir de processos. Confira no vídeo abaixo, em francês.




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Brasil tem mais de 2,5 milhões de infectados, 90 mil mortos, sendo 1664 no último dia, novo recorde


Enquanto o genocida no poder manda o general Cloroquina desovar o medicamento e governadores e prefeitos mandam abrir tudo, o Brasil chega oficialmente a 2.553.265 casos confirmados de COVID-19, 72.337 nas últimas 24 horas, mais 90.134 mortos, sendo que 1664 registrados nas últimas 24 horas, o que é novo recorde.

Com a abertura irracional e o fim da quarentena logo chegaremos aos 100 mil mortos e podemos chegar ao absurdo de duas mil mortes por dia.

Ainda há quem defenda reabrirem as escolas...

Enquanto Bolsonaro continuar presidente, a COVID-19 vai prosperar no país, pois ele é um aliado do coronavírus e um inimigo do povo brasileiro.



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'Se restar um mínimo de respeito pelas leis, Bolsonaro será processado para ressarcir o desvio e desperdício de altas verbas' - Janio de Freitas



Em sua coluna aos domingos na Folha, o jornalista Janio de Freitas mais uma vez denuncia os desmandos, as ilegalidades, até aqui impunes, de Jair Bolsonaro.

Mas não apenas ele. Há críticas ao presidente do Senado, Alcolumbre, a Luciano Huck e a Doria. 

A pandemia e os cabeças civis e militares do governo movem-se na mesma direção

Se restar um mínimo de respeito pelas leis e pela chamada coisa pública, Jair Bolsonaro será processado para ressarcir o desvio e desperdício de altas verbas. É a resposta legal às ordens abusivas e conscientes de sua improbidade, para a produção, compra e distribuição injustificáveis, e suspeitas, da substância hidroxicloroquina.
O argumento de que a ineficácia de cloroquina/hidroxicloroquina contra a Covid-19 provinha de pesquisas estrangeiras e duvidosas esvaiu-se, em definitivo. Está divulgada a pesquisa em 55 conceituados hospitais brasileiros com duas confirmações: a da ineficácia e a dos efeitos colaterais indesejáveis daqueles produtos.
Já mais do que consolidada a inutilidade da hidroxicloroquina para os contaminados pela pandemia, por determinação de Bolsonaro os laboratórios do Exército fabricaram ao menos 2,5 milhões desses comprimidos. Somadas outras encomendas, como a de 4 milhões ao Farmaguinhos, o jornalista José Casado chegou a 9,5 milhões de doses produzidas e compradas por decisão de Bolsonaro, além dos 2 milhões de doses doadas pelo excedente dos EUA.
O próprio ​Bolsonaro tornou-se uma contrapropaganda ambulante da droga que apregoa. Logo disse, quando forçado a admitir sua queda na contaminação, estar se medicando com hidroxicloroquina. Mas os 14 dias da persistência do vírus se passaram e Bolsonaro só agora fala em teste negativo.
O montante de gasto perdulário e deliberado de Bolsonaro não está revelado. Dois ex-ministros da Saúde são testemunhas da improbidade insistente para se comprometerem também, ou saírem.
Seja qual for o gasto a que outros cederam, inclusive no Exército, está coberto com dinheiro público. E a legislação prevê que gastos por improbidade, contrários a pareceres autorizados, sejam reconhecidos como crimes e sujeitos a ressarcimento às contas públicas.
Bolsonaro foi mais longe na improbidade. Acompanhado, nessa extensão, por Paulo Guedes, pelo general do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, e pelos dois chefes que se sucederam no Tesouro Nacional.
Em paralelo ao gasto previstamente inútil com cloroquina/ hidroxicloroquina, indica o Tribunal de Contas da União que aqueles figurantes retiveram 71% da verba disponível para combate à pandemia e socorro aos vitimados —sobretudo aos carentes, que, mais uma vez, fazem a maioria dos mais atingidos. O dinheiro aplicado não chegou a um terço do existente.
Aproximam-se os 100 mil mortos. O general especialista em organização de abastecimentos faz faltarem até analgésicos, tão vulgares, para os contaminados. Bolsonaro passeia de moto, programa atos reeleitoreiros, faz indecente compra-e-venda de apoio no Congresso, bate papo com a claque. A pandemia e os cabeças civis e militares do governo movem-se na mesma direção, associados.
Mais do que senso de justiça, é um saldo de senso de vergonha que pode impedir a perpetuação dessa impunidade vagabunda. Covarde. Apátrida. Mas o saldo é incerto, para dele dizer pouco.

Pois é, são candidatos

As manobras de Davi Alcolumbre para se manter na presidência do Senado, expirado o seu mandato, viajam para o Supremo. Seria melhor que acabassem no meio da rua. Não há esteio moral para que o presidente da Casa de feitura das leis não se sujeite aos regramentos que a vitalizam. E que devia ser ele a reger.
Aspirante a trocar um auditório chacrinhoso pela Presidência da República —sinal de que não lhe parecem muito diferentes—, Luciano Huck sumiu das páginas e da TV de todos os dias assim que a crise política se acentuou. Nem uma palavra sobre ela, sobre os Bolsonaro e Queiroz, sobre o descaso do governo com a pandemia. De repente se faz lembrar, outra vez em página inteira (Folha, 20.7). Com uma ideia nova: o Brasil pode ser a potência alimentar do mundo. Tema sem lado. E novidade de mais ou menos 500 anos.
João Doria arroga-se pronto para enfrentar os desafios do país. Mas não tem coragem de enfrentar uma reunião com organizações civis, artistas e outros, para conversar sobre o racismo implícito na mortandade de negros pela Polícia Militar de São Paulo. Logo, esse racismo não é só de PMs.




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Ministro interino da saúde, general erra ao dizer que assintomático não transmite o coronavírus


Não é só na distribuição de cloroquina, que o mundo já provou que é ineficaz contra o coronavírus, que o general Pazuello erra. Ontem, ele afirmou que assintomáticos não transmitem o vírus:
"Sobre como o Ministério da Saúde sugere que funcione [a reabertura], nós já nos posicionamos à Casa Civil. Tem que ter triagem em qualquer lugar. Se o gestor [governador ou prefeito] definir pela abertura de uma área, tem que ter a estrutura de triagem e de acompanhamento médico dos primeiros sintomas. Se o caso é assintomático, ele [funcionário] está trabalhando, mas também não transmite. Se o caso é sintomático, ele tem que aparecer na primeira hora." [UOL]
A Organização Mundial da Saúde afirmou em junho que assintomáticos transmitem, sim, só não se sabe em que proporção.

E por que não sabem em que proporção? Porque identificar o infectado é simples, mas os assintomáticos são todos os demais e entre eles podem estar quem nunca teve contacto com o vírus, quem está infectado mas ainda não apresentou sintomas, quem se infectou mas com uma carga fraca, que foi controlada pelo próprio organismo.

O próprio Ministério da Saúde respondeu ao Jornal Nacional afirmando "que acompanha os estudos sobre os assintomáticos, que têm risco de transmissão, embora potencialmente menor, e que a recomendação da pasta é de manter o distanciamento de no mínimo um metro e observar as etiquetas respiratórias".

O que não podemos esquecer é que Pazuello cumpre ordens de seu superior e responsável por mantê-lo interinamente no cargo há dois meses em meio a uma pandemia que já afetou mais de 2,2 milhões de brasileiros e matou mais de 83 mil. E o nome de seu superior é Jair Bolsonaro.




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Afinal, a ivermectina cura ou protege contra o coronavírus? Com a palavra a Ciência


Algumas pessoas escreveram ao Blog via WhatsApp sobre a ivermectina, que virou uma verdadeira febre no país, com prefeituras, como a de Itajaí (SC), adotando o medicamento para tratar da COVID-19.

Fiz uma pesquisa sobre o assunto e a divido com vocês. Do início:
O que é COVID-19
Os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais, incluindo camelos, gado, gatos e morcegos. Raramente, os coronavírus que infectam animais podem infectar pessoas, como exemplo do MERS-CoV e SARS-CoV. Recentemente, em dezembro de 2019, houve a transmissão de um novo coronavírus (SARS-CoV-2), o qual foi identificado em Wuhan na China e causou a COVID-19, sendo em seguida disseminada e transmitida pessoa a pessoa.
A COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a maioria (cerca de 80%) dos pacientes com COVID-19 podem ser assintomáticos ou oligossintomáticos (poucos sintomas), e aproximadamente 20% dos casos detectados requer atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade respiratória, dos quais aproximadamente 5% podem necessitar de suporte ventilatório. [Ministério da Saúde]
A origem dessa confusão sobre a ivermectina foi a divulgação de um estudo feito numa Universidade da Austrália (Universidade de Monash). [UOL]

O estudo foi feito apenas in vitro, ou seja, no laboratório, não sendo testado em nenhum ser humano, porque simplesmente a dose necessária para provocar uma reação positiva da ivermectina sobre o vírus seria absurdamente alta.
"Não há nenhuma evidência científica de que funciona, zero, nada", reforça Alberto Chebabo, vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e diretor médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
"O que teve foi esse teste in vitro que mostrou que a ivermectina pode ter uma atividade antiviral, mas a dose necessária para isso também mata as células do organismo. Então, precisaríamos de uma hiperdose, que seria tóxica para nós, para ela funcionar."
Seria como incendiar a casa para exterminar os cupins ou matar o cachorro para combater a raiva.

O Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) reprovou os dois vermífugos que vêm sendo apontados como possíveis tratamentos para a Covid-19: a ivermectina e a nitazoxanida (mais conhecida no Brasil pelo seu nome comercial, Annita).
A pesquisa contou com a participação de dez autores, incluindo colaboradores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e de outras duas unidades da USP: Instituto de Biociências (IB) e  Instituto de Física de São Carlos (IFSC).
A médica e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcomo é direta:
A ivermectina é um vermífugo, usado há muitos anos para tratamento de vermes e piolhos. Existe na formulação humana e veterinária, é muito usada na veterinária para tratar vermes de gado. Foi um dos fármacos, entre muitos outros, que são sempre estudados em laboratório para verificar se podem servir para alguma coisa. Estudos in vitro (em laboratório) não têm nada a ver com in vivo (em seres vivos). A distância que existe entre um estudo feito no laboratório e no ser humano é muito grande. 
As doses de ivermectina que foram testadas em laboratório, que não mostraram ser viricida, isto é, não matam o vírus, mas poderiam reduzir a replicação viral, são dezenas, centenas de vezes mais altas do que aquelas que são tomadas comprando o remédio na farmácia. Portanto, é uma bobagem, não faz o menor sentido. [NSC]
Trazendo o assunto de volta para o nosso chão, que não somos cientistas, o que fica é que se alguém tomou ivermectina ou Anitta (não a cantora) ou cloroquina e se curou, não foi pelo efeito curativo da substância, mas pela evolução da própria doença diante das respostas naturais da defesa de seu organismo.

É como aquela gripe que temos anualmente, que às vezes dá dor de cabeça, às vezes derruba, tosse, febre. Depois geralmente passa. Todo mundo tem sua receita para curá-la: conhaque, cachaça com limão, alho, comprimidos. Mas foi seu organismo que o salvou. Comprimidos combatem os sintomas, não o vírus.

Lembram lá do inicio da postagem? 80% das pessoas nem sentirão com pegaram o vírus ou terão sintomas leves.

Todos os cientistas são unânimes em afirmar que ainda não há nenhum medicamento eficaz contra a COVID-19.

Agora, se mesmo assim você quer tomar ivermectina ou Annita, procure um médico, porque a Anvisa, diante dessa procura pelo produto resolveu que agora só com receita em duas vias, uma delas ficando retida na farmácia.A norma foi publicada no Diário Oficial desta quinta, 23.




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Sob Bolsonaro e Pazuello Brasil bate recorde de novos casos de COVID-19. Quantos terão que morrer para se considerar genocídio?


Cloroquina e abertura da atividade econômica em meio à pandemia: essa é a política de Bolsonaro e de seu general interino na Saúde para combater o vírus.

Não está dando certo e bastou a abertura das atividades econômicas em alguns estados para o Brasil bater ontem o recorde de novos casos de infectados pelo COVID-19 em um só dia: 65339. O total de novos casos é de 2.231.871.

Tudo o que o vírus precisa é de gente nas ruas para se multiplicar. O coronavírus precisa de gente como precisamos de ar. Sem ter onde se multiplicar, ele morre.

No entanto, o incentivo à abertura e ao consumo de cloroquina e vermífugos por Bolsonaro (que mostra o que ele tem na cabeça) seguem como estratégia do governo.

Depois protestam quando o ministro Gilmar Mendes afirma que as Forças Armadas estão associando sua imagem a um genocídio.

Quantas mortes de brasileiros serão necessárias para que se considere genocídio o que acontece no Brasil?

Ou, traduzindo na linguagem militar, que eles entendem: quantas baixas na tropa serão necessárias para termos um genocídio? Ou a morte de civis não são baixas, mas "efeitos colaterais indesejáveis", como escrito nas bulas de remédios?




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Bolsonaro é prova viva de que cloroquina não serve para COVID-19


Embora faça propaganda da cloroquina e diga que a está tomando desde que foi diagnosticado com COVID-19 (embora não tenha apresentado atestado médico algum, só de bico), Bolsonaro afirmou hoje que testou mais uma vez positivo para o vírus (talvez aí a única coisa positiva do seu governo...).

Como, segundo especialistas, em sua forma branda as pessoas infestadas costumam ficar boas de 10 a 14 dias, Bolsonaro se transforma na maior antipropaganda do produto que anuncia, porque ele funciona como prova viva de que a cloroquina não serve para combater o vírus COVID-19 ou ele já estaria curado.

E agora, como continuar a defender via Ministério da Saúde a desova dos milhões de comprimidos de cloroquina que tem em estoque em cima dos incautos brasileiros, inclusive indígenas?

O desperdício de dinheiro público, que veio da ordem de Bolsonaro para que o Exército produzisse massivamente cloroquina, tem que gerar uma punição que doa no bolso do presidente e é mais uma porta para seu impeachment por improbidade administrativa.



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General 'Cloroquina' diz que Brasil será reconhecido mundialmente como exemplo positivo de combate ao coronavírus


O que dão para beber a nossos generais nos quartéis? Ou o que aprendem por lá? Porque pelo menos os generais da ativa e da reserva no governo Bolsonaro dão uma péssima imagem para nosso Exército.

Foi isso o que registrou o ministro Gilmar Mendes, quando disse que as Forças Armadas estavam se associando a um genocídio. Porque é o que está acontecendo no país.

No entanto, o general que chamei de Cloroquina, Pazuello, o interino comandante do Ministério da Saúde há dois meses, deu uma entrevista à Veja desta semana em que afirma que o Brasil será reconhecido mundialmente como exemplo positivo do combate ao coronavírus.

São mais de dois milhões de brasileiros infectados, e os números seguem subindo. Amanhã ou depois, 80 mil mortos. Como pode ser um exemplo positivo?

O ministro defende o uso da cloroquina desde os primeiros sintomas e enviou grande quantidade para tratar de nossos indígenas. Defende também que não sejam aplicados testes.

E a cloroquina é rechaçada pelo mundo. Ninguém mais a defende, a não ser o general Cloroquina e seu presidente. Ontem, a Sociedade Brasileira de Infectologia publicou uma nota em que afirma que "É urgente que a hidroxicloroquina seja abandonada".

O Brasil tem 46 milhões de testes, o mundo inteiro defende sua aplicação massiva, mas o general é contra e acha que eles não devem ser aplicados. O que farão com eles? Melhor: por que foram comprados?

Às vezes a impressão que dá é que estamos sendo desgovernados pelos habitantes da Casa Verde do Alienista, primeira fase, em que foram acolhidos os ditos loucos da cidade.

Em que mundo vive o general Pazuello, um general da ativa, para fazer a afirmação do titulo desta postagem?

O enfrentamento da pandemia pelo ministério da Saúde do general é um desastre, como o desgoverno do capitão, que foi expulso do Exército e agora parece que o trouxe para dentro de seu governo para tirar a forra da desonra.



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EUA proíbem cloroquina contra coronavírus até nas emergências, porque riscos superam supostos benefícios


Bolsonaro diz que toma cloroquina (aliás, ele também diz que está infectado), seguindo seu ídolo Trump, que também andou dizendo que tomou, mas já parou.

Nos Estados Unidos, a medicação,  que já foi parte de um dos protocolos, andou sendo escanteada e agora foi retirada de vez, até das indicações emergenciais da COVID-19:
"Com base em análise contínua de dados científicos emergentes, a FDA determinou que é improvável que a cloroquina e a hidroxicloroquina sejam eficazes no tratamento da covid-19. Além disso, à luz dos eventos adversos cardíacos graves e de outros efeitos colaterais sérios, os benefícios conhecidos e potenciais de cloroquina e hidroxicloroquina não superam os riscos conhecidos e potenciais do seu uso", afirmou o órgão, em um comunicado no último dia 15 de junho.
O órgão foi além e, há dez dias, publicou uma revisão dos casos de efeitos colaterais graves em pacientes com coronavírus que receberam doses da medicação.
As reações incluem graves arritmias cardíacas, problemas no sistema sanguíneo e linfático, falência do fígado e lesões nos rins. No relatório da FDA, dos 347 pacientes com covid-19 que apresentaram resposta adversa no uso da hidroxicloroquina, 77 morreram. No caso da cloroquina, dos 38 pacientes com reações graves, dez não sobreviveram. [Fonte: BBC]
Em outras palavras (no caso, números); Reação adversa com hidroxicloroquina, 22% de mortes. Com cloroquina, 26%. Para um resultado, segundo todas as pesquisas, nulo. Quem não morre de cloroquina se recupera sozinho, porque é inócua.

Você tomaria um medicamento que não serve para recuperá-lo da COVID-19, mas pode matá-lo?

Bolsonaro faz isso, pois tem um batalhão de médicos e de equipamentos e exames à sua disposição, e está sendo monitorado 24 horas por dia.

Pelas pesquisas, a conclusão a que se pode chegar é: Se Bolsonaro se recuperar, foi resposta do próprio organismo. Se morrer, foi a cloroquina.



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