O ex-senador Aloysio Nunes Ferreira faz a mais dura crítica tucana à Lava Jato
O tucano Aloysio, que no tempo da ditadura era de esquerda e chegou a ser motorista de Marighela, até virar à direita com seu colega Serra e pegarem a estrada sem volta que os levou à criação do PSDB, deu uma entrevista contundente a José Marques na Folha.
O tucano se diz estarrecido com as reportagens da Vaza Jato, que desnudam a baixaria dos bastidores da Lava Jato, e, embora tenha sido um dos defensores do golpe do impeachment de Dilma, vê com outros olhos a operação.
Aloysio ficou particularmente impressionado com a divulgação do grampo da conversa entre Dilma e Lula, sem as outras ligações, que mostravam que o objetivo da nomeação era que Lula ajudasse a barrar o impeachment: "
Eles
manipularam o impeachment, venderam peixe podre para o Supremo Tribunal
Federal. Isso é muito grave".
A seguir, trechos da entrevista:
Que avaliação o sr. faz da Lava Jato até o momento?
Acho que os diálogos divulgados pelo Intercept e por vários veículos, entre os quais a Folha,
carimbam muitos desses procedimentos de absoluta ilegitimidade. Não é
possível, em um processo judicial, em um país civilizado, um juiz e os
procuradores se comportarem da forma como se comportaram. Processo
judicial exige um juiz independente, imparcial, que dê iguais
oportunidades tanto à defesa quanto ao Estado provarem seus argumentos.
É um processo viciado por essa relação promíscua entre o juiz e os
procuradores, imbuídos de um projeto político, que vai além do processo
judicial.
Foi uma surpresa? O PT sempre criticou o viés político [da operação].
Quando você fala na divulgação do diálogo de Lula com a Dilma,
evidentemente você tem uma manipulação política do impeachment. Quando
você tem a divulgação da delação de [Antonio] Palocci
nas vésperas da eleição presidencial, você tem uma manipulação política
da eleição presidencial. Isso feito de caso pensado, como os diálogos
revelaram.
Não é uma coisa por inadvertência, foi de caso pensado. Então, isso
para mim torna, não todos, porque não conheço todos, esses casos em que
esse tipo de procedimento se verificou, nulos, porque atingiu um
princípio fundamental do Estado de Direito, que é a garantia que a
existência de um juiz imparcial dá ao direito de defesa.
Principalmente na época do impeachment, o PSDB explorou muito essa divulgação de diálogos.
Não
só o PSDB. O Supremo Tribunal Federal acabou por barrar a posse do Lula
[como ministro de Dilma] com base em uma divulgação parcial de diálogo,
feita por eles, Moro e seus subordinados, do Ministério Público. Eles
manipularam o impeachment, venderam peixe podre para o Supremo Tribunal
Federal. Isso é muito grave.Houve um peso político na divulgação dos áudios?
Eles
[autoridades da Lava Jato] manipularam o impeachment ao barrar a posse
do Lula. Se Lula tivesse ido para a Casa Civil, não seria capaz de
recompor a base política do governo? Lula, que dizem que foi um governo
socialista, governou com a direita. Teria rapidamente condições de
segurar a base política. Porque o impeachment é um processo jurídico
—crime de responsabilidade—, e político. Ele, pelo menos em relação à
questão política, talvez tivesse condição de recompor. Foi exatamente
por isso que eles procuraram barrar, como conseguiram, a posse de Lula.
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