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Na manutenção do Airbus acidentado, TAM usava semana de oito dias e dia de 48 horas

Reportagem de Alan Gripp hoje em O Globo:

A TAM fez com atraso pelo menos seis inspeções obrigatórias no Airbus A-320, que, no dia 17 de julho, explodiu em Congonhas, matando 199 pessoas. As vistorias fora do prazo ocorreram em junho e julho, sendo uma delas no dia da tragédia. As irregularidades serviram para revelar a fiscalização frouxa da Agência Nacional de Aviação Civil, que só descobriu os atrasos e multou a TAM após ser provocada pela CPI do Apagão Aéreo na Câmara. Os autos de infração foram lavrados nesta semana. Todos no mesmo dia: terça-feira (7 de agosto).

Segundo documentos da Anac, os atrasos aconteceram em cinco inspeções daily (diária) e uma weekly (semanal). São vistorias de rotina, feitas nos hangares das companhias nos aeroportos, e exigidas pelo Código Brasileiro de Aeronáutica. Segundo o manual da TAM, no Airbus A-320, as inspeções diárias têm que ser feitas a cada 48 horas e as semanais, a cada oito dias. A Anac não informou o tamanho do atraso.

Na inspeção daily, os mecânicos da companhia aérea fazem uma vistoria visual em 21 pontos da parte exterior do avião. São checados itens básicos, como o estado da fuselagem, a pressão dos pneus, o funcionamento de luzes e componentes de segurança. Já a weekly inclui os motores e verifica, na parte interna da aeronave, equipamentos de emergência, como portas, avisos luminosos e cilindros de oxigênio. Na maior parte dessas vistorias não são encontrados problemas que comprometem a segurança.

As aeronaves, como carros, têm revisões periódicas, calculadas segundo o tempo de vôo. No dia 13 de julho, os técnicos da TAM detectaram uma pane no reverso (que inverte a potência do motor e ajuda a frear) direito do avião, que acabou sendo travado. O reverso, segundo especialistas, poderia ter ajudado a parar o avião.

Em nota, a TAM informou que apenas ontem tomou conhecimento das multas (os valores não foram divulgados) e que analisará os documentos das vistorias atrasadas. A companhia ressaltou que, no caso de vôos overnight, que atravessam a madrugada, a legislação permite que as vistorias sejam distribuídas ao longo do dia. A Anac não explicou porque multou a TAM somente na última terça-feira. As infrações foram aplicadas depois que a CPI pediu ajuda para compreender um relatório das manutenções nos aviões da TAM.

É por isso que logo após o acidente, aviões da TAM começaram a sofrer manutenções preventivas não programadas. É que a semana da TAM voltou a ter sete dias e os dias 24 horas. Até quando?

Não podemos esquecer que a TAM tem como seu primeiro mandamento (são sete, o número que dizem ser o dos mentirosos) "Nada substitui o lucro".

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Para TAM, o lucro está em primeiro lugar

Hoje, sétimo dia após o acidente com o Airbus 320 da TAM, publicamos os sete mandamentos, que são a base da filosofia da empresa.

Estão lá no site da empresa os sete mandamentos da TAM. Veja a lista, reproduzida abaixo, e repare bem qual é o primeiro e mais importante.

- Nada substitui o lucro
- Em busca do ótimo não se faz o bom
- Mais importante que o cliente é a segurança
- A maneira mais fácil de ganhar dinheiro é parar de perder
- Pense muito antes de agir
- A humildade é fundamental
- Quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar

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Luis Nassif: A equipe econômica do real comprometeu o futuro do país

Vale a pena ler a entrevista de Luis Nassif a Daniel Bramatti no Terra Magazine. Mais uma vez, o jornalista, escritor, músico e blogueiro aponta sua artilharia para os cabeças-de-planilha, especialmente André Lara Rezende, que ele acusa de ter enriquecido às custas do câmbio, na época em que era um dos formuladores da política econômica do governo FHC.

(...) “eles tomaram um conjunto de medidas técnicas cuja única lógica foi permitir enormes ganhos para quem sabia para onde o câmbio ia caminhar. E o grande vitorioso desse período é o André Lara Rezende, que é um dos formuladores dessa política cambial.”

(...) “O banco Matrix ganhou centenas de milhões de dólares naquele período. O Matrix é do André Lara Resende. E outros bancos de investimento ganharam. Quando você pega o Encilhamento, do Rui Barbosa, você dá o direito de liquidez, de emitir moeda, para um determinado banco. A liquidez em si garante uma certa riqueza, mas, com um ambiente especulativo, essa riqueza pode ser multiplicada. No tempo do Rui Barbosa era a Bolsa de Valores e o mercado de câmbio. No Real era o mercado futuro de câmbio, o mercado de derivativos. No que consistia o jogo: fazer uma aposta na apreciação do real e ficar na ponta vendida do mercado. Só que, para que desse certo, era preciso afastar os grandes bancos desse jogo. Porque se o câmbio começasse a cair muito, os grandes bancos, que tem acesso a linhas de crédito em dólar, poderiam entrar forçando do lado dos comprados. Eles afastaram os grandes bancos definindo uma flutuação de mais 15%, menos 15%, que criava um fator de risco muito grande. Os bancos comerciais não iam entrar porque corriam risco de descasamento entre ativo e passivo. Então ficam no jogo os bancos de investimento - um grupo de bancos de investimento que têm reuniões alguns meses antes do Real - e, do outro lado, um conjunto de empresas que queria comprar dólar para hedge. Essas empresas apostavam que o dólar poderia ir até a R$ 1,08. Com o modelo que eles adotaram, aquela taxa de juros violenta, e o Banco Central garantindo que o dólar não passaria de R$ 1, criou-se todo um ambiente para a apreciação do câmbio. Na primeira tacada ele vai para R$ 0,90 e os vendidos ganham um horror.”

Nassif considera que os “erros” da equipe econômica do Real (“erros” que ele julga propositais – “Eles eram muito preparados e muito competentes para ser um erro teórico um desastre daquelas proporções”) prejudicam o país até hoje:

- Essa conta comprometeu o futuro do país inexoravelmente. A gente não perdeu só dez anos de crescimento, a gente perdeu a maior chance da história.

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